Paris - Parte V - e Versalhes - os Jardins do Palácio de Versalhes - Região de Île-de-France - França - 2012
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Bacia de Netuno; construída entre 1679 e 1682, por André Le Nôtre, alterada posteriormente por Ange-Jacques Gabriel; grupo escultórico "Netuno e Anfitrite" de 1740. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Versalhes - Parte II
Após o término de nossa visita ao Palácio de Versalhes propriamente dito, fomos flanar nos Jardins e Parque de Versalhes.
Foi nos jardins que o rei Luís XIV deu livre curso à sua imaginação, tentando controlar a natureza por meio da arte e de muito dinheiro: nivelamentos e movimentos de terra colossais e importantes obras hidráulicas a fim de transformar pântanos considerados insalubres num belo parque ajardinado; o grande ordenador é André Le Nôtre, que eleva a arte dos jardins "à francesa" ao seu máximo expoente; concebido entre 1660 e 1680, o parque inspirou-se no mito apolíneo, com os seus grupos escultóricos; o paisagista organizou o traçado a partir da longa perspectiva do eixo central este-oeste - o curso diurno do sol - e do eixo sul-norte; Le Nôtre procurou constantemente a transparência, os efeitos de água e de surpresa, que se misturam nos vários espaços ajardinados e maciços arborizados; a partir de 1680, assiste-se ao desenvolvimento de uma tendência mineral nos jardins, impulsionada por Jules Hardouin-Mansart; no início de seu reinado, o rei Luís XV prossegue as obras de seu bisavó, chegando a concluir algumas; Luís XVI teve que realizar a replantação geral do parque, retomando o traçado original, mas fazendo desaparecer certos maciços um pouco abandonados e alterando o aspecto de certas alamedas, para se adequarem ao gosto da sua época.
Começamos nosso passeio pelo jardim do lado norte, onde predomina o tema da água, provavelmente devido ao declive natural do terreno que permite realizar diversos efeitos com a água.
A Bacia de Netuno foi construída entre 1679 e 1682 sob a direção de André Le Nôtre; na época, uma decoração marinha dedicada a Netuno foi planejada, mas não saiu do papel durante o reinado de Luís XIV; somente no governo do sucessor, após ligeira modificação na estrutura da bacia realizada por Ange-Jacques Gabriel em 1736, é que os três grandes grupos escultóricos foram executados em 1740: "Netuno e Anfitrite", dos irmãos Lambert Sigisbert Adam e Nicolas Sébastien Adam; "Proteu", de Edme Bouchardon; e "Oceano", de Jean-Baptiste Lemoyne; a nova bacia, inaugurada por Luís XV, despertou admiração pela quantidade, escala e variedade dos jatos de água que atuavam sobre as esculturas de chumbo; hoje, ela ostenta noventa e nove jatos que formam um extraordinário conjunto hidráulico.

Bacia de Netuno, construída por André Le Nôtre, entre 1679 e 1682, e ligeiramente alterada por Ange-Jacques Gabriel em 1736; em destaque, o grupo escultórico em chumbo "Netuno e Anfitrite", dos irmãos Lambert Sigisbert Adam e Nicolas Sébastien Adam, concluído em 1740. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Um pouco acima da Bacia de Netuno, ainda na parte norte dos jardins, encontra-se a Bacia do Dragão.
A Alameda das Águas abre-se em semicírculo para a Bacia do Dragão, que retrata um episódio do mito de Apolo: a serpente gigantesca Píton, morta por uma flecha do jovem Apolo; o réptil é representado aqui rodeado por golfinhos e Cupidos armados com arcos e flechas, montados em cisnes; o jato principal da fonte eleva-se a uma altura de vinte e sete metros, tornando-a a mais alta de todas as fontes dos jardins de Versalhes; de cada lado desta bacia, cujo grupo central foi restaurado em 1889, alamedas diagonais conduzem a dois bosques: o Bosque da França Triunfante e, a oeste, o Bosque das Três Fontes.

Bacia do Dragão, cujo grupo escultórico central em chumbo dourado, realizado pelos irmãos Gaspard e Balthazar Marsy, na década 1670, representa a serpente gigantesca Píton (dragão alado) cercada por golfinhos e Cupidos armados com arcos e flechas, sobre cisnes. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

Bosque das Três Fontes; criado por André Le Nôtre entre 1677 e 1679, recebe esse nome devido a três bacias de formatos variados, adornadas com conchas, distribuídas em três terraços sucessivos, interligados por uma série de cascatas rochosas e rampas com limo. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Em seguida nos dirigimos para o Parterre du Midi (Canteiro do Sul), que é um dos três grandes jardins paisagísticos localizados logo após a parte posterior do palácio, juntamente com o Parterre d'Eau, a oeste, e o Parterre du Nord.
O Parterre du Midi foi criado pelo arquiteto Le Nôtre em 1661, inicialmente projetado em um terraço com vista para a primeira Orangerie, concebida por Louis Le Vau entre 1663 e 1664, e teve sua área duplicada em 1687 após a construção da Grande Orangerie de Hardouin-Mansart, formulado para o cultivo de plantas exóticas.

Parterre du Midi (Canteiro do Sul), projetado por André Le Nôtre em 1661; ao fundo, a Ala Sul do Palácio de Versalhes. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Abaixo do Parterre d'Eau (Canteiro d'Água) encontra-se a Bacia de Latona; criada pelos irmãos Gaspard e Balthasar Marsy entre 1668 e 1670 e redesenhada entre 1687 e 1689 por Jules Hardouin-Mansart, a bacia ilustra a lenda da mãe de Apolo e Diana, Latona.

Vista do Parque e do Grande Canal a partir da Bacia de Latona; entre a Alameda Real (o declive gramado) e o Grande Canal vê-se a Bacia de Apolo. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Ao lado da Bacia de Latona, encontra-se um dos bosques da Alameda Sul ou Alameda de Baco e de Saturno, o Bosque da Sala de Baile.
É o último bosque que André Le Nôtre projetou nos jardins; as obras começaram em 1680 e foram concluídas em 1685; o Grão-Delfim, filho de Luís XIV, ofereceu um grande jantar aqui para a sua inauguração; o bosque foi projetado como um anfiteatro verde, tendo, ao centro, a arena dotada com uma ilha, destinada à dança, cercada por um canal de dois níveis e acessível por quatro pequenas pontes, conjunto que foi removido por Jules Hardouin-Mansart em 1707.

Bosque da Sala de Baile; criado em 1685; Le Nôtre utilizou habilmente a significativa inclinação criada pelas rampas do Parterre de Latona para projetar uma grande cascata — a única em Versalhes — que ocupa toda a lateral leste do anfiteatro; a cascata de oito degraus é intercalada por rampas de mármore; todo o conjunto é decorado com pedras de moinho e conchas marinhas, às quais se acrescentam mesas com pedestal e vasos de chumbo dourado; as arquibancadas destinadas aos espectadores são delimitadas por sebes de buxo podadas. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Na sequência da Alameda de Baco e de Saturno, encontramos a Bacia do Espelho.
Ela complementava a grande bacia da Ilha Real, que se encontrava à sua frente, suprimida em 1817 e substituída pelo Jardim do Rei; os dois espelhos d'água eram separados por uma passarela; aproveitando a diferença de nível, que colocava a então Ilha Real em um degrau inferior ao da Bacia do Espelho, Le Nôtre projetou o muro de contenção da Ilha Real com elementos arquitetônicos em cascata.

Bacia do Espelho, com seu formato peculiar, em razão da supressão da bacia em continuação da extinta Ilha Real. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

As fontes musicais da Bacia do Espelho, Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Na altura do Jardim do Rei, do outro lado da Alameda Sul, encontra-se o Bosque da Colunata.
Construído a partir de 1685 por Jules Hardouin-Mansart, substituiu outro bosque criado por Le Nôtre em 1679: o bosque das Fontes; o peristilo circular, com mais de quarenta metros de diâmetro, repousa sobre trinta e duas pilastras que servem de contrafortes para as arcadas, as quais são sustentadas por trinta e duas colunas jônicas; os pilares são todos feitos de mármore do Languedoc, enquanto as colunas alternam entre mármore azul turquesa, brecha roxa e mármore do Languedoc; essa sutil policromia ajuda a realçar a brancura do mármore de Carrara usado nas arcadas e nos vasos da cornija; a decoração esculpida das enjuntas da arcada, criada entre 1685 e 1687 pelos escultores Coysevox, Le Hongre, Tuby, Mazière, Leconte, Granier e Vigier, retrata Cupidos desfrutando de música ou jogos pastorais; sob vinte e oito dos trinta e dois arcos, cujas chaves de arco são adornadas com máscaras de divindades marinhas ou rústicas, fontes jorrantes deságuam em uma calha que circunda o peristilo; no centro, a bacia original foi substituída já em 1696 pelo grupo de François Girardon, "O Rapto de Proserpina por Plutão".

Bosque da Colunata, projeto de Jules Hardouin-Mansart do final do século XVII; são trinta duas colunas jônicas, feitas de mármores variados, que sustentam uma grande arcada de mármore de Carrara, tendo como contrafortes mais trinta duas pilastras que ficam atrás das colunas; no centro, o conjunto escultural "O Rapto de Proserpina por Plutão", de autoria de François Girardon. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Na sequência da Alameda Real (central) encontra-se a Bacia de Apolo.
Desde 1636, sob o reinado de Luís XIII, existia neste local uma bacia, então chamada de Bacia dos Cisnes, que Luís XIV mandou adornar com a impressionante e famosa escultura em chumbo dourado representando Apolo em seu carro; a obra de Jean-Baptiste Tuby, baseada em um desenho de Le Brun, é inspirada na lenda de Apolo, deus do Sol e emblema do Rei, e mostra o deus emergindo da onda e se preparando para fazer sua jornada diária acima da terra; Tuby executou este grupo monumental entre 1668 e 1670 na Manufatura de Gobelins, ano em que foi transportado para Versalhes, sendo então colocado em seu devido lugar e dourado no ano seguinte.

A Bacia de Apolo, célebre conjunto em chumbo dourado representando Apolo em seu carro; obra de Jean-Baptiste Tuby, realizada entre 1668 e 1670; a plasticidade do conjunto, com os cavalos saindo das águas, impressiona muito. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

Os Jardins e, lá no fundo, o Palácio de Versalhes vistos da ponta do Grande Canal. Parque de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Ao projetar o Grande Canal, André Le Nôtre transformou a perspectiva leste-oeste em uma longa e luminosa abertura que parece não ter fim; as obras duraram onze anos, de 1668 a 1679; o Grande Canal, com 1.670 metros de extensão, serviu de cenário para celebrações memoráveis; assim, em 1674, todas as suas margens foram iluminadas por milhares de terrinas colocadas atrás de decorações transparentes; já em 1669, Luís XIV navegava por ali em chalupas e embarcações de todos os tipos; em 1674, a República de Veneza enviou duas gôndolas ao rei, acompanhadas por quatro gondoleiros que se instalaram na cabeceira do canal, em um conjunto de edifícios chamado, desde então, de Pequena Veneza; embora a frota do Rei estivesse ali posicionada durante o verão, no inverno, patins e trenós tomavam conta das águas congeladas; o braço transversal do canal permite o acesso de barco tanto à Menagerie (ao sul) quanto a Trianon (ao norte).

O Grande Canal; construído com base em projeto do paisagista André Le Nôtre, entre 1668 a 1679, muito utilizado por Luís XIV para cortejos náutico e representação de batalhas navais. Parque de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Na região da propriedade denominada Trianon ficava uma aldeia que foi comprada progressivamente pelo rei Luís XIV; em 1668, depois de arrasar o local, o soberano mandou La Vau construir um pequeno pavilhão, concluído em 1670, para o qual Luís XIV se recolhia para ficar em paz, bem como o utilizava como ninho de amor para encontros com sua amante, Madame de Montespan.
Mas, em razão da fragilidade do edifício, Luís XIV determinou a construção de um novo pavilhão, sob o comando de Jules Hardouin-Mansart, a partir de 1687.
O Grand Trianon passou a ser um local de descanso, um espaço privado real, reservado aos concertos, às festas, ou mesmo às refeições ligeiras, onde Luís XIV convidava unicamente as damas da corte, sendo posteriormente dedicado à família; o edifício ficou conhecido como Grand após a construção do Petit Trianon, por Luís XV.

Grand Trianon, também conhecido como Trianon de Mármore, devido às colunas de Rance do pórtico e aos pilares cor-de-rosa de Languedoque, decorados com capitéis de mármore branco de Carrara, que ritmam todas as fachadas; todas as salas têm vista para os jardins, que, aqui, são todos dedicados às flores. Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
O Quarto da Imperatriz era o antigo quarto de Luís XIV, no Grand Trianon; o cômodo conserva sua decoração, caracterizada por colunas coríntias que dividem o espaço em dois ambientes distintos e pela admirável qualidade de seus trabalhos em madeira.
Durante o Primeiro Império, foi dividido, dando origem a um quarto menor e um salão (ou antecâmara) que servia à imperatriz Maria Luísa, a qual o redecorou em seu estado atual, à exceção da cama, que pertenceu a Napoleão Bonaparte, no Palácio das Tulherias, e na qual Luís XVIII, irmão de Luís XVI, faleceu em 1824, até ser trazida aqui para ser utilizada pela última pessoa que viveu neste local, a rainha Maria Amélia, esposa do rei Luís Filipe.

Quarto da Imperatriz; decoração e mobiliário são da época da imperatriz Maria Luísa, segunda esposa de Napoleão Bonaparte; a cama era a utilizada por Napoleão no Palácio das Tulherias, a mesma em que faleceu o rei Luís XVIII; depois foi trazida para este quarto para ser usada pela rainha Maria Amélia, esposa de Luís Filipe. Grand Trianon, Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
No grande salão do imperador, localizado no Grand Trianon, foram colocados os presentes de malaquita dados a Napoleão por Alexandre I, czar da Rússia, e que deram o nome à dependência: Salão das Malaquitas.
Por ironia do destino, Alexandre I é quem reinava na Rússia quando o Grande Exército francês, em 1812, foi, na prática, derrotado e fez uma retirada humilhante e desastrosa em direção à França, episódio que foi tema de uma grande obra do compositor russo Tchaikovski, "Abertura 1812".

Salão das Malaquitas, onde se encontram objetos feitos com esta pedra, de cor verde, presenteados a Napoleão Bonaparte por Alexandre I, czar da Rússia. Grand Trianon, Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Em 1758, o rei Luís XV considerou a possibilidade de construir um novo e pequeno palácio em meio aos jardins que vinha desenvolvendo e embelezando nos últimos dez anos; ele incumbiu Ange-Jacques Gabriel, seu arquiteto-chefe, de projetar um pavilhão grande o suficiente para acomodá-lo e parte de sua comitiva; a obra de Gabriel, concluída em 1768, é um verdadeiro manifesto da arquitetura neoclássica, um exemplo perfeito do "estilo grego" que então se difundia pela Europa; dizem que assim o fez para agradar a ex-amante de Luís XV, Madame de Pompadour, que era uma mulher sempre à frente da moda; assim nasceu o Petit Trianon, que recebeu esse nome em referência ao palácio maior, o Grand Trianon.
Foi nesse palácio que Luís XV, em abril de 1774, sentiu os primeiros efeitos da varíola, doença que o levou à morte poucos dias depois, resultando na subida ao trono do jovem casal Luís XVI e Maria Antonieta.
O Petit Trianon foi então oferecido pelo novo monarca à sua esposa, que o tornou sua residência favorita e realizou importantes reformas externas; o jardim botânico de Luís XV logo foi substituído por um jardim anglo-chinês, em consonância com o estilo da época, que Maria Antonieta continuaria a embelezar e expandir.

A fachada sul do Petit Trianon; erguido com base no projeto do arquiteto Ange-Jacques Gabriel, foi concluído em 1768; a arquitetura geral do edifício adota uma forma cúbica extremamente simples; seu telhado plano é ocultado por uma balaustrada; Gabriel evitou habilmente a monotonia variando o tratamento dado a cada uma das fachadas do castelo; a fachada sul, com vista para o Pátio de Honra, é adornada de forma sóbria, com quatro pilastras que destacam uma ligeira projeção das três naves centrais. Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
No térreo, com acesso ao vestíbulo, encontra-se a Sala de Bilhar; sob o reinado de Luís XV, essa sala com painéis simples era mobiliada com uma mesa de bilhar ornamentada, mas esta foi transferida para o primeiro andar por Maria Antonieta em 1784 e substituída por uma mais comum, destinada ao uso dos guardas, cujo quarto ficava do outro lado do vestíbulo; numa das parede do ambiente, está um dos retratos da rainha conhecido como "Maria Antonieta com uma Rosa" (1783), de autoria de sua amiga Élisabeth-Louise Vigée Le Brun.

Sala de Bilhar, cujas paredes são revestidas com painéis brancos bem simples; no fundo, cópia do quadro "Marie Antonieta, rainha da França (1755-1793)", também conhecido como "Maria Antonieta com uma Rosa", pintado em 1783 por madame Élisabeth-Louise Vigée Le Brun, amiga da rainha; está entre os retratos mais famosos da monarca pintados por Vigée Le Brun; a imagem, que retrata a rainha em um vestido de seda azul, com fantásticas plumas de avestruz nos cabelos, segurando delicadamente uma rosa, é ao mesmo tempo imperial e naturalista. Petit Trianon, Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
O Réchauffoir (Aquecedor), acessível pelo vestíbulo, era um cômodo usado apenas para aquecer os pratos trazidos das cozinhas antes de serem servidos à mesa real; pouco depois de sua chegada ao Petit Trianon, Maria Antonieta mandou fechá-lo devido aos odores que subiam até seus aposentos; pode-se ainda ver, no ambiente, uma imponente lareira com coifa.

Réchauffoir, fazia às vezes de uma cozinha de apoio com a finalidade apenas de aquecer, antes de serem servidos ao rei, os pratos preparados nas cozinhas propriamente ditas; em destaque, à esquerda, a grande lareira com coifa. Petit Trianon, Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Os jardins criados pelo rei Luís XV, amante do paisagismo e da botânica, circundavam o Petit Trianon; dentre eles, havia o Jardim Francês e seus edifícios anexos, Menagerie (pequeno zoológico) (1749), Pavilhão Francês (1750), Aviário (1751) e Sala Fresca (1753).
O desenvolvimento dos jardins de Trianon, ordenado por Luís XV, juntamente com a construção de uma nova coleção de animais, levou rapidamente o rei a encomendar a Ange-Jacques Gabriel o projeto de um pavilhão de lazer, situado em meio aos novos canteiros e com a intenção de estar intimamente ligado a eles; iniciada na primavera de 1749, a construção do pavilhão "Nouvelle Ménagerie" foi concluída no outono de 1750; o arquiteto concebeu um plano que combinava uma grande rotunda ladeada por quatro alas menores, que passou a chamar-se Pavilhão Francês.

Jardim Francês, elaborado entre 1749 e 1753, por determinação do rei Luís XV, a oeste do Petit Trianon; ao fundo, o Pavilhão Francês, basicamente uma rotunda rodeada de quatro alas iguais. Petit Trianon, Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Os jardins na região do Petit Trianon foram bastante modificados pela rainha Maria Antonieta, esposa de Luís XIV, que mandou construir, a partir de 1775, um vasto jardim paisagístico adornado com construções extravagantes, porém poupando o Jardim Francês.
Assim, nasceu o jardim anglo-chinês, no estilo da época, que substituiu o jardim botânico de Luís XV, com reconstruções de elementos naturais como a Gruta; durante o projeto de seu novo jardim, Maria Antonieta limitou deliberadamente o número de edifícios que o adornariam, mantendo apenas dois projetos: o Belvedere e o Templo do Amor, ambos obra de seu arquiteto, Richard Mique.
O Belvedere foi projetado por Richard Mique e concluído em 1781; o edifício fica no topo de uma colina com vista para o pequeno lago; era usado pela rainha como um salão de verão; suas múltiplas aberturas, quatro janelas e quatro portas envidraçadas, que permitem a entrada abundante de luz, criam a ilusão de um verdadeiro espaço aberto.

Belvedere, projetado em estilo neoclássico pelo arquiteto Richard Mique e concluído em 1781, é um dos dois edifícios do jardim anglo-chinês, mandado construir pela rainha Maria Antonieta; planta octogonal e uma cúpula baixa, em grande parte escondida por uma balaustrada; no exterior, é embelezada por esculturas realizadas por Joseph Deschamps, oito esfinges. Jardim anglo-chinês, Petit Trianon, Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Ainda no jardim, numa ilhota criada por dois braços do riacho artificial existente no espaço verde, foi erguido, entre 1777 e 1778, o Templo do Amor, em puro estilo neoclássico; Maria Antonieta podia avistá-lo da sua janela, no Petit Trianon.
Templete precioso, todo de mármore, é sobretudo notável pela qualidade das esculturas em baixo-relevo de Joseph Deschamps que adornam os capitéis coríntios, os frisos e o interior da cúpula; a sua qualidade excepcional se explica pelo fato de abrigar uma célebre obra-prima da escultura francesa, "O Amor talhando o seu arco na clava de Hércules", de autoria de Edmé Bouchardon, cujo original encontra-se no museu do Louvre, tendo sido substituída por uma réplica realizada por Louis-Philippe Mouchy, outro grande escultor do século XVIII.

O Templo do Amor é um edifício sobre uma ilhota do riacho artificial, situada a leste do jardim inglês, erguido em estilo neoclássico em 1778 pelo arquiteto francês Richard Mique; doze colunas coríntias sustentam uma cúpula baixa feita de pedra de Conflans, revestida com chumbo pintado imitando pedra; no centro, a réplica criada por Mouchy com base na escultura "O Amor talhando o seu arco na clava de Hércules", de autoria de Edmé Bouchardon. Jardim anglo-chinês, Petit Trianon, Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Numa segunda fase, em 1783, Maria Antonieta encomendou a Richard Mique a expansão do jardim para o norte, com a construção de uma aldeia em torno de um novo lago; estavam na moda, na época, esses "retornos à natureza", que a rainha prontamente adotou.
A construção começou no verão de 1783 e foi concluída em 1786; o estilo da Aldeia da Rainha não é claramente identificável, sendo uma mistura de vários estilos de arquitetura rural, mas possivelmente inspirada nas aldeias da Normandia, possuindo uma inegável unidade; as casas estão dispostas ao redor da margem leste do grande lago, formando uma paisagem semicircular, cujo ponto de vista ideal se encontra no lado oposto do espelho d'água.
Apesar da aparência rústica exterior das casas, algumas apresentavam interiores com grande requinte - móveis de Riesener e de Jacob, porcelanas de Sèvres - em que a rainha poderia receber as pessoas que convidava para Trianon; depois da ponte, as construções eram mais voltadas para a atividade agrícola propriamente dita: celeiro, laticínio de preparação, laticínio limpo e piscicultura.
Nem todos as construções subsistiram ao tempo e às reviravoltas políticas, mas uma das que se mantiveram até hoje é a conhecida como a Casa da Rainha, que está ligada à Casa do Bilhar por uma galeria de madeira, de onde Maria Antonieta podia vigiar a lavoura nos campos.

A Aldeia da Rainha, erguida entre 1783 e 1786, com projeto do arquiteto francês Richard Mique; gosto da época pelo charme da vida campestre da pequena aldeia rústica; em destaque, a Casa da Rainha e a galeria de madeira que a ligava à Casa do Bilhar. Propriedade de Trianon, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
À noite, voltamos aos Jardins e Parque do Palácio de Versalhes para assistir ao grande espetáculo noturno "Les Feux d’Artifices Royaux", no Grande Canal.
Desde o século XVIII, os espetáculos pirotécnicos projetados sobre a água, ao som de música majestosa, cativam reis e multidões.
O Palácio de Versalhes, em 2012, reviveu essa tradição artística e festiva, celebrando a música do compositor alemão Georg Friedrich Händel, naturalizado cidadão britânico em 1726, mais especificamente suas duas obras-primas orquestrais ao ar livre: "Música Aquática" e "Música para os Fogos de Artifício Reais"; esses suntuosos concertos foram originalmente realizados para os reis britânicos George I e George II.
Em 1717, durante um passeio noturno pelo rio Tâmisa, Handel concebeu as duas primeiras suítes de "Música Aquática", que foram apresentadas ao longo de uma viagem que encantou George I, então rei da Grã-Bretanha, e sua corte.
Já a "Música Real para os Fogos de Artifício" foi composta por Handel em 1749, a pedido do rei George II, tendo sido apresentada pela primeira vez durante um grandioso espetáculo pirotécnico sobre o Tâmisa para celebrar o Tratado de Aix-la-Chapelle, que pôs fim à Guerra da Sucessão Austríaca.
O Palácio de Versalhes realizou um espetáculo à altura, fazendo com que nós nos sentimos na época em que Luís XIV apreciava um cortejo aquático ou a representação de uma batalha naval no Grande Canal.

Bacia de Latona, que ilustra a lenda da mãe de Apolo e de Diana. Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

Parterre de Latona (Canteiro de Latona), Jardins do Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

Um pequeno coquetel antes do início do espetáculo "Les Feux d'Artifice Royaux", com música de Haendel. Grande Canal, Parque de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

Na arquibancada para assistir ao espetáculo "Les Feux d'Artifice Royaux", com música de Haendel. Grande Canal, Parque de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

Na arquibancada para assistir ao espetáculo "Les Feux d'Artifice Royaux", com música de Haendel. Grande Canal, Parque de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

Fogos e jatos d'água durante a execução de "Música Aquática", composta por Haendel em 1717. "Les Feux d'Artifice Royaux", Grande Canal, Parque de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

Barco iluminado no espetáculo "Les Feux d'Artifice Royaux" de Haendel. Grande Canal, Parque de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.

Barcos iluminados no espetáculo "Les Feux d'Artifice Royaux" de Haendel. Grande Canal, Parque de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.
Paris - Parte V
Voltando a Paris, mudamos de hotel e de região: passamos a nos alojar na Rue d'Odessa, na região de Montparnasse, centro-sul da cidade.
Bem próximo da rua, pudemos nos sentir um pouco parisienses, ao visitarmos a feira popular (frutas, legumes, hortaliças, carnes, queijos, roupas, sapatos e acessórios) que funciona no canteiro central do Boulevard Edgar Quinet.

Feira de rua no Boulevard Edgar Quinet; se sentindo quase uma parisiense. Montparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.

Feira de rua no Boulevard Edgar Quinet; ao fundo, a famosa Torre Montparnasse. Montparnasse, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.
No nosso próximo post, vamos conhecer a Île de la Cité, o coração da cidade, o local onde Paris nasceu.
Fontes:
Wikipedia
"Paris: tous les plus beaux monuments", Guides Voir, Hachette Tourisme, Paris, 2010.
Guia oficial “Visitar Versalhes” publicado pelo Établissement public du château, du musée et du domaine national de Versailles, Béatrix Saule, Diretora do Museu Nacional dos Palácios de Versalhes e Trianon, e direção editorial de Séverine Cuzin-Schulte, Éditions Artlys, Paris, 2012.




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