Paris - Parte VIII - Luxemburgo e Montparnasse- Região de Île-de-France - França - 2012
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Jardim de Luxemburgo; ao fundo, Torre de Montparnasse. Rue de Vaugirard, 15 Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Paris - Parte VIII
Agora, vamos conhecer o distrito de Luxembourg.
Nos séculos XI e XII se encontrava no lugar o Château Vauvert, de tão má reputação que o rei Filipe Auguste não ousou incluí-lo no interior de sua muralha; somente santos poderiam enfrentar seu diabo, e São Luís ofereceu o lugar aos cartuxos para estabelecerem seu mosteiro; seus terrenos foram confiscados durante a Revolução Francesa a fim de aumentar o jardim criado pela rainha Maria de Médici em torno do seu palácio; prisão durante o período da Convenção, depois sede do governo sob o Diretório, não mais cessando de representar um papel político, hoje abrigando o Senado francês.
A alguns passos da agitação dos bulevars Saint-Germain e Saint-Michel, o jardim que rodeia o Palácio de Luxemburgo oferece um refúgio de silêncio e de paz no coração da cidade; criado no século XVII, ele tornou-se realmente público no século XIX, quando o conde de Provença (futuro Luís XVIII) permitiu o acesso aos frutos do pomar em troca de uma pequena taxa de entrada; os caminhos do parque e as ruas ladeadas por casas antigas, ao norte, em torno da Église Saint-Sulpice, não perderam seu encanto e ainda atraem muitos visitantes.
No caminho para a igreja, passamos por mais uma instituição parisiense a boulangerie (padaria reforçada).

Boulangerie Chevalier, mais uma instituição parisiense, a padaria com todos os seus quitutes da panificação e da confeitaria francesas, Rue de Rennes, 81, Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Na sequência, conhecemos a Place Saint-Sulpice.
A atual praça data da segunda metade do século XVIII; já a Fontaine des Quatre-Évêques, de autoria de Louis Joachim Visconti (o mesmo da Tumba de Napoleão, nos Inválidos, ver post Paris - Parte II - Torre Eiffel e Hôtel des Invalides), foi instalada no centro da praça a partir de 1844; os quatro bispos que são representados nas estátuas da fonte foram grandes pregadores na época do rei Luís XIV.

Place Saint-Sulpice; no centro, a Fontaine des Quatre-Évêques, em estilo neorenascentista, foi criada por Louis Joachim Visconti, em meados do século XIX; sobre uma base composta por três bacias octogonais dispostas em pirâmide, a primeira com aproximadamente 10 metros de largura, ergue-se uma estrutura maciça de base quadrada, encimada por um dossel com um pináculo cruciforme; toda a estrutura atinge uma altura de aproximadamente 12 metros; cada face da estrutura, encimada por um frontão com brasões episcopais, é circundada por pilastras e contém um nicho com estátuas de bispos sentados em tamanho maior que o natural; a segunda bacia é decorada com quatro leões segurando o brasão de Paris em suas patas, enquanto os cantos da terceira bacia apresentam quatro bicas de onde jorra água; na fotografia, na fachada sul da fonte, vê-se a estátua de Jean-Baptiste Massillon, bispo de Clermont, obra do escultor Jacques Auguste Fauginet. Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Num dos lados da praça, encontra-se a Église Saint-Sulpice.
A atual igreja foi erguida por iniciativa do pároco Jean-Jacques Olier no local de um antigo templo de mesmo nome, possivelmente do século XII; os trabalhos foram iniciados em 1645 e duraram um século; vários arquitetos supervisionaram a obra, seguindo os planos de Daniel Gittard, feitos em 1660; o resultado, notavelmente coeso, é uma síntese bem-sucedida das tradições gótica e clássica; o conjunto responde ao grande programa da Reforma Católica do Concílio de Trento (1542-63): aproximar os fiéis do altar, promover a visibilidade e a unidade dentro da comunidade paroquial, por meio de um edifício vasto, aberto e luminoso.
A primeira capela à direita contém pinturas do famoso pintor francês Eugène Delacroix: "A luta de Jacó com o anjo"; "Heliodoro expulso do templo"; e "São Miguel matando o demônio".

Belo vitral representando a Crucificação. Église Saint-Sulpice, Rue Palatine, 2, Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Em seguida, fomos visitar o Jardim de Luxemburgo.
Após o assassinato de seu marido, o rei Henrique IV, em 1610, a rainha Maria de Médici, traumatizada, decidiu sair do Palácio do Louvre e construir um palácio em estilo florentino e um parque inspirado nos Jardins de Boboli, que lhe lembravam sua Toscana natal.
Assim, em 1612, ela adquiriu o Hôtel de François de Luxembourg, que deu nome ao jardim; naquela época, o jardim cobria apenas oito hectares, mas a rainha fez inúmeras aquisições para ampliá-lo; as obras do barão Haussmann durante o Segundo Império (imperador Napoleão III) deram ao jardim sua aparência atual; agora ele se estende por mais de 23 hectares.
As plantas são apenas parte da história; o jardim também conta com 102 estátuas espalhadas pelos caminhos e alamedas; uma coleção impressionante que faz dos Jardins de Luxemburgo um verdadeiro museu a céu aberto; a maior parte das estátuas data do século XIX, representando artistas da época e simbolizando a ligação entre a arte e Luxemburgo.
Começamos pelo busto de Eugène Delacroix, de autoria do escultor Aimé-Jules Dalou, inaugurado em 5 de outubro de 1890.
O pintor francês Eugène Delacroix (1798-1863) é considerado o principal representante do Romantismo no século XIX, e sua obra mais famosa, "A Liberdade guiando o Povo" (1830), é frequentemente escolhida como símbolo da República Francesa.

Busto de Eugène Delacroix, de autoria do escultor Aimé-Jules Dalou, inaugurado em 5 de outubro de 1890; o busto está instalado no topo de uma estela piramidal, aos pés da qual, nos degraus, destacam-se três figuras agrupadas representando o Tempo, a Glória e o Gênio das Artes. Jardim de Luxemburgo, Rue de Vaugirard, 15, Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Depois, fomos ver a estátua de Saint Geneviève (Santa Genoveva), de meados do século XIX, de autoria do escultor Michel Louis Mercier, pertence à série de rainhas da França e mulheres ilustres localizadas ao redor da bacia (lago) do Jardim de Luxemburgo.
Genoveva é uma santa francesa, nascida em Nanterre em 423, sendo padroeira da cidade de Paris, da diocese de Nanterre e da Gendarmaria Francesa; levou uma vida consagrada e ascética; de acordo com a tradição, durante o cerco de Paris pelos hunos, em 451, graças à sua força de caráter, Genoveva, com apenas 28 anos, convenceu os parisienses a não abandonarem a cidade, encorajando-os a resistirem à invasão com as seguintes palavras famosas: "Que os homens fujam, se quiserem, se não puderem mais lutar. Nós, mulheres, oraremos a Deus com tanta fervor que Ele ouvirá nossas súplicas."; de fato, Átila, o rei dos hunos, resolveu evitar Lutécia, o nome romano para Paris.

Estátua de Saint Geneviève (Santa Genoveva), de meados do século XIX, de autoria do escultor Michel Louis Mercier, padroeira de Paris, considerada a grande heroína da cidade quando do seu cerco pelos hunos, em 451. Jardim de Luxemburgo, Rue de Vaugirard, 15, Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Por volta de 1630, Maria de Médici encomendou a construção da Gruta de Luxemburgo, inspirada nos ninfeus e fontes que adornavam os jardins italianos; desde então, passou a ser conhecida como Fontaine Médicis; supõe-se que Thomas Francine, superintendente de águas e fontes, tenha sido o elaborador dos planos.
Consistia em três nichos semicúpula que serviam para ocultar os edifícios da rue d'Enfer, contra os quais foi construído. Os nichos eram separados por quatro colunas toscanas com fustes bandados, adornados com florões e decoração fosca. Era coroado por um grande frontão com os brasões da França e dos Médici, encimado por pináculos, e emoldurado por duas figuras alegóricas reclinadas representando o Ródano e o Sena.
Após a Revolução Francesa, o Palácio de Luxemburgo tornou-se a sede do Senado, em 1799, e Chalgrin, arquiteto do palácio, resolver restaurar a gruta pelos escultores Ramey, Duret e Talamona, e adornou o nicho central com uma pequena Vênus; Os brasões dos Médici e de Henrique IV foram substituídos por uma simples borda retangular. Ele mandou colocar uma pequena Vênus de mármore no nicho principal e transformou a gruta em uma fonte, abastecendo a pequena bacia em frente a ela com água..
Em 1862, a construção da Rue Médicis pelo barão Haussmann exigiu a mudança de local da fonte, aproximando-a cerca de trinta metros do palácio.
O arquiteto Alphonse de Gisors, em seguida, restaurou a coroa e o brasão da França e da família Médici e construiu uma bacia de cinquenta metros de comprimento em frente à gruta, entre duas fileiras de plátanos, ornando-a de vasos; encomendou, também, novas esculturas a Auguste-Louis Ottin, realizadas em 1866: o nicho central passou a ser ocupado por um grupo escultórico em mármore representando Ácis e Galateia, deitados sob uma rocha sobre a qual se encontra a colossal figura de bronze de Polifemo, preparando-se para atirar em seu rival a pedra que lhe causará a morte; os nichos laterais são adornados com duas estátuas representando um fauno e uma caçadora.

Gruta de Luxemburgo, também conhecida como Fontaine Médicis; erguida no século XVII, no estilo barroco; no nicho central, o grupo escultórico de autoria de Auguste-Louis Ottin, representando o pastor Ácis e a nereida Galateia, apaixonados e deitados sob uma rocha sobre a qual se encontra a colossal figura de bronze do ciclope Polifemo, preparando-se para atirar em seu rival a pedra que lhe causará a morte; nos nichos laterais, à esquerda, uma escultura de fauno, e, à direita, uma de caçadora. Jardim de Luxemburgo, Rue de Vaugirard, 15, Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Na sequência, fomos conhecer o edifício do Palácio de Luxemburgo.
Como dito acima, após o assassinato de seu marido, o rei Henrique IV, a rainha Maria de Médici resolveu construir um palácio real, com o objetivo de se afastar do indesejado Palácio do Louvre.
Maria comprou, em 1612, o Hôtel de Luxembourg e o seu parque de oito hectares; em 1615, confiou o seu projeto ao arquiteto Salomon de Brosse, pedindo-lhe que se inspirasse no Palazzo Pitti, palácio renascentista em Florença, Toscana, onde a soberana passara a sua infância; mas a construção do palácio, de fato, foi mais influenciada pelo modelo clássico do castelo francês do que pelo palácio florentino; o arquiteto só utilizou o relevo (bossage) toscano que ornamenta as pedras das fachadas; as obras duraram mais de dez anos e só em 1625 é que rainha pôde inaugurar a galeria ocidental do palácio, decorada, à sua glória, por vinte e quatro quadros encomendados ao célebre pintor flamengo Rubens.
Porém, a estadia da rainha no palácio foi de curta duração; esta foi exilada no final de 1630 pelo seu filho Luís XIII, que, assim, reiterou a sua confiança ao cardeal Richelieu.
Com a Revolução Francesa, abre-se uma nova página da história do Palácio de Luxemburgo; este deixa de ser residência real, tendo sido declarado bem nacional em 1791 e transformado em prisão em 1793; durante o regime do Terror, foram encarcerados no edifício perto de mil aristocratas e grandes nomes da política; isso o levou à decadência, freada a partir de 1795, quando possou a ser a sede do Diretório; foram efetuados trabalhos de restauro que atingiram a sua completude em 1799; após o golpe de Estado dado por Napoleão Bonaparte em 18 de Brumário, correspondente a data de 9 de novembro de 1799, no calendário gregoriano, o palácio foi destinado ao Senado, ocasião em que foi nomeado o arquiteto Jean-François Chalgrin para converter o palácio em sede de uma assembleia política.
Após a Restauração Monárquica, a partir de 1814, o Palácio de Luxemburgo tornou-se sede da Câmara dos Pares de França, bem como funcionou como Supremo Tribunal de Justiça, com competência para julgar os crimes de alta traição ou os atentados à segurança do Estado, tendo este órgão, em 1815, condenado à morte o marechal Ney, um dos oficiais generais de maior prestígio durante as campanhas napoleônicas.
No tempo do Segundo Império, governado por Napoleão III, o prédio voltou a ser sede do Senado, agora imperial.
Após a queda do Segundo Império, o edifício foi transformado em hospital e, sob a Comuna, em 1871, em tribunal.
Após ter sido utilizado para os mais diversos fins, no final de 1946, o palácio foi entregue ao Conselho da República e, em 1958, ao Senado da Quinta República, e este permanece nele até hoje.

Fachada leste do Palácio de Luxemburgo, construído entre 1615 e 1625, com projeto do arquiteto Salomon de Brosse de inspiração barroca. Rue de Vaugirard, 15, Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Fachada sul do Palácio de Luxemburgo, construído entre 1615 e 1625; a fachada é voltada para o Jardim de Luxemburgo, onde se vê a sua bacia (lagoa) e, mais próximo, a escultura Diana Caçadora, de autoria anônima: Diana, de pé e de corpo inteiro, com pernas e braços nus, veste uma túnica leve acinturada; sua perna direita está estendida para trás; seus pés estão calçados com sandálias altas; sua cabeça está virada para o ombro direito e, com a mão direita, ela retira uma flecha da aljava presa às suas costas enquanto, com a mão esquerda, segura a corça que a acompanha. Rue de Vaugirard, 15, Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Ao sul do Jardim de Luxemburgo, encontra-se a Fontaine des Quatre-Parties-du-Monde, também conhecida como Fontaine de l'Observatoire, uma impressionante obra neoclássica localizada no Jardin des Grands-Explorateurs Marco-Polo et Cavelier-de-la-Salle, voltada para o Observatoire de Paris; inaugurada em 1874, a fonte foi projetada pelo arquiteto Gabriel Davioud, com esculturas de Jean-Baptiste Carpeaux e outros artistas renomados da época, como Emmanuel Frémiet e Eugène Legrain; suas quatro figuras femininas simbolizam os continentes então reconhecidos na época de sua concepção — Europa, Ásia, África e América —, e sustentam uma esfera armilar que representa o cosmos.

Fontaine des Quatre-Parties-du-Monde, também conhecida como Fontaine de l'Observatoire, inaugurada em 1874; as esculturas femininas que representam as quatro partes do Mundo - América, África, Europa e Ásia - foram realizadas por Jean-Baptiste Carpeaux. Jardin des Grands-Explorateurs Marco-Polo et Cavelier-de-la-Salle, Luxembourg, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Em seguida, fomos passear no distrito de Montparnasse.
Durante toda a primeira metade do século XX, Montparnasse, assim como Saint-Germain-de-Prés, tornou-se um centro internacional da vida boêmia; pintores como Picasso, Zadkine e Modigliani encontram no lugar ateliês para trabalhar, e escritores e poetas de diversos países se juntaram a eles: Apollinaire, Max Jacob, Henry Miller, dentre outros.
Paris perdeu, com a Segunda Guerra Mundial, o papel de capital cosmopolita da arte, mas as ruas de Montparnasse, apesar da torre que a domina, conservam seu charme; os cafés-teatros abriram suas portas e, juntamente com os cinemas e cabarés, continuam atraindo público.
Iniciamos pelo Cemitério do Montparnasse ou Cemitério do Sul; com seus 19 hectares, é a segunda maior necrópole dentro dos limites da cidade de Paris.
É também um dos espaços verdes mais importantes da capital; são 1.200 árvores de 40 espécies diferentes, principalmente tílias, acácias, tuias, bordos, freixos e coníferas; plano e regular, é um verdadeiro refúgio de paz no coração de um dos bairros mais animados da cidade.
Apesar de ser menos ilustre que o de Père-Lachaise, neste cemitério, numerosas personagens célebres, notadamente artistas e escritores, repousam nas alamedas retilíneas criadas em 1824, em substituição a antigas fazendas e a uma propriedade das irmãs de Saint-Jean-de-Dieu, a fim de receber os restos mortais dos habitantes da margem esquerda do Sena.
Estão inumados no lugar escritores, pintores, filósofos e compositores de grande renome internacional: a esposa e uma filha do marechal Pétain, herói francês da Primeira Guerra Mundial; o escritor francês Guy de Montpassant, autor do romance "Bel-Ami"; o oficial francês de origem judaica Alfred Dreyfus, injustamente acusado de traição em 1894, tema do famoso artigo do escritor francês Émile Zola "J'accuse"; o escultor francês Fréderic Auguste Bartholdi, autor da Estátua da Liberdade, instalada em Nova Iorque, Estados Unidos; o empresário francês André Citroën, que criou, em 1919, a fabricante de automóveis que leva seu nome; Raymond Aron, filósofo e sociólogo francês, autor de "O ópio dos intelectuais", uma crítica ao conceito de esquerda e da ideologia marxista; Charles Baudelaire, poeta simbolista francês, autor de "As flores do mal"; Simone de Beauvoir, escritora e filósofa existencialista francesa, autora dos livros "O segundo sexo" e "Os mandarins"; Jean-Paul Sartre, escritor e filósofo existencialista francês, autor de "O ser e o nada" e "A idade da razão"; Samuel Beckett, escritor, dramaturgo irlandês e prêmio Nobel 1969, autor da peça "Esperando Godot" e do monólogo "Não eu"; Julio Cortázar, escritor argentino, autor de "História de cronópios e de famas" e "O jogo da amarelinha"; Paul Deschanel, presidente da República Francesa; Porfirio Diaz, presidente do México; Marguerite Duras, escritora francesa, autora de "O amante" e "Hiroshima, meu amor"; Émile Durkheim, sociólogo e antropólogo francês, autor de "Da divisão do trabalho social" e "As regras do método sociológico"; César Franck, compositor e organista belga, autor da ópera "Hulda" e da música vocal "Panis Angelicus"; Serge Gainsbourg, poeta, cantor e compositor francês, famoso por compor e cantar "Je t'aime... moi non plus" com sua então namorada Jane Birkin; Charles Garnier, arquiteto francês, que fez o projeto do edifício da Ópera de Paris, também conhecida como Ópera Garnier; François Gérard, pintor e retratista francês, tendo como uma das obras mais famosas o "Retrato de corpo inteiro de Napoleão I, em suas vestes de coroação"; Eugène Ionesco, escritor e dramaturgo romeno, autor de "O rinoceronte" e "Macbett"; Pierre Larousse, editor e enciclopedista francês, um dos autores do "Novo Dicionário da Língua Francesa", o precursor do "Petit Larousse", e do "Grande Dicionário Universal do Século 19"; Pierre Proudhon, filósofo e ideólogo anarquista francês, autor de "O que é a propriedade?"; Camille Saint-Saëns, compositor erudito francês da Era Romântica, autor da ópera "Sansão e Dalila" e da peça musical "O Carnaval dos Animais"; Jean Seberg, atriz e ativista norte-americana, tendo atuado, dentre outros filmes, em "Acossado" e em "Bom dia, tristeza"; e Susan Sontag, escritora e ativista norte-americana, autora do ensaio "Contra a interpretação" e da monografia "Sobre fotografia".
A Rue Émile-Richard, que o divide, desde 1891, em pequeno e grande cemitério, é a única de Paris que não é ladeada por casas e não conta com nenhum residente vivo.

Túmulo do casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, filósofos franceses, grandes representantes do Existencialismo; a tumba fica perto do muro do Boulevard Edgar-Quinet, Cemitério do Montparnasse, Boulevard Edgar-Quinet, 3, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Túmulo de Charles Baudelaire, poeta francês, autor de "As flores do mal". Cemitério do Montparnasse, Boulevard Edgar-Quinet, 3, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Túmulo de Samuel Beckett, escritor e dramaturgo irlandês. Cemitério do Montparnasse, Boulevard Edgar-Quinet, 3, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Túmulo da família Charles Pigeon, sobre o qual encontra-se um conjunto escultórico de bronze em tamanho real, encomendado por volta de 1905, de autoria desconhecida, representando o industrial e inventor francês e sua esposa Thérèse deitados em uma cama, sendo observados por um anjo. Cemitério do Montparnasse, Boulevard Edgar-Quinet, 3, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

"Gênio do sonho eterno" (Génie du sommeil éternel), do escultor Horace Daillon, datado de 1889 e instalado no local em 1902; estátua de bronze, também chamada de estátua memorial, representando uma figura alada segurando flores na mão direita, inclinada para o chão, sobre uma rocha coberta de flores. Rotatória do Setor 1 do Cemitério do Montparnasse, Boulevard Edgar-Quinet, 3, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Na sequência, fomos conhecer La Coupole, no Boulevard de Montparnasse.
Desde 1927, a Brasserie La Coupole é um símbolo icônico da história de Montparnasse; erguida no estilo Art Déco, foi inaugurada em 20 de dezembro daquele ano por Ernest Fraux e René Lafon, durante os "Loucos Anos Vinte", quando Montparnasse abrigava uma grande comunidade artística e literária – expatriados e membros da "Geração Perdida"; nesta época, La Coupole era uma janela para o mundo, permitindo que os clientes experimentassem o curry de cordeiro ao estilo indiano, servido por um indiano em trajes suntuosos.
Entre os primeiros artistas e intelectuais a frequentar habitualmente o restaurante-dancing estavam Jean Cocteau, Alberto Giacometti, Joséphine Baker, Man Ray, Louis Aragon, Georges Braque e Brassaï; na década de 1930, os mais assíduos incluíam Pablo Picasso, Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre, Sonia Delaunay, André Malraux, Jacques Prévert, Marc Chagall e Édith Piaf; nas décadas de 1940 e 1950, era frequentada por Ernest Hemingway, Henry Miller, Marlene Dietrich e Ava Gardner, dentre outros.
O restaurante hoje é um monumento histórico tombado, e o chef oferece pratos clássicos de brasserie parisiense, como raia à grenobloise, o autêntico bife ao molho de pimenta e pratos de frutos do mar.

La Coupole, café-brasserie-dancing, construída no estilo Art Déco, frequentada por George Simenon, Sartre e Joséphine Baker. Boulevard de Montparnasse, 102, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Nossa próxima parada foi a Rue de la Grande-Chaumière, famosa por abrigar, no final do século XIX e início do século XX, ateliês e escolas de artistas que desejavam liberdade para criar, fugindo do academicismo da École des Beaux-Arts.

Rue de la Grande-Chaumière; veem-se, à esquerda, a antiga sede da Académie Colarossi, com fachada em madeira, e, logo ao lado, o Ateliê de Gauguin e Modigliani, locais em que os artistas podiam criar com liberdade, fugindo do academicismo. Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
No número 8 da Rue de la Grande-Chaumière, encontra-se um prédio onde o pintor Paul Gauguin, por volta dos anos 1890, morou no ateliê do pintor tcheco Alphonse Mucha.
Também no mesmo edifício, o pintor italiano Amadeo Modigliani passou, nos anos 1910, os últimos 3 anos de sua meteórica vida com sua companheira Jeanne Hébuterne.

Fachada do Ateliê de Gauguin e Modigliani; os famosos artistas habitaram aqui em momentos distintos. Rue de la Grande-Chaumière, 8, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Na mesma rua, observamos também a Académie de la Grande Chaumière.
Esta lendária escola de pintura e escultura, fundada em 1904 pela pintora suíça Martha Stettler, foi um dos primeiros centros de criação artística independente; os artistas podiam se expressar livremente, sem ter que aderir aos modelos acadêmicos impostos pela Escola de Belas Artes; seu ensino era flexível, permitindo que os alunos trabalhassem de acordo com suas próprias habilidades; entre os alunos, em diferentes épocas, estiveram Gauguin, Modigliani, Tamara de Lempicka, Miró, Giacometti, Eugène Leroy e Serge Poliakoff.

Académie de la Grande Chaumière, fundada em 1904 pela pintora suíça Martha Stettler; o lugar oferece hoje aulas de pintura e escultura. Rue de la Grande-Chaumière, 14, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Quando estávamos nos deslocando para a nossa próxima atração, observamos um belo exemplo de um veículo muito utilizado pelos habitantes de Paris, a motocicleta.

Motocicleta da marca Honda, estacionada no Boulevard de Montparnasse, 124, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Nossa última visita no distrito de Montparnasse foi a Rue Campagne-Première.
Muitos artistas, como Modigliani, Miró, Max Ernst, Picasso, Giacometti e Kandinsky, viveram nesta rua repleta de edifícios Art Déco; um dos pioneiros da fotografia moderna, Eugène Atget (1856 (ou 1857)-1927), tinha seu estúdio no número 17.
Chama atenção, no número 31 da rua, o edifício de ateliês de artistas, projetado pelo arquiteto André Arfvidson, influenciado pelo estilo Art Nouveau; inaugurado em 1911, possui estrutura de concreto armado com preenchimento de tijolos; a fachada, em grande parte envidraçada, é revestida com porcelanato realizado pelo ceramista Alexandre Bigot, o que lhe confere unidade através de uma sutil policromia; ela recebeu o 2º prêmio no concurso de fachadas de 1912 organizado pela cidade de Paris.

Fachada do edifício de ateliês de artistas, projetado pelo arquiteto André Arfvidson, com elementos Art Nouveau, e inaugurado em 1911; a fachada é revestida por cerâmicas fabricadas por Alexandre Bigot, criando uma sutil efeito de policromia. Rue Campagne-Première, 31, Monteparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
No nosso próximo post, vamos conhecer o Jardim das Plantas e o Quartier Latin.
Fontes:
Wikipedia
"Paris: tous les plus beaux monuments", Guides Voir, Hachette Tourisme, Paris, 2010.




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