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Paris - Parte II - Torre Eiffel e Hôtel des Invalides - Região de Île-de-France - França -2012

  • 24 de abr.
  • 16 min de leitura

Hôtel des Invalides, edificado entre 1671 e 1676, por iniciativa de Luís XIV, rei da França, visto a partir da Rue de l'Université, Quartier des Invalides, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.



Paris - Parte II


Continuamos nossa visita a Paris pelos Inválidos e pela Zona da Torre Eiffel.


Dois vastos espaços verdes fazem parte dessa zona, uma das mais arejadas da capital: sobre o Champ-de-Mars, antigo terreno empregado para manobras da Escola Militar, a Torre Eiffel, monumento erguido para a Exposição Universal de 1889, domina o rio Sena; a esplanada que se estende diante do Hôtel des Invalides, imponente conjunto de prédios de 13 hectares, dominado pelo célebre Dôme, foi traçada em 1704, na época em que a aristocracia começava a construir suntuosas mansões nessa parte da margem esquerda do Sena, particularmente entre as rues de Varenne e de Grenelle.


A icônica Torre Eiffel, um dos símbolos mais conhecidos de Paris, foi construída a partir de 28 de janeiro de 1887 pelo engenheiro Gustave Eiffel para a Exposição Universal de 1889; essa célebre torre metálica foi a maior construção do mundo até a inauguração do Empire State Building, em 1931, na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América.


As exposições universais eram a materialização da esperança de uma mundo moderno e tecnológico, na direção do bem-estar mínimo a todos os integrantes da sociedade e a quase certeza do fim da guerras, sonho que foi enterrado quando da eclosão da Primeira Guerra Mundial, seguida da Segunda, no pequeno espaço de duas décadas; ademais, serviam de vitrine do país sede, que demonstrava o "grau de desenvolvimento" em que se encontrava, particularmente para a França, durante a Terceira República, como demonstração da recuperação da nação das suas humilhações sofridas, após a derrota na Guerra Franco-Prussiana, em 1871.


A Exposição Universal de 1889, celebrando o centenário da Revolução Francesa, atraiu 32 milhões de visitantes e ambicionou representar o momento inaugural da era moderna, tendo a Torre Eiffel seu grande legado.


Desde sua inauguração, a Torre Eiffel não foi uma unanimidade; o famoso poeta Paul Verlaine preferia fazer um grande desvio a vê-la; por conta dessa discórdia, ela quase foi demolida em 1909.


"'A Torre Eiffel, que nem mesmo a gananciosa América, temos certeza, não quereria, é a desonra de Paris. Todo mundo sabe disso, todo mundo fala nisso e todo mundo está profundamente aborrecido com isso - e somos apenas o débil eco da opinião pública universal, que, com todo direito, está alarmada. Basta imaginar uma torre vertiginosamente ridícula dominando Paris como uma gigantesca e negra chaminé de fábrica, esmagando com maciça barbárie a catedral de Notre-Dame, a Sainte-Chapelle, a torre Saint-Jacques, o Louvre, o domo do Hôtel des Invalides, o Arco do Triunfo etc.'


"Em 1887, o abaixo-assinado do qual se extraiu essa passagem foi subscrito por um elenco estelar de cerca de cinquenta intelectuais, inclusive os escritores Alexandre Dumas, Leconte de Lisle e Guy de Maupassant, o arquiteto Charles Garnier, compositores Gounod e Massenet, o dramaturgo Victorien Sardou e vários arquitetos. Esses declarados 'amantes apaixonados da beleza' assumiram a condição de representantes de todos que amavam a Paris histórica, mas desprezavam o pensamento de que ela pudesse ser profanada pela 'odiosa sombra dessa coluna oca de metal' cuja construção estava recém começando" (Paris: biografia de uma cidade; Colin Jones; tradução de José Carlos Volcato e Henrique Guerra; Porto Alegre, RS: L&PM, 2012) - g.n..


Hoje, ninguém sequer pensa mais nisso; desde 1986, a iluminação, instalada em sua superestrutura em vez de ser na parte externa, realça a beleza diáfana de sua estrutura.




Torre Eiffel, erguida com base no projeto do engenheiro francês Gustave Eiffel, inaugurada em 1889 para a Exposição Universal de Paris daquele ano, vista a partir do pátio superior do Palais de Chaillot, Trocadéro, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Torre Eiffel, construída entre 1887 e 1889, com cerca de 324 metros de altura, compreendendo a antena, vista a partir de les Fontaines du Trocadéro, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Primeiro andar da Torre Eiffel, que se encontra a 57 metros, ou 345 degraus do nível do solo, a partir do Pilar Leste, mas pode-se tomar também o elevador para alcançá-lo; segundo seu arquiteto, a complexa estrutura de vigas da Torre Eiffel, tão admirada, não foi originalmente projetada por razões estéticas, mas simplesmente para garantir a estabilidade do edifício contra o vento. Champ-de-Mars, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Na base do primeiro andar da Torre Eiffel, estão inscritos setenta e dois nomes de matemáticos, físicos, engenheiros, militares e políticos franceses, como Lavoisier, Laplace, Coulomb e Cuvier, vista do lado do Champ-de-Mars, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Pilar Oeste da Torre Eiffel; para os elevadores da sua torre, Eiffel preferiu a segurança à velocidade; os elevadores Fives-Lille, ainda em perfeito estado de funcionamento, possuem componentes mecânicos que datam de 1900 e foram automatizados em 1986. Champ-de-Mars, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Base do Pilar Norte da Torre Eiffel e busto do seu idealizador, engenheiro Gustave Eiffel; este recebeu a condecoração Legião de Honra em 1889, e seu busto, esculpido em 1900 por Antoine Bourdelle, foi colocado sob a torre em 1929. Champ-de-Mars, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Algumas pontes sobre o rio Sena fazem referência a batalhas enfrentadas por tropas francesas, como a de Iéna (Jena, localizada na atual Alemanha), em 1806, entre as da França imperial comandadas por Napoleão Bonaparte e as prussianas, e a de Bir-Hakeim, localizada na Líbia, em 1942, entre as forças livres francesas e as tropas alemãs e italianas, durante a Segunda Guerra Mundial.




O rio Sena e a Ponte de Bir-Hakeim vistos da Ponte d'Iéna; esta última liga os Jardins do Trocadéro com a Torre Eiffel. Champ-de-Mars, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Atravessando o Champ-de-Mars, nos deparamos com o belo edifício da École Militaire (Escola Militar), que ali funciona desde 1753 (ou 1756), fundada pelo rei Luís XV para ensinar a arte da guerra a cerca de 500 cavalheiros (gentils-hommes) empobrecidos; o prédio, em estilo clássico, é obra do arquiteto Jacques-Ange Gabriel, o mesmo da Praça da Concórdia, tendo sido iniciada sua construção a partir de 1751, mas concluída somente em 1773.


Napoleão Bonaparte frequentou a Escola Militar de Paris de 22 de outubro de 1784 a 28 de outubro de 1785, formando-se como tenente de segunda classe na artilharia, com uma patente para integrar o regimento La Fère em Valence. Recebeu sua confirmação naquele ano, com a idade de 19 anos, na soberba Capela São Luís, que fica no interior da escola.




Fachada principal da École Miltaire de Paris, em estilo clássico, erguida na segunda metade do século XVIII, com base no projeto do arquiteto Jacques-Ange Gabriel, por iniciativa do rei Luís XV; ao fundo, a moderna Torre Montparnasse. Place Joffre, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Na sequência, nos dirigimos à esquerda, passeando pela Avenue de la Motte-Piquet até nos deparamos com a entrada monumental dos Hôtel des Invalides.


A primeira parte do complexo foi edificado entre 1671 e 1676, com base no projeto do arquiteto francês Libéral Bruant, no estilo clássico francês, por determinação do rei Luís XIV, com o fim de hospitalizar/abrigar os soldados feridos e inválidos; segundo o próprio rei: "um albergue real de tamanho suficiente para acomodar todos os oficiais e soldados, sejam eles aleijados, idosos ou enfermos, e para prover um fundo suficiente para seu sustento e manutenção".


O arquiteto também francês Jules Hardouin-Mansart tomou a direção dos trabalhos do complexo a partir de 1676 ou 1677, construindo a Église Saint-Louis e o célebre Dôme, onde repousa os restos mortais de Napoleão Bonaparte.


Sob o reinado de Luís XIV, quase seis mil inválidos foram admitidos entre 1676 e 1690.


Os Inválidos abrigam, além de uma biblioteca e os Musées de l'Armée, des Plans-Reliefs e de l'Ordre de la Libération, serviços administrativos e a residência do governador militar de Paris.




Entrada principal do Hôtel des Invalides, erguido entre 1671 e 1676, em estilo clássico francês, obra do arquiteto Libéral Bruant; o pavilhão central é adornado com um friso jônico de quatro pilastras aos pares; essas pilastras sustentam uma faixa arqueada que se estende por toda a altura do teto, inteiramente decorada com troféus, a qual circunda um baixo-relevo de Luís XIV a cavalo sobre um pedestal, ladeado pelas figuras da Prudência e da Justiça; a figura do rei é de Pierre Cartellier e foi refeita em 1815; a original, assim como as duas Virtudes, foram obra de Guillaume Coustou, o Velho, em 1735; o mesmo artista demonstrou seu grande talento nas estátuas colossais de Marte, à esquerda, e Minerva, à direita, colocadas em ambos os lados da entrada. Rue de Grenelle, 129, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Após a entrada do pavilhão central, atravessa-se o Pátio de Honra e encontra-se a Église Saint-Louis-des-Invalides.


Jules Hardouin-Mansart construiu, a partir 1676 (ou 1677), com base nos planos de Libéral Bruant, essa "église des soldats", cuja longa nave é decorada apenas com bandeiras tomadas do inimigo.


Dedicada ao rei Luís IX, canonizado como São Luís e consagrado à Santíssima Trindade, a edificação em estilo clássico abriu suas portas para os internos em 1679; Jules Hardouin-Mansart completou esta igreja militar com a Capela Real ou Dôme, inaugurado por Luís XIV em agosto de 1706.


O rei e os soldados podiam assistir às mesmas missas, mas não entravam pelas mesmas entradas; o soberano utilizava a entrada opulenta do Dôme, enquanto os soldados entravam pela porta que dava para o Pátio de Honra; essa dualidade do templo religioso foi reforçada com a construção da tumba de Napoleão no Dôme, iniciada em 1842, e tornou-se definitiva após a instalação, em 1873, de uma vidraça entre as duas partes do edifício.


Durante muito tempo sede do vicariato geral das forças armadas francesas, a Église Saint-Louis des Invalides tornou-se oficialmente a catedral da diocese das forças armadas em 1986: a Cathédrale Saint-Louis des Invalides.




A longa nave central da Cathédrale Saint-Louis, Hôtel des Invalides, Rue de Grenelle, 129, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




A Cathédrale Saint-Louis des Invalides, lado da Igreja dos Soldados, erguida de 1676 a 1679; ao longo da nave, no alto, troféus de guerra, bandeiras que pertenceram aos inimigos da França; ao fundo, depois do altar, a vidraça que separa a "église des soldats" (igreja dos soldados) da Capela Real ou Dôme. Hôtel des Invalides, Rue de Grenelle, 129, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Contornamos o complexo pela esquerda e fomos visitar o Dôme des Invalides, onde funcionava a Capela Real - o outro lado da Cathédrale Saint-Louis des Invalidese -, e, atualmente, é o lugar que abriga, entre outras, a tumba de Napoleão Bonaparte.


Jules Hardouin-Mansart, seu arquiteto, se inspirou num projeto de François Mansart, seu tio-avô, para construir o edifício de 1679 a 1706, considerado o mais belo domo (cúpula) de Paris, uma das obras primas da arquitetura francesa do século XVII; esse santuário reservado foi erguido, na época, para o uso exclusivo do Rei-Sol (Luís XIV) e foi o edifício mais alto de Paris até a construção da Torre Eiffel.


Luís XIV visava, sem dúvida, em fazer desse espaço a necrópole dos Bourbons no lugar da Basilique Saint-Denis, mas ele não concluiu esse projeto, e o túmulo que acabou sendo colocado no Dôme foi o de Napoleão; um verdadeiro monumento militar, o edifício também abriga os túmulos de outros grandes soldados, como os marechais Foch e Lyautey.




Dôme des Invalides, erguido entre 1679 e 1706, sob o projeto do arquiteto francês Jules Hardouin-Mansart; a fachada principal é composta por duas ordens sobrepostas, enfatizadas por um pórtico encimado por um frontão triangular; o conjunto é coroado por uma cúpula (domo) que atinge uma altura de 90 metros; de formato ovoide e rodeada por pináculos, é feita de chumbo sobre uma robusta estrutura de carvalho; consiste em doze compartimentos dourados decorados com troféus, cada um ocultando uma janela de sótão; por fim, a cúpula é encimada por uma lanterna alta, elevando a altura total do prédio para 107 metros, esbelta e inteiramente dourada, que evoca formas góticas; era a igreja onde eram celebradas as missas reais sob o reinado de Luís XIV e onde se encontra, atualmente o túmulo de Napoleão I. Avenue de Tourville, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




A Tumba de José Bonaparte, obra do arquiteto Alphonse-Nicolas Crépinet entre 1859 e 1862, fica na primeira capela à direita da entrada do Dôme; José Bonaparte, inicialmente sepultado em Florença em 1844 (onde passou seus últimos dias), foi trasladado em 1862 para o mesmo local onde repousa seu irmão mais novo, Napoleão, aquele que o fez rei de Nápoles e, depois, rei da Espanha. Chapelle Saint-Augustin, Dôme des Invalides, Avenue de Tourville, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Cúpula da Chapelle Saint-Augustin onde se encontra a Tumba de José Bonaparte; os afrescos são obra do pintor francês Louis de Boullogne II, o filho, (1654-1733) e foram criados entre 1702 e 1704. Dôme des Invalides, Avenue de Tourville, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Figura icônica da história francesa, Ferdinand Foch (1851-1929) se destacou como líder militar dos Aliados, alcançando a vitória na Primeira Guerra Mundial; em 7 de agosto de 1918, Foch recebeu o título de marechal da França, a mais alta patente militar francesa.


O Estado francês, em 11 de junho de 1931, incumbiu o escultor francês de origem polonesa Paul Landowski da criação do túmulo de Foch; o escultor trabalhou durante seis anos na construção da obra; em 20 de março de 1937, aniversário da morte do marechal, a Tumba de Ferdinand Foch foi inaugurada no Dôme des Invalides.


Observe-se que Paul Landowski foi um dos escultores responsáveis pela estátua do Cristo Redentor, erguida no Rio de Janeiro em 1931.




Tumba do Marechal Foch, realizada pelo escultor Paul Landowski e inaugurada em 1937; o artista escolheu retratar o corpo de Foch de forma realista, deitado numa maca coberta de louros, vestido com seu uniforme e segurando uma espada na mão direita; a maca com os restos mortais do marechal é carregada por oito soldados, que portam capacetes modelo Adrian, com o emblema da arma de artilharia, a qual Foch era oriundo. Chapelle Saint-Ambroise, Dôme des Invalides, Avenue de Tourville, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




O altar-mor do Dôme des Invalides, atrás do qual uma janela de vidro permite ver o interior da Église Saint-Louis (église des soldats); o altar com um belo baldaquino dourado sustentado por colunas torcidas (ou salomônicas), no modelo do que era amplamente utilizado na arte barroca italiana, particularmente na Basílica de São Pedro em Roma, assinado pelo arquiteto ítalo-francês Louis Visconti, substituiu o original, destruído durante a Revolução Francesa; as escadas que levam à cripta da Tumba de Napoleão estão localizadas em ambos os lados do altar-mor. Dôme des Invalides, Avenue de Tourville, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Napoleão Bonaparte, após sua derrota na Batalha de Waterloo (Bélgica), foi exilado na Ilha de Santa Helena, na costa ocidental da África, onde faleceu em 1821 e foi inumado.


O rei Luís Filipe, ávido por apaziguar os republicanos e bonapartistas hostis ao seu regime monárquico, decidiu, em 1840, repatriar o corpo de Napoleão I, atendendo ao desejo dele de que "suas cinzas repousassem às margens do Sena".


Em 15 de dezembro de 1840, durante uma cerimônia grandiosa e popular, a carruagem fúnebre transportando o corpo de Napoleão entrou em Paris e dirigiu-se ao Hôtel des Invalides, onde foi recebida pelo próprio rei; em seguida, os restos mortais de Napoleão foram colocados num túmulo localizado na Chapelle Saint-Jérôme, no Dôme des Invalides, aguardando que um monumento digno do imperador fosse construído no centro do Dôme.


Projetada por Louis Visconti e construída entre 1842 e 1860, a cripta foi escavada a uma profundidade de 6 metros. medindo 23 metros de diâmetro e sem teto para que o público pudesse ver o túmulo do imperador sem precisar descer até o fundo da cripta.


O corpo do imperador morto, protegido por seis caixões, só foi colocado na cripta do Dôme des Invalides em 1861, ao final de uma suntuosa cerimônia organizada por seu sobrinho, Napoleão III, então imperador da França.




A Tumba de Napoleão, construída entre 1842 e 1860 com base no projeto do arquiteto ítalo-francês Louis Visconti; no seu interior, bem no centro, fica o sarcófago de quartzito vermelho, que repousa sobre um pedestal de andesito verde, rodeado por um piso de mosaico de mármore e esmaltes, que representa, em particular, uma coroa de louros. Crypte, Dôme des Invalides, Avenue de Tourville, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




A Tumba de Napoleão Bonaparte: pedestal de andesito verde, sobre o qual repousa o sarcófago de quartzito vermelho, que, por sua vez, contém cinco caixões (um de estanho, um de mogno, dois de chumbo e um de ébano). Crypte, Dôme des Invalides, Avenue de Tourville, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Ainda no complexo do Hôtel des Invalides, visitamos o Musée de l'Armée (Museu da Força Armada).


Esse museu ilustra a história militar desde a pré-história até o fim da Segunda Guerra Mundial, abrigando a terceira maior coleção de armaduras do mundo, cuja sala fica à nordeste do refeitório; lá, podem-se apreciar as coleções de armaduras bem como as tapeçarias do século XVII que adornam as paredes; também podem ser vistas as pinturas murais celebrando as conquistas militares do rei Luís XIV, feitas por Joseph Parrocel.



Pavilhão oeste do Musée de l'Armée; no museu, podem ser vistas coleções da história militar desde a pré-história até a Segunda Grande Guerra. Cour d'honneur, Hôtel des Invalides, Rue de Grenelle, 129, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Um dos conjuntos que nos chamou mais atenção no museu foi a armadura completa do rei Francisco I.


Um pouco antes de a armadura ser confeccionada, o Reino da França, governado por Francisco I, vivia em guerra com o Sacro Império Romano-Germânico, cujo imperador era Carlos V, também rei da Espanha.


O irmão de Carlos V, o arquiduque Fernando de Habsburgo, rei da Hungria e da Boêmia, encomendou essa armadura para o rei francês, que media 1,98 m, após a assinatura de um tratado de paz de curta duração entre os dois estados em Nice, em junho de 1538, e a reconciliação entre Carlos V e Francisco I em Aigues-Mortes, em julho de 1539.


A armadura foi confeccionada pelo armeiro Jörg Seusenhofer, em Innsbruck (fica na atual Áustria), com decorações gravadas por Degen Pirger.


No entanto, a paz acabou entre a França e o Sacro Império em 1542, e armadura, embora concluída, não foi entregue a Francisco I, que nunca a vestiu, nem mesmo a viu, tendo sido incorporada à coleção de armaduras que estava sendo montada pelo arquiduque Fernando do Tirol.




Armadura do rei Francisco I, trabalho de Jörg Seusenhofer (armeiro) e Degen Pirger (gravador), Innsbruck, 1539-1540; a armadura completa do soberano francês, que media 1,98 m, apresenta excepcional qualidade formal e é adornada com faixas gravadas e douradas que contornam as peças ou se destacam contra o fundo polido, "branco". Sala Luís XIII: o progresso do exército real, Musée de l'Armée, Hôtel des Invalides, Rue de Grenelle, 129, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Armadura equestre de Otto Heinrich (ou Otto Henri), conde (eleitor) do Palatinado da Renânia e duque da Baviera, trabalho de Hans Ringler, Nuremberg, 1533; a armadura pesa 33 kg e sua cor escura acentua seu tamanho monumental e presença imponente; as largas ombreiras, que sustentam robustas lâminas, abraçam a silhueta imponente do eleitor; a couraça é curta, altamente abaulada e contornada por uma forte faixa torcida; sua cintura é relativamente estreita; as proteções das pernas terminam em sapatos em forma de pata de urso; as faixas decorativas foram gravadas com ácido e depois douradas com folhagens em espiral, combinando troféus e motivos animais. Sala da Europa, Musée de l'Armée, Hôtel des Invalides, Rue de Grenelle, 129, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Busto representando Napoleão Bonaparte, segundo Antoine-Denis Chaudet, em mármore, 1803-1805. Musée de l'Armée, Hôtel des Invalides, Rue de Grenelle, 129, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Saímos do Les Invalides e atravessamos a esplanada que se estende à sua frente em direção à Pont Alexandre-III, a ponte mais decorada de Paris, projetada pelos arquitetos Joseph Cassien-Bernard e Gaston Clément Cousin, erguida pelos engenheiros Jean Résal, Amédée Alby e Joseph Grison e decorada por diversos artistas.


A primeira pedra dessa ponte foi colocada em 1896 na presença de Félix Faure, então presidente da República Francesa, e de Nicolau II, czar da Rússia, filho e herdeiro de Alexandre III, o czar anterior falecido em 1894, a quem a ponte foi dedicada; os engenheiros conseguiram acabá-la a tempo da participar da Exposição Universal de Paris de 1900.


Os construtores, entretanto, estavam sujeitos a restrições técnicas muito rigorosas: a estrutura só podia apoiar-se nas duas margens para não obstruir o tráfego fluvial e não podia dificultar a vista do Les Invalides a partir da Champs-Élysées; no afã de cumprir esses requisitos, eles criaram uma das mais belas pontes de Paris, uma estrutura metálica de vão único adornada com ninfas, espíritos da água, monstros marinhos e, no topo dos seus pilares de cerca de 17 metros, quatro Famas douradas: as da Ciência, da Arte, do Comércio e da Indústria.




Pont Alexandre-III, erguida de 1897 a 1900, tinha como objetivo prolongar o eixo que ligava o Hôtel des Invalides ao palácios (Grand e Petit) construídos para a Exposição Universal de 1900 na outra margem do rio Sena; em destaque, os quatro pilares de 17 metros, tendo no alto, as esculturas das Famas douradas. Visto a partir da Esplanade des Invalides, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Pont Alexandre-III; em destaque, os pilares da margem esquerda do Sena, onde podem ser vistas as esculturas, à esquerda,"Pégase tenu par la Renommée de la Guerre" (Pégaso seguro pela Fama da Guerra), de Léopold Steiner, e, à direita, "La Renommée au combat" (A Fama em combate), de Pierre Granet. Quai d'Orsay, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Escultura "Pégaso seguro pela Fama da Guerra" ou "A Fama da Indústria", de autoria do escultor francês Léopold Steiner e finalizada por Eugène Gantzlin, em 1900. Pont Alexandre-III, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.




Vão central da Pont Alexandre-III; à direita, bela placa com as datas de construção - 1897 a 1900 - e, à esquerda, poste de iluminação tendo como base a escultura "Ronde d'amours", com espíritos das águas (génies des eaux), conchas, algas e peixes, de autoria do escultor francês Henri Désiré Gauquié, de 1900. Pont Alexandre-III, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Ao atravessarmos a Pont Alexandre-III encontramos, na margem direita do rio, a bela Place François-1er.



Hôtel de Clermont-Tonnerre-Chandon de Briailles, erguido em 1880 pela família Laurent, inspirado no estilo Luís XV; mais tarde, foi habitada pelo conde Raoul Chandon de Briailles (1850-1908), diretor da famosa casa de champanhe Chandon-Moët, fundada por sua família, e por sua esposa, Blanche de Clermont-Tonnerre. Localizado na Place François-1er, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


Depois ingressamos na Avenue Montaigne, onde nos deparamos com um dos hotéis mais famosos e luxuosos de Paris: Hôtel Plaza Athénée.


O hotel foi projetado, no estilo eclético, pelos arquitetos Charles Lefebvre e Louis Duhayon e construído pelo hoteleiro Jules Cadillat, tendo aberto oficialmente suas portas em 20 de abril de 1913; intimamente ligado à história dele é seu vizinho, o Théâtre des Champs-Élysées, inaugurado no mesmo mês, tornando-se o hotel um refúgio para compositores e amantes do teatro, que ali jantavam regularmente.


Em 1946, a alguns passos do hotel, foi aberta a Maison Christian Dior, marcando o início de uma longa história com a alta-costura, com outros estilistas seguindo o seu rastro; a Avenue Montaigne torna-se, então, o lugar da alta moda de Paris, e o Hôtel Plaza Athenée, o lugar de encontro de seus clientes.


A clientela formada por famosos mundialmente é extensa, incluindo Marlene Dietrich, Michael Jackson, Roger Moore, David Bowie, Elton John, Mick Jagger e Christian Dior.




Fachada do Hôtel Plaza Athénée, estabelecimento hoteleiro de luxo inaugurado em 1913, famoso por seus detalhes vermelhos e os gerânios nas sacadas, formando sua identidade visual. Avenue Montaigne, 23 a 27, Paris, sede da metrópole da Grande Paris, capital da Região de Île-de-France e capital da França.


No próximo post, continuamos flanando em Paris para conhecer o Grand Palais e o Petit Palais, legados da Exposição Universal de 1900.



Fontes:


Wikipedia


"Paris: tous les plus beaux monuments", Guides Voir, Hachette Tourisme, Paris, 2010.









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