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Milão - Parte VII - Região da Lombardia - Norte da Itália - 2023

  • Foto do escritor: Roberto Caldas
    Roberto Caldas
  • há 13 horas
  • 21 min de leitura

Fachada sudeste do Castello Sforzesco; erguido no século XIV, por iniciativa da família Visconti, senhores de Milão na época, e reestruturado substancialmente pela família Sforza, novos senhores da cidade, no século XV; em destaque, no centro, a Torre del Filarete, do século XV, mas derrubada no século XVI e reconstruída em 1905; à esquerda, Torrione di Santo Spirito, e, à direita, Torrione del Carmine. Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Milão - Parte VII


Continuando nossa visita à bela cidade de Milão, fomos conhecer o famoso Castello Sforzesco.


No caminho, na Piazza San Fedele, nos deparamos com o Monumento a Alessandro Manzoni.


A estátua de bronze foi criada pelo escultor Francesco Barzaghi e inaugurada em 22 de maio de 1883, na Piazza San Fedele, por ocasião do décimo aniversário da morte de Alessandro Manzoni.


O homenageado, neto do famoso jurista Cesare Beccaria, foi um renomado poeta, romancista e filósofo italiano, considerado uma figura chave na literatura italiana e a quem é creditada a "invenção" da língua italiana moderna.


Sua obra mais importante é o romance "Os noivos" (I Promessi Sposi), publicado pela primeira vez em 1827 em três volumes.


O trágico acidente que resultou em sua morte deveu-se a uma tontura, levando-o a cair e bater com a cabeça nos degraus da Chiesa di San Fedele, enquanto se dirigia para a missa; a queda foi fatal, pois ele faleceu algumas semanas depois (em 22 de maio de 1873), provavelmente em decorrência de um hematoma cerebral.




Monumento a Alessandro Manzoni, obra de Francesco Barzaghi, de 1883; a estátua representa o escritor milanês de pé, com um semblante austero; ao fundo, a fachada da Chiesa di San Fedele, em cujos degraus ele sofreu uma queda em 1873 que o levaria à morte em poucas semanas. Piazza San Fedele, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Na sequência, nos dirigimos à Piazza Castello, onde fica localizado o Castello Sforzesco.


A parte mais antiga do castelo é uma fortaleza construída por ordem de Galeazzo II Visconti, então senhor da parte ocidental de Milão, entre 1360 e 1370, à cavaleiro das muralhas da cidade, ocupando a Porta Giovia.


Em 1447, após a morte de Filippo Maria Visconti, os milaneses proclamaram a República Ambrosiana e a residência de Porta Giovia (a fortaleza dos Visconti), emblema do poder nobre, foi parcialmente danificada.


Após Francesco Sforza assumir como senhor de Milão, em 1450, imediatamente começou a renovar o Castelo Visconti. Sabendo do ódio dos milaneses pelo antigo edifício, Francesco Sforza justificou a reconstrução com seu desejo de embelezar a cidade e garantir sua defesa contra inimigos externos.


Em 1452, juntamente com os engenheiros militares Giovanni da Milano, Jacopo da Cortona e Marcoleone da Nogarolo, Francesco Sforza nomeou um arquiteto civil, o florentino Antonio Averulino, conhecido como Filarete, para projetar a fachada voltada para a cidade, com sua alta torre da entrada central.


Em 1468, Galeazzo Maria Sforza, o filho mais velho, mudou-se para o castelo com sua esposa, Bona de Saboia, cunhada do rei Luís XI da França, e sua corte. Em poucos anos, a Rocchetta e a Corte Ducale (Corte Ducal) foram concluídas, os aposentos foram decorados com afrescos e a Capela Ducal foi construída e decorada; com a morte de Galeazzo, sua viúva, Bona de Saboia, assumiu então a regência em nome de seu jovem filho, Gian Galeazzo Maria, e em 1477 ergueu a torre central, que ainda hoje leva seu nome, para controlar todo o castelo.


Tendo caído sob domínio francês em 1499, o Ducado de Milão foi disputado durante trinta anos entre os franceses, o imperador do Sacro Império Romano-Germânico e os Sforza; durante o domínio francês, em junho de 1521, a Torre del Filarete, que havia sido convertida em depósito de munições, explodiu, danificando as muralhas circundantes.


O último Sforza deixou o imperador espanhol Carlos V como herdeiro do ducado, e este o passou sucessivamente a Filipe II da Espanha; os espanhóis transformaram o castelo numa grande fortificação em forma de estrela de doze pontas; dentro do complexo, encontravam-se uma farmácia, um hospital, lojas, duas padarias, uma hospedaria, uma "nevera" (adega de gelo) para armazenar gelo, duas igrejas e extensos armazéns; a presença espanhola no castelo é comprovada principalmente pelo antigo hospital, hoje Museu da Pietà Rondanini.


Durante a Guerra da Sucessão Espanhola, em 1706, Eugênio de Saboia conquistou Milão em nome do imperador José I de Habsburgo; nada mudou no Castelo, exceto a troca de nacionalidade dos ocupantes; a estátua branca de São João Nepomuceno, o santo padroeiro boêmio dos exércitos austríacos, encomendada em 1727 a Giovanni Dugnani, é o único testemunho do domínio austríaco no castelo.


A aproximação de Napoleão Bonaparte a Milão levou o arquiduque Fernando I da Áustria a abandonar a cidade, e, no final de junho de 1796, o castelo caiu em mãos francesas; os novos ocupantes o designaram como quartel para aproximadamente 4.000 homens; a demolição da cidadela em forma de estrela que circundava o castelo, determinada pelos franceses, foi iniciada em 1801 e criou um grande espaço vazio ao redor do edifício, para o qual o arquiteto Giovanni Antolini desenvolveu o projeto de uma imensa praça semicircular, o Foro Bonaparte, adornada com edifícios públicos em estilo clássico.


O estabelecimento do Reino Lombardo-Vêneto após a queda de Napoleão trouxe os austríacos de volta a Milão em 1815; o castelo continuou a servir como quartel, enquanto o espaço vazio atrás dele, a Piazza d'Armi, tornou-se palco de revistas militares.


Em 1859, o domínio austríaco finalmente chegou ao fim, tendo o território do Reino Lombardo-Vêneto, que incluía Milão, sido anexado ao Reino da Sardenha-Piemonte, transformado, em seguida, em Reino da Itália.


A Torre del Filarete, graças à dedicação do arquiteto italiano Luca Beltrami, foi reconstruída e solenemente inaugurada em 24 de setembro de 1905, dedicada a Umberto I, rei da Itália.


Hoje, o Castello Sforzesco abriga em suas muralhas não apenas uma das mais importantes coleções de arte da cidade, mas também bibliotecas e arquivos de renome internacional.




Fachada sudeste do Castello Sforzesco; erguido no século XIV, por iniciativa da família Visconti, senhores de Milão na época, e reestruturado substancialmente pela família Sforza, novos senhores da cidade, no século XV, tendo em destaque a Torre del Filarete do século XV, mas derrubada no século XVI e reconstruída em 1905. Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Torre del Filarete; deve seu nome ao arquiteto renascentista Antonio Averulino, conhecido como Filarete, que a projetou em 1452, mas, menos de um século depois, em junho de 1521, a torre, que havia sido usada como armazém de pólvora, explodiu e foi demolida; a estrutura atual, que é resultado da pesquisa apaixonada do arquiteto Luca Beltrami, foi inaugurada em 1905 e dedicada ao rei Humberto I; Beltrami inseriu um relógio no corpo cúbico superior, adornado com um sol radiante inspirado no escudo das armas dos Sforza. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Detalhe da fachada sul da Torre del Filarete; Beltrami confiou ao escultor Luigi Secchi a criação de uma estátua de Santo Ambrósio no nicho, inspirada no estilo escultórico da segunda metade do século XV; em memória dos Sforza, Beltrami optou por pintar os brasões dos exércitos de Francesco I, Galeazzo Maria, Gian Galeazzo, Ludovico, il Moro, Massimiliano e Francesco II. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Alto-relevo representando o rei da Itália Humberto I a cavalo, obra do escultor Luigi Secchi, em mármore de Candoglia, em 1905. Torre del Filarete, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Torrione del Carmine visto a partir da Piazza Castello; encomendado por Francesco Sforza para reforçar a fachada voltada para a cidade e construído pelo arquiteto Bartolomeo Gadio em 1452. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Torre del Filarete, parte interna, vista a partir da Piazza d'Armi. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Torrione del Carmine parte interna vista a partir do Piazza d'Armi ou Cortile delle Armi; pode se observar, à esquerda, parte dos pórticos de residências do século XV encostadas na muralha Carmineto. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Torrione di Santo Spirito,  parte interna vista a partir da Piazza d'Armi; encomendado por Francesco Sforza para reforçar a fachada voltada para a cidade e construído pelo arquiteto Bartolomeo Gadio em 1452. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Junto à parte interna da muralha sudoeste do castelo, encontramos o Ex Ospedale Spagnolo (antigo Hospital Espanhol).


Durante o período espanhol, um antigo edifício localizado no Cortile delle Armi (Pátio das Armas) foi convertido, a pedido do castelhano Sancho de Guevara y Padilla, em uma enfermaria para os soldados da guarnição; o interior do edifício foi decorado com guirlandas dos apóstolos e pergaminhos com o Credo Romano na abóbada, e com emblemas da Casa Real nas paredes, que ainda são visíveis; uma data gravada, 1576, indica o provável ano em que a decoração foi realizada; o hospital e a farmácia anexa permaneceram em funcionamento pelo menos até o século XVIII.


O prédio do antigo Hospital Espanhol abriga hoje a última e mais comovente obra-prima de Michelangelo Buonarroti (1475-1564): a "Pietà Rondanini"; criada nos últimos dez anos de sua vida, a obra reflete um processo contínuo de transformação, tornando-se um símbolo de profundidade espiritual e tensão emocional.




Ex Ospedale Spagnolo (antigo Hospital Espanhol) abriga o Museo Pietà Rondanini, lado sudoeste do castelo; a fachada externa foi decorada com elaborados motivos monocromáticos vermelhos, retirados da decoração das abóbadas da igreja milanesa de Santa Maria della Fontana, do início do século XVI. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Como dito anteriormente, o espaço do antigo Hospital Espanhol do castelo oferece um cenário evocativo para a comovente última obra-prima de Michelangelo Buonarroti (1475-1564): a "Pietà Rondanini".


A Pietà retrata o desespero solitário de Maria enquanto segura seu filho no colo pela última vez antes de entregá-lo ao sepultamento. Cara à grade mística alemão do século XIV, a Pietà difundiu-se na Itália por meio de pinturas e esculturas em madeira de origem transalpina, inspirando em Michelangelo, mais de um século depois, uma meditação apaixonada que permeou toda a sua vida.


O tema do lamento sobre o Cristo Morto reaparece diversas vezes na carreira artística de Michelangelo. O grande escultor toscano criou sua primeira Pietà (e mais famosa) em 1498-1499, encomendada pelo Cardeal Jean de Bilhères de Lagraulas, Abade de Saint-Denis. A única obra assinada por Michelangelo, o grupo escultórico, que se encontra na Basílica de São Pedro, no Vaticano, retrata uma Virgem muito jovem segurando, no colo, o corpo recém-falecido de seu filho.


O escultor trabalhou na Pietà durante os últimos dez anos de sua vida, modificando gradualmente sua configuração. A escultura, visível de todos os ângulos na nova exposição, integra-se harmoniosamente ao espaço designado no século XVI para os soldados do castelo que sofriam ou estavam em sofrimento com a peste.


A "Pietà Rondanini" é o testamento e a meditação do artista mais velho sobre a morte e a salvação da alma. Nesta obra, o escultor renuncia à perfeição do corpo e à sua beleza heroica, transformando o Cristo Morto em um emblema do sofrimento. O posicionamento dos corpos de Maria e Jesus em alturas diferentes parece sugerir o entrelaçamento de múltiplos momentos da história de Cristo: a deposição da Cruz, o sepultamento e até mesmo a Ressurreição, na dissolução do corpo do Filho nos braços de sua mãe.


O artista continuou incansavelmente a esculpir esta obra, que encomendara exclusivamente para si próprio e considerava o seu testamento, até poucos dias antes de falecer aos oitenta e nove anos, deixando-a inacabada.


Na parede norte do edifício, reconhece-se o Brasão Real da Espanha: um grandioso escudo contornado com o colar do Tosão de Ouro e encimado pela coroa da família real. No centro do brasão, encontra-se o emblema do Estado de Milão. A ausência da insígnia de Portugal, conquistado em 1580, indica o período em que a pintura foi criada.




A "Pietà Rondanini", última escultura realizada pelo grande artista renascentista italiano Michelangelo, provavelmente entre 1554 e 1564, tendo ficado inacabada, em razão do falecimento dele; Maria envolve o corpo do Cristo Morto, amparando-o; atrás, pintado na parede, o Brasão Real da Espanha: um grandioso escudo contornado com o colar do Tosão de Ouro e encimado pela coroa da família real. Museo Pietà Rondanini, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




O nome de Michelangelo Buonarroti na base da escultura "Pietà Rondanini". Museo Pietà Rondanini, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Torre di Bona, erguida em 1477, batizada assim em homenagem a Bona de Saboia, viúva de Galeazzo Maria Sforza, no canto da Rocchetta; e o Monumento a San Giovanni Nepomuceno (São João Nepomuceno), realizado pelo escultor Giovanni Dugnani em 1729, em mármore de Candoglia, erguido como símbolo de proteção do exército austríaco. Vistos a partir da Piazza d'Armi, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Em seguida, ingressamos na Cortile della Rocchetta (Pátio da Rocchetta).


Uma fortaleza dentro de outra fortaleza, a Rocchetta serviu brevemente como refúgio para Bona de Saboia, que encomendou a alta torre antes de Ludovico Sforza (Ludovico, il Moro) assumir o poder. O exterior austero, com suas altas paredes sem janelas voltadas para o Pátio, é suavizado no interior por três alas de pórticos, cujos capitéis são predominantemente adornados com os brasões das famílias Visconti e Sforza, encomendados por Galeazzo Maria Sforza. Na fachada voltada para o Pátio Ducal, o brasão em forma de crescente do castelhano espanhol Dom Álvaro de Luna indica uma obra realizada no século XVI.




Museo degli strumenti musicali, Cortile della Rocchetta (Pátio da Rocchetta), vendo-se, à esquerda, uma das alas com pórticos, tendo colunas encimadas com capitéis, alguns reproduzindo brasões das famílias Visconti e Sforza; acima, no centro, a parte superior da Torre di Bona. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Pórticos da Cortile della Rocchetta, sendo o da direita voltado para a Corte Ducale; o teto dos pórticos são decorados com sóis radiantes, com chamas onduladas. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




O teto pintado dos pórticos, tendo possivelmente, no centro do grande sol, a representação do brasão de guerra de Milão: a figura central apresenta um sol radiante com chamas onduladas, conhecido como sole raggiante; dentro do sol, há um pequeno escudo com o Biscione Visconteo (uma serpente devorando um menino despido), símbolo das famílias Visconti e Sforza, em dois campos diagonais, e, nos outros dois, três flores de lis da França formando um cone; o seu entorno está decorado com múltiplos sóis menores e outros emblemas heráldicos. Cortile della Rocchetta, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Na sequência, nos encaminhamos para a Corte Ducale (Corte Ducal).


A seção destinada à residência ducal dos governantes Sforza é precedida pelo pórtico construído pelo arquiteto toscano Benedetto Ferrini em 1473, conhecido como o pórtico do "Elefante" devido ao afresco ainda reconhecível. Observando a parede adjacente, podem ser vistos vestígios das patas de outro animal majestoso, provavelmente um leão. Os aposentos ducais, residência de Galeazzo Maria Sforza a partir de 1468, estendiam-se pelo térreo e primeiro andar, conectados por uma escadaria baixa que permitia a Sforza subir aos aposentos superiores a cavalo.


Instalado em elegantes salões com vista para a Corte Ducale (Corte Ducal), na antiga residência de Galeazzo Maria Sforza e Ludovico il Moro, o Museo d'Arte Antica e Armeria (Museu de Arte Antiga e Armaria) oferece uma viagem ao passado através de uma das maiores coleções de escultura da Itália. Com aproximadamente 400 obras provenientes de mosteiros, portões da cidade e residências nobres da Milão medieval, o museu narra mais de mil anos de história, do século V ao XVI, através do talento de artistas da Lombardia e de outras regiões; já a Armeria exibe armas brancas e de fogo europeias, do final do século XIV ao século XIX.




Corte Ducale (Corte Ducal), local onde ficava localizada a antiga residência dos duques Sforza; à esquerda, na parede do pórtico, vê-se a representação de um elefante. Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Como já dito antes, em parte dos aposentos ducais, encontram-se as exposições do Museo d'Arte Antica e Armeria.

 

Chamou-nos a atenção uma cabeça feminina conhecida como a de Teodora, imperatriz do Império Romano do Oriente (Bizantino) entre 527 e 548, esposa de Justiniano, em mármore, realizada por volta de 540, por um escultor bizantino.


A escultura foi descoberta em 1846, aproximadamente 80 cm abaixo do nível do solo, perto da Via San Primo, em Milão. Sua descoberta superficial dentro das muralhas da cidade sugere que ela pode ter sido usada como material de construção para as próprias muralhas.


A escultura retrata uma mulher madura com uma expressão facial peculiar, caracterizada por maçãs do rosto proeminentes, olhos grandes e bem separados e um rosto de formas perfeitas. Sua cabeça é ricamente adornada com um alto gorro canelado, decorado com uma diadema de pérolas com uma gema oval ao centro.


A alta qualidade deste retrato, que o torna um dos exemplos mais significativos da arte bizantina no Ocidente, levanta a questão de sua identificação. Interpretado de diversas maneiras como a imperatriz Teodora (500-548), esposa de Justiniano, ou Justina, mãe do imperador do Ocidente Valentiniano II, a obra alcança um equilíbrio entre a evocação impessoal da majestade e o naturalismo, graças à combinação da representação individualizada das feições e um tratamento refinado dos volumes.




Cabeça, suposto retrato da imperatriz Teodora, século VI, possivelmente de um escultor bizantino. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Agora, a Arca di Bernabò Visconti, obra do famoso escultor Bonino da Campione e colaboradores, em mármore com vestígios de douramento e policromia, cerca de 1360-1385/1386.


A composição harmoniosa do monumento, a qualidade dos detalhes esculturais e a profusão de decorações, onde a folha de ouro cobre quase completamente o mármore, fazem desta grande arca funerária uma obra-prima da escultura lombarda. Bernabò Visconti (1323-1385), senhor de Milão, montado em seu imponente cavalo e empunhando um bastão, é ladeado pelas figuras alegóricas da Justiça e da Fortaleza. O grupo esculpido em um único bloco de mármore de Candoglia, foi encomendado pelo próprio homenageado em 1363. Após sua morte, seu sobrinho Gian Galeazzo ordenou a conclusão do relicário, montando um sarcófago esculpido por artesãos de Campione e remontando as diversas partes na Chiesa Palatina di San Giovanni in Conca.


A atribuição da obra a Bonino da Campione em seus estágios posteriores permanece a mais confiável. O artista é responsável pelo desenho e execução dos elementos figurativos do Túmulo de Cansignorio della Scala (Verona, Túmulos dos Scaligeri), irmão de Beatrice della Scala, esposa de Bernabò, cujo túmulo é tradicionalmente identificado com o monumento exposto na Sala II, também proveniente da Chiesa di San Giovanni in Conca.




Arca di Bernabò Visconti, obra do famoso escultor Bonino da Campione e colaboradores, em mármore com vestígios de douramento e policromia, cerca de 1360-1385/1386. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Monumento sepolcrale di Bernabò Visconti (Monumento sepulcral de Bernabò Visconti), atribuído a Bonino da Campione, século XIV, proveniente da Chiesa di San Giovanni in Conca; impressiona os vestígios de douramento e policromia observados na grande estátua do senhor. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Sarcófago de Giovanni da Fagnano, de autoria de Bonino da Campione, ano 1376, proveniente do Oratorio di San Matteo alla Banchetta na Via Santa Maria Fulcorina, em Milão. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Mausoléu de Franchino Rusca, de autoria de um mestre toscano, por volta de 1350, instalado até 1881 na Chiesa di San Francesco, em Como. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Busto do imperador romano Marco Aurélio quando jovem. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Busto de Filipe II, rei da Espanha e duque de Milão, século XVI. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


No museu, encontra-se um dos artigos religiosos mais caros ao povo de Milão, o Gonfalone della Città di Milano (Estandarte da Cidade de Milão).


Decorado em ambos os lados para ser claramente visível a todos durante as procissões, ele é, no entanto, bastante grande em relação aos estandartes normais — cerca de 5 metros de altura e 3,5 metros de largura.


Foi criado por Scipione Delfinone e Camillo Pusterla entre 1565 e 1567, a partir de um desenho de Giuseppe Arcimboldi e Giuseppe Meda, utilizando uma técnica mista — parte bordado e parte têmpera com inserções de pedras preciosas —; destinava-se a ser o principal estandarte da cidade; permaneceu em uso como tal até ser transferido para um museu na década de 1870, embora ainda tenha sido utilizado em algumas ocasiões importantes em períodos posteriores.




Gonfalone della Città di Milano (Estandarte da Cidade de Milão), realizado de 1565 a 1567, por Scipione Delfinone e Camillo Pusterla; o estandarte apresenta, em ambos os lados, no centro de uma arquitetura complexa, Santo Ambrósio segurando na mão esquerda o chicote, seu atributo tradicional, e na direita um cajado pastoral de formato particularmente refinado; aos seus pés jazem dois soldados deitados de dorso; a iconografia alude ao episódio da expulsão dos arianos, aqui simbolizados pelos dois soldados no chão; o arco redondo que emoldura a figura de Santo Ambrósio contra um edifício ao fundo repousa sobre batentes decorados com episódios da vida do santo; a borda inferior é uma adição posterior: bordada com fio de ouro sobre fundo de damasco, apresenta nove brasões, três dos quais são os da cidade de Milão (uma cruz vermelha sobre fundo branco); os outros pertencem aos portões da cidade. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Temos também o Portale del Palazzo del Banco Mediceo (Portal do Banco Medici), atribuído a artesãos lombardos, com base em um projeto de Filarete, em mármore de Candoglia, por volta de 1464.


O portal era a entrada principal do chamado Banco Medici, o palácio doado por Francesco Sforza a Cosimo de' Medici em 1455, que abrigava a filial do banco administrado por Pigello Portinari, localizado na Via dei Bossi, em Milão.


Não existe um documento definitivo que confirme o nome do arquiteto e explique o papel desempenhado pelos mestres lombardos contratados pela família Médici. Antonio Averulino (conhecido como Filarete), um arquiteto toscano contratado para diversos projetos promovidos por Francesco Sforza, é creditado como testemunha da "esplêndida construção" descrita em seu Tratado de Arquitetura por volta de 1464. Uma decoração exuberante cobre os contrafortes, a arquivolta e o tímpano do portal, preenchendo toda a superfície com figuras naturais e alegóricas, pilastras caneladas, cornijas, brasões, emblemas e lemas envoltos em ornamentação vegetal; finalmente, dentro de clípeos em forma de vagem, os bustos de perfil de Francesco I Sforza e sua esposa Bianca Maria Visconti.




Portale del Palazzo del Banco Mediceo (Portal do Banco Medici), obra de artesãos lombardos, por volta de 1464; à esquerda, a efígie de Francisco I Sforza e, à direita, a da esposa dele, Bianca Maria Visconti. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Monumento funebre del vescovo Battista Bagarotti (ou Bagaroto) de autoria de Ambrogio Montevecchia, provavelmente da primeira metade do século XVI, proveniente da Chiesa di Santa Maria della Pace, em Milão; duas fileiras de três colunas sustentam um entablamento e duas arcas sobrepostas, decoradas com aglomerados vegetais habitados por pássaros, guirlandas e querubins com o brasão do falecido; a estátua jacente do bispo repousa sobre a arca superior. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


A figura jacente, ou gisant, faz parte do túmulo encomendado por Francisco I, rei da França, em homenagem a Gaston de Foix, que morreu na Batalha de Ravena em 1512, com pouco mais de vinte anos. O monumento foi concebido para a Chiesa di Santa Marta, que ficava onde hoje é a Piazza Mentana, em Milão, um local de culto predileto da aristocracia pró-francesa. O documento que menciona a "archa superba" data de 1517, mas a obra foi interrompida alguns anos depois devido à queda do primeiro domínio francês.


A estátua jacente de Gaston de Foix é reconhecida como uma obra-prima de Agostino Busti, o mais renomado intérprete do Renascimento lombardo. A virtuosa habilidade no tratamento da superfície de mármore se observa nos detalhes, e a maestria do escultor se manifesta na serena e clássica expressão que caracteriza o rosto do herói francês.




Estátua jacente de Gaston de Foix, comandante do exército francês, morto em Ravena em 1512; mármore de Carrara, 1517-1522, de autoria de Agostino Busti, conhecido como Bambaia ou Bambaja, proveniente da extinta Chiesa di Santa Marta, em Milão. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Detalhe da estátua jacente de Gaston de Foix, comandante do exército francês, morto em Ravena em 1512; mármore de Carrara, 1517-1522, de autoria de Agostino Busti, conhecido como Bambaia ou Bambaja, proveniente da extinta Chiesa di Santa Marta, em Milão; impressiona os delicados detalhes esculpidos em mármore, como os existentes no punho da espada e as filigranas e borlas dos travesseiros que apoiam a cabeça da estátua. Museo d'Arte Antica, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Ainda nos aposentos ducais, passamos para a sala que abriga a Armeria.


Originalmente, as primeiras armas portáteis eram objetos rudimentares feitos de recipientes ou tubos de ferro que, parcialmente preenchidos com pólvora negra, podiam disparar bolas de pedra e metal. Utilizadas principalmente durante cercos, eram apoiadas na muralha e mantidas no lugar por um gancho, colocado sob o cano, para evitar um forte recuo. Alguns dos primeiros canhões foram equipados com um sistema de carregamento pela culatra, que utilizava um mascolo, um recipiente carregado com pólvora que podia ser inserido no cano e recolocado após cada disparo, mas o sistema foi logo abandonado devido à sua periculosidade. Entre os séculos XV e XVI, as armas de fogo, aperfeiçoadas ao longo do tempo, destacaram a utilidade da arma de fogo individual, o arcabuz, facilmente transportável e eficaz.




À esquerda, uma balestra a pallottole (besta), muita empregada no século XVI; no centro, três exemplares de bombardella a mano, utilizadas nos séculos XIV e XV, peças rudimentares que, com emprego de pólvora, disparavam bolas de pedra e de metal. Armeria, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Fuciloni da posta, provavelmente espingardas de pederneira. Armeria, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Archibugio a ruota (Arcabuz de roda), composto de aço e madeira incrustada com marfim grafitado, fabricado na França e Suíça, provavelmente do século XVII; embaixo, fiasca militare da polvere (frasco militar para pólvora), feito de madeira, couro e metal, fabricado na Itália, final do século XVI e início do século XVII. Armeria, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Armadura de cavalaria pesada, fabricada em aço, composta de: elmo savoiardo, originário do Norte da Itália, fabricado por volta de 1620-1630; couraça composta, de Nurembergue (atual Alemanha), primeira metade do século XVII; atrás, espada lateral de três vias, também em aço, fabricada por volta de 1580. Armeria, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Como já explicado acima, os objetos que fazem parte do acervo do Museo d'Arte Antica e Armeria estão expostos nos aposentos da residência ducal da Corte Ducale; o que nos mais impressionou foram as decorações de teto das Sala dei Ducali e da Cappella Ducale, realizadas por ordem de Galeazzo Maria Sforza, duque de Milão de 1466 a 1476.


Sala dei Ducali (Salão dos Duques), que deve o seu nome aos afrescos com os brasões dos duques de Milão que adornam sua abóboda. Esses afrescos foram criados a pedido do duque Galeazzo Maria Sforza em maio de 1469. Os brasões estão pintados sobre um belo fundo azul-celeste e são acompanhados pelas iniciais GM, de Galeazzo Maria. As iniciais LV foram então adicionadas por Ludovico Maria Sforza, conhecido como il Moro. Este brasão de armas mostra a águia imperial associada a uma víbora azul coroada de ouro que devora uma figura vermelha. Diz a lenda que este emblema foi atribuído a Ottone Visconti (1207-1295) após as suas vitórias contra os sarracenos.




Abóboda do Sala dei Ducali, onde se vê, no centro, um sol radiante, circundado por quatro brasões de Galeazzo Maria Sforza, duque de Milão. Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Borda da abóboda da Sala dei Ducali; onde estão representados dois brasões de Galeazzo Maria Sforza: dois campos em diagonal, representando a águia imperial, e dois campos representando a Biscione Visconteo (uma serpente devorando um menino despido), símbolo das famílias Visconti e Sforza; nos lados dos escudos, as iniciais GZ (Galeazzo) MA (Maria) DX (duque) MLI (Milão) QVINTVS (quinto). Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


A Cappella Ducale ou Cappella di San Donato, muito desejada por Galeazzo Maria Sforza, foi construída por Benedetto Ferrini e Bartolomeo Gadio e decorada com afrescos por um grupo de seis pintores, entre os quais se destacam Bonifacio Bembo, Giacomino Vismara e Stefano De Fedeli, mencionados em documentos.


A obra começou e foi concluída em 1473; Sforza tinha pressa em terminar a capela para acomodar os vinte e dois cantores escolhidos entre as cortes de toda a Europa; esse gosto singular também se encontra na abóbada da capela, construída um pouco mais tarde; nas lunetas estão pintadas as armas da família Sforza.


A abóboda da capela representa uma cena da Ressurreição de Cristo, que ascende triunfante ao céu estrelado, abandonando seu túmulo.


No chão jazem os homens que o fizeram sofrer; o motivo dos guardas no túmulo apresenta uma iconografia nova e incomum: em vez de estarem dormindo, no momento da Ressurreição, os soldados parecem saltar no ar, caindo ao chão em poses curiosas.




Cena da Ressureição de Cristo, na qual Jesus ascende triunfalmente ao céu estrelado, ladeado de anjos tocando trombetas, enquanto os soldados que tomavam conta de seu túmulo parecem saltar e cair em poses curiosas, assustados com o que estão assistindo. Cappella di San Donato, Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.



Detalhe da abóboda da Cappella Ducale, onde se pode ver parte da cena da Ressureição de Cristo e, nas lunetas, a representação das armas da família Sforza. Corte Ducale, Castello Sforzesco, Piazza Castello, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Fachada noroeste do Castello Sforzesco, voltada para o Parco Sempione. Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


No próximo post, vamos conhecer a Porta Sempione e outras atrações de Milão.


Fontes:


Wikipedia;


Guide: Fabuleuse Italie du Nord: Rome, Florence, Venise, pesquisa e redação de Louise Gaboury, direção de Claude Morneau, versão eletrônica, 2019, Guides de Voyage Ulysse, Québec, Canada.






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