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Paris - Parte XII - Quartiers du Marais, Beaubourg e des Halles - Região de Île-de-France - França -2012

  • há 3 dias
  • 18 min de leitura

Pavilhão do Rei, erguido no início do século XVII, foi inaugurado oficialmente em 1612, nas comemorações das tratativas do casamento do rei Luís XIII com Ana da Áustria, filha do rei da Espanha. Place des Vosges, saída para Rue de Birague, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.



Paris - Parte XII


Antigo pântano, como seu nome em francês indica, le Marais começou a tomar importância no século XIV porque se encontrava próximo ao Louvre, a residência favorita do rei Carlos V; conheceu sua idade de ouro no século XVII, quando tornou-se o lugar de residência da moda para a nobreza e a alta burguesia; os maiores arquitetos construíram então palacetes suntuosos que subsistem até hoje; o distrito foi abandonado durante a Revolução, antes de ser desfigurado; mas, recentemente, vários palacetes foram restaurados, transformando-se em museus; o distrito também se tornou um local muito elegante por seus cafés e lojas.


Iniciamos nossa visita pela Place de la Bastille.


A Bastilha, que dá nome à praça, era uma fortaleza medieval transformada em prisão nos séculos XVII e XVIII.


Ocorre que, em 1789, o povo de Paris vivia na mesma miséria que na Idade Média; aliados a isso, uma grave crise econômica e a impopularidade do rei Luís XVI levaram a uma revolta, culminando, em 14 de julho daquele ano, na tomada da Bastilha, símbolo da arbitrariedade real, por populares, apoiados por alguns guardas franceses empregando dois canhões; a prisão era defendida por um governador, 32 guardas suíços e 82 inválidos de guerra, que foram massacrados; os poucos prisioneiros, 7 ao todo, foram libertados; o saldo foram cerca de 171 mortos e feridos.




"A tomada da Bastilha", obra anônima, criada por volta de 1790, pertencente ao acervo do Musée de la Révolution française. Par Photograph by Rama, Wikimedia Commons, Cc-by-sa-2.0-fr, CC BY-SA 2.0 fr, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=11341825


Logo em seguida, a fortaleza foi demolida, ficando um espaço vazio, transformado em praça.


Após a Restauração Monárquica, em 1814, reinaram Luís XVIII e, a partir de 1824, Carlos X (irmão de Luís XVI e Luís XVIII), tendo, inicialmente, adotado algumas medidas liberais, como a abolição da censura aos jornais, mas, gradualmente, tentou retornar a uma forma mais conservadora de monarquia, modificando o sistema eleitoral e suprimindo a liberdade de imprensa, duas medidas que o tornaram impopular.


Os parisienses se revoltaram e ergueram barricadas na capital: foram os Três Dias Gloriosos (27, 28 e 29 de julho de 1830), ou a Revolução de Julho, que o célebre pintor Delacroix imortalizou depois em sua famosa pintura, "A Liberdade Guiando o Povo"; essa revolução não levou ao estabelecimento de uma república, mas sim de uma monarquia constitucional, a Monarquia de Julho; Luís Filipe, duque de Orléans, ascendeu ao trono com o título de rei dos franceses.


O agora rei Luís Filipe queria homenagear aqueles que lutaram pela Revolução que o levou ao poder e, em dezembro de 1830, decidiu erguer um memorial, em forma de coluna, na Praça da Bastilha, exatamente no local onde Napoleão havia planejado a construção de um monumento representando um elefante.


A primeira pedra da Colonne de Juillet (Coluna de Julho) foi lançada em julho de 1831, no primeiro aniversário da Revolução de Julho; foi encarregado do novo projeto o engenheiro e arquiteto francês Jean-Antoine Alavoine, o mesmo que projetara o elefante de Napoleão; por questões de economia, as fundações e as estruturas inferiores da antiga fonte foram mantidas, sobre as quais a coluna foi erguida; em 28 de julho de 1840, ao som de uma sinfonia "fúnebre e triunfal" do compositor francês Hector Berlioz, composta especialmente para a ocasião, os corpos dos 504 mortos na Revolução de 1830 foram transferidos para o túmulo da coluna, que também serviu como necrópole, e o nome de cada um dos falecidos foi gravado no fuste do monumento.


Por ironia do destino, a coluna, erguida para comemorar a revolução que levou o rei Luís Filipe ao poder, foi usada alguns anos depois para celebrar sua queda; durante a Monarquia de Julho, dita constitucional, apenas 10% dos homens, os mais ricos, tinham direito a voto; assim, em fevereiro de 1848, Paris se revoltou mais uma vez, e Luís Filipe foi forçado a fugir; seu trono, tomado do Palácio das Tulherias, foi levado para a Praça da Bastilha para ser queimado aos pés da coluna.


Esses eventos levaram ao estabelecimento da Segunda República; o novo governo ordenou a transferência dos 196 corpos dos mortos na Revolução de Fevereiro de 1848 para um segundo jazigo dentro da Coluna de Julho; Adolphe Crémieux, então ministro da Justiça, estabeleceu a continuidade simbólica do monumento: "Em 1789, neste mesmo local, a Bastilha foi tomada de assalto; em 1830, recebemos a Coluna da Liberdade; hoje fundamos a República. Essa é a progressão."


Construída no local da fortaleza da Bastilha, a Coluna de Julho comemora, portanto, as duas revoluções que marcaram o reinado de Luís Filipe: a Revolução de Julho de 1830 e a Revolução de Fevereiro de 1848; essa memória foi gradualmente ofuscada pela memória duradoura da tomada da Bastilha, cuja data, 14 de julho, foi declarada feriado nacional em 1880.


A base que sustenta a coluna é a parte mais antiga do monumento: data do Primeiro Império e foi projetada para suportar a fonte em forma de elefante encomendada por Napoleão I; consiste em um plinto circular de mármore vermelho, sobre o qual repousa um segundo plinto quadrado adornado com 24 medalhões, e um terceiro plinto decorado com cabeças de leão.


Foram necessários 179.500 quilos de bronze para fabricar a Coluna de Julho; a parte metálica consiste em um pedestal cúbico que sustenta um fuste de 23 metros de altura - no qual estão gravados, em bronze e folheados a ouro, os nomes dos 504 tombados na Revolução de Julho -, coroado por um capitel compósito (mescla de elementos da ordem jônica com a da coríntia); o interior da coluna é oco: uma escada estreita com 200 degraus leva ao topo (fechado ao público).


No alto do capitel, encontra-se a escultura dourada representando o Gênio Alado da Bastilha, de autoria do escultor Auguste Dumont; empunhando uma tocha e uma corrente quebrada, ele simboliza a Liberdade; visto do chão, a estátua pode parecer pequena; mas tem quase quatro metros de altura.




A Colonne de Juillet (Coluna de Julho), tendo no alto a escultura dourada "Le Génie de la Liberté" (O Gênio da Liberdade), de autoria do escultor Auguste Dumont; a coluna foi inaugurada em 1840 em homenagem aos tombados na Revolução de Julho (1830), que levou ao poder o rei Luís Filipe; erguida no lugar em que antes se encontrava a Fortaleza da Bastilha, prisão do Ancien Régime. Place de la Bastille, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Caminhando para o oeste, nos deparamos com a belíssima Place des Vosges, antiga Place Royale.


Originalmente, o rei Henrique IV desejava criar no espaço um local dedicado à produção de tecidos finos e tapeçarias, que pudesse rivalizar com as grandes manufaturas de Lyon, Milão ou Tours; para isso, concedeu terras aos principais fabricantes, mas, em vez de estes construírem moradias para os operários, preferiram erguer opulentas palacetes particulares.


Este novo bairro tornou-se elegante: atraiu a nobreza, e a fábrica de tecidos fechou as portas já em 1607 para dar lugar aos nobres.


Mais tarde, a praça, inicialmente batizada como Place Royale, tornou-se palco de festividades; em 1612, o arranjo do casamento entre o rei Luís XIII e Ana da Áustria, filha de Filipe III, rei da Espanha, foi celebrado no local com grande pompa, com desfiles de animais, fogos de artifício e tiros de canhão; foram, também, três dias de torneios.




A Place Royale quando do carrossel de inauguração nos dias 5, 6 e 7 de abril de 1612, em homenagem ao arranjo do casamento entre Luís XIII e Ana da Áustria, filha do rei da Espanha; estampa produzida pelo gravurista suíço Matthäus Merian, provavelmente em 1612. Par Claude Chastillon / Matthäus Merian — David Rumsey Historical Map Collection, Domaine public, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=109902611


O cardeal Richelieu, o chefe do Conselho do Rei, antes de mandar construir o Palais-Cardinal (que depois se tornou Palais-Royal), residiu na então Place Royale por volta de 1615.


Já Marie de Rabutin Chantal, a futura marquesa de Sévigné, nasceu em 5 de fevereiro de 1626 no Pavilhão Coulanges, no número 1 da chamada Place Royale; após o falecimento de seu marido, ela então decidiu se mudar, como inquilina, para a ala esquerda do Hôtel Carnavalet, também localizado em Le Marais, que chamou de sua "Carnavalette", que falaremos mais à frente.


Foi renomeada Place des Vosges após a Revolução Francesa em homenagem a esta região do nordeste francês, na fronteira entre a Alemanha e Luxemburgo, que foi a primeira a pagar os impostos instituídos pelo novo governo revolucionário francês.


O traçado da Place des Vosges ilustra perfeitamente o estilo clássico francês e constitui um exemplo único da arquitetura do século XVII; originalmente, o talude era coberto de areia para permitir que os aristocratas praticassem exercícios equestres; mais tarde, uma estátua do rei Luís XIII foi erguida ali, destruída em 1792 após a queda da monarquia, e substituída por uma bacia octogonal da qual jorrava um jato de água; foi somente no início do século XIX que as estátuas equestres reais, destruídas durante a Revolução Francesa, foram reconstruídas, e a estátua de Luís XIII reapareceu.


O famosíssimo escritor Victor Hugo, autor de romances como "Notre-Dame de Paris" (O corcunda de Notre-Dame), "Os trabalhadores do mar" e "Os miseráveis", viveu no canto sudeste da praça por cerca de dezesseis anos.


A praça está estruturada em torno de dois pavilhões: o Pavilhão da Rainha, ao norte, e o Pavilhão do Rei, ao sul; esses pavilhões não estão abertos ao público; no entanto, pode-se visitar a casa de Victor Hugo, que agora é um museu municipal e está aberto todos os dias, das 9h às 18h, exceto às segundas-feiras.


É um dos conjuntos urbanos mais belos do mundo: trinta e seis pavilhões, nove de cada lado do quadrado, construídos em tijolos e pedras, com altos telhados de ardósia vazados com janelas olhos-de-boi acima das arcadas, conferem-lhes uma rigorosa simetria.




Pavilhão do Rei, erguido no início do século XVII, foi inaugurado oficialmente em 1612, nas comemorações das tratativas do casamento do rei Luís XIII com Ana da Áustria, filha do rei da Espanha; o conjunto que ladeia a praça foi construído de forma bastante homogênea e simétrica, no estilo clássico francês, com as paredes externas levantadas com pedras e tijolos vermelhos, cobertas com altos telhados de ardósia Place des Vosges, saída para Rue de Birague, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Maison de Victor Hugo, que fica no canto sudeste do conjunto, onde o escritor viveu de 1832 a 1848, e, hoje, funciona um museu municipal em homenagem a ele. Place des Vosges, 6, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Continuando nosso passeio por Le Marais, nos dirigimos ao Musée Carnavalet - Histoire de Paris , ou apenas Musée Carnavalet.


O atual museu engloba dois palacetes históricos localizados no coração do Marais, um dos distritos da capital onde o patrimônio arquitetônico é particularmente preservado: os Hôtels Carnavalet e Le Peletier de Saint-Fargeau.


O Hôtel des Ligneris (também conhecido como Hôtel Carnavalet), sediado na Rue de Sévigné, 23, é, juntamente com o Cour Carrée (Pátio Quadrado) do Louvre, um dos poucos exemplos remanescentes da arquitetura renascentista em Paris; erguido em meados do século XVI (1548-1560) para Jacques des Ligneris, presidente do Parlamento de Paris, é uma das mansões particulares mais antigas do distrito do Marais; o palacete foi vendido em 1578 para Françoise de la Baume, esposa do cavaleiro Kernevenoy, apelidado de "Monsieur de Carnavalet"; este nome corrompido é o que predominou.


A partir de 1660, o renomado arquiteto François Mansart elevou a entrada do palacete particular, na atual Rue de Sévigné, e acrescentou duas novas alas; a escritora madame de Sévigné residiu ali de 1677 a 1694.


Já o Hôtel Le Peletier de Saint-Fargeau, localizado no número 29 da Rue de Sévigné, foi construído entre 1688 e 1690, com base em projetos de Pierre Bullet (1639-1716), arquiteto do rei e da cidade, para Michel Le Peletier de Souzy (1640-1725).


Por sugestão do prefeito barão Haussmann, durante as Grandes Obras de Paris (1853-1870), o Hôtel Carnavalet foi adquirido pela cidade de Paris em 1866 para abrigar o museu histórico da capital; para isso, as fachadas do jardim do palacete incorporaram elementos de edifícios parisienses demolidos; também diversas esculturas deixaram seus locais originais para integrar o acervo do museu, como a estátua do rei Luís XIV, de autoria do escultor Antoine Coysevox, o alto-relevo de Henrique IV, criado pelo escultor e político Henri Lemaire (anteriormente instalados no Hôtel de Ville), e também a estátua da Vitória, de Louis-Simon Boizot (proveniente da Place du Châtelet); no interior, o percurso para os visitantes incorporou tetos pintados e painéis esculpidos, bem como inúmeras decorações em madeira de interiores de outros imóveis parisienses.


Assim, o Musée Carnavalet foi aberto ao público em 25 de fevereiro de 1880, sendo o mais antigo da cidade de Paris.


Desde 1880, o museu expandiu-se significativamente, com a construção de novos edifícios e a anexação do Hôtel Le Peletier de Saint-Fargeau em 1989; foi então que a joalheria Fouquet, de Alphonse Mucha, o salão Café de Paris, de Henri Sauvage, e o salão de baile do Hôtel Wendel, de José-Maria Sert, foram instalados no complexo.


Hoje, a arquitetura, a decoração e o mobiliário do museu apresentam uma história que abrange mais de 450 anos, abrigada nos dois palacetes privados; já suas coleções, por mais de 150 anos em constante crescimento, traçam a história de Paris, da pré-história aos dias atuais.




Estátua em bronze do rei Luís XIV, em trajes romanos, realizada pelo escultor Antoine Coysevox, em 1689, e remontada no Pátio de Honra do Hôtel Carnavalet em 1890. Musée Carnavalet, Rue Madame de Sévigné, 23, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




A então Sala n. 41, dedicada a Alfred de Liesville, provavelmente um ambiente do século XVI, na parede, entre o espelho e a janela, o quadro "La conduite des filles de joie à la Salpêtrière : le passage près de la porte Saint-Bernard" (A condução das prostitutas até a Salpêtrière: a passagem próxima ao Portão de São Bernardo), realizado em 1757 pelo pintor francês Étienne Jeaurat. Musée Carnavalet, Rue Madame de Sévigné, 23, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Pequeno Salão Chinês da época de Luís XV; as paredes são cobertas de madeira estilo rococó, com paisagens e motivos "chinoises", ou seja, decoração inspirada no Extremo-Oriente, muito em voga no período. Musée Carnavalet, Rue Madame de Sévigné, 23, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Salon Jaune Louis XV (Salão Amarelo Luís XV), conjunto de Salles Bouvier (Salas Bouvier); ao fundo, cômoda ebanista, peça essencial do mobiliário do séc. XVIII; os móveis e objetos de arte decorativa expostos refletem o estilo de vida de grupos sociais privilegiados; cada peça testemunha a criatividade e a qualidade do artesanato parisiense do século XVIII, uma qualidade ainda mais enriquecida pela história dos ofícios e dos bairros onde eram praticados; marceneiros, carpinteiros, escultores, relojoeiros, funileiros, fundidores e douradores trabalharam para transmitir, através das gerações, um conhecimento único. Musée Carnavalet, Rue Madame de Sévigné, 23, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Na rua de trás do Hôtel Carnavalet, encontramos a Chapelle de l'Humanité (Capela da Humanidade), o último templo positivista remanescente na Europa para a projeção da Religion de l"Humanité (Religião da Humanidade).


Inicialmente, o terreno onde atualmente a capela está localizada foi adquirido em 1642 pelo respeitadíssimo arquiteto François Mansart (responsável por diversos castelos, palacetes - inclusive a reforma do Hôtel Carnavalet - e igrejas), que ali construiu sua casa, onde viveu até sua morte em 1666. Sua família manteve a propriedade até 1759; em 1842, o edifício foi demolido pelo joalheiro Antoine Bret e, posteriormente, construiu-se outro prédio, que passou por diversos proprietários.


O prédio inteiro, localizado no n. 5 da Rue Payenne, foi adquirido, em 1903, pela Igreja Positivista do Brasil para abrigar um local de culto em homenagem à musa de Auguste Comte, Clotilde de Vaux, que supostamente teria habitado o terceiro andar do edifício em meados do século XIX; a estruturação dessa "capela" deveria seguir os planos concebidos pelo próprio filósofo francês Auguste Comte, fundador do Positivismo e ilustre morador do 6º arrondissement (Rua Monsieur le Prince, 10), que idealizou a construção de um "grande templo da humanidade".


A fachada voltada para a rua e o primeiro andar foram modificados no início do século XX, possivelmente entre 1904 e 1905, pelo arquiteto Gustave Goy, inspirados no Templo da Humanidade brasileiro, com a adição, na frente, de um busto de Auguste Comte, da inscrição "Religion de l"Humanité" (Religião da Humanidade) e da divisa positivista "L'Amour pour principe et l'Ordre pour base, le Progrès pour but" (O Amor por princípio e a Ordem por base, o Progresso por fim); na verdade, a capela adota códigos arquitetônicos religiosos, embora seja dedicada não a uma divindade, mas à "Humanidade", segundo os princípios de Auguste Comte.


O interior distingue-se pela sua rica decoração simbólica: um altar dedicado a grandes homens que marcaram a história da humanidade e inscrições das principais figuras intelectuais e morais homenageadas pelo Positivismo; o conjunto arquitetônico foi projetado para refletir os valores humanistas e racionalistas defendidos por esse movimento filosófico.


O edifício é tombado como monumento histórico desde 1982.




A Chapelle de l'Humanité ou o Temple de l'Humanité; foi inaugurado em 1905, e o "culto" segue os preceitos do Positivismo de Auguste Comte; as reformas empreendidas pelo arquiteto Gustave Goy entre 1904 e 1905 ocorreram na fachada e no primeiro andar do edifício, com a adição de um busto de Auguste Comte, da inscrição "Religion de l"Humanité" (Religião da Humanidade) e a divisa positivista "L'Amour pour principe et l'Ordre pour base, le Progrès pour but" (O Amor por princípio e a Ordem por base, o Progresso por fim). Rue Payenne, 5, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Continuando mais para noroeste do distrito, fomos visitar o Musée des Archives Nationales (Museu dos Arquivos Nacionais), que tem uma dupla função: apresentar ao público em geral os registros escritos da história francesa e proporcionar acesso à joia decorativa que são as salas que os abrigam.


O museu, no Marais, está localizado em dois luxuosos palacetes: o Hôtel de Soubise e o Hôtel de Rohan.


Em março de 1700, François de Rohan-Soubise e sua esposa, Anne Chabot de Rohan, compraram o Hôtel de Guise, sucessor do Hôtel de Clisson; localizado no coração do aristocrático bairro do Marais, este vasto palacete permitia-lhes ostentar seu alto status na corte do Rei Sol, eternizado em pedra; o casal confiou ao arquiteto Pierre Alexis Delamair a tarefa de transformá-lo; este projetou um pátio espetacular, cujo peristilo de colunas duplas emoldura uma fachada monumental redesenhada em estilo clássico, executados entre 1705 e 1708, passando o edifício a ser conhecido como Hôtel de Soubise.


Em 1732, o filho mais velho de François de Rohan-Soubise, príncipe-herdeiro do lugar, casou-se novamente; isso proporcionou a oportunidade de encomendar ao arquiteto Germain Boffrand novas reformas para o Hôtel de Soubise; Germain construiu um novo pavilhão e apartamentos, para depois dedicar todos os seus esforços ao design de interiores, com auxílio de grandes artistas da época.


Na extremidade leste do jardim, o mesmo Delamair, também entre 1705 e 1708, construiu o Hôtel de Rohan, com fachada bem diversa do outro palacete, para o filho mais novo da família Soubise, o príncipe-bispo de Estrasburgo, Armand Gaston de Rohan, futuro cardeal de Rohan; construído entre um pátio e um jardim, sua fachada monumental se abre para os canteiros de bordados, compartilhados com o Hôtel de Soubise; no interior, seus salões são ricamente decorados com tapeçarias Gobelins; a famosa biblioteca do cardeal, que ocupava todo o térreo, era frequentada pelo filósofo Montesquieu e pelo erudito Dom Bernard de Montfaucon.


Durante a Revolução Francesa, em 1789, tanto o Hôtel de Soubise como o Hôtel de Rohan foram confiscados e vendidos em benefício dos credores da família.


O Hôtel de Soubise foi adquirido pelo Estado francês, por meio do decreto imperial de 6 de março de 1808, tendo, oficialmente, sido designado como Arquivo do Império; a partir de 1867, passou a abrigar o Musée des Archives Nationales.


Já em relação ao Hôtel de Rohan, o Estado, em 1808, o destinou à Imprensa Imperial, que instalou ali suas impressoras e funcionários; após mais de um século de funcionamento, a Imprensa Nacional desocupou o palacete em 1927; o edifício foi então cedido ao Arquivo Nacional, tendo este órgão o ocupado efetivamente em 1938 com a extensão do Musée des Archives Nationales.




Fachada principal do Hôtel de Soubise, erguida em estilo clássico entre 1705 e 1708 com base no projeto do arquiteto francês Pierre Alexis Delamair, tendo na sua frente um grande pátio emoldurado por um peristilo de colunas duplas; hoje o palacete é sede do Musée des Archives Nationales. Rue des Francs-Bourgeois, 60, le Marais, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Saímos do Marais e ingressamos nos quartiers Beaubourg e des Halles.


Espetaculares conjuntos modernos, o Centre Pompidou e o Forum des Halles formam um dos polos mais frequentados da margem direita do rio Sena; caminhantes, amadores de arte, estudantes e turistas circulam aos milhares entre esses dois lugares icônicos parisienses.


Situadas a maior parte no subsolo, as lojas des Halles atraem sobretudo uma clientela jovem; na superfície, as ruas vizinhas, repletas de lojas e bares populares, estão sendo revitalizadas para melhorar sua imagem de ultrapassadas; mas ainda restam bastantes mercearias, açougues e pequenos mercados para lembrar como les Halles deviam ser nos tempos do mercado atacadista que abastecia a capital.


Do Forum des Halles, várias ruas convergem em direção ao Centre Pompidou, conjunto multicolorido de tubulações, condutos e cabos, renovado na década de 1990; no entorno e nas rues Beaubourg e Saint-Martin, antigas casas tortas e pitorescas abrigam pequenas galerias de arte contemporânea.


Iniciamos nossa visita pelo espantoso Centre Pompidou, também conhecido como Centre Beaubourg.


O então presidente da França, Georges Pompidou, decidiu, em 1969, que deveria ser construído em Paris um ambicioso centro de arte e de cultura, para abrigar, dentre outros equipamentos, o Musée national d'art moderne (Museu Nacional de Arte Moderna), que, na época, encontrava-se mal alojado no Palais de Tokyo (ver o post Paris - Parte III - Grand Palais, Petit Palais e Arco do Triunfo).


O edifício, bastante moderno para a época, é obra dos arquitetos Renzo Piano e Richard Rogers e foi inaugurado em 1977; os elementos de estrutura e de função estão expostos na parte externa do edifício, deixando o interior livre, sem colunas, pilares, escadas e tubulação, permitindo incontáveis possibilidades de utilização, por meio de módulos móveis; um sistema de cores reforçam a estética e identificam as funções: os dutos de ventilação são azuis, os tubos de água, verdes, as linhas de energia, amarelas; as faixas de circulação (elevadores e escadas rolantes, por exemplo) estão em vermelho; as grandes chaminés brancas servem para ventilar os subsolos, e as vigas estruturais são revestidas em aço inoxidável.


O centro reúne unidades distintas: o Musée national d'art moderne-Centre de création industrielle (Mnam-Cci); a Bibliotéque publique d'information (Bpi) e o Institut de recherche et de coordination acoustique/musicale (IRCAM).




Centro Pompidou, inaugurado em 1977, com base no projeto dos arquitetos Renzo Piano e Richard Rogers, é um complexo com unidades distintas: museu, biblioteca, instituto de pesquisa. Place Georges-Pompidou, Beaubourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Indo para oeste, ingressamos em les Halles; nossa primeira atração é a Église Saint-Eustache.


Na estrada que ligava a Île de la Cité à colina de Montmartre, nas proximidades da muralha de Filipe Augusto, foi construída em 1213 uma modesta capela; em 1223, tornou-se igreja paroquial, dedicada a Santo Eustáquio, e recebeu relíquias deste mártir romano, doadas pela Abadia de Saint-Denis.


Com o passar dos anos, a população local cresceu muito, tornando necessária a expansão da igreja; a pedra fundamental da igreja atual foi lançada em 19 de agosto de 1532, durante o reinado de Francisco I, embora o nome do primeiro arquiteto permaneça desconhecido.


Em 26 de abril de 1637, a igreja foi finalmente consagrada por Jean-François de Gondi, arcebispo de Paris; mesmo com a construção durando mais de um século, os visitantes que entram em Saint-Eustache pela primeira vez se surpreendem com sua unidade.


Em 1655, Jean-Baptiste Colbert, o ministro mais poderoso do reinado de Luís XIV, paroquiano e primeiro administrador da Église Saint-Eustache, mandou construir duas capelas sob as torres da fachada ocidental (principal), o que comprometeu seriamente sua integridade estrutural; a fachada e o primeiro vão da nave e as naves laterais tiveram que ser demolidas.


Em 22 de maio de 1754, o então duque de Chartres – o futuro Philippe Égalité (Filipe Igualdade) – lançou a primeira pedra do portal atual; os planos foram elaborados por Jean Hardouin Mansart de Jouy; a construção, continuada por Pierre-Louis Moreau, permanece inacabada até hoje.


Várias personalidades da França foram batizadas nessa igreja, dentre eles, Richelieu (1585), Molière (1622) príncipe Eugênio de Sabóia-Carignan (1668) e madame de Pompadour (1721).


Luís XIV recebeu sua primeira comunhão ali por volta de 1649.


Outras tem seus restos mortais repousados, como Colbert (1683), Scaramouche (1694) e Rameau (1764), bem como foram realizados os funerais de La Fontaine (1695), Anna Maria Pertl, mãe de Mozart (1778) e Mirabeau (1791).




Portal Renascentista da Église Saint-Eustache, no transepto sul; a igreja, erguida entre 1532 e 1637, possui um estilo arquitetônico único, combinando elementos góticos com motivos decorativos esculpidos em estilo renascentista; teve sua fachada principal, voltada para o oeste, modificada a partir de 1754 de acordo com o projeto do arquiteto Jean Hardouin Mansart de Jouy; Richelieu foi batizado aqui, assim como Molière; La Fontaine foi enterrado e Luís XIV fez sua primeira comunhão. Rue Rambuteau, 146, les Halles, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Do outro lado do espaço les Halles, na época de nosso passeio, na Rue Berger, 37, encontrava-se o Le Bistrot d'Eustache, que guardava o gosto da Paris da década de 1930, com espetáculos de jazz, mas, atualmente, no lugar, funciona o Bistrot Bigo.




Le Bistrot d'Eustache, que guardava o gosto da Paris dos anos 1930, com espetáculos de jazz; hoje, no local, funciona o Bistrot Bigo. Rue Berger, 37, les Halles, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Mais a oeste, encontra-se o edifício da Bourse de Commerce, que testemunha cinco séculos de proeza arquitetônica e técnica; ele combina a primeira coluna independente de Paris, erguida no século XV no contexto de um palacete de Catarina de Médici, conhecido como Hôtel de Soissons, demolido entre 1748 e 1749, os vestígios de um mercado dos cereais (halle aux blés), erguido entre 1763 e 1767, com base no projeto do arquiteto francês Nicolas Le Camus de Mézières, com sua impressionante planta circular do século XVIII, coberta em 1812 por uma espetacular cúpula de metal e vidro; o mercado de cereais foi encerrado em 1873, e o prédio foi atribuído à Câmara de Comércio, em 1885, tendo sido, por meio do projeto do arquiteto francês Henri Blondel, reconfigurado em 1889 para se tornar a Bourse de Commerce, que lá funcionou até 2016.


Hoje, o edifício foi revitalizado pela visão arquitetônica contemporânea do arquiteto japonês Tadao Ando, ​​promovendo um diálogo entre patrimônio e criação contemporânea, passando a denominar-se Bourse de Commerce – Pinault Collection, tornando-se um espaço de exposição de arte.




Entrada da Bourse du Commerce, anteriormente chamado la Halle aux Blés (O Marcado dos Cereais), erguido entre 1763 e 1767, em formato circular (rotonde), e remodelado no estilo neoclássico em 1889, com colunas coríntias e esculturas alegóricas neorrenascentistas decorando sua fachada. Rue de Viarmes, 2, les Halles, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


No nosso próximo post, vamos conhecer o Cimetière Père Lachaise, o maior e mais famoso cemitério fechado de Paris.



Fontes:


Wikipedia


"Paris: tous les plus beaux monuments", Guides Voir, Hachette Tourisme, Paris, 2010.














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