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Paris - Parte IV - e Versalhes - Palácio de Versalhes - Região de Île-de-France - França - 2012

  • 3 de mai.
  • 18 min de leitura

Cour de Marbre (Pátio de Mármore) do Palácio de Versalhes; a obra-prima de iniciativa do rei Luís XIV, o Rei Sol. Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.



Paris - Parte IV


Antes de visitarmos o Palácio de Versalhes, fomos conhecer um pouco mais as regiões próximas ao nosso primeiro hotel.


Na Place de la Porte Maillot, visitamos o Palais des Congrès de Paris.


O palácio e o hotel adjacente, Hôtel Concorde La Fayette, hoje, Hyatt Regency Paris Étoile, foram erguidos entre 1970 e 1974, projetados pelos arquitetos franceses Guillaume Gillet, Henry Guibout e Yves Betin e o alemão Serge Maloletenkov.


O local se consolidou como referência na realização de congressos, feiras e conferências de renome internacional; seu grande anfiteatro, com 3.700 lugares, oferece os maiores espetáculos: balés, concertos e musicais.




Uma das entradas do Palais des Congrès de Paris, grande espaço de eventos da cidade, inaugurado em 1974. Place de la Porte Maillot, 2, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Fachada da Passion Forest - boulangerie-pâtisserie; uma típica padaria e confeitaria parisiense, que funcionava, na época, nas proximidades de nosso hotel Régence Etoile, na Avenue des Ternes, 59, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.



Versalhes - Parte I


No dia seguinte, nos dirigimos por meio de trem à cidade de Versalhes, onde se encontra um dos mais famosos complexos palacianos do mundo, o Palácio de Versalhes (Château de Versailles).


O então delfim Luís guardou vivamente, do período da infância e da adolescência, os momentos em que acompanhava seu pai, o rei Henrique IV, nas caçadas que ele realizava nos bosques de Versalhes; em razão disso, quando o delfim se tornou rei, com o nome Luís XIII, resolveu construir no lugar um pavilhão de caça adornado de jardim, projetado por seu arquiteto Philibert Le Roy.


Seu filho, Luís XIV, o Rei Sol, após ter subido ao trono, também participava de caçadas no local; temeroso de governar de Paris, cidade sempre disposta a revoltar-se e amotinar-se, decidiu construir, no antigo campo de caça, uma enorme residência real, a maior e a mais bela, e sua decoração devendo ostentar abundantes símbolos à gloria do soberano, além de permitir a fixação da corte junto de si; conforme os dias, contavam-se de 3.000 a 10.000 pessoas circulando no interior da residência real; no fim do reinado, o palácio abrigava 4.000 pessoas, enquanto várias outras dependências na cidade recebiam mais de 2.700 pessoas.


Em 1661, no início de seu reinado, Luís XIV determinou a realização de várias remodelações do pavilhão de caça construído por seu pai, internamente, sob a direção do pintor e decorador Charles Le Brun, e exteriormente, nos parques e jardins, confiados ao paisagista André Le Nôtre; em 1668, ele decidiu ampliar as instalações, agora projetadas pelos arquitetos reais Louis Le Vau e François d'Orbay; com a chegada do arquiteto Jules Hardouin-Mansart, nova ampliação é feita a partir de 1677, prenunciando a vontade de fixar a corte e o governo em Versalhes, efetivada em 1682; das primeiras reformas, em 1661, até a inauguração da quinta e última capela do palácio, em 1710, foram cerca de 50 anos de obras.

Após a morte de Luís XIV, houve idas e vindas dos monarcas que o sucederam na utilização do palácio como residência real principal, até a eclosão da Revolução Francesa, em 1789, quando este deixou de ser a sede do poder.


Em 1837, por ordem do rei Luís Filipe, que ascendeu ao trono em 1830, o palácio tornou-se o Museu de História da França; os salões do edifício passaram a abrigar novas coleções de pinturas e esculturas retratando tanto as grandes figuras que ilustram a história francesa quanto os principais eventos que a marcaram; essas coleções continuaram a crescer até o início do século XX, quando, sob a influência de seu mais eminente curador, Pierre de Nolhac, o Palácio de Versalhes se reconectou com sua própria história, sendo restaurada, na sua seção central, a aparência de residência real do Antigo Regime.




Pátio de Honra, que fica entre a primeira e a segunda grades, flanqueado pelas Alas dos Ministros; ao fundo, a segunda grade dourada, que permite acesso ao Pátio Real, e o Palácio de Versalhes propriamente dito; nas laterais da grade, à direita, a Ala Gabriel, erguida entre 1772 e 1774, em estilo neoclássico, projeto de Ange-Jacques Gabriel, por determinação de Luís XV, e, à esquerda, o Pavilhão Dufour, construído entre 1814 e 1821 por iniciativa do rei Luís XVIII e com base no projeto do arquiteto Alexandre Dufour, de forma idêntica à Ala Gabriel, para guardar a simetria que faltava desde a morte de Luís XV. Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.




Grade real, a segunda grade dourada, com belíssimo portão, vista a partir do Pátio Real; trata-se de uma grade feita entre 2005 e 2008, replicando a original, projetada pelo arquiteto Jules Hardouin-Mansart, por volta de 1680; era a que dava realmente acesso à residência real e somente os personagens mais importantes podiam transpô-la com os suas carruagens. Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.




O Pátio Real é dominado por edifícios diferentes dos outros pela escala e pelo material de construção; à direita, em pedra, se vê o final da Ala Gabriel, erguida entre 1772 e 1774, no fim do reinado de Luís XV, que visava a reconstruir integralmente as fachadas do lado da cidade num estilo neoclássico, considerado então mais nobre; à esquerda, a arquitetura das fachadas, em tijolo e pedra, encimadas por altos telhados de ardósia, remonta à época do primeiro palácio de Versalhes, mandado edificar por Luís XIII e que Luís XIV conservou e mandou ampliar no mesmo estilo. Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.   




Pátio Real e a ala esquerda, em continuação ao Pavilhão Dufour em direção ao Pátio de Mármore; arquitetura das fachadas em tijolo e pedra, encimadas por altos telhados de ardósia, remonta à época do primeiro palácio de Versalhes, mandado edificar por Luís XIII e que Luís XIV conservou e mandou ampliar no mesmo estilo. Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.   




Pátio de Mármore, núcleo central do primeiro palácio, erguido por ordem de Luís XIII e remodelado por determinação de Luís XIV, mas conservado em suas características essenciais, como fachadas em tijolo e pedra, encimadas por altos telhados de ardósia, arrematados com cumieiras douradas; adornadas com lajes de pedra, consolas com bustos de mármore e um balcão com uma grade com detalhes dourados, sustentado por um ressalto central de três vãos marcado por quatro conjuntos de duas colunas dóricas de mármore vermelho sobre pedestais; no alto, um relógio tendo uma representação do sol no seu centro e emoldurado por uma coroa de louros, encimado por um capacete e ladeado por estandartes, inserido num grupo escultórico intitulado "Marte e Hércules em Repouso", executado pelos escultores François Girardon e Gaspard Marsy, por volta de 1680, a partir de um desenho de Charles Le Brun, representando, à esquerda, Hércules em repouso vestindo a pele do leão de Nemeia, tendo, em sua volta, Aqueloo (em forma de touro) e a Hidra de Lerna, símbolos do Reno atravessado e da derrotada Liga de Augsburgo; à direita, Marte em repouso com armadura tendo, no seu entorno, um leão e uma águia derrotados, representando a Espanha e o Sacro Império Romano-Germânico batidos pelos franceses na Guerra Franco-Holandesa, alegorias do vitorioso Luís XIV; o conjunto foi restaurado em 1869 por Henri-Michel-Antoine Chapu, que substituiu a águia, símbolo do Segundo Império Francês, então no poder, mas aqui representada como derrotada, por um carneiro. Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.


Ao lado da Ala Gabriel, encontra-se a Capela Real, dedicada a São Luís, padroeiro do rei e ancestral da casa real.


Última obra maior de Jules Hardouin-Mansart, a capela barroca de dois andares é a derradeira contribuição de Luís XIV a Versalhes.


A capela veio substituir uma anterior, erguida em 1682, mas que se revelara demasiado exígua.


Os trabalhos de construção da capela iniciaram a partir de 1689 por Hardouin-Mansart, mas ele não a viu concluída, tendo falecido em 1708; então, o seu cunhado, Robert de Cotte, sucedeu-lhe, mas as linhas gerais da arquitetura e da decoração tinham sido fixadas desde 1699: uma planta com nave central, naves laterais e deambulatório, uma elevação com coro alto, uma harmonia de branco e ouro, contrastando com a policromia do pavimento de mármores e das pinturas da abóboda; o conjunto deu origem a uma obra original, que alia reminiscências da arquitetura gótica e uma estética barroca; a capela foi inaugurada somente em 1710.


Luís XIV frequentou essa capela palatina somente durante cinco anos, posto que faleceu em 1º de setembro de 1715.


A corte assistia a missa do rei todos os dias, geralmente de manhã, às 10 horas; o rei ocupava a tribuna real no coro alto, rodeado de sua família; o público distribuía-se pelas naves laterais e central; o rei descia apenas por ocasião das grandes festas religiosas em que comungava, para as cerimônias da ordem do Espírito Santo, para os batismos e para os casamentos dos "Filhos da França", que aí foram celebrados de 1710 a 1789.


Dominando o altar, junto ao Órgão de Cliquot, tocado pelos maiores mestres da época, como François Couperin, o coro Música da Capela, famoso em toda a Europa, cantava diariamente motetes, durante toda a celebração da missa.




Capela Real, em estilo barroco, inaugurada em 1710; o primeiro andar reservado à família real, o térreo, à corte; sua imponente colunata no primeiro andar é claramente inspirada na Antiguidade; sobre o altar, no primeiro andar, encontra-se o Órgão de Cliquot: a caixa do órgão foi esculpida por Philippe Bertrand; o instrumento foi executado de acordo com os planos de 1679, de Étienne Énocq, pelos construtores de órgãos Julien Tribuot e Robert Cliquot e inaugurado em 1710 por François Couperin, apreciado compositor, organista e cravista barroco francês; o altar-mor ocupa o arco do santuário, totalmente obscurecido pela "glória" (um efeito de luz e raios dourados) do retábulo, criando uma transição impressionante entre o altar e o teto pintado da capela, refletindo o esplendor absoluto da corte de Luís XIV; todo o conjunto foi feito de bronze dourado por Corneille Van Clève em 1709 e 1710; o baixo-relevo de bronze dourado da "Lamentação sobre o Cristo Morto" serve como antepêndio (frente da mesa do altar), concluindo o ciclo da Paixão esculpido nos pilares da nave e do santuário. Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.



Estátua equestre "Luís XIV, Rei da França e de Navarra (1638-1715)", obra de 1837 em bronze patinado, dos escultores Louis-Messidor-Lebon Petitot e Pierre Cartellier e do fundidor Charles Crozatier, e a pintura "O rei Luís Filipe, rodeado pelos seus cinco filhos, saindo pelo portão da Grade de Honra do Palácio de Versalhes após ter passado revista aos militares nos pátios, 10 de junho de 1837", obra de Horace Vernet, de 1846; o rei é retratado entre seus filhos, conduzindo um cavalo, diante das grades do Palácio de Versalhes; ao fundo, a estátua equestre de Luís XIV, de Cartellier e Petitot, instalada a pedido de Luís Filipe (e recentemente transferida), evoca o fundador de Versalhes e ancestral dos príncipes presentes. Obras então expostas na Ala Norte, salas do século XVII, nível do jardim/Galerias Históricas, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.


O Grande Aposento do Rei é composto por sete salões - dentre eles, o Salão de Hércules, o Salão de Vênus e o Salão de Apolo - que dão para os jardins a norte, por meio de altas janelas, do chão ao teto, o que, na época da sua construção, nos anos 1670, constituía uma novidade; seguia a disposição habitual dos aposentos principescos - antecâmaras, salas de guarda, antecâmara, quarto, grande gabinete -, devia servir de aposento de aparato, isto é, de quadro para os atos oficiais do monarca, tendo sido decorado com a maior riqueza e segundo o modelo dos palácios italianos da época; o primeiro pintor (diretor), Charles Le Brun, concebeu todos os desenhos para os tetos, os lambris de mármores preciosos, a mobília e até os detalhes das fechaduras das portas.


O Salão de Hércules, embora seja o primeiro salão do Grande Aposento do Rei, foi o último a ser criado, no final do reinado de Luís XIV; desde 1682, a capela do palácio ocupava o seu espaço de dois pisos e serviu até 1710, data em que foi substituída pela Capela Real atual.


Para decorar esse novo salão, instalou-se, em 1712, o monumental quadro do famoso pintor italiano Veronese, "Ceia na casa de Simão", pintado para o Convento das Servitas em Veneza, por volta de 1572.


Interrompidas por dez anos após a morte de Luís XIV, as obras do salão duraram até 1736, data em que François Lemoine terminou a pintura da abóboda, que representa a "Apoteose de Hércules".




O quadro "Ceia na casa de Simão, o Fariseu", de autoria de Paolo Caliari, dito Veronese, por volta de 1572; pintado para o refeitório de um convento veneziano, esta pintura foi oferecida pela República de Veneza a Luís XIV em 1664 e colocada na Galeria de Apolo, no Louvre; foi transferida para Versalhes em 1712; Cristo está rodeado por figuras religiosas e retratos de contemporâneos venezianos: esta dessacralização e a fantasia da inspiração, visíveis na diversidade de trajes e expressões, resultou a Veronese o comparecimento perante um tribunal religioso. Salão de Hércules, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.




Quadro "Eliezer e Rebeca", de autoria de Paolo Caliari, dito Veronese (mas também atribuído ao pintor Benedetto Caliari, irmão e colaborador de Paolo), criado entre 1551 e1600 (século XVI); a pintura representa o momento em que Rebeca, uma jovem mulher, que ia ao poço todas as tardes para buscar água, encontra-se com um homem de nome Eliezer, vindo de terras longínquas, que dela se aproxima, pedindo-lhe água, enquanto ela está puxando o balde de dentro do poço. Salão de Hércules, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.


O Salão de Vênus e o de Diana constituíam o principal acesso ao Grande Aposento, pois era onde desembocava a grande escadaria, hoje inexistente; estes salões eram ainda denominados "as duas antecâmaras de mármore"; como todas os salões seguintes, o nome deste salão provém de um planeta, tema relacionado com o mito solar que inspirou toda a decoração de Versalhes nos anos 1670.


O salão de Vênus é o que ostenta a decoração mais barroca, o único lugar onde Le Brun fez dialogar arquiteturas, esculturas e pinturas, por vezes reais, por vezes imitadas: as pilastras e colunas de mármore são reproduzidas nas perspectivas pintadas por Jacques Rousseau e duas estátuas em trompe l'oeil do lado das janelas correspondem à figura de Luís XIV, da autoria de Jean Warin.


Em gratidão pelas muitas encomendas que recebeu do rei Luís XIV, o escultor, gravador de moedas e medalhista valão (região da atual Bélgica) Jean Warin (1607-1672) legou, após sua morte, a estátua de corpo inteiro do soberano que havia executado em mármore por volta de 1645-1672.




Estátua de Luís XIV, em mármore, concluída em 1672, de autoria do medalhista e escultor valão Jean Warin e instalada no nicho do Salão de Vênus, inserida nesta suntuosa estrutura de mármore, sobre a base desenhada pelo marmorista Pierre Lisqui, por volta de 1687, para a estátua de "Cincinnatus"; a estátua retrata o rei, com cerca de trinta anos, como um imperador romano, vestindo uma couraça e um manto cobrindo os ombros; a iconografia é decididamente marcial: o bastão de comando, no qual o rei se apoia, repousa sobre as costas de uma couraça, enquanto a mão esquerda do monarca repousa sobre o elmo, em cima de um escudo; esta estátua, uma das poucas efígies de corpo inteiro de Luís XIV que sobreviveram, apresenta o soberano como herdeiro da grandeza da Roma antiga. Salão de Vênus, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.


O Salão de Apolo, desenhado por Le Brun, dedicado ao deus do Sol, com o qual se identificava o soberano, era a sala de trono de Luís XIV e o mais suntuoso de todos do Grande Aposento.


Este fausto nota-se ainda hoje na decoração do teto, cujas pinturas - composição central, panos laterais e cantos - são todas coloridas, e nas esculturas, todas em ronde-bosse (de vulto) e integramente douradas; os tecidos da paredes que, como todas as residências reais, mudavam em função das estações, eram, no inverno, de veludo carmesim, entrecortado por dezoito listas bordadas a ouro e prata, e, no verão, por listas de seda bordadas a ouro e prata.


No teto, o afresco "O carro de Apolo" foi pintado por Charles de La Fosse; o célebre retrato de Luís XIV, da autoria de Hyacinthe Rigaud, contrapõe-se ao de Luís XVI, pintado por Antoine-François Callet.




Pintura "Luís XVI, rei da França (1638-1715)", obra de Hyacinthe Rigaud, cópia feita em 1702, o quadro mais famoso do monarca; Luís XIV é representado, aos 63 anos, de três quartos, vestindo o traje de coroação, a capa decorada com flor-de-lis e orlada de arminho, e o medalhão da Ordem do Espírito Santo; Rigaud teve o cuidado de incluir todas as insígnias, reforçando a imagem do soberano, símbolo do Absolutismo: o cetro em sua mão direita, a espada pendurada na cintura, a coroa e a mão da justiça na almofada à esquerda; ele está de pé, debaixo de um dossel, cuja base está ornada de um baixo-relevo simbolizando a justiça. Salão de Apolo, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.




Pintura de teto "O carro de Apolo", de autoria de Charles de La Fosse, realizada entre 1673 e 1678; representa Apolo no seu carro puxado por quatro cavalos e acompanhado pelas Estações. Salão de Apolo, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.


A Galeria dos Espelhos ou Grande Galeria, com suas paredes cobertas por espelhos, estende-se por 73 metros ao longo da fachada oeste.


O espaço mais emblemático do Palácio de Versalhes substituiu um vasto terraço com vista para o jardim a oeste - que separava os Apartamentos do Rei, ao norte, dos Apartamentos da Rainha, ao sul - originalmente projetado pelo arquiteto Louis Le Vau, que se mostrava inconveniente e, sobretudo, exposto às intempéries, tendo sido rapidamente condenado; o sucessor de Le Vau, Jules Hardouin-Mansart, concebeu uma solução mais adequada e substituiu o terraço por uma grande galeria; a construção começou em 1678 e foi concluída em 1684.


Após a vitória sobre a coalização das três potências contra a França - Alemanha, Espanha e Holanda -, representadas no Salão da Guerra, a Galeria dos Espelhos exalta o sucesso político, econômico e artístico da França; sucesso político: as vinte e sete composições da abóboda pintada por Le Brun ilustram a história gloriosa de Luís XIV durante os primeiros dezoito anos do seu reinado pessoal, de 1661 à paz de Nimegue; assim, as vitórias militares e diplomáticas, bem como as reformas com vista à reorganização do reino, foram tratadas sob a forma de alegorias da Antiguidade; prosperidade econômica: pelas suas dimensões e pelo seu número, os 357 espelhos que revestem as 17 arcadas frente às janelas demonstram que a nova manufatura de espelhos francesa é capaz de retirar a Veneza o monopólio dos espelhos, objetos, na época, de grande luxo; sucesso artístico: as pilastras de mármore de Rance são decoradas com capitéis de bronze dourado, ostentando um novo modelo dito da "ordem francesa"; criada por Le Brun a pedido de Colbert, esta é caracterizada pela exibição de emblemas nacionais - aqui, uma flor-de-lis sobreposta pelo sol real, entre dois galos franceses.


Além das cerimônias oficiais da monarquia francesa realizadas neste tão imponente espaço, particularmente na recepção de dignitários estrangeiros, houve dois episódios de grande repercussão internacional:


  • a proclamação de Guilherme I como imperador alemão, em 18 de janeiro de 1871, que consolidou a unificação alemã e a criação do II Reich, sendo realizada no coração do poder francês para driblar as objeções de alguns príncipes tedescos à união dos povos alemães sob o domínio da dinastia Hohenzollern, fazendo a cerimônia em território estrangeiro, mais distante das querelas domésticas, e como um gesto de dominação após a vitória na Guerra Franco-Prussiana; após as humilhações infligidas por Luís XIV e Napoleão I, a Alemanha finalmente se vingou; e


  • em 1919, o Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, na qual a Alemanha foi derrotada, foi assinado aqui, como um troco aos alemães.




A Galeria dos Espelhos, o espaço mais emblemático do palácio, com todo seu esplendor de luxo e riqueza. Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.




A terceira versão da proclamação do rei prussiano Guilherme I como imperador alemão em cerimônia realizada na Galeria dos Espelhos, em 1871, no Palácio de Versalhes, por Anton von Werner, pintada em 1885; sobre o tablado, com grandes suíças brancas, Guilherme I, e, embaixo, vestindo uniforme branco, Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, o grande formulador da unificação alemã; as duas primeiras versões foram destruídas na Segunda Guerra Mundial. Por Anton von Werner - Museen Nord / Bismarck Museum: Picture, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2481294




Assinatura do Tratado de Versalhes, em 1919, na Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes. Por Encyclopædia Britannica, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=52971763


O rei dispunha tradicionalmente de dois aposentos: um aposento de aparate para os atos oficiais - o Grande Aposento do Rei - e um aposento interior para a sua vida privada; no entanto, pouco depois da instalação definitiva da corte em Versalhes em 1682 e após a morte da rainha Maria Teresa no ano seguinte, Luís XIV resolveu criar um Aposento do Rei à volta do Pátio de Mármore, que se tornou o quadro principal da sua vida; nesse espaço, ele realizou atos tanto públicos como privados, conferindo de resto a estes, um caráter oficial novo, ou seja, tudo regido pela etiqueta, inclusive o ato de dormir e acordar; o Aposento do Rei, atualmente, comporta cinco seções: uma Sala de Guardas, duas Antecâmeras, o Quarto de Dormir e o Gabinete do Conselho.


O Quarto do Rei, ou seja, o seu lugar de dormir, o autêntico coração da vida da corte, passou a ocupar o centro do palácio em 1701.


Quando o rei estava presente, o seu acesso era extremamente regulado pela etiqueta, mas, na sua ausência, era visível por todos, o que, já na época, surpreendia os contemporâneos; Luís XIV dormia nesse quarto, mas os seus sucessores mandaram arranjar outro quarto menor e confortável, continuando, no entanto, a observar os rituais do Levantar e do Deitar; Luís XIV regressava ao quarto por volta das 13 horas para seu jantar "de pequeno couvert", isto é, sozinho à mesa, mas sempre na presença dos homens da corte; o quarto também era o lugar onde dava audiências privadas - ou de cerimônia, para os embaixadores - e onde eram prestados juramentos, para os cargos mais importantes.


Luís XIV morreu nesse quarto em 1715, aos 77 anos.




Quarto do Rei; a decoração suntuosa do quarto, com brocado de ouro e prata sobre um fundo carmesim, é um dos destaques da sala; vê-se encostada na parede, centralmente, a cama real; coroando a cama está a escultura em relevo de Nicolas Coustou, "França Triunfante", que é complementada por duas esculturas em relevo da Fama, de François Lespingola, localizadas sobre os pendículos do arco. Aposento do Rei, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.




Quarto do Rei; o mobiliário é luxuoso e com finas coberturas em ouro; no centro está uma cama monumental de dossel, fechada por cortinas que isolam o monarca do frio; o topo da cama é decorado com quatro buquês de penas de avestruz brancas, um artigo de luxo reservado ao casal real; uma balaustrada dourada impede o acesso à cama: permite sacralizar o espaço reservado para o rei; os cortesãos convidados a assistir às cerimônias do Levantar e do Deitar do rei não tinham permissão para atravessá-la. Aposento do Rei, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.


O Grande Aposento da Rainha, voltado para os jardins do sul, é simétrico do Grande Aposento do Rei; depois de Luís XIV ter anexado o aposento privado da rainha no Pátio de Mármore, após o falecimento da rainha Maria Teresa, em 1683, este foi ocupado pelas delfinas (princesas) Maria Cristina da Baviera e Maria Adelaide de Saboia, e, em seguida, pelas rainhas Maria Leszczinska (de 1725 a 1768), casada com o rei Luís XV, e Maria Antonieta (de 1770, quando era ainda delfina, até 1789), mulher de Luís XVI; assim, ao contrário do soberano que, a começar por Luís XIV, abandonou seu Grande Aposento, a rainha continuou a ocupar o seu, o que explica as remodelações sucessivas de decoração ao longo do século XVIII.


O Grande Aposento da Rainha, atualmente, comporta quatro divisões: uma Sala de Guardas, duas Antecâmaras (Antecâmara do Grand Couvert e o Salão dos Nobres) e o Quarto da Rainha.


O Quarto da Rainha é a divisão principal do Grande Aposento, aquela onde a soberana permanecia a maior parte do tempo; era onde ela dormia, frequentemente acompanhada do rei; de manhã, recebia os cortesãos, após a toilette, que constituía um momento da corte tão regulamentado pela etiqueta quanto o Levantar do rei; era nesse local que dava à luz, em público: dezenove "Filhos da França" nasceram nele.


A decoração conserva a recordação das três rainhas que ocuparam o quarto: a compartimentação do teto remonta à época da rainha Maria Teresa, mas as pinturas grisalhas, de autoria do pintor francês François Boucher, foram realizadas para Maria Leszczinska, tal como as talhas; todos estes elementos foram conservados na época de Maria Antonieta, para a qual foram somente entregues mobílias e uma lareira nova.


Durante a invasão do palácio pelos revolucionários na madrugada de 6 de outubro de 1789, Maria Antonieta, a rainha odiada pelo povo, conseguiu escapar deles pela pequena porta à esquerda da alcova, que dava acesso a um corredor que, por sua vez, permitia alcançar os aposentos internos da rainha, uma dúzia de pequenos cômodos reservados para sua vida privada e para o serviço; mais isso não a salvou, posto que, no final da manhã, os revoltosos triunfantes escoltaram o rei e a rainha a Paris; o casal real nunca mais retornaria a Versalhes.


Após a Revolução Francesa de 1789, grande parte do mobiliário e acessórios de decoração foram vendidos em hasta pública; algumas peças foram recuperadas, como o guarda-joias realizado pelo fabricante de móveis de origem alemã Ferdinand Schwerdfeger, em 1787, à esquerda da cama, ou o biombo da lareira; outras foram substituídas por peças equivalentes: é o caso das cadeiras, algumas das quais foram entregues à Condessa da Provença, cunhada da rainha, e outras para a visita do Rei Gustavo III da Suécia; quanto aos tecidos que cobrem a cama e as paredes, foram refeitos em Lyon com base nos desenhos originais que foram preservados; a cama e a balaustrada foram esculpidas novamente de acordo com documentos históricos.




O Quarto da Rainha; ele está mobiliado como se encontrava em 6 de outubro de 1789, data em que Maria Antonieta deixou o palácio de forma precipitada e definitiva; à esquerda, vê-se parte do guarda-joias original, feito por Ferdinand Schwerdfeger em madrepérola, mogno e apliques dourados, em 1787, para Maria Antonieta; a peça central do quarto, a cama duquesa, com seu imponente dossel dourado suspenso, encimado por um galo francês rodeado por penas de avestruz, é uma reconstrução fiel da cama de Maria Antonieta, e a colcha é semelhante à original, confeccionada em Lyon com base em desenhos que foram preservados. Grande Aposento da Rainha, Palácio de Versalhes, Place d'Armes, Versalhes, capital do Departamento de Yvelines, Região de Île-de-France, França.


No nosso próximo post, vamos conhecer os Jardins e o Parque do Palácio de Versalhes.


Fontes:


Wikipedia


"Paris: tous les plus beaux monuments", Guides Voir, Hachette Tourisme, Paris, 2010.


Guia oficial “Visitar Versalhes” publicado pelo Établissement public du château, du musée et du domaine national de Versailles, Béatrix Saule, Diretora do Museu Nacional dos Palácios de Versalhes e Trianon, e direção editorial de Séverine Cuzin-Schulte, Éditions Artlys, Paris, 2012.









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