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Paris - Parte III - Grand Palais, Petit Palais e Arco do Triunfo - Região de Île-de-France - França -2012

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Pórtico da entrada principal do Petit Palais, concebido especialmente para a Exposição Universal de Paris de 1900. Avenue Winston Churchill, 6, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.



Paris - Parte III


Voltamos à bela região que fica entre a Pont Alexandre-III, na margem direita do rio Sena e a Avenue des Champs-Elysées.


Neste local, foram erguidos dois prédios para a Exposição Universal de Paris de 1900, visitada por mais de 50 milhões de pessoas, e que, mesmo depois do término do evento, permaneceram no panorama da cidade, tornando-se charmosos equipamentos para exposições e, também, como sede de museu: o Grand Palais e o Petit Palais.




Vista panorâmica da Exposição Universal de 1900, desenho de Lucien Baylac, 1900; é possível observar a construção de pavilhões temporários na Esplanade des Invalides, da Pont Alexandre-III e, na margem direita do rio Sena, do Petit Palais (mais abaixo) e do Grand Palais; mais pavilhões foram erguidos nas duas margens do rio Sena entre a Pont-Alexandre-III e a Pont d'Iéna, na altura da Torre Eiffel; nesta região, outros pavilhões temporários foram erguidos, no Champ-de-Mars, entre a Torre Eiffel e a École Militaire, e na margem direita do Sena, na zona do Trocadéro; esta imagem está disponível na Prints and Photographs division da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos sob o número de identificação ppmsca.15645.




Plano Prático da Exposição Universal de 1900, desenho de H. Lokay de 1900; Editeur Ludovic Baschet 12. rue de l'Abbaye, Paris, no qual pode ser vista, iluminada de verde escuro, toda a área abrangida pela exposição; na parte inferior do plano, à direita, veem-se, em cima, o Grand Palais e, logo abaixo, o Petit Palais. (Upload: Saippuakauppias) — Graphics from Expo 1900. https://fr.wikipedia.org/wiki/Exposition_universelle_de_1900#/media/Fichier:Expo_1900_Paris_-_Plan_Pratique.jpg


Na ala oeste do Grand Palais, encontra-se o Palais de la Découverte (Palácio da Descoberta), instalado no prédio batizado de Palais d’Antin, erguido, no estilo Beaux-Arts em 1900, para a Exposição Universal daquele ano, com base no projeto do arquiteto francês Albert-Félix-Théophile Thomas.


Por volta de 1934, o pintor francês André Léveillé e o cientista Jean Perrin, físico, químico e ganhador do Prémio Nobel de Física de 1926, tiveram a ideia de criar um espaço para a ciência na Exposição Universal de 1937; assim, foi instalado no Palais d'Antin, na ala oeste do Grand Palais, um museu temporário de ciências conhecido como Palais de la Découverte, que, em razão de seu grande sucesso de público durante a exposição, tornou-se permanente.


A proposta do museu é que os visitantes efetuem, eles mesmos, experiências a fim de descobrir as bases da ciências tais como informática, matemática, astronomia, física, química, biologia e medicina.




Entrada monumental do Palais de la Découverte, instalado em 1937 no Palais d'Antin (este concluído em 1900, com base no projeto do arquiteto Albert-Félix-Théophile Thomas), ala oeste do Grand Palais; em destaque, o grupo escultórico "A Inspiração guiada pela Sabedoria", do escultor francês Alexandre Falguière. Avenue Franklin-D.-Roosevelt, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


O Grand Palais, projetado por um conjunto de arquitetos formado por Henri Deglane, Albert Louvet, Albert-Félix-Théophile Thomas, coordenado por Charles Girault, no estilo Beaux-Arts, aliando aço, pedra e vidro, foi inaugurado em maio de 1900 para a Exposição Universal daquele ano; o edifício apresenta um curioso contraste, característico da época de sua construção, entre o revestimento austero de pedra de suas fachadas e a exuberância de sua decoração e as estruturas metálicas de seu telhado de vidro.


Duas colossais esculturas em bronze de quadrigas, do escultor Georges Récipon (ver post Paris - Parte I - Museu do Louvre e Jardim das Tulherias - 2012), se encontram nos cantos da fachada principal do imenso telhado de vidro (alcançando por volta de 15.000 metros quadrados), suportado por uma estrutura metálica Art Nouveau de 8.500 toneladas.


Exposições temporárias de grande qualidade ocorrem regularmente nas Galerias Nacionais do Grand Palais; no dia em que o visitamos, estava em exposição a intervenção "Excentrique(s)", de Daniel Buren, quinta edição do "Monumenta 2012" - discos coloridos transparentes de tamanhos diferentes, apoiados por finas bases em preto e branco, marca registrada do artista.




Fachada principal do Grand Palais, erguido entre 1897 e 1900 em estilo Beaux-Arts, projeto de quatro arquitetos franceses coordenados por Charles Girault; em destaque, as esculturas sobre os pilares principais da entrada, à esquerda, "Minerva protegendo as Artes", de Raoul Verle, e, à direita, "A Paz", de Henri-Édouard Lombard; na parte inferior das pilastras, à esquerda, "Arte e Natureza", de Paul Jean-Baptiste Gasq, e, à direita, "A Inspiração" ou "A Pintura", de Alfred Boucher. Avenue Winston Churchill, 7. Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Square Jean Perrin e fachada oeste do Grand Palais, Avenue du Général Eisenhower, 17, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Parte interna do Grand Palais, na qual se observa a grande estrutura metálica sustentando o imenso telhado de vidro; no piso, a intervenção artística "Excentrique(s)", de Daniel Buren, quinta edição do "Monumenta 2012". Avenue Winston Churchill, 7, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Parte interna do Grand Palais, na qual se observa a grande estrutura metálica, em estilo Art Nouveau, sustentando o imenso telhado de vidro; no piso, a intervenção artística "Excentrique(s)", de Daniel Buren, discos coloridos transparentes de tamanhos diferentes, apoiados por finas bases em preto e branco, marca registrada do artista. Avenue Winston Churchill, 7, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


O Petit Palais, juntamente com o Grand Palais e a Pont Alexandre-III, forma um complexo projetado especificamente para a Exposição Universal de 1900; em 1902, foi convertido em Musée des Beaux-Arts de la Ville de Paris, com o fim de abrigar as extensas coleções da cidade de Paris, enquanto continuou a apresentar um importante programa de exposições temporárias.


O Petit Palais se destaca pela variedade de seus espaços e pela engenhosidade de seu layout, bem como pela riqueza de sua decoração.


Desenhado pelo arquiteto Charles Giraud, foi erguido em torno de um charmoso jardim interior rodeado por um peristilo; a ala do Cours de la Reine (Patio da Rainha), a mais próxima do rio Sena, é utilizada para as exposições temporárias, enquanto que a perto da Champs-Elysées abriga as coleções permanentes, divididas em várias seções: antiguidades gregas e romanas, marfins e esculturas medievais e renascentistas, relógios renascentistas e joias, arte e móveis do século XVII ao XIX; há, também, uma coleção de obras impressionistas.




A bela fachada principal do Petit Palais, prédio onde funciona o Musée des Beaux-Arts de la Ville de Paris; projeto do arquiteto francês Charles Giraud, no estilo Beaux-Arts (neoclassimo eclético), concluído em 1900 para a Exposição Universal daquele ano; em destaque, colunas da ordem jônica e uma grande cúpula (domo) revestida de ardósia, adornada com janelas redondas (olhos-de-boi) e coroada com uma lanterna sustentada por cariátides de zinco moldado, ela ecoa a cúpula dourada de Les Invalides na perspectiva da Pont Alexandre-III. Avenue Winston Churchill, 6, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




O Petit Palais; em destaque, sua entrada principal monumental, com vasto pórtico, encimado por um frontão semicircular adornado com um alto-relevo - "A Cidade de Paris protegendo as Artes", obra do escultor francês Jean-Antoine Injalbert, com uma mulher sentada segurando em seu braço esquerdo um navio, que simboliza Paris, e rodeada pelas Musas - e precedido por uma imponente escadaria; ao lado da escadaria, veem-se os conjuntos escultóricos, à esquerda, "As quatro Estações", do escultor Louis Joseph Convers, e, à direita, "O rio Sena e seus afluentes", do escultor francês Maurice Ferrary; no alto, ao lado do frontão, os conjuntos escultóricos, à esquerda, "O Gênio da Pintura" e, à direita, "O Gênio da Escultura", ambos obra do escultor francês René de Saint-Marceaux. Avenue Winston Churchill, 6, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Portão gradeado dourado do Petit Palais; desenhado por Charles Girault, foi elogiado pela elegância e pelo virtuosismo da sua execução; nas partes externas do portão, ao lado dos batentes laterais, observam-se grandes folhas de acanto estilizadas; na parte superior, encontra-se o estilizado Brasão da Cidade de Paris - nave equipada flutuando sobre as ondas, encimada por uma coroa mural de três torres - e sobre ele a divisa da cidade, em latim, "Fluctuat nec mergitur" (É castigada pelas ondas, mas não afunda - tradução livre). Avenue Winston Churchill, 6, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


No dia seguinte, cedo nós saímos do nosso hotel, perto da Place Charles-de-Gaulle, e fomos flanar na Zona (Quartier) de Chaillot, onde se encontram o palácio de mesmo nome, o Palais de Tokyo, o Cemitério de Passy, os Jardins do Trocadéro, e diversos museus, como Musée Galliera, Musée du Vin e Maison de Balzac.


No caminho, encontramos lugares que ilustram a vida dos parisienses.


Paris, na virada do século XIX para XX, viveu uma verdadeira era de ouro para as casas de chá; várias delas surgiram em bairros elegantes, nas proximidades dos teatros, salas de concerto e espaços culturais; o chá era acompanhado por doces delicados, muitas vezes feitos no próprio local, respeitando as técnicas artesanais tradicionais; assim, a casa de chá, naturalmente, tornou-se parte dessa vibrante vida cultural que ainda hoje contribui para o renome de Paris.




Salon de Thé K56, atualmente Pâtisserie Merci Jérôme Kléber e seu Salão de Chá, instalado num edifício provavelmente do início do século XX. Avenue Kléber, 56, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Outro estabelecimento que marca a paisagem de Paris são as épiceries (mercearias), que vendem no varejo frutas e verduras e outros produtos, e estão estabelecidas nos quarteirões para atender, normalmente, as pessoas que residem nas proximidades.


Uma espécie de épicerie de Paris é a conhecida como "arabe du coin", ou seja, o árabe da esquina, uma mercearia local administrada por uma pessoa de origem norte-africana; tem a particularidade de ficar aberta até mais tarde do que as lojas tradicionais, inclusive aos domingos, e por isso, vende seus produtos a preços mais altos.




Épicerie da rede Cocci Market, que negocia jornais, revistas e produtos alimentícios; em destaque, as bancas de frutas e hortaliças instaladas na calçada. Rue de Lubeck, n. 31, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Chegando na região do Trocadéro, visitamos o Cemitério de Passy.


Situado no coração de Paris, é um dos menores cemitérios intramuros da cidade, rico em sepulturas de personalidades, grandes indivíduos que trabalharam em suas áreas pela grandeza da França, bem como também é um lugar notável na arte funerária.


Aberto em 20 de setembro de 1820, os despojos do eminentes parisienses (naturais ou residentes) são numerosos - há mais celebridades por metro quadrado que qualquer outro cemitério parisiense -, dentre eles os compositores Claude Debussy e Gabriel Fauré, o pintor Edouard Manet e numerosos políticos e aristocratas.


Claude Debussy é um compositor erudito francês, célebre pela sua ópera "Pelléas et Mélisande", que estreou em 1902; outras obras muito conhecidas de Debussy são "La Mer", de 1905, e "Suite bergamasque", publicada em 1903, cujo terceiro movimento, denominado "Clair de lune", tornou-o mais famoso ainda, inclusive entre pessoas que não apreciam música erudita.




Túmulo de Claude Debussy (1862-1918), compositor erudito francês, autor da famosa "Claire de lune", de 1903. Division 14, Cemitério de Passy, Rue du Commandant Schloesing, 2, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Seguimos pela Rue Benjamin Franklin e depois pela Rue Raynouard, até encontrarmos a Maison de Balzac, casa-museu em homenagem ao famoso escritor francês.


Balzac ocupou parte dessa casa de 1840 a 1847, que na época, não estava no perímetro de Paris, já que a aldeia de Passy era autônoma, tendo alugado um apartamento no anexo da mansão, localizada no número 47 da Rue Basse, atual Rue Raynouard, composto por uma sala de jantar, uma sala de estar e um quarto com escritório, com acesso a uma adega e ao jardim.


Após sua anexação a Paris em 1860, Passy rapidamente se urbanizou e, no século XX, a vila se transformou em um dos bairros mais elegantes da capital; a casa que Balzac morou permaneceu como o último vestígio das encostas de Passy como eram durante o Antigo Regime e no século XIX; foi em 1908 que Louis Baudier de Royaumont, jornalista e homem de letras, salvou a casa ao criar um museu dedicado ao escritor, que se tornou municipal em 1949.


Honoré de Balzac é um renomado escritor francês, expoente do Realismo, muito famoso por conta de sua grandiosa obra literária, quase toda incorporada na sua coletânea "La Comédie humaine" (A comédia humana), uma provocação ao escritor florentino (hoje, italiano), Dante Alighieri, que havia escrito "La Divina Commedia" (A divina comédia), no século XIV.


Em 1828, aos 29 anos, ele encontrou refúgio na Rue Cassini, 1, no 14º arrondissement, onde escreveu suas obras mais famosas: "Les Chouans" (1829), "La Peau de chagrin" (1831) e "Le Père Goriot" (1835); nascia, assim, a epopeia de "La Comédie humaine" (A comédia humana): 2.500 personagens e uma obra que totalizava 95 romances.


Balzac ficou muito famoso no Brasil em razão de uma expressão cunhada no país: a mulher balzaquiana, adjetivo para qualificar pessoas do sexo feminino com mais de trinta anos, ou seja, madura para a época, e, pejorativamente, indicava alguém que teria dificuldade para casar-se, ou seja, uma mulher que “encalhou”, que “ficou para tia”, “uma solteirona”; a expressão faz referência ao romance "La Femme de trente ans" (A mulher de trinta anos), de Balzac, que também fazia parte da coletânea "La Comédie humaine".




Entrada da Maison de Balzac, casa-museu em homenagem ao famoso escritor francês Honoré de Balzac, autor do livro "A comédia humana". Rue Raynouard, 47, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Maison de Balzac, local onde Honoré de Balzac residiu de 1840 a 1847. Rue Raynouard, 47, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Voltando para a região do Trocadéro, um pouco abaixo da Rue Raynouard, ingressamos no Musée du Vin.


O museu ocupa o que restou da antiga Abbaye de Passy (Couvent des Minimes de Passy ou de Nigeon ou de Chaillot ou Couvent des Bonshommes), fundada no final século XV por uma confraria religiosa devotada a São Francisco de Paula; dela ficaram apenas as adegas (caves), que foram posteriormente convertidas no Museu do Vinho, em 1981; o museu foi adquirido, em 1984, pelo Conselho dos Viticultores da França.


Nas galerias que antecedem as adegas, a história do vinho e sua cultura são evocadas por meio de figuras de cera, ferramentas antigas, gravuras, garrafas, copos, taças, etc..


Degustações são organizadas sob as abóbadas.




Musée du Vin; à esquerda, quadro relatando a história do Couvent des Bonshommes, com representações do complexo religioso já extinto. Square Charles Dickens, 5, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Musée du Vin; ferramentas utilizadas nos vinhedos e nas caves. Square Charles Dickens, 5, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Musée du Vin; reprodução com figuras de cera de uma cena de engarrafamento de vinhos espumantes. Square Charles Dickens, 5, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Musée du Vin; reprodução dos monges armazendo o vinho em barris de madeira; ao fundo, pintura representando os prédios do Couvent des Bonshommes. Square Charles Dickens, 5, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Musée du Vin; monges produzindo vinho. Square Charles Dickens, 5, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Nas proximidades do rio Sena, ainda no Trocadéro, fomos apreciar o Palais de Tokyo.


Construído para a Exposição Internacional de 1937, o edifício conhecido como "Palais de Tokyo" recebeu seu nome do "Quai de Tokio" (atual Avenue de New York); foi projetado inicialmente para abrigar dois museus distintos: o Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris (Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris) e o Musée National d'Art Moderne (Museu Nacional de Arte Moderna).


Atualmente, o Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris continua a ocupar a ala leste desse edifício desde sua concepção, porém a ala oeste teve uma história variada, refletindo seus diferentes usos, todos relacionados às artes visuais e, hoje, é nela que se encontra o atual Palais de Tokyo, um centro de criação contemporânea.


Exposições de arte, desfiles de moda e performances de vanguarda se alternam continuamente neste local; instalações de artistas como Pierre Joseph, Wang Du e Frank Scurti são tão inovadoras e não convencionais que o Palácio de Tóquio é hoje considerado um dos centros de arte mais vanguardistas da Europa.




Palais de Tokyo; centro de exposição de arte contemporânea e de vanguarda de Paris. Avenue du President Wilson, 13, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Bem próximo ao Palais de Tokyo, encontra-se o Palais Galliera, onde atualmente está instalado o Musée de la Mode de la Ville de Paris.


O edifício, erguido entre maio de 1879 e fevereiro de 1894, é um exemplo perfeito da arquitetura do final do século XIX, combinando tradições arquitetônicas com inovações técnicas: sob a pedra aparelhada, uma estrutura metálica sustenta o edifício; foi construído pela empresa de Gustave Eiffel, tanto que os corrimãos das escadas, as janelas salientes e os portões da Place Brignole-Galliera vieram das mesmas oficinas da Torre Eiffel.


Foi pensado como um espaço museológico desde sua concepção, seguindo o modelo da museologia da segunda metade do século XIX, estabelecido por Félix Duban no Louvre.


O palácio foi projetado pelo arquiteto francês Paul-René-Léon Ginain, em estilo neorrenascentista, a pedido da aristocrata ítalo-francesa Maria Brignole-Sale De Ferrari, duquesa de Galliera, para abrigar sua vasta coleção de arte; assim, essa mulher refinada e culta realizou seu desejo de exibir pinturas, esculturas e objetos de arte ao público mais amplo possível.


No entanto, por questões burocráticas, a coleção de arte da duquesa de Galliera nunca ocupou o prédio, tendo sido doada por ela, em 1884, ao Palazzo Rosso, edifício erguido por seus antepassados ilustres em Gênova, sua terra natal (ver post Gênova - Parte III - Norte da Itália - 2023); a duquesa, então, deixou fundos à cidade de Paris para a conclusão da obra.


Após o edifício ter sido utilizado para diversos fins, como museu de arte industrial e salão de exposição de pinturas, é instalado nele, em 1977, o Musée de la Mode et du Costume de la Ville de Paris, e, em 2010, é rebatizado com a denominação Palais Galliera, musée de la Mode de la Ville de Paris.


O museu é dedicado à evolução da moda da vestimenta, abrigando uma coleção de mais de 100.000 peças de vestuário do século XVIII a nossos dias; roupas e acessórios de moda são exibidos em sistema de rodízio duas vezes por ano, alguns legados por mulheres muito elegantes, como a baronesa Hélène de Rothschild e a princesa Grace de Mônaco.




Entrada do Palais Galliera, musée de la Mode de la Ville de Paris, edifício em estilo neorrenascentista, erguido entre 1879 e 1894, com base no projeto do arquiteto francês Paul-René-Léon Ginain, por iniciativa de Maria Brignole Sale De Ferrari, duquesa de Galliera. Avenue Pierre-1er-de-Serbie, 10, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Continuando nosso passeio a pé por Paris, nos dirigimos ao Bois de Boulogne, no subúrbio da cidade.


No caminho, fomos apreciando belas maisons.




Bela maison, edifício histórico com sua fachada haussmaniana, atualmente sede dos Laboratoires Majorelle, comércio por atacado de produtos farmacêuticos. Rue Copernic, 6, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


O Bois de Boulogne (Bosque de Bolonha) é o que restou da Forêt de Rouvray (Floresta de Rouvray), tendo sido transformado em reserva de caça real pelo rei Filipe Augusto, no final do século XII ou início do século XIII; no início do século XIV, o rei Filipe, o Belo, construiu ali uma pequena capela denominada Notre-Dame-de-Boulogne-la-Petite, após uma peregrinação a Boulogne-sur-Mer, e o bosque naturalmente recebeu o seu nome.


O imperador Napoleão III salvou o lugar devastado pelas guerras (Revolução e Campanha da França) e o cedeu à cidade de Paris em 1852; na época, por iniciativa do imperador, o engenheiro Alphand e o paisagista Barillet-Deschamps, comandados pelo barão Haussmann, criaram o atual Bois de Boulogne, com 825 hectares, que foi anexado, em 1929, ao 16º arrondissement, dobrando sua área.


Dois jardins interessantes podem ser acessados no bosque: o Jardin du Pré-Catelan, parque independente, que possui a maior faia de Paris; e o Parc de Bagatelle, que conta com numerosas variedades de plantas e um célebre roseiral onde cada 21 de junho tem lugar um concurso internacional de rosas; tem, ainda o Jardin d'Acclimatation com seu Museu de Ervas, ideal para as crianças.


O bosque oferece diversas possibilidades de passeios a pé, de bicicleta, de patins ou a cavalo, canoagem e piquenique.




Monument à Émile Levassor, um engenheiro francês, pioneiro da indústria automobilística, Boulevard Thierry de Martel, 1, Bois de Boulogne, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Deixamos o Bois de Boulogne e nos dirigimos ao início da Champs-Elysées para visitar o Arco do Triunfo, chegando lá já no final da tarde, em pleno lusco-fusco.


Napoleão Bonaparte, em 18 de fevereiro de 1806, determinou por decreto imperial a construção de um arco em homenagem à Grande Armée, a tropa formada pelos soldados que lutavam pelo Império Francês; o arquiteto Jean-François Thérèse Chalgrin, auxiliado por Jean-Arnaud Raymond, elaborou os primeiros planos; eles propuseram que o Arco do Triunfo fosse edificado a oeste da Champs-Élysées, de forma que pudesse ser visto a partir do Palácio das Tulherias, a residência imperial da época.


Em 15 de agosto de 1806, dia do aniversário de Napoleão, foi colocada a primeira pedra do edifício, a oito metros de profundidade, entre os dois pilares do sul, mas, o arquiteto Chalgrin, em janeiro de 1811, morreu, quando os pilares do arco haviam apenas atingido cerca de doze metros de altura, ou seja, ao nível das fundações da abóbada do grande arco, tendo sido sucedido por seu discípulo Louis-Robert Goust.


Para piorar, Napoleão caiu em 1814, e o seu sucessor, o rei Luís XVIII determinou a suspensão da obra, retomando-a posteriormente, mas num ritmo muito lento, o que fez também o próximo soberano, Carlos X.


Finalmente, os trabalhos foram retomados com mais presteza no reinado de Luís Filipe, que assumiu o trono em julho de 1830 e era mais tolerante com os ideais revolucionários, tendo esse rei nomeado o arquiteto Guillaume Abel Blouet para concluir o Arco do Triunfo, dedicado aos Exércitos da Revolução e do Império.


O Arco do Triunfo foi finalmente inaugurado, em 29 de julho de 1836, estando presentes apenas onze pessoas, dentre elas, o presidente do Conselho de Ministros, Adolphe Thiers, o ministro das Finanças, Antoine Maurice Appolinaire Argout, seis guardas nacionais, o zelador do monumento e dois visitantes oficiais, porque a grande celebração planejada havia sido cancelada em razão de rumores de uma possível tentativa de assassinato contra o rei Luís Filipe.




Arco do Triunfo, projetado, em estilo neoclássico, pelo arquiteto Jean-François Thérèse Chalgrin em 1806, mas concluído apenas em 1836; no pilar da esquerda, o grupo escultórico "Le Triomphe de Napoléon" (O triunfo de Napoleão de 1810), realizado por Jean-Pierre Cortot em 1833, no qual Napoleão I é retratado vestido à antiga (toga), com uma espada junto ao corpo e coroado pela deusa Vitória, e, sobre o conjunto, uma Fama alada soando uma trombeta e brandindo um estandarte; no pilar da direita, o grupo "Le Départ des volontaires" (A partida dos voluntários de 1792), obra de François Rude realizada entre 1833 e 1836. Place Charles-de-Gaulle, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Parte interior das grandes arcadas do Arco do Triunfo; nas faces internas dos pilares das grandes arcadas estão gravados os nomes das mais importantes batalhas travadas durante a Revolução Francesa e o Primeiro Império. Place Charles-de-Gaulle, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




"Le Départ des volontaires" (A partida dos voluntários), grande grupo escultórico à direita, na fachada leste, realizado por François Rude entre 1833 e 1836; representa um evento crucial na história revolucionária: o recrutamento de 1792, quando quase 200.000 homens, sob as ordens da Assembleia Legislativa, organizaram a defesa da França contra a coalisão de exércitos estrangeiros; o alto-relevo retrata simbolicamente o episódio por meio do Espírito da Liberdade, uma mulher alada soltando um grito de alerta diante da invasão inimiga, convocando o povo para a batalha, brandindo sua espada; sob essa figura, está um guerreiro barbudo e encouraçado, que conduz um jovem nu pelo ombro, enquanto acena com o capacete em sinal de partida e reunião. Arco do Triunfo, Place Charles-de-Gaulle, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


No centro do piso do Arco do Triunfo, foi inaugurada, em 28 de janeiro de 1921, a Tumba do Soldado Desconhecido, com a inumação dos restos mortais de um soldados francês desconhecido.


Cerca de dois anos depois, resolveu-se instalar um dispositivo de chama permanente na laje da tumba.


Foram contratados o arquiteto Henri Favier e o ferreiro Edgar Brandt para criar a boca de fogo; eles realizaram um escudo circular com um cano de canhão no centro, de onde surge a chama; vinte e cinco espadas irradiam em forma de estrela em torno da chama.


Em 11 de novembro de 1923, a chama foi acesa pela primeira vez por André Maginot, ministro da Guerra, ex-combatente e mutilado de guerra (cujo nome batizaria a linha defensiva criada pela França entre as duas grandes guerras mundiais), cercado por uma multidão de veteranos; desde então, ela queima continuamente.


Todas as noites, às 18h30, ocorre uma cerimônia em homenagem ao Grande Morto: a Chama é reavivada pela associação "La Flamme sous l'Arc de Triomphe" (A Chama Sob o Arco do Triunfo), representante de centenas de associações de veteranos em toda a França.




A Tumba do Soldado Desconhecido, sepultura instalada sob o Arco do Triunfo, em homenagem aos soldados tombados pela França durante a Primeira Grande Guerra; de oito corpos de soldados desconhecidos, um deles foi escolhido para ser enterrado no monumento; como a tumba ainda não se encontrava pronta, os restos mortais do soldado foram velados, dia e noite, no arco, de 11 de novembro de 1920 a 28 de janeiro de 1921, data em que foram inumados na sepultura na presença de todos integrantes do governo francês e do presidente da República Alexandre Millerand; em destaque, a Chama eterna da tumba. Arco do Triunfo, Place Charles-de-Gaulle, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Monumento ao soldado desconhecido da Primeira Grande Guerra com homenagens vindas de várias partes do mundo, instalado na Sala do Museu Interativo, no piso superior do arco, sob o terraço panorâmico. Arco do Triunfo, Place Charles-de-Gaulle, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Torre Eiffel iluminada vista a partir do teto panorâmico do Arco do Triunfo, Place Charles-de-Gaulle, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




A Basilique du Sacré Cœur, localizada em Montmartre, vista a partir do teto panorâmico do Arco do Triunfo, Place Charles-de-Gaulle, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Avenue des Champs-Elysées com Museu do Louvre ao fundo, vistos a partir do teto panorâmico do Arco do Triunfo, Place Charles-de-Gaulle, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Champs-Elysées, Obelisco e Museu do Louvre, vistos a partir do teto panorâmico do Arco do Triunfo, Place Charles-de-Gaulle, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Finalizando a noite, fomos flanar um pouco na Avenue des Champs-Elysées e seu entorno.


A história dessa avenida remonta aos passeios criados pela rainha Maria de Médici em 1616 no eixo do Jardim das Tulherias, que Le Nôtre redesenhou em 1667; a via foi prolongada até a Étoile, no final do século XVIII, e a região se desenvolveu durante o Segundo Império (1852-1870), tendo como soberano Napoleão III; com essa urbanização, a avenida tornou-se a mais conhecida e prestigiosa de Paris, aquela dos grandes desfiles e das celebrações oficiais.


A via é repleta de cinemas, lojas, sedes de bancos e de companhias aéreas, restaurantes, cafés elegantes e lanchonetes e, nas artérias vizinhas, as vitrines dos grandes nomes da alta costura lembram que a região é voltada ao luxo e aos negócios.




Calçada da Avenue des Champs-Elysées, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Uma das vitrines da Lancel, artigos de couro de luxo, na Champs-Elysées, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Vitrine da Nespresso Boutique, Avenue des Champs-Elysées, 119, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Vitrine da Hugo Boss, Avenue des Champs-Elysées, 117, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Vitrine da Louis Vuitton, Avenue des Champs-Elysées, 101, com Avenue George V, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Vitrine da Louis Vuitton, Avenue des Champs-Elysées, 101, com Avenue George V, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Vitrine da Kenzo, Avenue George V, 51, com Rue Vernet, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Vitrine da Bvlgari, Avenue George V, 40, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


No nosso próximo post, vamos conhecer o Palácio de Versalhes.


Fontes:


Wikipedia


"Paris: tous les plus beaux monuments", Guides Voir, Hachette Tourisme, Paris, 2010.










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