Milão - Parte IV - Região da Lombardia - Norte da Itália -2023
- Roberto Caldas

- há 4 horas
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Espetacular vista do Palazzo Reale a partir do terraço do Duomo. Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Milão - Parte IV
Continuamos no teto do Duomo, agora para observar a cidade de Milão.
Começamos a apreciar as vistas a partir da parte anterior (oeste) do terraço do Duomo em direção ao norte.
A Galleria Vittorio Emanuele II é uma elegante passagem coberta para pedestres no coração de Milão, que liga a Piazza del Duomo à Piazza della Scala. Conhecida como "sala de estar de Milão" por sua vibrante vida social desde a sua inauguração, é uma obra-prima da arquitetura de ferro e vidro do século XIX, considerada um dos primeiros exemplos de um centro comercial moderno.

Galleria Vittorio Emanuele II vista do terraço da catedral; projetada pelo arquiteto Giuseppe Mengoni, com construção iniciada em 1865 e concluída em 1877. Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Extensão da ala leste da Galleria Vittorio Emanuele II, vista do terraço da catedral, na qual funciona Il Mercato del Duomo, oriundo do histórico Bar Motta, fundado em 1928 por Angelo Motta. Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Mais longe, ao norte da catedral, vê-se o sky line formado por prédios modernos nos bairros de Porta Nuova-Garibaldi e Isola.
A Torre UniCredit, medindo, com a agulha (antena), 230 metros de altura, foi inaugurado em fevereiro de 2014; projetado pelo arquiteto Cesar Pelli, do escritório de arquitetura Pelli Clarke Pelli, dentro da execução do projeto de requalificação da área feito pela imobiliária Hines Italia.
O complexo Bosco Verticale, duas torres, 112 e 80 metros de altura, primeiro exemplo de uma floresta vertical, inaugurado em outubro de 2014; projeto do escritório Boeri Studio, no contexto do projeto de reforma urbana da Hines Italia.
A Torre Unipol, de 124 metros, ainda em construção durante nossa estadia na cidade, foi inaugurada em dezembro de 2023; projeto do escritório do arquiteto Mario Cucinella.

Sky Line dos prédios modernos dos bairros Porta Nuova-Garibaldi e Isola visto do terraço da catedral; da esquerda para direita: Torre UniCredit (2014); Bosco Verticale (2014); e Torre Unipol (2023). Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Mais ao centro do terraço da catedral, ainda voltado para o norte, observa-se o Palazzo Odeon di Milano, que, com a contribuição da família Pittaluga, que na época estava envolvida na produção cinematográfica, foi construído entre 1927 e 1929, projetado pelo engenheiro Giuseppe Laveni e pelo arquiteto Aldo Avati; era, inicialmente, empregado como cinema multiplex e teatro; o exterior do cinema apresenta um estilo eclético que tende para o Art Déco, mas inspirado na arquitetura maneirista e acompanhado por um certo monumentalismo.

Fachada sul do Palazzo Odeon vista do terraço da catedral, inaugurado em 1929, estilo eclético, inspirado na arquitetura maneirista, com elementos Art Déco. Corso Vittorio Emanuele II, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Em seguida nos dirigimos à parte leste do terraço (posterior da catedral), sobre a abside, de onde visualizamos a fachada principal do Palazzo della Veneranda Fabbrica del Duomo di Milano.
A fachada caracteriza-se por uma única e gigantesca ordem de colunas coríntias sobre uma base rústica, coroada pelo relógio no eixo central.
O edifício foi erguido por volta da metade do século XIX, com base no projeto do arquiteto italiano Pietro Pestagalli, e ampliado, em 1932 por projeto do arquiteto italiano Adolfo Zacchi.
A Veneranda Fabbrica del Duomo di Milano é a instituição histórica responsável pela preservação e valorização da Catedral. Fundada em 1387 por Gian Galeazzo Visconti, Senhor de Milão, para o projeto e construção do monumento, trabalha há mais de 630 anos para preservar e restaurar a Catedral, salvaguardar e prestar serviços para as atividades litúrgicas e valorizar seu patrimônio, garantindo os recursos necessários para sua manutenção.

Palazzo della Veneranda Fabbrica del Duomo di Milano visto do terraço (teto) da catedral; construído na metade do século XIX, projeto original de Pietro Pestagalli, e ampliado em 1932 por projeto do arquiteto italiano Adolfo Zacchi; nos andares superiores, uma única e gigantesca ordem de colunas coríntias, encimado, na parte central, por um relógio ladeado por figuras feminina (esquerda) e masculina (direita). Via Carlo Maria Martini, 1, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Na sequência, nos voltamos para o sul, ainda na parte posterior do terraço, para ter a vista da fachada lateral do Palazzo Arcivescovile di Milano (Palácio Arquiepiscopal de Milão) cujas fundações remotam ao século XII, tendo sido quase integralmente restruturado na segunda metade do século XVI, e remodelado em estilo neoclássico no século XVIII; é a residência oficial do arcebispo. Encomendado por Carlo Borromeo e projetado por Pellegrino Tibaldi, conserva traços do palácio anterior e distingue-se pelo seu portal maneirista e pelo evocativo Cortile della Canonica, com seus arcos arredondados. Localizado na Piazza Fontana, representa um importante exemplo da arquitetura milanesa.

Fachada norte do Palazzo Arcivescovile di Milano (Palácio Arquiepiscopal de Milão) visto do terraço (teto) da catedral; reestruturação iniciada em 1565, com projeto de Pellegrino Tibaldi, sobre prédio anterior, do século XII, modificado nos séculos seguintes; na fachada norte restam vestígios do palácio anterior, da época Visconti (séculos XIII e XIV): janelas geminadas de terracota (nove são visíveis na fachada voltada para a catedral) consistindo em pequenos arcos trilobados dentro de um arco redondo, adornados com uma grande arquitrave de terracota. Piazza Fontana, 2, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Também ao sul do Duomo, avistamos o Palazzo Reale, que, na Idade Média, chamava-se Broletto Vecchio, que, sob o domínio dos espanhóis, a partir de 1535, passou a ser a residência dos governadores, tendo estes promovido grandes obras de renovação e ampliação; a partir do domínio dos Habsburgos austríacos, no século XVIII, e com a intervenção do arquiteto Giuseppe Piermarini, o mesmo do Teatro alla Scala (ver post Milão - Parte I), que serviu na corte entre 1770 e 1778, todos os vestígios arquitetônicos da arte lombarda desapareceram, e o palácio assumiu uma aparência neoclássica, tornando-se a sede dos governantes austríacos.
No complexo do Palazzo Reale, encontra-se a Chiesa di San Gottardo in Corte, edificada em 1336, com base no projeto de Francesco Pecorari, durante o governo de Azzone Visconti, então senhor de Milão; o esplêndido campanário, construído em terracota rosa com colunas de mármore branco nos cantos, permanece intacto; projetada em um típico estilo gótico lombardo, apresenta um anjo de cobre dourado, o Arcanjo Miguel, segurando a bandeira dos Visconti.
Atrás do Palazzo Reale, na cor predominante amarela, encontra-se o Palazzo Via Larga 12 ou Palazzo degli Uffici Comunali (1925-1927), projeto do arquiteto italiano Renzo Gerla, um edifício eclético, austero e imponente, que serviu como repartição pública desde a sua construção, sendo originalmente organizado com longos corredores que conduziam a uma infinidade de salas. No piso térreo, grandes salões abrigam os balcões de atendimento ao público. Atualmente, ainda abriga o Cartório de Registro Civil (Anagrafe Comune di Milano), embora já não seja propriedade da prefeitura.
Mais ao fundo, encontra-se a Torre Velasca, em estilo brutalismo, com altura de 106 metros, projetada pelo estúdio BBPR, fundado em 1932 por Gian Luigi Banfi, Lodovico Barbiano di Belgiojoso, Enrico Peressutti e Ernesto Nathan Rogers, construção iniciada em 1956 e concluída em 1958

Mais uma vista em direção ao sul a partir do terraço da catedral; em primeiro plano, a fachada neoclássica do Palazzo Reale, estabelecido neste local durante a Idade Média e bastante alterado pelos austríacos, no século XVIII, para abrigar os governadores nomeados por eles; dentro do complexo palaciano, vê-se, à esquerda, o campanário em terracota rosa da Chiesa di San Gottardo in Corte, do século XIV; atrás do palácio, em amarelo, o Palazzo Via Larga 12 ou Palazzo degli Uffici Comunali (1925-1927); e mais atrás, à direita, em formato de cogumelo, a Torre Velasca (1956-1958). Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Visão mais aproximada do setor sul a partir do terraço do Duomo: à esquerda, o esplêndido campanário da Chiesa di San Gottardo in Corte intacto, construído por volta 1336 em terracota rosa com colunas de mármore branco nos cantos; projetado em um típico estilo gótico lombardo, apresenta um anjo de cobre dourado, o Arcanjo Miguel, segurando a bandeira dos Visconti; atrás, em amarelo, o Palazzo degli Uffici Comunali (1925-1927). Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Em direção ao sudoeste, a partir do terraço do Duomo, podemos divisar edifícios históricos arquitetonicamente importantes de várias épocas.
O Palazzo dell'Arengario é composto por dois edifícios, com vista para a Piazza del Duomo, por onde se abrem a passagem para a Via Guglielmo Marconi e a entrada para a Piazza Armando Diaz, criando um cenário pitoresco que contrasta com o arco da Galleria Vittorio Emanuele II; construção iniciada em 1939, com base no projeto dos arquitetos Piero Portaluppi, Enrico Agostino Griffini, Pier Giulio Magistretti e Giovanni Muzio, sofreu grandes danos durante a Segunda Guerra Mundial, tendo o conjunto somente sido concluído em 1956, após modificações no projeto inicial, de clara inclinação fascista.
O Museo del Novecento de Milão, inaugurado em 2010, oferece uma vasta coleção de arte do século XX distribuída entre o pavilhão da esquerda do Palazzo dell'Arengario (com alterações feitas pelo arquiteto Italo Rota) e o Palazzo Reale. Abriga obras-chave do Futurismo, da Arte Metafísica e da Arte Povera, de artistas como Boccioni, Modigliani, Fontana e De Chirico; proporciona uma viagem abrangente pelos principais movimentos artísticos italianos do século XX.
O antigo Palazzo della Società Reale Mutua di Assicurazioni, prédio erguido entre o final da década de 1930 e início de 1940, com fachada principal voltada para a Via Dogana.
Ao lado, encontra-se o Palazzo dell'Istituto Nazionale delle Assicurazioni, um imponente edifício em homenagem à monumentalidade predominante na época, projetado pelo arquiteto Piero Portaluppi com o pórtico de pé-direito duplo, o desenho da fachada principal composto por faixas horizontais com diferentes materiais e cores; na face norte do prédio, ergue-se uma torre de esquina revestida com a pedra bardiglio nebulosa de San Nicola, enobrecida por uma varanda monumental com vista para a Piazza Armando Diaz; construção iniciada em 1933 e concluída em 1937.
A Chiesa di Sant'Alessandro in Zebedia, projeto do arquiteto italiano Lorenzo Binago, ergue-se no local presumido da antiga prisão romana onde o mártir Santo Alexandre foi encarcerado. A sua construção começou em 1601 e foi concluída em 1658, e representa um importante exemplo da transição entre o maneirismo tardio e o barroco lombardo inicial, caracterizado pela sua planta em cruz grega e majestosa cúpula sustentada por colunas.
A Basilica di San Lorenzo Maggiore teve suas primeiras construções erguidas entre meados do século IV e o início do século V; a cúpula original desabou repentinamente em 1573; os trabalhos de reconstrução, confiados ao arquiteto Martino Bassi, começaram no ano seguinte e foram concluídos em 1619, após a sua morte. A lentidão deveu-se não só à falta de financiamento, mas também à controvérsia em torno dos projetos e da reconstrução, para a qual contribuíram os arquitetos Rinaldi, Meda e Trezzi.

Visão do horizonte em direção ao sudoeste a partir do terraço da catedral, tendo em destaque, mais próximos, à direita, os dois edifícios do Palazzo dell'Arengario (1939-1956), com o pináculo do Duomo entre eles, sendo que o mais à esquerda abriga, desde 2010, o Museo del Novecento; atrás deles, o edifício do antigo Palazzo della Società Reale Mutua di Assicurazioni (final da década de 1930 e início de 1940), com a fachada principal voltada para a Via Dogana; à sua esquerda, na Piazza Armando Diaz, o prédio do Palazzo dell'Istituto Nazionale delle Assicurazioni (1933-1937); atrás deles, em destaque, a cúpula e uma das torres da Chiesa di Sant'Alessandro in Zebedia (1601-1658), na Piazza Sant'Alessandro; e, mais ao fundo, à direita dessa igreja, a cúpula da Basilica di San Lorenzo Maggiore (primeiras construções erguidas entre meados do século IV e o início do século V, cúpula reconstruída entre 1574-1619), no Corso di Porta Ticinese, 35. Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Visão mais ampla do horizonte em direção ao sudoeste a partir do terraço da catedral, tendo em destaque, mais próximos, à direita, os dois edifícios do Palazzo dell'Arengario; quase na mesma linha, à esquerda, a fachada do Palazzo Reale; atrás deles, o edifício do antigo Palazzo della Società Reale Mutua di Assicurazioni; à sua esquerda, o prédio do Palazzo dell'Istituto Nazionale delle Assicurazioni; atrás deles, em destaque, a cúpula e uma das torres da Chiesa di Sant'Alessandro in Zebedia; e, mais ao fundo, à direita dessa igreja, a cúpula da Basilica di San Lorenzo Maggiore. Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Após o passeio sobre o terraço da catedral, nos dirigimos ao Palazzo Reale, especificamente à entrada do Grande Museo del Duomo, abrigado na ala esquerda do referido palácio.

Fachada principal do Palazzo Reale; à esquerda, vê-se a ala leste do palácio, onde localiza-se a entrada do Museo del Duomo di Milano. Piazza del Duomo, 12, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Croce monumentale detta di Ariberto (Cruz monumental dita de Ariberto); datada de cerca de 1040, a obra foi encomendada a uma oficina milanesa pelo arcebispo Ariberto da Intimiano e doada à Chiesa di San Dionigi, que ele ampliou e equipou com um mosteiro beneditino: após a supressão deste último, a cruz chegou à catedral em 1870; símbolo milenar do cristianismo milanês, entre a era dos grandes senhores feudais e o período comunal, a obra, criada no contexto ambrosiano, é composta por uma cruz de madeira lobada não original e nove placas de cobre dourado dispostas sobre um suporte moderno; ao centro, encontra-se Cristo crucificado, representado em um momento de dor, com os olhos semicerrados, a boca franzida e a cabeça inclinada sobre o ombro direito; suas mãos, com os dedos estendidos, e os pés exibem feridas sangrentas; contudo, a ferida em seu lado está ausente. Sala n. 1 do Tesouro da Catedral, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

A capa do Evangelho conhecida como a de Ariberto, um dos mais importantes bispos italianos do século XI; encomendada por Ariberto, arcebispo de Milão entre 1018 e 1045 e descendente de uma antiga família lombarda originária de Intimiano, na Brianza, a obra, criada por oficinas milanesas, aproximadamente 1018-1026, foi usada pelo menos desde o final do século XVI como capa de um evangelizador, um livro litúrgico com passagens do Evangelho para serem lidas ao longo do ano durante a missa; o artefato é composto por duas conchas: a frontal feita de ouro, esmalte, pérolas naturais, vidro artificial, pedras preciosas, pasta de vidro e gemas, e a posterior feita de prata dourada; ambas as conchas estão montadas em placas retangulares de madeira, revestidas com tecido vermelho e com bordas em três lados, ao longo da espessura, revestidas com folha de ouro e prata. Sala n. 1 do Tesouro da Catedral, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Grupo de três estatuetas de cobre dourado, enfeitadas com cristais e pedras, representando Nossa Senhora com o Menino ladeado por dois anjos; possivelmente do final do século XIV ou início do século XV; foi provavelmente doado pelo papa Pio IV ao Tesouro da capela ducal de São Gotardo; de lá, passou para a Catedral. Sala n. 1 do Tesouro da Catedral, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
No espaço seguinte do museu, nos deparamos com uma grande maquete da catedral.
Realizada a partir de 1519, com base no projeto dos arquitetos Bernardino Zenale, de Treviglio, Cristoforo Solari e Gerolamo della Porta, ela foi acompanhando a evolução da construção da Catedral, sendo concluída em 1891.
Esculpida em madeira de tília, nogueira e pinho, com detalhes adicionais em abeto, a maquete tem sido usada durante séculos como um projeto preliminar, sendo uma ferramenta valiosa graças à sua expressão tridimensional. Inicialmente mantida no local da construção do Duomo, foi posteriormente desmontada, adaptada com duas naves laterais, pináculos, ameias e contrafortes, restaurada e remontada por Giuseppe Bellora em meados do século XIX.
A fachada, em particular, retoma o projeto neogótico não realizado de Giuseppe Brentano (1888), caracterizado entradas com três arcos ogivais encimados por elaboradas cúspides.

A maquete é uma reprodução do Duomo na escala de 1:22; sua criação foi confiada aos arquitetos Bernardino Zenale, de Treviglio, Cristoforo Solari e Gerolamo della Porta em 1519, e foi sendo ampliada e aprimorada ao longo de três séculos. Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Fachada da maquete baseada no projeto neogótico de Giuseppe Brentano (1888), não empregado na prática, com entradas com três arcos ogivais encimados por elaboradas cúspides. Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Têmpora sobre madeira representando "Madonna dell’Idea" (Nossa Senhora da Ideia ou da Luz), possivelmente do segundo quarto do século XV, atribuída a Michelino da Besozzo, pintor e miniaturista que foi protagonista do estilo gótico tardio lombardo entre o final do século XIV e as primeiras décadas do século seguinte; veem-se a Nossa Senhora no trono com o Menino e três anjos, segurando um véu. Sala n. 2 do Tesouro da Catedral, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Busto relicário de São Carlo Borromeo; o busto relicário de prata (prata banhada, repuxada e cinzelada, núcleo de madeira, gemas facetadas transparentes) foi feito entre 1604 e 1610 pelo ourives Pietro Francesco da Como; posteriormente, o ourives Pietro Rubini interveio na preciosa peça, restaurando significativamente seu pedestal e mitra (1777-1778). Sala n. 2 do Tesouro da Catedral, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Paz de Pio IV, fabricada em Milão entre 1560 e 1565, a pax foi doada pelo papa Pio IV ao seu sobrinho Carlo Borromeo, arcebispo de Milão, que por sua vez a doou à Catedral juntamente com outros artefatos preciosos; originalmente utilizado durante a missa para receber o beijo da paz do celebrante, dos outros oficiantes e dos fiéis, o objeto tem a forma de um relicário: a parte inferior do painel central abriga um relevo com a “Deposição de Cristo” no túmulo, decorado no centro com um camafeu representando Jonas emergindo das mandíbulas do monstro marinho (símbolo da Ressurreição); brilhando em ouro e no azul intenso do lápis-lazúli, que constituem seus principais materiais, a paz de Pio IV é um refinado objeto litúrgico. Sala n. 2 do Tesouro da Catedral, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Paz, feita por oficina milanesa no último quartel do século XVI (antes de 1595); confeccionada em prata dourada e cristal de rocha gravado com revestimento de folha de ouro; utilizada durante a missa para receber o beijo da paz do celebrante, dos demais oficiantes e dos fiéis; semelhante a uma edícula, ladeado por duas colunas coríntias caneladas que sustentam um frontão triangular, o sarcófago apresenta uma representação da "Pietà" ao centro, gravada no verso de uma pequena placa de cristal de rocha com sobreposição de folha de ouro; a Virgem, sentada na borda do sarcófago, segura o Cristo morto em seus joelhos entre dois anjos que carregam os instrumentos da Paixão, com a cruz delineada ao fundo. Sala n. 2 do Tesouro da Catedral, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Conjunto de estátuas: acima, à esquerda, São Marcos Evangelista, estátua em mármore de Candoglia, atribuída a escultor alemão, datada da primeira década do século XV; acima, ao centro, São João Evangelista, estátua em mármore de Candoglia atribuída ao escultor alemão (Munique) Walter Monich, datada de cerca de 1406; acima, à direita, São Lucas Evangelista, estátua em mármore de Candoglia de escultor da Renânia (atual Alemanha), datada da primeira década do século XV; embaixo, à esquerda, um Profeta, estátua em mármore de Candoglia de escultor ignorado, datada do primeiro quartel do século XV; embaixo, à direita, um Apóstolo, estátua em mármore de Candoglia de autoria de escultor alemão, datada provavelmente entre a última década do século XIV e a primeira do século XV, todos provenientes de capitéis dos pilares do Duomo. Sala n. 4 (época dos Visconti), Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Monumental cabeça do Pai Eterno (1416-1425), obra-prima da ourivesaria gótica lombarda, encomendada ao mestre Beltramino de Zutti em cobre prateado e dourado, decorava a pedra angular da abside da Catedral, ou seja, o elemento arquitetônico central localizado na interseção das abóbadas. Sala n. 4 (época dos Visconti), Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Gárgulas zoomórficas feitas em mármore de Candoglia entre o final do século XIV e o início do século XV por escultores desconhecidos que trabalharam na obra da Catedral; elementos funcionais para a coleta e drenagem da água da chuva, típicos da arquitetura gótica; originalmente estavam localizadas na área externa da Catedral. Sala n. 5, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Gárgulas zoomórficas feitas em mármore de Candoglia entre o final do século XIV e o início do século XV por escultores desconhecidos que trabalharam na obra da Catedral; elementos funcionais para a coleta e drenagem da água da chuva, típicos da arquitetura gótica; originalmente estavam localizadas na área externa da Catedral. Sala n. 5, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

A escultura em mármore de Candoglia representando Santa Luzia, atribuída ao Maestro del San Paolo eremita e datada de cerca de 1466 e 1470, foi retirada da parte externa da Catedral, mais especificamente de uma janela na fachada sul; uma jovem vestida com um vestido leve cuja bainha superior direita está levantada e sustentada pelo braço, caindo em uma longa dobra que termina em um formato encaracolado; a mão direita segura um pequeno prato com os olhos da santa, símbolo do martírio. Sala n. 7 (época dos Sforza), Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Estátua em mármore de Candoglia de escultor milanês representando Galeazzo Maria Sforza, duque de Milão, assassinado em 1476 por três jovens nobres movidos por ideais republicanos, data de cerca de 1480 e provém do exterior da Catedral, mais especificamente de uma grande janela na área da abside; Sala n. 7 (época dos Sforza), Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

A escultura de madeira entalhada, pintada e dourada, datada provavelmente de 1554 representando a "Bênção do Pai Eterno com Querubins", é atribuída ao escultor Giovanni Battista da Corbetta; encontrava-se no interior da Catedral, possivelmente fazendo parte da estrutura que outrora se erguia sobre o antigo Altar-Mor. Sala n. 9, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Painel de vitral "Casamento de Maria" datado de 1548, possivelmente proveniente da janela da sacristia capitular da Catedral; executado pelo mestre alemão Corrado de Mochis, um dos principais vidreiros da Catedral no século XVI, com base em esboço preparatório do pintor lombardo Giovanni da Lomazzo, conhecido como "Luini"; Maria, representada à esquerda, recebe o anel de José, que ocupa a parte direita da cena; ambos têm auréolas ao redor da cabeça; situada no interior de um templo com colunas em ambos os lados e um teto com vigas de madeira, a composição também ganha vida com a presença do sacerdote celebrante, entre os dois noivos, e com um grupo de quatro participantes do casamento (duas mulheres à esquerda e dois homens à direita). Sala n. 9, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Painéis de vitral: o da esquerda, o "Bom Ladrão"; barbudo e vestindo um tapa-sexo vermelho, está amarrado à cruz com cordas: em particular, suas pernas estão presas ao poste vertical e seus braços ao horizontal; cabeça e olhar estão voltados para cima para simbolizar a salvação que lhe foi concedida por Jesus; o da direita, o "Ladrão Mau"; barbudo e vestindo uma tanga vermelha, está amarrado à cruz com cordas: em particular, suas pernas estão presas ao poste vertical e seus braços ao horizontal; a cabeça baixa e o olhar fixo à frente, é representada de forma realista também através do claro-escuro; fundo de céu com nuvens escuras na parte superior, de onde emerge o diabo na forma de uma grande serpente, símbolo do mal; os painéis foram confeccionados entre as décadas de 1540 e 1550 e pertenciam ao vitral do “Novo Testamento”, que decorava uma das grandes janelas da abside da Catedral; atribuídos ao alemão Corrado de Mochis, de Colônia, um dos principais vidreiros do século XVI que trabalharam para a Catedral. Sala n. 9, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Na sala 9, encontramos vários painéis que compunham o vitral do “Antigo Testamento”, que decorava uma das grandes janelas da abside da Catedral; datados entre 1549 e 1557, são atribuídos ao mestre alemão Corrado de Mochis, de Colônia, um dos principais vidreiros da Catedral no século XVI, com base em esboços preparatórios do artista milanês Giuseppe Arcimboldi, com exceção do painel que representa Salomão; de cima para baixo e da esquerda para direita:
Vista da cidade de Betúlia: a obra retrata uma vista de Betúlia, cidade no centro da Palestina, onde a heroína Judite, uma jovem viúva de origem judaica, decapitou o general assírio Holofernes, perseguidor do povo de Israel; a cidade é representada cercada por muros e composta por dois níveis de edifícios do século XVI, distintos por cores diferentes; em primeiro plano, vê-se uma clareira com alguns arbustos à esquerda e uma árvore à direita, com um tronco muito esguio e folhagem volumosa;
Salomão em Oração: a obra retrata o episódio bíblico da oração dirigida a Deus por Salomão, rei de Israel, por ocasião da dedicação do Templo de Jerusalém; ambientada no interior do edifício, a cena mostra o profeta-rei ajoelhado em oração à direita; retratado de perfil, Salomão exibe uma barba curta e um bigode loiro, além de seu cabelo curto, sobre o qual repousa sua coroa; vestindo uma túnica azul com capuz e cinto vermelhos, o soberano reza diante de um altar decorado com uma cabeça de leão e alguns motivos ornamentais, sobre o qual repousa um candelabro de cinco braços;
Davi e Golias: a obra retrata a vitória de Davi, um jovem pastor e futuro rei do povo judeu, sobre o gigante filisteu Golias, a quem ele derrubou com uma funda e depois decapitou com a própria espada; a cena, ambientada em uma clareira na mata, mostra o cadáver do gigante em trajes militares em primeiro plano, enquanto Davi, vestido com uma túnica vermelha, está de pé sobre ele com a cabeça de Golias na mão esquerda e a espada na direita;
A Serpente de Bronze: criada pelo profeta Moisés para salvar o povo judeu dos répteis venenosos que Deus enviara como castigo, ela, no painel, encontra-se enrolada no topo do poste em forma de cruz, à direita da cena; dois homens, um de perfil e o outro deitado no chão em primeiro plano, contemplam fixamente a serpente de bronze, buscando cura para as mordidas dos répteis que os atacaram; ao lado deles, um companheiro sem vida em trajes militares, enquanto em primeiro plano se vê um enxame de serpentes entrelaçadas;
Torre de Babel: representa a construção da "Torre de Babel", uma estrutura erguida pelos habitantes da terra de Sinar para que seu topo alcançasse o céu; mas Deus, querendo punir seu orgulho, confundiu as línguas dos construtores, impedindo-os de se entenderem e, assim, de concluírem a torre; depois disso, eles se dispersaram por toda a terra;
Criação do Homem: representa a "criação do Homem" por Deus Pai: Este, retratado ao fundo, veste uma túnica vermelha e um manto azul; Sua cabeça, com cabelos espessos e encaracolados como a barba, é rodeada por uma auréola radiante; Deus é retratado no ato de dar vida ao primeiro homem, Adão: este, nu, aparece meio reclinado à direita, em primeiro plano, com o rosto de perfil; Deus apoia a nuca dele com a mão esquerda, enquanto com a direita faz um gesto de bênção;
Criação dos animais: representa a "criação dos animais" por Deus Pai; Ele, retratado em close-up e de perfil, veste uma túnica vermelha e um manto azul; este último está em sua mão esquerda, enquanto a mão direita faz um gesto de bênção; Sua cabeça, com cabelos brancos e espessos, tão encaracolados quanto sua barba, é rodeada por uma auréola radiante; a cena se passa em uma clareira com árvores, arbustos e um corpo d'água, povoado por diversos animais que cercam Deus: peixes, pássaros, ovelhas, uma vaca, um cachorro, um cavalo, um leão, etc; e
Criação do firmamento: representa a "criação do firmamento" por Deus Pai: suspenso no céu estrelado, Ele é retratado à esquerda da composição, de perfil, vestido com uma túnica vermelha e um manto azul. Este último é segurado em sua mão esquerda, enquanto a direita faz um gesto de bênção. Sua cabeça, com cabelos brancos e espessos, tão encaracolados quanto sua barba, é rodeada por uma auréola radiante. Em frente a Deus ergue-se um semiarco com os símbolos das constelações de Leão a Aquário, juntamente com nuvens entre as quais aparecem duas personificações dos ventos na forma de cabeças de putti com a intenção de soprar. A cena é completada acima pela lua, à esquerda, e pelo sol, à direita.

Painéis de vitral, de cima para baixo e da esquerda para direita: 1) Vista da cidade de Betúlia; 2) Salomão em oração; 3) Davi e Golias; 4) A Serpente de Bronze; 5) Torre de Babel; 6) Criação do Homem; 7) Criação dos animais; 8) Criação do firmamento; os painéis, datados entre 1549 e 1557, pertenciam ao vitral do “Antigo Testamento”, que decorava uma das grandes janelas da abside da Catedral; atribuídos ao mestre alemão Corrado de Mochis, de Colônia, um dos principais vidreiros da Catedral no século XVI, com base em esboços preparatórios do artista milanês Giuseppe Arcimboldi, com exceção do que representa Salomão. Sala n. 9, Museo del Duomo di Milano, Palazzo Reale, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
No próximo post, seguimos visitando o complexo Palazzo Reale-Museo del Duomo, inclusive a Chiesa di San Gottardo in Corte.
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