Paris - Parte VII - Île Saint-Louis e Saint-Germain-des-Prés- Região de Île-de-France - França - 2012
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Fachada principal do Musée d'Orsay; o estabelecimento expõe criações artísticas realizadas entre 1848 e 1914, dentre elas, seu carro-chefe, as pinturas impressionistas. Esplanade Valéry Giscard d'Estaing, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Paris - Parte VII
A partir da Île de la Cité atravessamos a Pont Saint-Louis e aportamos na ilha ao lado, Île Saint-Louis.
Menor que a de la Cité, a Ilha de São Luís permaneceu como pasto até o século XVII, quando o arquiteto Louis Le Vau a transformou em uma elegante área residencial; desde então, artistas, médicos, atrizes e herdeiros abastados têm residido aqui continuamente; seus majestosos portões, cais arborizados e o rio que os banha conferem-lhe uma atmosfera única e atemporal.
Atravessando o coração da ilha, ao longo da sua rua principal, Rue Saint-Louis-en-l'Île, podemos observar que a via é repleta de restaurantes elegantes, cafés, galerias de arte e boutiques da moda.
Uma das lojas mais famosas da rua é a Glacier Berthillon; considerada uma das melhores sorveterias artesanais do mundo, enfeita o popular destino turístico composto por Île de la Cité-Île Saint Louis há mais de setenta anos; sua fama já ultrapassou as fronteiras da França; turistas do mundo todo vêm provar as fabulosas especialidades da casa, fundada por Raymond Berthillon em 1954, feitas exclusivamente com ingredientes naturais, sem conservantes químicos ou aromatizantes artificiais; os sorvetes e sorbets guardam zelosamente seu delicioso segredo: leite, ovos e sabores suculentos como morango silvestre ou toranja rosa.

Glacier Berthillon, fundada por Raymond Berthillon em 1954, uma das sorveterias artesanais mais famosas do mundo. Rue Saint-Louis en l'Île, 29/ 31, Île Saint-Louis, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Mais à frente, nos números 51/53, encontramos o Hôtel Chernizot.
Este palacete substituiu uma residência anterior que datava do início do século XVII; foi adquirido em 1719 por Jean-François Guyot de Chenizot, recebedor geral de Finanças em Rouen, que confiou a completa remodelação do edifício ao arquiteto Pierre Vigné de Vigny, incluindo a adição da varanda e dos elementos decorativos nas fachadas voltadas para a rua e para o pátio; após passar por diversos proprietários, o palacete foi arrendado em 1846 pelo Estado para servir de residência ao arcebispo de Paris, monsenhor Denys Affre; com a saída do arcebispado, em 1849, o edifício foi convertido em quartel da gendarmerie; em 1863, o proprietário vendeu o jardim que se estendia atrás do edifício; há muito tempo, o palacete foi dividido em residências particulares.

Hôtel Chernizot, erguido no século XVII, mas remodelado a partir de 1719 pelo arquiteto Pierre Vigné de Vigny; um magnífico portal em estilo rococó; sobre ele, um balcão que repousa sobre consolas em forma de quimeras esculpidas; embaixo do balcão, vê-se um mascarão que representa a cabeça de um fauno num cartucho. Rue Saint-Louis en l'Île, 51/53, Île Saint-Louis, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Visitamos também a Boulangerie Saint Louis, onde se pode fazer um ótimo lanche francês, um queijo com uma crocante baguette quente.

Boulangerie Saint Louis, localizada num edifício provavelmente do século XVIII, Rue Saint-Louis en l'Île, 78, Île Saint-Louis, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Sobre a Pont Saint-Louis tem-se uma vista privilegiada do Hôtel de Ville (Prefeitura) de Paris.
Antes do Hôtel de Ville, aqui se encontrava a "Maison aux Piliers" (Casa dos Pilares); na Idade Média, era a residência do Preboste dos Mercadores, chefe da poderosa corporação de comerciantes de água; o imóvel tinha vista para a Place de Grève, em referência a uma área usada para receber mercadorias transportadas por barco, pois Paris, apesar de não ser uma cidade costeira, continua sendo uma cidade da água, e seu crescimento deve muito ao rio Sena.
Em razão das péssimas condições em que se encontrava o prédio, decidiu-se por sua demolição e a construção de um novo edifício, projetado por Pierre de Chambiges e Dominique de Cortone, também conhecido como Boccador, tendo sido colocada a primeira pedra em 1533, porém a obra somente foi concluída em 1628.
Em 1652, o Hôtel de Ville foi incendiado pelos manifestantes da Fronda.
O primeiro prefeito (maire) de Paris, Jean-Sylvain Bailly, matemático e astrônomo, foi nomeado em 15 de julho de 1789, após o assassinato de Jacques de Flesselles, o último Preboste dos Mercadores de Paris.
Os revoltosos da Comuna de Paris foram os responsáveis pelo segundo incêndio do Hôtel de Ville, em 24 de maio de 1871; o edifício foi consumido pelas chamas, levando consigo o conteúdo de sua biblioteca histórica e os registros civis dos parisienses, assim como muitos outros prédios parisienses, como o Palácio da Justiça e o Palácio das Tulherias.
O Conselho Municipal decidiu reconstruir o prédio em 1873, cujos responsáveis foram os arquitetos franceses Théodore Ballu e Edouard Deperthes, que recriaram as fachadas em estilo renascentista exatamente como eram, mas, internamente, tornou-se muito moderno para a época, ligado à rede elétrica, equipado com telefone, elevadores e aquecimento central; os trabalhos da construção acabaram em 1882.

Hôtel de Ville, erguido entre 1533 e 1628, no estilo renascentista francês, foi reconstruído em 1882, após ter sido bastante danificado pelos revoltosos da Comuna de Paris, respeitando a fachada original. Visto a partir da Pont Saint-Louis, Île Saint-Louis, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
À noite, quando nos recolhemos ao apartamento de Montparnasse, da janela pudemos apreciar a Torre Eiffel iluminada.

Torre Eiffel à noite, vista da mansarde (água-furtada) do n. 21, Rue d'Odessa, Montparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Na manhã seguinte, fomos visitar a região de Saint-Germain-des-Prés, na margem esquerda do Sena.
Se o distrito não tem nada mais do campo além dos "prados" (prés) que lhe dão nome, estes lembram as vastas terras agrícolas pertencentes à abadia fundada, por volta de 543, por São Germano, bispo de Paris, na margem esquerda do Sena.
Uma verdadeira cidade fora das muralhas do rei Filipe Augusto, Saint-Germain gozou de completa autonomia na Idade Média, e uma feira anual sustentava seu dinamismo econômico, cultural e artístico; apesar das transformações que o afetaram a partir do século XVII, conferindo-lhe a aparência atual, este distrito jamais perdeu seu papel como centro intelectual: galerias de arte e livrarias requintadas agora se alinham em suas ruas estreitas.
Com o seu charme de aldeia e seus imóveis datando do século XVII, o lugar, apreciado tanto pelos parisienses como pelos turistas, é ainda mais animado que na época em que o escritor e músico Boris Vian, o filósofo Jean-Paul Sartre e a cantora Marie-Juliette Gréco, particularmente nas décadas de 1940 e 1950, tornaram célebres o Café de Flore, Les Deux Magots, a Brasserie Lip e adegas como Le Tabou, onde as pessoas dançavam até o amanhecer ao som do Bebop; esses artistas e escritores seguiam uma tradição intelectual muito mais antiga; o filósofo e político Proudhon, o crítico literário Sainte-Beuve e o pintor Delacroix residiram no século XIX no distrito.
Nossa primeira parada foi no Café de Flore.
O Café de Flore surgiu na época da Terceira República, provavelmente por volta de 1887; o nome se refere a uma escultura de uma pequena divindade que ficava em frente ao bulevar.
O crítico literário vanguardista Guillaume Apollinaire fez do café seu escritório; nele, promoveu, em 1917, o encontro entre os poetas Philippe Soupault e André Breton com o romancista e poeta Louis Aragon, lançando as bases para o movimento dadaísta e cunhando o termo "surrealismo".
Daí em diante, o lugar passou a ser frequentado por intelectuais, políticos, editores, cineastas, modistas de alta costura e artistas de renome local e internacional, como Albert Camus, Trotsky, Chou-en-Lai, Bernard Grasset, os irmãos Giacometti, Jacques Prévert, Picasso, Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre, Juliette Gréco, Boris Vian, Ernest Hemingway, Truman Capote, Christian Vadim, Jane Fonda, Jane Seberg, Roman Polanski, Marcel Carné, Brigitte Bardot, Alain Delon, Belmondo, Simone Signoret, Yves Montand, Yves Saint Laurent, Pierre Bergé, Rochas, Gunnar Larsen, Givenchy, Lagerfeld, Paco Rabanne, Guy Laroche, Serge Gainsbourg, Gianni Agnelli, Lauren Bacall, Paulo Coelho, Sharon Stone, Robert de Niro, Francis Ford Coppola, Sofia Coppola, Johnny Depp, Isabella Rosselini, Jack Nickolson, Al Pacino, Tim Buton, Matt Dillon, Harvey Keitel, Gary Oldman, Cher, dentre outros famosos.

Café de Flore, provavelmente funcionando neste local desde 1897; a partir de 1917, o café passou a acolher escritores, poetas, intelectuais, editores, políticos, atores, cineastas, designers de moda de fama local e internacional; dizem que aqui o casal de filósofos Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir desenvolveu sua filosofia do existencialismo. Boulevard Saint-Germain, 75, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
No outro lado do bulevar, encontra-se a Brasserie Lipp.
Em 1880, Leonard Lipp, nascido na Alsácia (região pertencente à França de forte influência germânica), e sua esposa Pétronille inauguram sua brasserie no Boulevard Saint-Germain.
Já frequentaram o restaurante numerosas personalidades políticas e artísticas como os escritores Jacques Laurent, Albert Camus, Saint-Exupéry e Jean Dutourd, os atores Michèle Morgan, Jean-Paul Belmondo e Elizabeth Taylor, o cantor Claude Nougaro, a modelo Kate Moss, os presidentes Georges Pompidou, Valéry Giscard d'Estaing, François Mitterrand e Bill Clinton, a ex-imperatriz Farah Pahlavi, a terceira esposa do xá Reza Pahlavi, soberano do Irã, destituído pela Revolução Islâmica de 1979.
A brasserie serve pratos da culinária francesa tradicional, como chucrute alsaciano, cervelas rémoulade - ambas do nordeste da França - linguado à meunière e pot-au-feu.

Brasserie Lipp, fundada pelo casal Leonard e Pétronille Lipp, em 1880; sua decoração consiste em azulejos de cerâmica que ilustram, entre outras coisas, papagaios; desde 1920 é frequentada por homens da elite francesa, como Édouard Herriot, Léon Blum, Valéry, André Gide, Albert Camus, Saint-Exupéry; comida francesa tradicional, com alguns pratos tipicamente alsacianos, Boulevard Saint-Germain, 151, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Logo após, fomos ao Les Deux Magots, o terceiro monumento culinário de Saint-Germain-des-Prés.
Em 1812, Les Deux Magots era originalmente o nome de uma loja de novidades localizada no número 23 da Rue de Buci; mudou-se para a Place Saint-Germain-des-Prés em 1873 para expandir; era batizada em homenagem à peça de Charles Augustin Sewrin, "Les Deux Magots de la Chine", e em referência ao país de origem das sedas vendidas nos corredores da loja; no topo de uma coluna do edifício, foram colocadas duas estátuas representando homens chineses em trajes tradicionais, exatamente os dois "magots" (figura pitoresca, do Extremo-Oriente, frequentemente rindo ou fazendo careta, sentada com ar descontraído).
Em 1884, a loja foi substituída por uma tabacaria com café, que manteve o mesmo nome e as estátuas dos chineses instaladas na coluna; os poetas Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé, entre outros artistas e intelectuais, passaram a frequentar o local, entre vapores de absinto e fumaça de charutos.
Em 1914, Auguste Boulay, bisavô do atual proprietário, comprou a casa para transformá-la em um café literário, tornando o local ainda mais luminoso e acolhedor, frequentado, entre outros, por Guillaume Apollinaire e seus amigos; Auguste encomendou o arquiteto Maurice Dubois d’Auberville para fazer a decoração interior inspirada no estilo Art Déco; painéis de madeira e grandes espelhos são iluminados pela luz natural, que finalmente entra graças a grandes claraboias.
Em 1954, pode-se dizer que foi o auge do café literário: Boris Vian podia ser visto com seu trompete, Jean-Paul Sartre com outros intelectuais, Simone de Beauvoir escrevendo seu romance "Os Mandarins", que receberia o Prêmio Goncourt naquele ano, e Ernest Hemingway fumando um charuto no fundo da sala.
Como os outros dois monumentos, a lista de intelectuais, escritores, artistas, músicos e atores famosos que frequentaram o lugar também é grande: Guillaume Apollinaire, Paul Éluard, Louis Aragon, André Breton, Ernest Hemingway, James Joyce, André Malraux, Jacques Prévert, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, André Gide, Albert Camus, Jorge Luis Borges, García Márquez, Cortázar, Vargas Llosa, Juliette Gréco, Boris Vian, Miles Davis, Paul McCartney, John Lennon, Jim Morrison, os integrantes do Sex Pistols e do Pink Floyd, Jean-Luc Godard, Claudia Cardinale, Jean-Paul Belmondo, Marlène Dietrich, Tom Hanks, Monica Bellucci, Liam Neeson, Jean Dujardin, Johnny Depp, Sigourney Weaver, Diane Kruger, J.J Abrams e Giorgio Armani.

Les Deux Magots; inicialmente, em 1873, uma loja de novidades, particularmente peças de vestuário de seda de origem chinesa; depois, uma tabacaria com café, em 1884, frequentada por poetas famosos na França; por fim, em 1914, um café literário, decorado internamente no estilo Art Déco, frequentando por todo tipo de gente famosa, como Picasso, Saint-Exupéry, Ernest Hamingway e Giraudoux. Place Saint-Germain des Prés, 6, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

O interior de Les Deux Magots, com decoração inspirada no estilo Art Déco, planejada pelo arquiteto Maurice Dubois d’Auberville, em 1917; na coluna, as estátuas dos dois margot, (figuras pitorescas, do Extremo-Oriente, frequentemente rindo ou fazendo careta, sentadas com ar descontraído); nos anos de 1950, era comum ver Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir sentados nesses sofás vermelhos, escrevendo por cerca de duas horas diariamente. Place Saint-Germain des Prés, 6, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Bem próximo, visitamos a Église de Saint-Germain-des-Prés, que deu nome ao distrito.
A igreja fazia parte de uma antiga abadia beneditina em Paris, fundada em meados do século VI, possivelmente 543, pelo rei merovíngio Childeberto I e por São Germano, bispo de Paris; era uma abadia real e, portanto, gozava de isenção e estava diretamente subordinada ao papa; serviu como necrópole real até a construção da Basílica de Saint-Denis
A primeira igreja da abadia foi consagrada em 23 de abril de 558 à Santa Cruz e a São Vicente de Saragoça; esta basílica possuía colunas de mármore, teto com lambris e vitrais.
A igreja foi reconstruída, a partir do final do século X, pelo abade Morard: os quatro primeiros níveis do campanário ocidental, a nave e o transepto da igreja atual datam desse período, e é possível observar, em particular, capitéis interessantes de cerca do ano 1000.
O campanário é o mais antigo de Paris; iniciado em 990 pelo abade Morard, foi concluído em 1170; acima da porta de entrada, a verga representa a Última Ceia.
O coro atual da igreja foi construído em meados do século XII, no estilo gótico primitivo, e consagrado pelo papa Alexandre III em 21 de abril de 1163; é um dos primeiros edifícios góticos da França e do mundo.
Os edifícios do convento foram reformados e reconstruídos sucessivamente durante o século XIII; o estabelecimento da reforma maurista (Congregação de São Mauro), ocorrida na Ordem Beneditina da França, em 1630, transformou a abadia em um influente centro de erudição; no entanto, a Revolução Francesa levou à supressão de todas as abadias, e para Saint-Germain-des-Prés, o fim chegou em 13 de fevereiro de 1792: a igreja logo se tornou uma fábrica de salitre, e os serviços religiosos só foram retomados em 29 de abril de 1803, por iniciativa de Napoleão Bonaparte, então primeiro cônsul; desde então, a igreja tem sido exclusivamente paroquial.

Abadia de Saint-Germain-des-Prés em 1687, vista do norte; no alto, vê-se a Igreja (Église); das torres, somente à da direita (campanário ocidental) existe atualmente, na fachada principal da igreja; gravura do monge beneditino Michel Germain, realizado em 1687; publicado por Achille Peigné-Delacourt em 1870 como "Le monisticon gallicanum", quase dois séculos depois da conclusão das gravuras. https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Abbaye_Saint_Germain_des_Pr%C3%A9s_en_1687.jpg#filehistory
O convento não teve a mesma sorte; o complexo foi demolido no início do século XIX.
A igreja, que sofrera muito durante o período revolucionário, foi restaurada, entre 1821 e 1854, pelos arquitetos Étienne-Hippolyte Godde e Victor Baltard.
Os restos mortais do filósofo, físico e matemático francês René Descartes - autor do famoso livro "Discurso sobre o método", que propõe um modelo quase matemático para conduzir o pensamento humano, conhecido como "método cartesiano": "penso, logo existo" - repousam na Capela de São Bento da igreja, desde fevereiro de 1819.

Église de Saint-Germain-des-Prés, a mais antiga das grandes igrejas de Paris, consagrada em 558, fazia parte da abadia da Ordem Beneditina fundada em 543 pelo rei Childeberto I e por São Germano, bispo de Paris; o seu robusto campanário teve sua construção iniciada em 990, por iniciativa do abade Morard, e concluída em 1170. Place Saint-Germain-des-Prés, 3, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Fachada oeste, Chapelle Saint-Symphorien da Église de Saint-Germain-des-Prés, no nicho, vê-se o busto do monge beneditino e historiador erudito Jean Mabillon, um dos membros da reformadora Congregação de São Mauro, ingresso na abadia em 1664, considerado o fundador da disciplina diplomática, ciência auxiliar da história que estuda a estrutura, a classificação, o valor, a tradição e a autenticidade de documentos oficiais. Place Saint-Germain-des-Prés, 3, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Imagem de mármore em tamanho natural da Virgem com o Menino, conhecida como Nossa Senhora da Consolação, datada do século XIV. Interior da Église de Saint-Germain-des-Prés, Place Saint-Germain-des-Prés, 3, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
No transepto norte da igreja, na Capela de São Francisco Xavier, encontra-se o cenotáfio (túmulo vazio) de João II Casimiro Vasa, rei da Polônia e posteriormente abade de Saint-Germain-des-Prés, falecido em 1672; obra dos escultores franceses Gaspard e Baltazar Marsy
João II Casimiro Vasa, nascido na Cracóvia, Polônia - filho de Sigismundo III Vasa, rei da Polônia e da Suécia - foi rei da Polônia (1648–1668) e Grão-Duque da Lituânia e pretendente ao trono sueco, cujo reinado foi marcado por pesadas perdas de território polonês sofridas em guerras contra cossacos ucranianos, tártaros, suecos e russos.
Desgostoso com as guerras externas, enfrentando uma rebelião da Dieta polonesa e de luto pela morte de sua esposa, o rei abdicou em 16 de setembro de 1668 e retirou-se para a França, onde serviu como abade titular comendatário de Saint-Germain-des-Prés (eclesiástico que detinha uma abadia em comenda, isto é, recolhendo pessoalmente as rendas e exercendo uma certa jurisdição, sem, contudo, a mínima autoridade sobre a disciplina interna dos monges) até sua morte em 1672.
Foi enterrado na igreja da abadia, mas, em 1676, seus restos mortais foram transferidos para Cracóvia e inumados na cripta Vasa, no Castelo Real de Wawel.

Cenotáfio (túmulo vazio) de João II Casimiro Vasa, rei da Polônia e posteriormente abade de Saint-Germain-des-Prés, falecido em 1672 e enterrado aqui no mesmo ano; em 1676 seus restos mortais foram transferidos para a Cracóvia, Polônia; a tumba é obra dos escultores franceses Gaspard e Baltazar Marsy. Interior da Église de Saint-Germain-des-Prés, Place Saint-Germain-des-Prés, 3, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Saindo da igreja, passamos na Rue du Dragon.
Essa pequena rua entre o Boulevard Saint-Germain e a encruzilhada da Croix-Rouge já existia desde a Idade Média sob o nome de Rue du Sépulcre; ela conservou numerosos palacetes e edifícios dos séculos XVII e XVIII de grandes janelas e de balcões em ferro forjado.
Um grupo de pintores flamengos viveram no n. 37 da rua, antes da Revolução Francesa, e o famoso escritor francês Victor Hugo, na época, um jovem celibatário de 19 anos, alugou, em 1821, uma mansarde no n. 30, onde ele escreveu notadamente "Odes e poesias diversas".
Victor Hugo foi um poeta, dramaturgo, desenhista e romancista francês do século XIX, associado ao movimento romântico, que escreveu romances históricos memoráveis, como "Notre-Dame de Paris", "Os miseráveis" e "Os trabalhadores do mar".
A sua morte, em 1885, causou uma grande comoção nacional; seu corpo foi velado no Arco do Triunfo e enterrado no Panteão; seu cortejo fúnebre atraiu cerca de dois milhões de pessoas.

Prédio do final do século XVIII, no qual Victor Hugo alugou, com 19 anos, uma mansarde (sótão) em 1821. Rue du Dragon, 30, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Placa alusiva à passagem de Victor Hugo em 1821, Rue du Dragon, 30, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Em seguida, passamos no Mercado de Saint-Germain (Marché Saint-Germain).
Originalmente, tanto o mercado quanto a feira de Saint-Germain estavam sob a jurisdição da Abadia de Saint-Germain-des-Prés.
Em 1511, o abade Guillaume Briçonnet encomendou a construção de um mercado coberto com teto duplo, que podia acomodar por volta de 300 comerciantes, mas, em 1762, o prédio foi quase todo destruído por um incêndio.
Um novo mercado, em estilo neoclássico foi erguido na região por determinação do imperador Napoleão entre 1813 e 1818 com base no projeto dos arquitetos Jean-Baptiste Blondel e Auguste Lusson.
O mercado conta hoje com 112 arcadas externas, trazendo beleza e memória aos residentes e turistas.

Interior do Mercado de Saint-Germain; aqui, veem-se algumas bancas que vendem frutas, legumes e verduras. Rue Lobineau, 4-6, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Na continuação do Boulevard Saint-Germain, na altura do número 97, nos deparamos com o Monumento a Danton; a estátua foi esculpida em bronze por Auguste Paris provavelmente em 1889 em comemoração ao primeiro centenário da Revolução Francesa.
Georges Jacques Danton, advogado e político francês, durante a Revolução Francesa foi membro da Convenção Nacional - a assembleia constituinte eleita após a queda da monarquia -, alinhado com o movimento conhecido como "Montanha", e, depois, assumiu o cargo de ministro da Justiça do Conselho Executivo Provisório, tornando-se uma das figuras mais importantes da Revolução.
No processo contra o rei Luís XIV, votou a favor da morte do soberano.
Após ter entrado em rota de colisão com Robespierre, o líder máximo do período conhecido como Terror, Danton terminou por ser processado, condenado à morte e executado por guilhotina em 5 de abril de 1794; as revoluções devoram seus próprios filhos.

Monumento a Danton; estátua em bronze criada por Auguste Paris sobre pedestal desenhado pelo arquiteto Lépouzé; o monumento foi erguido possivelmente em 1889 no local onde ficava a casa do tribuno, em comemoração ao primeiro centenário da Revolução Francesa. Place Henri Mondor, junto à estação de metrô Odéon, na divisa com o Boulevard Saint Germain, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Monumento a Danton; participante ativo da Revolução Francesa, caiu em desgraça com os jacobinos e foi guilhotinado em 1794; Danton é representado de pé, na postura de um tribuno prestes a proferir um discurso, enquanto ao seu lado dois jovens recrutas armados o observam admirados. Place Henri Mondor, junto à estação de metrô Odéon, na divisa com o Boulevard Saint Germain, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Na sequência, nos dirigimos para a margem do rio Sena, para conhecer o Museu d'Orsay, e no percurso fomos observando alguns pontos históricos e pitorescos.
No n. 36, da Rue Bonaparte, nos deparamos com um imóvel que foi habitado pelo filósofo e sociólogo Auguste Comte, conhecido como o "Pai do Positivismo", entre 1818 e 1822.
Auguste Comte foi um dos fundadores da sociologia, tendo formulado a ideia de que os fenômenos sociais deveriam ser percebidos como os outros fenômenos da natureza, ou seja, era possível observá-los utilizando os mesmos métodos das ciências naturais.
Então, ele cria a "Lei dos Três Estados": o Teológico, a infância da humanidade, onde o ser humano buscava explicação para a realidade por meio de agentes supranaturais; o Metafísico, a adolescência, no qual os deuses são substituídos por entidades abstratas, como "a alma", "o éter" ou "a natureza", para explicar a realidade; e, por fim, a maturidade intelectual, o Positivo da humanidade, onde não se explica o "porquê" das coisas, mas sim o "como", a partir do domínio sobre as leis de causa e efeito, por meio do método científico.
Assim, ele fundou a "Religião da Humanidade" ou a "Religião Positiva", com o seguinte lema: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim".
O pensamento de Auguste Comte influenciou as elites política e militar brasileiras no final do século XIX e início do século XX: um dos militares mais influentes no processo de transição da monarquia para república, o tenente-coronel Benjamin Constant, se filiou à corrente, e como ministro da Guerra do governo provisório, em 1890, introduziu o Positivismo no ensino da Escola Militar da Praia Vermelha, formadora dos oficiais do Exército Brasileiro, trazendo reflexos na formação dos militares das próxima décadas; a Bandeira Nacional, adotada pela República Brasileira em 19 de novembro de 1889, leva, na faixa branca, o lema abreviado do Positivismo: "Ordem e Progresso".

Prédio onde morou Auguste Comte, o "Pai do Positivismo, entre 1818 e 1822; na época da fotografia, funcionava o Hotel Saint-Germain-des-Prés, hoje Hôtel Fougère Paris. Rue Bonaparte, 36, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Placa que presta homenagem ao filósofo e sociólogo francês Auguste Comte e a sua lei dos "Três Estados" na fachada do prédio em que ele viveu de 1818 a 1822, período em que publicou seus primeiros ensaios. Rue Bonaparte, 36, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Na Rue des Saints-Pères, encontramos duas instituições parisienses: a épicerie (mercearia), a loja de "especiarias", que atende aos residentes das proximidades; e a boutique de fleuriste.

L'Épicerie Traiteur Oliver Pitou; uma instituição parisiense. Rue des Saints-Pères, 23, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Flower Saints-Pères; à esquerda, outra instituição parisiense, a loja de florista. Rue des Saints-Pères, 14, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
Por fim, chegamos ao Musée d'Orsay, na margem esquerda do Sena.
O museu é único tanto pela natureza específica de seu edifício, uma antiga estação ferroviária transformada em museu de belas artes, quanto pela diversidade de suas coleções.
O museu foi instalado na antiga estação ferroviária d'Orsay, construída pela Companhia Ferroviária de Orleans entre a primavera de 1898 e 14 de Julho de 1900, com projeto do arquiteto Victor Laloux, para a Exposição Universal de 1900.
A fim de respeitar a harmonia arquitetônica imposta pela proximidade do Louvre e das Tulherias, a estrutura metálica da estação é inteiramente dissimulada por trás de um revestimento de pedra calcária; graças à locomoção elétrica dos modernos trens que serviam a estação e, assim, à ausência da emanação de vapor e de fumo, o arquiteto pôde conceber uma cúpula de vidro totalmente fechada para receber os viajantes e permitir-se a mais liberdade na decoração; assim, o próprio edifício pode ser considerado a primeira "obra de arte" do Museu d'Orsay.
Depois de algum tempo, a estação, em razão do desenvolvimento de novos trens, caiu em desuso, e, em 1978, decidiu-se pela utilização do espaço como um novo museu; os trabalhos de requalificação foram realizados por três jovens arquitetos do gabinete A.C.T. Architecture, Pierre Colboc, Renaud Bardon e Jean-Paul Philippon e, para a conversão interior, pela decoradora italiana Gae Aulenti; em 1º de dezembro de 1986, o Museu d'Orsay é inaugurado pelo presidente da República, François Mitterrand.
O museu começa onde o Louvre parou, expondo coleções de arte do período de 1848 a 1914, mas o interesse que ele suscita está longe de se limitar às obras impressionistas que estabeleceram sua reputação; ele apresenta, de fato, um panorama excepcional da criação artística durante a segunda metade do século XIX e início do XX, permitindo confrontar pintura, escultura, arquitetura, fotografia, mobiliário e arte decorativa da época: móveis, particularmente no estilo Art Nouveau; esculturas de diversos estilos, demonstrando o ecletismo do período; e pinturas da escola clássica, do naturalismo, do simbolismo, do impressionismo e do neoimpressionsimo.
Não temos fotografias internas, tendo em vista que na época não eram permitidas.

Fachada principal do Musée d'Orsay, instalado desde 1986 na antiga Gare du Quai d'Orsay (Estação Ferroviária d'Orsay), projetada pelo arquiteto Victor Laloux, no estilo Beaux-Arts (acadêmico), e erguida entre 1898 e 1900, para a Exposição Universal de Paris naquele ano; expõe criações artísticas realizadas entre 1848 e 1914, dentre elas, seu carro-chefe, as pinturas impressionistas. Esplanade Valéry Giscard d'Estaing, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Pátio em frente à fachada principal do Musée d'Orsay, onde estão expostas, à esquerda, a escultura em ferro fundido anteriormente dourada "Cheval à la herse" (Cavalo com grade), de autoria de Pierre Louis Rouillard, obra de 1878, e à direita, escultura em ferro fundido anteriormente dourada "Rhinocéros" (Rinoceronte), de autoria de Henri-Alfred Jacquemart, obra de 1878. Esplanade Valéry Giscard d'Estaing, Saint-Germain-des-Prés, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
No nosso próximo post, vamos conhecer o distrito parisiense de Luxemburgo, particularmente o Palácio de Luxemburgo.
Fontes:
Wikipedia
"Paris: tous les plus beaux monuments", Guides Voir, Hachette Tourisme, Paris, 2010.




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