Paris - Parte XIII - Cimetière du Père-Lachaise e Chapelle de la Médaille Miraculeuse- Região de Île-de-France - França - 2012
- 16 de jun.
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Chapelle Notre-Dame de la Médaille Miraculeuse (Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa), altar da igreja, com a imagem da Virgem Imaculada. Rue du Bac, 140, arrondissement du Palais-Bourbon, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Paris - Parte XIII
Continuando nosso turismo em Paris, fomos conhecer o maior e o mais famoso cemitério da cidade, o Cimetière du Père-Lachaise.
Como gostamos muito de flanar a pé por Paris, e o local de partida do passeio era nosso terceiro hotel, localizado nas proximidades da Église Notre-Dame-de-Lorette, no sul de Montmartre, utilizamos para chegar ao cemitério o eixo Boulevard Poissonnière-Avenue de la République, passando pela Place de la République.
Na confluência do referido eixo, no cruzamento do Boulevard Saint-Denis com a Rue Saint-Denis, nos deparamos com o grande arco conhecido como Porte Saint-Denis.
Os arcos do triunfo franceses são herança de uma tradição que remonta à civilização romana; naquela época, um arco triunfal era erigido para celebrar a cerimônia do triunfo romano, permitindo, também, a purificação do exército após a guerra; acreditava-se que, após combater o inimigo, era preciso passar por um "portal mágico" ao entrar na cidade para ser purificado.
A Porte Saint-Denis foi inspirada no Arco de Tito em Roma e erguida, entre 1672 e 1673, em homenagem ao rei Luís XIV, vitorioso na Guerra Franco-Holandesa contra as Províncias Unidas; a inscrição em latim "Ludovico Magno", que significa "A Luís, o Grande", ergue-se a 25 metros do chão; chama-se porta porque ele foi erguido no lugar de uma das portas da antiga muralha do rei Carlos V, que sinalizava o então limite territorial da cidade de Paris, ao mesmo tempo em que indicava a direção da urbe que dava o nome à entrada, ou seja, Saint-Denis, cidade que fica ao norte da capital.

"La porte St. Denis"; estampa de autoria do gravador Adam Pérelle, por volta da segunda metade do século XVII; acervo do Musée Carnavalet - Histoire de Paris. https://www.parismuseescollections.paris.fr/fr/musee-carnavalet/oeuvres/la-porte-st-denis#infos-principales

Face sul da Porte Saint-Denis, vista a partir da Rue Saint-Denis; construído entre 1672 e 1673, segundo o projeto de François Blondel (1618-1686) e adornado com baixos-relevos esculpidos por Michel Anguier (1612-1686), este arco triunfal em estilo clássico celebra as vitórias de Luís XIV durante a Guerra Franco-Holandesa (a travessia do Reno e a conquista de Maastricht); como um Alexandre, o Grande, dos tempos modernos, o rei não se limitou a imitar os antigos; ele os superou na escala dos arcos triunfais erguidos em sua homenagem; entre a parte superior do arco e o entablamento, vê-se um baixo-relevo de autoria de Michel Anguier representando a passagem do rio Reno em Tolhuis feita pelas tropas francesas comandadas pelo rei Luís XIV; na pirâmide da esquerda, abaixo dos "troféus de armas", vê-se a Holanda (Países Baixos) representada por uma figura feminina exausta; na pirâmide da direita, também sob os "troféus de armas", vê-se o rio Reno representando por um deus tomado pelo terror. Boulevard Saint-Denis com Rue Saint-Denis, arrondissement de l'Entrepôt, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Seguindo para o leste, em direção ao Père-Lachaise, encontramos a Place de la République.
Anteriormente conhecida como Place du Château-d'Eau, a atual Place de la République era um importante entroncamento do tráfego parisiense (bonde), mas, em 1878, o Conselho Municipal de Paris, em homenagem ao republicanismo — uma ideologia política e um conceito de liberdade — lançou um concurso para erguer uma estátua na praça; o escultor escolhido foi Léopold Morice, e o arquiteto, seu irmão, Charles; em 1879, o monumento foi encomendado à fundição dos irmãos Thiébaut, uma das mais importantes fundições de arte da França durante os séculos XIX e XX, e inaugurado em 1883.
O Monument à la République é composto de três degraus circulares de granito, alcançando 15,5 metros de altura; a base do plinto está coberta por doze altos-relevos interligados por rosetas, representando os acontecimentos da República Francesa, desde a Revolução até 1880; no topo, ergue-se uma figura feminina de bronze, de 9,5 metros, conhecida como Marianne, representando a República.

Monument à la République, inaugurado em 1883, constituído da estátua de bronze de Marianne, com 9,5m, de autoria do escultor Léopold Morice, e a base de granito de cerca de 15,5m, criada pelo arquiteto Charles Morice; o pedestal apresenta três estátuas de pedra, alegorias da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade (na fotografia, temos as esculturas representando, à esquerda, a Igualdade, e, à direita, a Liberdade); Marianne está representada em pé, vestindo uma toga e um boldrié do qual está presa uma espada; usa, sobre a cabeça, o barrete frígio, símbolo da liberdade, e uma coroa de folhagens; na mão direita, a estátua segura um ramo de oliveira, símbolo da paz; sua mão esquerda repousa sobre uma placa com a inscrição "Direitos do Homem". Place de la République, arrondissement de l'Entrepôt, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Quase chegando no cemitério, pudemos observar o Lycée Voltaire, erguido ainda no estilo haussmanniano a partir do segundo semestre de 1885, de acordo com o projeto do arquiteto Eugène Train, e concluído em setembro de 1890; sua construção foi financiada metade pela cidade de Paris e metade pelo Estado, tendo sido inaugurado em 13 de julho de 1891, na presença do presidente da República Sadi-Carnot, simultaneamente à inauguração da Avenue de la République.
A arquitetura haussmanniana permite a entrada de muita luz natural nas salas de aula; os edifícios, projetados para acomodar 1.200 alunos, incluindo 500 alunos em regime de meio período, estão organizados em torno de 4 pátios (pátio central ou de honra, pátios leste e oeste, em cada lado, e pátio de Educação Física e Esportes, ao norte).
O liceu foi batizado com esse nome em homenagem a François-Marie Arouet, conhecido como Voltaire, escritor e filósofo iluminista francês do século XVIII, autor de "Cândido", "Tratado sobre a tolerância" e "Dicionário filosófico".
É um estabelecimento público de ensino geral e tecnológico, organizado como um complexo escolar (ensino fundamental, ensino médio e turmas preparatórias para as Grandes Écoles).

Fachada principal do Lycée Voltaire, erguido entre 1885 e 1890 e inaugurado em 1891, obra do arquiteto Eugène Train; a porta monumental é encimada por dois bustos: o de Voltaire, à esquerda, e o de Ampère, que representam aqui as Artes e as Ciências, respectivamente; estabelecimento público de ensino. Avenue de la République, 101, arrondissement de Popincourt, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Finalmente adentramos ao Cimetière du Père-Lachaise.
Nas encostas do Mont-aux-Vignes, hoje conhecido como Mont-Louis em homenagem ao rei Luís XIII, erguia-se uma propriedade notável, originalmente um sítio rústico pertencente ao arcebispo de Paris, que posteriormente se tornou propriedade dos jesuítas; "La Folie-Régnault", anteriormente conhecido como "Champ l'évêque", foi transformado em um local de repouso e espiritualidade, graças particularmente ao padre - père, em francês - François d'Aix de La Chaise, confessor do rei Luís XIV; com o apoio financeiro do monarca, ele embelezou o local com um elegante castelo, rodeado por jardins requintados, em 1676; a propriedade tornou-se um local apreciado para os retiros espirituais do père de La Chaise, contribuindo para o seu crescimento até 1762, ano em que os jesuítas foram expulsos da França e Mont-Louis foi vendido.
Assim, o local começou a ser conhecido como Père-Lachaise ainda quando era propriedade dos religiosos; porém, a tranquilidade do local começou a ser perturbada a partir do início do século XIX, quando um grande desafio surgiu para a cidade de Paris; uma lei aprovada em 1765 proibiu cemitérios dentro das cidades por razões sanitárias, o que levou ao fechamento do Cemitério dos Inocentes em 1780 e deixou Paris sem espaço suficiente para sepultamentos; Napoleão Bonaparte, então Primeiro Cônsul, tomou a decisão visionária de garantir um sepultamento digno para cada cidadão, resultando na criação de novos cemitérios, naquele tempo em regiões fora da área urbana, incluindo Montparnasse, Passy e Montmartre.
A propriedade Père-Lachaise foi transformada em cemitério em 1803, quando foi adquirida pela cidade de Paris; Alexandre-Théodore Brongniart, o arquiteto responsável pelo projeto, concebeu o cemitério como um jardim ao estilo inglês, com árvores e terreno variado, e o inaugurou em 21 de maio de 1804.
No entanto, os parisienses inicialmente relutaram em ser enterrados ali, considerando-o muito distante e próximo a bairros pobres; os primeiros tempos do Cimetière du Père-Lachaise foram, portanto, difíceis; os parisienses não se entusiasmaram com a ideia de repousar eternamente fora dos limites da cidade.
Em 1817, uma ousada iniciativa de relações públicas foi empreendida: a transferência dos restos mortais de figuras icônicas, como Molière e Jean de La Fontaine, para este local isolado; o casal medieval, Heloísa e Abelardo, também foi sepultado com grande pompa.
O sucesso foi estrondoso, tornando o Père-Lachaise não apenas um local de descanso eterno popular, mas também um destino para passeios e contemplação entre os ilustres falecidos; o que começou como uma área de 17 hectares contendo algumas sepulturas foi transformado em uma prestigiosa necrópole de 43 hectares, abrigando mais de um milhão de almas e 70.000 jazigos.
Visitamos alguns túmulos nos quais foram depositados os restos mortais de personalidades da história, particularmente artística.
Honoré de Balzac é um renomado escritor francês, expoente do Realismo, muito famoso por conta de sua grandiosa obra literária, quase toda incorporada na sua coletânea "La Comédie humaine" (A comédia humana), uma provocação ao escritor florentino (hoje, italiano), Dante Alighieri, que havia escrito "La Divina Commedia" (A divina comédia), no século XIV.
Em 1828, aos 29 anos, ele encontrou refúgio na Rue Cassini, 1, no 14º arrondissement, onde escreveu suas obras mais famosas: "Les Chouans" (1829), "La Peau de chagrin" (1831) e "Le Père Goriot" (1835); nascia, assim, a epopeia de "La Comédie humaine" (A comédia humana): 2.500 personagens e uma obra que totalizava 95 romances.
Balzac faleceu em 1850, aos 51 anos.

Tumba de Honoré de Balzac; seu túmulo é uma obra notável, encimado por um busto de bronze de Balzac, criado pelo escultor Pierre-Jean David d’Angers; o busto, que retrata o escritor como um eremita, é cercado por uma grade de ferro forjado adornada com motivos simbólicos, incluindo uma pena e uma referência a “A Comédia Humana”, a obra monumental de Balzac; a esposa do escritor, a ucraniana Ewelina Hańska, encontra-se enterrada ao lado dele. Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Eugène Delacroix é um pintor francês, representante do Romantismo; dentre as obras mais famosas, temos "Les Natchez", "La Mort de Sardanapale", "La Liberté guidant le peuple" e "La Chasse aux lions".
Suas grandes criações murais exigiram um número impressionante de horas de trabalho, passando a maior parte do tempo em cima de andaimes, causando séries abalos na saúde frágil do artista, que terminou por falecer em 1863.

Tumba de Eugene Delacroix; pintor francês do século XIX, expoente do Romantismo, autor do quadro que, para muitos, representa a República Francesa: "La Liberté guidant le peuple" (A Liberdade guiando o povo). Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido como Allan Kardec, educador francês, fundador da doutrina espírita, também chamada de espiritismo, da qual foi o codificador, falecido em 1869; alguumas obras famosas: "O Livro dos Espíritos" e "O Evangelho segundo o Espiritismo".
O túmulo de Allan Kardec é um dos mais populares e floridos do Cimetière du Père-Lachaise; muitos visitantes — principalmente brasileiros — vêm prestar suas homenagens ou simplesmente tocá-lo; também é visitado regularmente por filósofos, educadores e espiritualistas em busca de inspiração para seus trabalhos.

Tumba de Allan Kardec; o formulador da doutrina espírita (ou espiritismo); o monumento, projetado no estilo de um grande dólmen de granito, é bastante impressionante; a parte superior do dólmen traz gravado o lema "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir incessantemente, tal é a Lei" (tradução livre do francês); no centro, encontra-se um busto de bronze do próprio Allan Kardec, obra de Paul-Gabriel Capellaro, em cujo pedestal encontra-se a inscrição: "Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa está na razão da grandeza do efeito" (tradução livre do francês). Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Busto de Allan Kardec; o fundador da doutrina espírita; obra do escultor francês Paul-Gabriel Capellaro. Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Marcel Proust, escritor francês, um dos maiores do final do século XIX e início do XX, sendo sua obra-prima a saga romanesca "À La Recherche du Temps Perdu" (Em busca do tempo perdido), composta de 7 volumes; faleceu em 1922.
A obra de Marcel Proust foi alvo de intensa controvérsia durante sua vida; alguns a consideravam brilhante, enquanto outros a consideravam ilegível; hoje, é considerada uma obra fundamental da literatura francesa.

Tumba de Marcel Proust, escritor francês do final do século XIX e do início do XX, autor da saga romanesca "Em busca do tempo perdido". Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
No nordeste do cemitério, encontra-se uma alameda batizada de Avenue des Combattants Étrangers Morts pour la France (Avenida dos Combatentes Estrangeiros Mortos pela França), onde se encontram alguns monumentos que homenageiam outros povos que lutaram em prol da França, dentre eles, o Monumento aos Combatentes Russos Tombados na Resistência Francesa.
A Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, enviou prisioneiros de guerra soviéticos (civis deportados e militares) para a França com a finalidade de realizar trabalhos forçados; poucos deles falavam francês; no entanto, havia uma significativa população de imigrantes poloneses, que chegaram entre as duas guerras mundiais por razões econômicas, que serviram como intérpretes entre os soviéticos e a população local.
Alguns prisioneiros soviéticos conseguiram escapar dessas prisões e, frequentemente, juntavam-se a grupos de resistência comunistas.; seu número permitiu a formação do 1º Regimento Soviético de Partisans, que contribuiu para a libertação de Montpellier, Toulouse e Nîmes, bem como do 2º Regimento, que participou da libertação de Lyon; muitos deles morreram na luta contra as forças nazistas; existem por volta de 250 sepulturas de guerra na França, onde estão enterrados 10.000 soldados soviéticos mortos durante a guerra.

Monumento aos Combatentes Russos Tombados na Resistência Francesa, inaugurado em 8 de maio de 2005 por iniciativa de Oleg Ozerov (1922-2007), presidente da Associação de Veteranos Russos da Resistência Francesa; sobre uma base de mármore branco, encontra-se uma escultura em bronze, obra do escultor russo Vladimir Surovtsev, que retrata um combatente russo com semblante orgulhoso, em pé, portando uma metralhadora e duas granadas. Avenue des Combattants Étrangers Morts pour la France, Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Oscar Wilde, escritor e dramaturgo irlandês, um dos mais brilhantes e controversos do final do século XIX; suas obras mais conhecidas são a peça teatral "Salomé" e o romance "The Picture of Dorian Gray" (O retrato de Dorian Gray); faleceu em 1900.
Ao longo das décadas, seu túmulo tornou-se um verdadeiro local de peregrinação para admiradores de todo o mundo, fascinados por seu gênio, seu humor mordaz e seu destino trágico; o túmulo tornou-se famoso não apenas por sua estética diferenciada, mas também por um ritual inusitado: os visitantes, em sua maioria mulheres, depositavam marcas de batom na pedra; por mais romântica que fosse, essa tradição infelizmente danificou o monumento, a ponto de os administradores do lugar mandarem erguer uma parede de vidro para protegê-lo.

Tumba de Oscar Wilde, escritor e dramaturgo irlandês, autor do célebre "O retrato de Dorian Gray"; seu túmulo, outrora modesto, foi transformado em um monumento espetacular pelo escultor anglo-americano Jacob Epstein; encomendado em 1908 e concluído em 1914, o túmulo, intitulado "Anjo Demônio Voador", foi esculpido num bloco de vinte toneladas de pedra Hoptonwood importada da Inglaterra; ela retrata uma figura alada estilizada e poderosa, algo entre uma esfinge e um anjo, que pretende personificar a força vital e a libertação do espírito, rompendo com a estética funerária clássica; uma proteção de vidro foi colocada ao redor da tumba para impedir a tradição de os fãs beijarem o túmulo, deixando marcas de batom, normalmente vermelho. Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Giovanna Gassion, conhecida como Édith Piaf, letrista, compositora e cantora francesa, uma das mais famosas do século XX, intérprete de canções memoráveis como "La vie en rose", "Hymne à l'amour", "Milorde" e "Non, je ne regrette rien".
Sua morte, em 1963, provocou uma comoção sem precedentes na França; meio milhão de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre entre sua casa, no Boulevard Lannes, e o Cimetière du Père-Lachaise; dentro do cemitério, quase 40.000 pessoas compareceram para prestar suas últimas homenagens à cantora.

Tumba de Edith Piaf, letrista, compositora e cantora francesa de grande sucesso mundial no século XX, tendo como canção simbólica "La vie en rose". Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Frédéric Chopin, pianista virtuoso e compositor franco-polonês, um dos maiores compositores eruditos de todos os tempos; de caráter reservado, frágil e melancólico, seus noturnos, baladas, scherzos, prelúdios e estudos são elogiados por sua profundidade emocional e complexidade técnica; entre suas composições mais famosas estão a “Balada nº 1 em Sol menor”, os “Noturnos Op. 9”, a “Polonaise Heroica” e a “Sonata para Piano nº 2”, que contém a famosa “Marcha Fúnebre”.
Falecido em 17 de outubro de 1849, o funeral de Chopin ocorreu em 30 de outubro de 1849, na Église Sainte Marie-Madeleine (la Madeleine), em Paris; a cerimônia, muito solene, atraiu uma grande multidão, um testemunho do impacto do compositor em sua época; o "Requiem" de Mozart foi executado, assim como a sua própria "Marcha Fúnebre", criando uma atmosfera profundamente comovente.
Chopin foi sepultado no Cemitério Père-Lachaise, na Divisão 11, uma das seções mais visitadas do cemitério.
Uma irmã do compositor, que viera da Polônia pouco antes de sua morte, levou seu coração para Varsóvia, conforme seu último desejo, tendo sido depositado na Igreja da Santa Cruz, uma igreja barroca localizada em frente à Universidade de Varsóvia.

Tumba de Frédéric Chopin, compositor erudito e pianista virtuoso franco-polonês do século XIX; o monumento funerário - uma obra notável erguida em 1850 - foi projetado pelo escultor Auguste Clésinger, genro de George Sand, ex-amante do compositor; o túmulo, sóbrio e elegante, distingue-se por uma escultura em mármore branco que representa uma musa em luto segurando uma lira quebrada, simbolizando o fim trágico de um gênio musical que morreu prematuramente, aos 39 anos, refletindo perfeitamente o espírito romântico que caracterizou a obra de Chopin. Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Gioachino Rossini, compositor italiano, conhecido por suas célebres óperas, como "O barbeiro de Sevilha", "Otelo", "Tancredi", "Semiramide" e "Guilherme Tell"; faleceu em 1868.
Uma grande cortejo atravessou toda Paris até chegar ao Cimetière du Père-Lachaise; lá, após um discurso final, Rossini foi sepultado em um jazigo provisório enquanto a capela funerária era concluída; assim que finalizada, foi organizada uma solene transferência para o sua capela funerária.
Mas a Itália, recém-independente, exigiu a repatriação de seu herói nacional; em 1887, seus restos mortais foram exumados e transportados para a cripta da la Madeleine; permaneceram no local até a transferência para Florença; outra importante cerimônia foi organizada para a transferência final para a Basilica di Santa Croce, em Florença.

Tumba de Gioachino Rossini, compositor erudito italiano, autor de óperas memoráveis, como "Otello" e "O barbeiro de Sevilha"; em frente à capela, erguem-se dois candeeiros de óleo sobre pedestais; a capela é obra do arquiteto Charles Doussault; os restos mortais de Rossini foram exumados e transferidos para Florença, em 1887, e depositados na Basilica di Santa Croce; os restos mortais de sua esposa, Olympe Pélissier Rossini, falecida em 1878, continuam na capela. Cimetière du Père-Lachaise, Rue du Repos, 16, arrondissement de Ménilmontant, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Por fim, fomos à Chapelle Notre-Dame de la Médaille Miraculeuse (Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa), situada na Casa Mãe da Compagnie des Filles de la Charité, fundada por São Vicente de Paulo, em 1633, com auxílio de Santa Luísa de Marillac e a freira Marguerite Naseau.
A história da Medalha Milagrosa começa com as três visões da Virgem Maria pela freira da ordem, Santa Catarina Labouré, as duas primeiras ocorridas em 18 de julho e 27 de novembro de 1830, que são inseparáveis: a primeira prepara o caminho para a segunda, que é, naturalmente, de suma importância: a Virgem Imaculada confia sua Medalha ao mundo; por meio deste sinal, Maria revela sua Imaculada Conceição; o reverso da Medalha apresenta símbolos que ligam intimamente Maria aos mistérios da Encarnação e da Redenção; a terceira, ocorrida em dezembro de 1830, Nossa Senhora avisa que não aparecerá mais para Catarina.
A medalha, criada em 1832, respeitando a orientação de Catarina, experimentou um crescimento explosivo; espalhou-se pelos Estados Unidos (1836), Polônia (1837), China e Rússia (1838); dez anos após seu lançamento, mais de dez milhões de exemplares haviam sido distribuídos.
Já a história da capela é anterior; em 1813, um decreto imperial (Napoleão Bonaparte - Napoleão I) concedeu às Filhas da Caridade o uso do Hôtel de Châtillon para estabelecer a casa principal de sua Ordem. Somente em 28 de junho de 1815 as irmãs puderam tomar posse de sua nova Casa Mãe; a capela ainda não estava totalmente concluída, tendo recebido a bênção solene de Monsieur Hanon em 6 de agosto de 1815; o coração de São Vicente, em 15 de agosto do mesmo ano, foi ali colocado, sob um altar lateral; o corpo de Santa Luísa de Marillac foi transferido em 3 de novembro de 1824 para um jazigo preparado para esse fim na nave, próximo aos degraus do altar.
Em 1849, em razão do grande número de irmãs residindo na Casa Mãe, foi necessária uma ampla reforma da capela para torná-la maior; a estátua de mármore representando a Virgem dos Raios (Imaculada Conceição), que domina toda a capela, foi esculpida a partir de um bloco de mármore doado à comunidade pelo governo; a estátua foi solenemente instalada em 1856.
Em 1979, a capela passou por uma nova reforma, sendo solenemente reinaugurada em 31 de maio de 1980 por Sua Santidade o papa João Paulo II.
Hoje, na capela, tem-se: o coração de São Vicente de Paulo, num relicário do altar que o homenageia (nave direita); sobre outro altar lateral (nave esquerda), encontra-se outro relicário magnífico: uma estátua de cera contendo os ossos de Santa Luísa de Marillac, religiosa que fundou, junto com São Vicente, a congregação das Filhas da Caridade; sob o altar lateral de Nossa Senhora do Sol, à esquerda do altar-mor, o corpo incorrupto de Santa Catarina Labouré repousa até hoje, atrás de uma cobertura de vidro.

Parte interna da entrada da Casa Mãe das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo; no nicho, um conjunto escultórico representando uma das visões de Santa Catarina Labouré da Virgem, ladeado pelas faces da Medalha Milagrosa. Rue du Bac, 140, arrondissement du Palais-Bourbon, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Cartaz das Filles de la Charité de Saint-Vincent-de-Paul, na sua sede em Paris, Rue du Bac, 140, arrondissement du Palais-Bourbon, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Altar-mor da Chapelle Notre-Dame de la Médaille Miraculeuse; vê-se, atrás do altar, uma grande imagem da Virgem Imaculada, em mármore; à esquerda do altar, uma imagem de São José e, à direita, a Virgem do Globo; acima do arco, a representação de uma das visões de Santa Catarina Labouré da Virgem. Rue du Bac, 140, arrondissement du Palais-Bourbon, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Detalhe do altar-mor da Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa; vê-se, atrás do altar, a escultura de mármore representando a Virgem Imaculada, instalada em 1856; a imagem foi coroada em 26 de julho de 1897, em solenidade presidida pelo cardeal Richard, arcebispo de Paris; no alto do arco, vê-se a inscrição "Oh, Maria concebida sem pecado, orai por nós que recorremos a vós" (tradução livre do francês). Rue du Bac, 140, arrondissement du Palais-Bourbon, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
O atual Altar de São Vicente de Paulo, trazido da Rue du Vieux Colombier em 1815, serviu como altar-mor até 1856, quando, durante a expansão da capela, tornou-se pequeno demais; conhecido como o "Altar das Aparições", foi preservado e colocado na nave lateral direita da capela; esta nave foi dedicada a São Vicente; o cardeal Verdier, em 27 de abril de 1930, abençoou a estátua de São Vicente, criada pela oficina Raff; em 1934, acima do altar de São Vicente, a irmã Desjeux encomendou um mosaico à oficina Maurméjean, com a seguinte inscrição em uma faixa de bronze: "Foi aos pés deste altar, então altar-mor da capela, que ocorreram as aparições de 1830 à Beata Catarina Labouré"; em 15 de fevereiro de 1947, madre Blanchot depositou a relíquia do coração de São Vicente sobre o altar; a relíquia, que fora levada para Turim, na Itália, durante a Revolução Francesa, estava guardada na Catedral de Lyon desde 1805.

Altar de São Vicente de Paulo, que se localiza à direita do altar-mor; antes de 1856, antigo altar-mor, onde ocorreram as visões de Santa Catarina Labouré; na frente do altar, a cadeira em que a Virgem se sentava, durante as aparições; atrás do altar, a imagem de São Vicente de Paulo, criada pela oficina Raff, por volta de 1930; sobre o altar, o relicário que guarda o coração do santo; no lado esquerdo do altar, abaixo da imagem da Virgem do Globo, encontra-se uma caixa-relicário de bronze dourado e paredes de vidro que abriga o corpo incorrupto de Santa Catarina Labouré, vestido com um hábito de freira (incluindo o véu branco com abas largas). Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, Rue du Bac, 140, arrondissement du Palais-Bourbon, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Fontes:
Wikipedia
"Paris: tous les plus beaux monuments", Guides Voir, Hachette Tourisme, Paris, 2010.




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