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Paris - Parte VI - Notre-Dame de Paris e Île de la Cité - Região de Île-de-France - França - 2012

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Pont de l'Archevêché, na época ainda com os cadeados dos apaixonados; à direita, a igreja católica mais famosa da cidade, Notre-Dame de Paris. Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Paris - Parte VI


A história da Île de la Cité, em forma de barco, se confunde com aquela de Paris; uma simples aldeia, que, diz a tradição, era ocupada há pelo menos 200 anos pela tribo celta (parisii) que lhe deu seu nome, foi invadida pelos romanos em 52 a.C.; mais tarde, Clóvis, o primeiro rei dos francos unificados, fundador da França e da dinastia merovíngia, fez dela sua capital; no curso da Idade Média, tornou-se um grande centro judiciário e religioso.


Assim, por ser um lugar de travessia do rio Sena e um local estratégico fácil de defender, a Île de la Cité restará o centro das cidades que foram edificadas, na sequência, pelos romanos, pelos francos e depois pelos capetíngios, e, ao fio dos séculos, as edificações se elevaram sobre as ruínas daquelas que as precederam, como pode ser observado na Cripta Arqueológica, em frente à Catedral de Notre-Dame.




Mapa de Turgot de 1739, extrato da Île de la Cité; a ilha em forma de barco, vê-se, logo depois da "proa", o antigo Palácio da Cidade (hoje, Palácio da Justiça) e, dentro dele, a Sainte-Chapelle; na "popa", à direita, a Catedral de Notre-Dame. Plan de Paris dit Plan de Turgot, obra de Louis Bretez. Plan_de_Turgot.jpg: fr:Louis Bretezderivative work: Starus, Public domain, via Wikimedia Commons. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/37/Plan_de_Turgot_-_1739_-_Extrait_%C3%8Ele_de_la_Cit%C3%A9.jpg?utm_source=commons.wikimedia.org&utm_campaign=index&utm_content=original



Iniciamos nossa visita nessa ilha histórica pelo Palácio da Justiça.


No local. antes se encontrava parte do Palácio da Cidade, residência e sede do poder dos reis franceses entre os séculos X e XIV, um prédio edificado na Idade Média, mas alterado com o passar do tempo, onde se concentravam os poderes executivo, legislativo e judiciário.




O Palácio da Cidade no século XV; observa-se que a Île de la Cité, vista depois do rio Sena, era toda amuralhada; à direita, vê-se o perfil alto da Sainte-Chapelle. Manuscrito iluminado da obra Très Riches Heures du duc de Berry, dos Irmãos Limbourg e de Jean Colombe, por volta de meados do século XV. Original no Musée Condé. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Les_Tr%C3%A8s_Riches_Heures_du_duc_de_Berry_juin.jpg?utm_source=commons.wikimedia.org&utm_campaign=index&utm_content=original



O incêndio de 12 de janeiro de 1776 destruiu grande parte do palácio antigo e a reconstrução, mal concluída em 1789, não conseguiu levar em conta a nova organização judicial.


A fachada do Palácio da Justiça com vista para o Pátio de Maio foi reconstruída entre 1783 e 1786 em estilo neoclássico com uma colunata; o monumental portão de ferro forjado, ricamente ornamentado com douramento, que dá para o Pátio de Maio, foi fabricado em 1787 pelo mestre serralheiro Bigonnet.


Durante a Revolução, o Palácio abrigou o Tribunal Revolucionário de 6 de abril de 1793 a 31 de maio de 1795, quando foi substituído pelo Corte de Cassação.


De abril de 1793 a julho de 1794, o Tribunal Revolucionário guilhotinou mais de 2.600 pessoas: Maria Antonieta foi condenada à morte em 16 de outubro de 1793 e guilhotinada na Praça da Revolução; Danton foi condenado à morte pelo tribunal que ele ajudou a criar; Robespierre, também; os membros do tribunal e seu procurador público, Fouquier-Tinville, foram condenados, em 1795, pela própria jurisdição que eles mesmos haviam estabelecido.


As obras realizadas sob o comando do barão Haussmann, durante o Segundo Império, foram concluídas, porém a Guerra Franco-Prussiana eclodiu em 1870 e, na sequência, a Comuna de Paris, cujos insurgentes atearam fogo no palácio em 24 de maio de 1871, tendo ficado destruído parcialmente.


Durante a Terceira República, o palácio foi reconstruído.


Hoje, nele funcionam, dentre outros órgãos judiciários, a Corte de Cassação e a Corte de Apelações.



A entrada para o Palácio da Justiça em Paris pelo Cour du Mai (Pátio de Maio), com a Sainte-Chapelle à esquerda da imagem, vistos a partir da Rue de Lutèce, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




O Pátio de Maio e uma das fachadas do Palácio da Justiça, construída entre 1783 e 1786 em estilo neoclássico com uma colunata; em destaque, a bela grade e o portão forjados pelo mestre serralheiro Bigonnet em 1787. Boulevard du Palais, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Bem próximo ao Palácio da Justiça, encontra-se o Marché aux fleurs Reine Elizabeth II (Mercado das flores Rainha Elizabeth II), antigo Marché aux fleurs et aux oiseaux (Mercado das flores e dos pássaros), que, por decreto de Napoleão I, imperador dos franceses, foi inaugurado em agosto de 1809, com cerca de dez pequenas barracas.


Em 1873 ou 1874, as barracas foram substituídas por pavilhões metálicos, que mais tarde foram derrubados para construção de uma estação do metrô, em 1905, voltando o mercado a funcionar por meio de estruturas precárias.


Em fevereiro de 1924, graças à tenacidade de Georges Lemarchand, conselheiro municipal da região de Notre-Dame, os primeiros abrigos, com base no modelo projetado pelo arquiteto Jean Camille Formigé - estrutura principal feita de ferro forjado e montado, passarela central coberta com vidro reforçado e os corredores laterais, com zinco - começaram a ser construídos, assumindo sua forma definitiva após 1928, quando mais pavilhões foram adicionados.


O mercado está instalado na Place Louis Lépine, entre a Catedral de Notre-Dame e a Sainte-Chapelle, no qual podem ser encontradas flores da estação, flores exóticas, plantas e arbustos, bem como alguns objetos de decoração.




Marché aux fleurs Reine Elizabeth II (Mercado das flores Rainha Elizabeth II), antigo Marché aux fleurs et aux oiseaux (Mercado das flores e dos pássaros), que funciona em pavilhões erguidos entre 1924 e 1928, projetados por Jean Camille Formigé, estrutura metálica em ferro forjado, coberta, na parte central, por vidro reforçado, e, nas laterais, por folhas de zinco. Allée Celestin Hennion, Place Louis Lépine, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Em seguida, nos dirigimos ao Parvis Notre-Dame – Place Jean-Paul II, uma grande praça onde se encontram a Notre-Dame de Paris, o Monumento a Carlos Magno e seus fiéis guerreiros e a Cripta Arqueológica.


A Cripta, equipada e disponível desde 1980, se encontra no subsolo do Pátio da Catedral de Notre-Dame e apresenta os vestígios arqueológicos descobertos durante as escavações realizadas entre 1965 e 1970, oferecendo um panorama único da evolução urbana e arquitetônica da Île de la Cité, o coração histórico da capital; o visitante tem oportunidade de viajar no tempo, explorando edificações ali existentes, da Antiguidade ao século XX: o cais do antigo porto de Lutécia, um balneário público galo-romano, a muralha da cidade do início do século IV, o porão da antiga capela do Hôtel-Dieu, os vestígios medievais da Rue Neuve Notre-Dame, as fundações do Hospice des Enfants-Trouvé, o traçado do sistema de esgotos do barão Haussmann: o passado antigo, medieval e clássico aqui ganham vida.




Cripta Arqueológica da Île de la Cité, proveniente de escavações arqueológicas realizadas entre 1965 e 1970; museu inaugurado em 1980; vestígios provavelmente das termas galo-romanas do século IV. Subsolo do Parvis Notre-Dame – Place Jean-Paul II, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Cripta Arqueológica da Île de la Cité; em destaque, os vestígios do sistema de aquecimento do hipocausto dos banhos públicos galo-romanos (termas) da antiga Lutécia, datados do século IV. Subsolo do Parvis Notre-Dame – Place Jean-Paul II, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Ainda no Pátio da Catedral, à direita de quem olha para ela, encontra-se o Monument à Charlemagne et ses leudes (Monumento a Carlos Magno e seus fiéis guerreiros); o grupo escultórico foi realizado em gesso, em 1867, pelos irmãos Luis Rochet e Charles Rochet, e posteriormente, em bronze, confeccionado pela Fundição Thiébaut frères em 1878; a inauguração na praça se deu em 1882.


Carlos Magno, rei dos francos, filho de Pepino, o Breve, expandiu significativamente seu reino por meio de uma série de campanhas militares, particularmente contra os saxões pagãos, cuja subjugação foi difícil e violenta (772-804), os lombardos, no norte da Itália, e os muçulmanos de Al-Andalus, na atual Espanha; diante dessa expansão territorial, espalhando o Cristianismo pela Europa Ocidental, ele foi reconhecido pelo papa Leão III como imperador do Sacro Império Romano-Germânico (sucessor do Império Romano do Ocidente), sendo coroado em Roma no Natal de 800.


Ele é considerado por muitos o "Pai da Europa", sendo disputado como herói nacional pelos franceses e alemães.


Pode-se dizer que a representação em questão se trata de uma "licença poética": o vassalo Rolando faleceu em 778, na Batalha de Roncesvales, enquanto Carlos Magno somente receberia a coroa de imperador do Sacro Império Romano-Germânico em 800; já o outro vassalo, Oliver, é um guerreiro fictício, personagem de uma canção de gesta do Ciclo Carolíngio; por fim, a presença, na escultura, do cetro de Carlos V, que somente foi coroado em 1364, 550 anos depois da morte do imperador franco.




Monument à Charlemagne et ses leudes (Monumento a Carlos Magno e seus fiéis guerreiros), o grupo escultórico é obra dos irmãos Luis Rochet e Charles Rochet, tendo sido fundido em bronze pela Fundição Thiébaut frères em 1878, foi inaugurado na praça em 1882. Parvis Notre-Dame – Place Jean-Paul II, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Monument à Charlemagne et ses leudes (Monumento a Carlos Magno e seus fiéis guerreiros); inaugurado em 1882; estátua de bronze representando Carlos Magno coroado, a cavalo, segurando o cetro de Carlos V, e ladeado por seus fiéis guerreiros (vassalos) Rolando e Oliver. Parvis Notre-Dame – Place Jean-Paul II, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Por fim, na mesma praça, temos a joia da coroa, a Catedral de Notre-Dame, ou, simplesmente, Notre-Dame de Paris.


No lugar, anteriormente, havia a Catedral de Saint-Étienne, construída no século VI.


Com o crescimento da cidade mais acelerado a partir do século XII, após as invasões normandas, ela tornou-se um centro de intercâmbio artístico e intelectual, dotada de colégios e uma universidade de filosofia e teologia; isso, aliado ao grande fluxo de peregrinos do Caminho de Santiago de Compostela, que passavam na Île de la Cité, gerando atividade comercial e ofertas para o culto, levou Maurice de Sully, bispo de Paris, a empreender a construção de uma nova e vasta catedral para acomodar os fiéis; no século XIII, Paris viu sua população dobrar.


O bispo Maurice de Sully mandou construí-la a partir de 1160, junto com a remodelação do plano urbano em torno da futura catedral, facilitando o acesso a ela: a área liberada serviu como canteiro de obras antes de ser transformada no Parvis, a praça da catedral; o rei Luís VI ordenou a construção de uma grande ponte, chamada Pont-aux-Changes; já o bispo mandou construir uma ampla avenida, com seis metros de largura, chamada Rue Neuve-Notre-Dame, que era útil tanto para o canteiro de obras quanto para as procissões.


O arquiteto do edifício, a quem não se conhece a identidade, concebeu uma estrutura de dimensões excepcionais: 127 metros de comprimento, 40 metros de largura e 33 metros de altura; até a metade do século XIII, a catedral era um dos maiores monumentos religiosos do mundo ocidental; as notáveis ​​técnicas de construção iniciadas na Basílica de Saint-Denis tiveram continuidade na Notre-Dame; consideradas imediatamente obras-primas, essas novas construções religiosas exemplificavam um novo estilo arquitetônico então conhecido como Opus Francigenum, servindo de modelo na França e em toda a Europa antes de caírem em desuso durante o Renascimento; os italianos, então, renomearam esse estilo como gótico, um termo pejorativo para a arte dos godos.


Os bispos Eudes de Sully (1196-1208), Pierre de Nemours (1208-1219) e Guillaume de Seignelay (1220-1223) sucederam-se até a conclusão da catedral; o projeto do bispo Maurice de Sully sofreu revisão por volta de 1220-1230 para permitir a entrada de mais luz na nave; esse novo estilo da Notre-Dame de Paris ficou conhecido como Gótico Radiante.




Notre-Dame de Paris por volta de 1525–1530, da autoria Noël Bellemare, no estilo Gótico Radiante. Notre-Dame-de-Paris, dans Pontifical romain aux armes de Jean II de Mauléon, évêque de Saint-Bertrand-de Comminges, BnF, Ms. Latin 1226-2. imagem proveniente da biblioteca online Gallica, sob o identificador ARK btv1b10538065f/f8.image. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e5/BnF_-_Latin_1226-2_Pontifical_romain_aux_armes_de_Jean_II_de_Maul%C3%A9on_-_Notre-Dame_de_Paris.jpg?utm_source=commons.wikimedia.org&utm_campaign=index&utm_content=original


Transformações mais significativas da catedral ocorreram somente no século XVIII, dentre elas, a renovação do coro, que passou a ser decorado no estilo barroco da época; arquitetadas pelo rei Luís XIII, não puderam ser concretizadas no reinado, em razão de seu falecimento; seu filho, Luís XIV, finalmente encomendou a obra em 1699, com projeto inicial de Jules Hardouin-Mansart, que foi posteriormente abandonado; em seguida, Robert de Cotte, um dos mais brilhantes representantes da arquitetura francesa do século XVIII, foi nomeado o primeiro arquiteto do rei e assumiu a obra de 1708 a 1725, continuando seu trabalho sob o reinado de Luís XV.


Em 1756, os cônegos consideraram o edifício demasiado escuro e mandaram caiar as paredes e substituíram os vitrais medievais por vidro transparente, mas mantiveram os vitrais em forma de rosa, as rosáceas.


A partir da Revolução Francesa, o edifício religioso não foi bem cuidado, sendo progressivamente degradado; durante a revolução de 1830, os revoltosos destruíram os vitrais e danificaram a catedral, incendiando o palácio do arcebispo vizinho; após essa destruição parcial, as autoridades parisienses consideraram a demolição completa da igreja, mas, em 1831, a publicação de "Notre-Dame de Paris" (conhecido popularmente no Brasil como "O corcunda de Notre Dame"), do famoso escritor Victor Hugo, foi um sucesso estrondoso e desencadeou uma campanha nacional para salvá-la.


Em 1844, os arquitetos Eugène Viollet-le-Duc e Jean-Baptiste Lassus foram selecionados para realizar os trabalhos de restauração, iniciados no ano seguinte, com algumas interrupções; após a morte de Lassus, Viollet-le-Duc continuou a cuidar das obras, que foram concluídas em 1859.


Em 1991, a UNESCO inscreveu a catedral na Lista do Patrimônio Mundial; pelas estatísticas levantadas em relação ao ano de 2018, o edifício foi o local turístico mais visitado da França, com aproximadamente 13 milhões de visitantes por ano, ou uma média de 30.000 visitantes por dia.




Fachada oeste de Notre-Dame de Paris, que serve de entrada principal; a parte inferior é composta por três portais: o Portal do Juízo Final, no centro; o Portal da Virgem, à esquerda; e o Portal de Santa Ana, à direita; a parte logo superior, encontra-se a Galeria dos Reis; acima, um pequeno terraço, a Galeria da Virgem, delimitado por uma balaustrada vazada, oferece vista para a Galeria dos Reis; no centro, uma rosácea, dedicada ao Juízo Final, de 9,6 metros de diâmetro perfura a fachada; as duas torres quadradas permaneceram inacabadas. Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.



Portail du Jugement dernier (Portal do Juízo Final), datado dos anos 1210; na verga inferior, logo acima das portas, veem-se os mortos se levantando de seus túmulos, enquanto os anjos tocam suas trombetas; entre essas figuras estão um papa, um rei, mulheres, guerreiros e um homem africano; na verga logo acima, o arcanjo Miguel pesa as almas, e dois demônios tentam desequilibrar a balança; os eleitos são conduzidos ao paraíso (à direita de Cristo), enquanto os condenados, acorrentados e aterrorizados, são levados por outros demônios ao inferno; no alto do tímpano, Cristo em Majestade está sentado em glória; ele exibe as chagas em suas mãos e lado; dois anjos carregam os instrumentos da crucificação: a lança e os pregos de um, a cruz do outro; Maria e São João Evangelista ajoelham-se de cada lado; como nos outros portais, a corte celestial ocupa os arcos: anjos, patriarcas, profetas, doutores da Igreja, mártires e virgens; o inferno ocupa o lado direito dos arcos; as virgens prudentes (à direita de Deus) simbolizam a esperança de alcançar o paraíso, pois carregam lâmpadas acesas, enquanto as virgens insensatas carregam lâmpadas apagadas; no centro do portal, no trumeau (pilar central) entre as duas portas, Cristo Mestre está sobre um pedestal; em cada lado das portas, nas ameias, as esculturas representam os doze apóstolos: à esquerda estão Bartolomeu, Simão, Tiago Menor, André, João e Pedro; à direita, Paulo, Tiago Maior, Tomé, Filipe, Judas e Mateus. Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Portail de la Vierge (Portal da Virgem); a catedral é dedicada a Maria, e este portal lhe é particularmente consagrado; na verga inferior, logo acima da porta, três profetas são representados à esquerda e três reis de Israel à direita, segurando pergaminhos com textos bíblicos inscritos; a Jerusalém celestial está situada sob um dossel; um cofre simboliza a Arca da Aliança, representando a promessa de Deus ao seu povo; na verga logo acima, o conjunto retrata a morte de Maria rodeada por Jesus e os doze apóstolos, Paulo debaixo de uma figueira e João debaixo de uma oliveira; dois anjos levantam o seu sudário para a levarem ao céu; no topo do tímpano, Maria está no paraíso, sentada e coroada por um anjo; Jesus a abençoa e lhe entrega o cetro; consagrada Rainha do Céu, ela está entronizada ao lado de seu filho; ao seu redor, nos quatro arcos do portal, anjos, patriarcas, reis e profetas formam uma corte celestial; no trumeau (pilar central) entre as duas portas, a Virgem com o Menino esmaga a serpente, símbolo de Satanás; as quatro estações do ano estão representadas à esquerda e as quatro idades da vida, à direita; elas lembram aos fiéis, desde o momento em que entram, o ritmo da vida. Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Nas paredes externas da catedral, veem-se pontas de calhas que assumem a forma de animais fantásticos e, muitas vezes, assustadores; são as gárgulas, elementos decorativos.


Sua função é proteger as paredes do escoamento da água da chuva, que danifica a pedra; são as extremidades das calhas que conduzem a água para longe do telhado; por isso, aparecem como beirais, inclinando-se sobre a borda, principalmente nos grandes contrafortes do coro; a palavra vem do latim "gorge" (garganta) e do francês antigo "gueule" (boca).




Gárgulas, partes salientes das calhas que servem para escoar a água pluvial a certa distância das paredes, protegendo-as da erosão; assumem a forma de animais fantásticos, muitas vezes assustadores. Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


A construção de Notre-Dame de Paris começou pela sua abside, que tem formato semicircular; portanto, esta é a parte mais antiga do santuário; ela circunda as capelas absidais e corresponde à abside dentro do edifício; no século XIV, Jean Ravy substituiu os antigos contrafortes do século XIII; ele instalou quatorze ao redor do coro, cada um com um vão de quinze metros, seis dos quais formavam a própria abside; assim como as fachadas da nave, sua função também era canalizar a água da chuva para longe do edifício; painéis representando episódios da vida da Virgem Maria decoram a abside.


Nesta área do entorno sul e leste de Notre-Dame, desde o século XII, encontravam-se o palácio e os jardins do Arcebispado de Paris, que foram bastante modificados a partir do final século XVII, por iniciativa do arcebispo Louis-Antoine de Noailles; porém, o palácio foi vítima de duas revoltas e saques sucessivos, motivados pelo anticlericalismo, em 29 de julho de 1830 e, posteriormente, em 14 e 15 de fevereiro de 1831; o edifício foi invadido e saqueado; por conta disso, foi demolido alguns anos depois; no lugar dos jardins, foi erguida uma idílica praça, concluída em 1844, que ficou inicialmente conhecida como Square de l' Archevêché; em 1945, foi erguida, entre as alamedas arborizadas da praça, a neogótica Fontaine de la Vierge, projetada pelo arquiteto francês Alphonse Vigoureux; em 1970, o local passou a chamar-se Square Jean-XXIII, em homenagem ao popular papa, grande reformador da Igreja Católica.




A abside arredondada que fecha a Catedral de Notre-Dame a leste, vista a partir da Square Jean-XXIII; em destaque, os contrafortes, que se estendem acima das naves laterais; seus ápices sustentam as paredes superiores da catedral; eles servem a um duplo propósito: sustentar a fachada para evitar que ela desabe sob o peso da abóbada e resolver o problema do escoamento da água da chuva sem que ela escorra pela pedra; no centro da Square Jean-XXIII, vê-se a neogótica Fontaine de la Vierge, erguida em 1845, cuja base consiste em três faces, cujos cantos são chanfrados, dando-lhe a aparência de um hexágono irregular; cada canto é ocupado pela estátua de um arcanjo, cada uma apoiada em um pequeno pedestal de onde jorra a água da fonte; a base é encimada por três colunas que sustentam uma flecha serrilhada; no centro das colunas, encontra-se uma imagem da Virgem com o Menino, esculpida por Louis Merlieux, colocada sobre um pilar. Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


A nave é parte da igreja reservada aos fiéis durante as missas, portanto requer um amplo espaço para acomodar um grande número de devotos; elevando-se do solo até as abóbadas, forma o núcleo central da estrutura; a construção da nave de Notre-Dame começou em 1182 e, após uma pausa para a construção da fachada oeste em 1208, sua construção foi retomada em 1218.




Nave principal, transepto, coro e, ao fundo, o altar-mor. Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


A catedral possui três grandes rosáceas: a norte, associada à Virgem Maria e ao Antigo Testamento; a sul, ligada à Glória de Cristo e ao Novo Testamento; e a oeste, dedicada ao Juízo Final.


Situada exatamente em frente à rosácea sul, a rosácea norte foi criada em meados do século XIII, por volta de 1250; é a única que conserva o vitral original, com a maior parte da estrutura inicial ainda intacta.


Doado por São Luís, o vitral da rosácea norte atinge 12,9 metros de diâmetro e ilustra cenas do Antigo Testamento; centrado na Virgem Maria e seu filho Jesus, está rodeado por reis, profetas e juízes bíblicos; seus tons predominantes de azul conferem à catedral uma atmosfera serena.




Rosácea norte, vitral de meados do século XIII; a imagem central da rosácea retrata Maria entronizada segurando o Menino Jesus; ao redor, encontram-se imagens de reis e profetas do Antigo Testamento, com 16 profetas no círculo interno de medalhões e 32 reis e juízes no círculo externo. Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


No início do século XIV, resolveu-se reformar a abside da catedral; as obras de modificação foram realizadas sob a direção do arquiteto Pierre de Chelles; na época, escultores, pintores, vitralistas e carpinteiros trabalharam na decoração do coro.


Embora fosse o arquiteto responsável pela obra, Pierre de Chelles também desenhou a decoração do coro; ele foi o responsável pela seção norte do perímetro, representando cenas da vida de Jesus, porém, em 1316, partiu para trabalhar na Catedral de Chartres, deixando o perímetro do coro inacabado; o arquiteto Jean Ravy assumiu o projeto por vinte e seis anos, tendo criado a seção sul, dedicada às Aparições e à história de José; após sua morte, em 1344, seu sobrinho, Jean le Bouteiller, concluiu a obra em 1351.


A parede sul retrata as "Aparições de Cristo"; inspiradas no Evangelho de Nicodemos, apócrifo, elas raramente são tão completas na escultura medieval; a primeira cena representa a aparição de Cristo a Maria Madalena no jardim próximo ao Santo Sepulcro; essa aparição de Cristo como jardineiro persistiu até o final da Idade Média; os outros grupos esculpidos narram as aparições de Cristo às Santas Mulheres e a São Pedro, aos discípulos no caminho de Emaús, a São Tomé e a vários apóstolos reunidos.




Parede sul que circunda o coro de Notre-Dame de Paris, obra da primeira metade do século XIV; os conjuntos esculpidos, realizados pelo arquiteto Jean Ravy, retratam as "Aparições de Cristo", sendo que a mais visível, à esquerda da fotografia, é o conjunto denominado "Aparição de Cristo às Santas Mulheres". Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Em frente ao pilar direito da entrada do coro, encontra-se uma imagem da Virgem e o Menino, datada do século XIV; inicialmente, ela se encontrava na capela de Saint-Aignan, que era utilizada pelos cônegos no claustro de Notre-Dame; após a Revolução Francesa, foi colocada no trumeau do Portal da Virgem, na fachada oeste da catedral, mas, em 1855, o arquiteto Viollet-le-Duc, responsável pela restauração da igreja em meados do século XIX, decidiu instalá-la no local onde ela está até hoje.




Estátua da Virgem e o Menino, do século XIV, instalada em frente ao pilar direito da entrada do coro; ao lado, vê-se um banner com Santa Teresa de Lisieux. Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


A Sacristia, a Sala Capitular e o Tesouro da Catedral funcionavam num edifício anexo à fachada sul da igreja, porém, após as diversas revoluções ocorridas na França a partir do final do século XVIII, e particularmente os episódios de julho de 1830 e fevereiro de 1831, o local restou arruinado.


Entre 1845 e 1850, os arquitetos Lassus e Viollet-le-Duc reconstruíram apenas a sacristia em torno de um pequeno claustro quadrado. A parte mais próxima do transepto era usada para o culto, enquanto a outra parte abrigava o Tesouro.


Logo na entrada, encontra-se uma túnica de linho de Luís IX, rei da França, depois canonizado como São Luís, e uma disciplina (chicote de metal) para autoflagelação.


Luís IX foi rei da França entre 1226 e 1270; o monarca era muito católico e, durante seu reinado, fundou hospitais e mosteiros e construiu a Saint-Chapelle (que está dentro da área do atual Palácio da Justiça), um santuário de luzes e vidros coloridos, destinado a custodiar as relíquias, sobretudo a coroa de espinhos de Jesus, que as havia adquirido do imperador de Constantinopla; deu à sua irmã, a beata Isabel, as terras de Longchamp, para que fosse construída uma abadia para as Irmãs de Santa Clara; junto com Robert de Sorbon, fundou, em 1257, a universidade Sorbonne; acompanhou de perto o acabamento da Catedral de Notre-Dame, em particular os florões e os pórticos; durante toda a sua vida, São Luís IX esforçou-se para que reinasse a justiça e a paz na sua existência de santo e estadista; participou da 7ª e da 8ª cruzadas; nesta última, ele tinha intenção de converter o sultão Maomé I Almostancir, da Tunísia, para utilizar o local como ponto de apoio para atacar o Egito governado pelos mamelucos, mas não deu certo; o sultão não se converteu, obrigando o rei a tomar de assalto a cidade de Cartago, porém o exército cristão sofreu com epidemias, levando à morte o rei, provavelmente de escorbuto e esquistossomose; em 1297, o rei é canonizado pelo papa Bonifácio VIII, passando a ser conhecido como São Luís da França.




Túnica de São Luís (rei Luís IX) e sua disciplina (chicote) para mortificação. Tesouro, Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


O Tesouro de Notre-Dame, assim como outros tesouros de edifícios religiosos, preserva objetos destinados à liturgia da Igreja Católica: vasos sagrados, ostensórios, vestes litúrgicas e livros litúrgicos usados ​​para a celebração da Missa, outros serviços e a administração dos sacramentos.




Objetos sacros expostos no Tesouro de Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


A Sala Capitular, um espaço na sacristia inaugurado em 1854, possui 18 assentos ao redor do trono do arcebispo e da mesa do secretário. Nela são realizadas as reuniões do capítulo.




Peças religiosas da Sala Capitular de Notre-Dame de Paris, Tesouro, Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


A coleção de 268 camafeus do Tesouro da Catedral de Notre-Dame retrata os papas desde São Pedro até Bento XVI.


As peças mais antigas foram esculpidas pelos ateliês da Torre des Greco, localizados no Império Alemão; um rico doador bávaro as ofereceu ao Capítulo de Notre-Dame, em 1887, que, por sua vez deliberou, em maio de 1888: "Foi proposto e aprovado colocar os camafeus dos Papas na sala capitular."; este é o único documento histórico obtido do capítulo referente ao camafeus.


Esses camafeus são joias de primoroso requinte; os artistas de Torre des Greco dão a cada um dos papas gestos variados, sem dúvida hieráticos, porém cheios de vida; as poses são diversas, menos convencionais do que as dos medalhões romanos; as vestes variam: capa pluvial ou camail, tiara, duas ou três coroas, mitra levítica, solidéu simples ou camauro; os movimentos são frequentemente expressivos: alguns abençoam, outros meditam diante do crucifixo; alguns são retratados de perfil ou de frente, outros sentados ou em pé, como Pio VI em um gesto de firmeza, ou em movimento, como Inocêncio XII.


Os mestres Goudji e Pierre Rouge-Pullon criaram camafeus dos últimos dez papas, de Leão XIII a Bento XVI, para marcar o 120º aniversário da coleção em setembro de 2008; tal como os anteriores, são finamente esculpidos em madrepérola e as suas molduras são de prata.




A coleção de camafeus dos papas: de São Pedro a Bento XVI; iniciada em 1888, é formada por peças refinadas esculpidas em madrepérola e incrustradas em molduras de prata. Sala Capitular, Tesouro, Notre-Dame de Paris, Parvis Notre-Dame-Place Jean-Paul II, 6, Île de la Cité, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


No nosso próximo post, vamos conhecer a Île Saint-Louis e a região de Saint-Germain-des-Prés.



Fontes:


Wikipedia


"Paris: tous les plus beaux monuments", Guides Voir, Hachette Tourisme, Paris, 2010.






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