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Milão - Parte VI - Região da Lombardia - Norte da Itália - 2023

  • Foto do escritor: Roberto Caldas
    Roberto Caldas
  • 24 de jan.
  • 16 min de leitura

Fachada principal da Basilica di San Babila, igreja construída no final do século XI, mas a fachada atual, em estilo neorromântico, foi concluída em 1906; na frente da igreja, na Piazza di San Babila, encontra-se a Colonna del Leone. Corso Monforte, 1, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.



Milão - Parte VI


Ao sairmos do Museo del Duomo, no Palazzo Reale, fomos flanar pelo Corso Vittorio Emanuele II e seu entorno, que se inicia na parte nordeste da Piazza del Duomo, unindo-a com a Piazza San Babila; uma das vias mais importantes de Milão, hoje exclusiva para pedestres, abriga muitos escritórios e lojas, particularmente de venda de vestuários; também possui muitos edifícios icônicos de Milão, principalmente os erguidos no século XX, englobando vários estilos arquitetônicos predominantes nas várias décadas do referido século.




À esquerda, o Palazzo dei Magazzini Bonomi, erguido entre 1902 e 1906 (ou 1907), pelo engenheiro Angelo Bonomi, no estilo Liberty de Milão (influências do Art Nouveau floral francês, do Jugendstil alemão e do ecletismo); as grandes janelas foram possíveis graças ao uso de uma estrutura de suporte de carga em ferro fundido aparente; esse material, além de sua função estrutural, também servia a um propósito decorativo, tanto nas colunas quanto nas varandas densamente ornamentadas, típicas do estilo Art Nouveau; à direita, o Edificio Beni Immobili, projetado pelos arquitetos italianos Giovanni Muzio e Lorenzo Muzio, pai e filho, respectivamente, e construído entre 1963 e 1965, com emprego, na fachada, de cobre, bronze e outros elementos metálicos; uma estrutura nitidamente moderna, revestida com elementos de cobre, moldados com considerável atenção aos detalhes, que cobrem a estrutura de concreto armado e vigas de aço. Corso Vittorio Emanuele II, 8 - Via privata della Passarella, 4, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Edificio Piazza del Liberty 2; abriga escritórios e lojas de moda italiana renomadas; o edifício possui cinco andares acima do solo, além de um terraço; entre o térreo e o primeiro andar, há um mezanino com acesso direto ao nível do solo; adicionalmente, o edifício se estende por três níveis abaixo do nível do solo. Corso Vittorio Emanuele II-Piazza del Liberty, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




O então novo edifício da Fondiaria Assicurazioni (à esquerda) e a nova Galleria De Cristoforis (ao lado, no centro, onde se vê um balcão no primeiro andar), erguidos a partir de 1954 e concluídos em 1956, projetos dos arquitetos Ermenegildo Soncini, Eugenio Soncini e Pier Luigi Nervi. Corso Vittorio Emanuele II, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Nos desviamos um pouco do curso do Corso Vittorio Emanuele II, atravessamos a Galleria del Corso e nos detivemos na circular Piazza Cesare Beccaria, onde encontra-se o Monumento a Cesare Beccaria.


O monumento de bronze a Cesare Beccaria celebra o jurista iluminista milanês e pioneiro na luta pela abolição da pena de morte; o pedestal do monumento, cuja estátua foi realizada, por volta de 1870, pelo escultor Giuseppe Grandi e instalada em 1871, apresenta dois baixos-relevos alegóricos e placas comemorativas; a estátua, originalmente feita de mármore, foi substituída em razão da sua deterioração, por uma cópia em bronze realizada por S. Ghiron, em 1913 (ou 1914), enquanto a original encontra-se hoje preservada no Palácio da Justiça; o monumento é um símbolo do compromisso com a justiça e os direitos humanos.


Em 1764, Beccaria escreveu o livro "Dos Delitos e das Penas", um clássico do Direito ocidental, onde, influenciado pelas ideias dos filósofos Montesquieu, Diderot, Rousseau e Buffon, se colocava contra a tradição jurídica e invocava a razão e o sentimento; atacava a violência e a arbitrariedade da justiça, posicionava-se contra a pena de morte, defendendo a proporcionalidade entre a prisão e o crime.


Sua obra inspirou reformas jurídicas, entre elas, a abolição da tortura e da pena capital em diversos países; foi consagrado por suas ideias, tendo a aprovação de grandes nomes como Voltaire e Hume; sua obra é usada até hoje para uma compreensão da história do Direito.


Na Itália, a abolição da pena de morte foi aprovada em 1865, precisamente no centenário da publicação, na península italiana, da famosa obra "Dos Delitos e das Penas".




O Monumento a Cesare Beccaria, obra de Giuseppe Grandi, inaugurado em 19 de março de 1871; a estátua original, feita em mármore, foi substituída em 1913 ou 1914, por uma cópia de bronze, realizada por S. Ghiron. Piazza Cesare Beccaria, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Estátua de bronze do célebre jurista milanês Cesare Beccaria, feita por S. Ghiron, cópia da original, de mármore, obra de Giuseppe Grandi, que foi substituída em 1913 ou 1914 devido à deterioração da pedra. Piazza Cesare Beccaria, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Placa inserta no pedestal do Monumento a Cesare Beccaria reproduzindo trecho de seu célebre livro "Dos Delitos e das Penas", com primeira edição em 1764: "... se eu puder demonstrar que a pena de morte não é útil nem necessária, terei vencido a causa da humanidade" (tradução livre do italiano). Piazza Cesare Beccaria, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Ao voltarmos para o Corso Vittorio Emanuele II, divisamos, ainda na Piazza Cesara Beccaria, a monumental fachada da Galleria del Corso.


A galeria foi projetada como uma ligação coberta entre o Corso Vittorio Emanuele II e a Piazza Cesare Beccaria, com um octógono central e um ramal curvo em direção à Via Cesare Beccaria, no segundo quarto do século XX, projeto dos arquitetos Mario Beretta, Ugo Patetta, Livio Cossutti, Eugenio Faludi e Pier Giulio Magistretti.




Fachada da Galleria del Corso voltada para Piazza Cesare Beccaria, projeto do arquiteto italiano Pier Giulio Magistretti, por volta de 1930, no contexto do movimento artístico italiano "Novecento". Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Interior da Galleria del Corso, precisamente no octógono central, vendo-se, ao fundo, o Corso Vittorio Emanuele II, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Continuando nosso passeio no Corso Vittorio Emanuele II, já chegando na Piazza San Babila, nos deparamos com o icônico edifício Palazzo del Toro, construído entre 1935 e1939.


O volume imponente e a linguagem monumental de um dos edifícios mais conhecidos do arquiteto italiano Emilio Lancia, também o tornam um elemento decisivo na formação da imagem da Piazza San Babila, expressa por meio da referência direta à arquitetura clássica que se repete em todas as obras do arquiteto, membro do "círculo de Sant'Orsola" juntamente com Giuseppe de Finetti, Mino Fiocchi, Giovanni Muzio e Gio Ponti (a intenção de recuperar a língua de sua própria tradição nacional, reinterpretada, atualizada e purificada de qualquer espírito arqueológico), ainda dentro do contexto do movimento artístico italiano "Novecento".


O edifício, construído em colaboração com o engenheiro Raffaele Merendi no local da demolida Galleria De Cristoforis, consiste em um bloco perimetral para o setor terciário, em frente ao Corso Giacomo Matteotti e curvando-se em direção ao Corso Vittorio Emanuele II, e uma segunda torre residencial, construída no pátio.


Na fachada voltada para a Piazza San Babila, há um alto-relevo de Gigi Supino, representando as Alegorias do Trabalho e da Assistência.




Fachada do Palazzo del Toro voltada para a Piazza San Babila, obra do arquiteto Emilio Lancia e do engenheiro Raffaele Merendi, erguida entre 1935-1939, com elementos dos estilos monumentalista e eclético, então predominantes;  à direita, alto-relevo feito pelo escultor genovês Gigi Supino, representando as Alegorias do Trabalho e da Assistência. Corso Matteotti, 18-22, Piazza San Babila, 1-3, Corso Vittorio Emanuele II, 37, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Na mesma praça, temos ainda o Centro San Babila, abrangendo o Corso Vittorio Emanuele II e a nova rua agora conhecida como Corso Europa. Esta foi a primeira seção da chamada "Racchetta", a via expressa de alta velocidade que, segundo o plano diretor, deveria direcionar o tráfego para o centro da cidade, facilitando a mobilidade dos veículos. O edifício, projetado por Luigi Mattioni entre 1954 e 1957, confirmando o layout volumétrico previsto no Plano Diretor Municipal, ocupa todo o terreno disponível, de formato aproximadamente triangular, com seu vértice norte voltado para a Piazza San Babila.


A estrutura do edifício é compacta, inteiramente revestida de mármore, com uma densa sequência de aberturas regulares nas três fachadas, destacada por uma inteligente separação material e volumétrica. Ao nível do solo, confirma-se o caminho com pórtico que percorre o Corso Vittorio Emanuele II, virando em direção ao Corso Europa: uma "passagem" comercial - a atual Galleria Passarella. Para enobrecer a frente voltada à Piazza San Babila, uma escultura em baixo-relevo do artista Romano Rui foi ali instalada, por sugestão de Mattioni.




Piazza San Babila e o Centro San Babila ou Edificio Galleria Passarella; erguido entre 1954 e 1957 com base em um projeto de Luigi Mattioni; no canto inferior-esquerdo da fachada do Centro San Babila voltada à praça, quase chegando na inflexão com o Corso Vittorio Emanuele II, encontra-se o painel decorativo em baixo-relevo do artista Romano Rui: a escultura é feita de bronze (revestida de alumínio) e representa a entrada de São Carlo Borromeo a cavalo em Milão, recebido pelos milaneses e pelo clero. Galleria Passarella, 1. Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Ainda no entorno da Piazza San Babila, encontra-se a Basilica di San Babila.


Acolhendo o programa do Bispo Eustorgio, Ambrósio, no século IV, planejou estabelecer santuários perto dos oito portões, criando assim um octógono sagrado que transformaria Milão em uma cidade celestial. Dessa forma, teria construído a grande Basilica Prophetarum, no nordeste da cidade, perto do cemitério próximo à Posterla di Monforte, sobre uma basílica paleocristã anterior, Concilium Sanctorum, (identificada também como Chiesa di San Romano) assim chamada por ter sido um local de encontro dos primeiros cristãos de Milão, incluindo São Barnabé, que celebrou ali sua primeira missa. Esta, por sua vez, havia sido construída sobre um templo pagão dedicado ao Sol.


Após Ambrósio, conta-se, não se sabe se história verdadeira ou lenda, que o bispo Marolo dotou-a com as relíquias do bispo de Antioquia, Babila, já martirizado em 250 d.C., e do mártir Romano, mas foi somente com o bispo Lourenço (489-512), após as invasões bárbaras e o incêndio devastador da igreja, que se tentou uma verdadeira revitalização.


Mas estudos mais recentes apontam que a Basilica di San Babila e a di San Romano, ambas intimamente ligadas entre si e identificadas com o sítio Concilium Santorum, foram na realidade construídas em períodos diferentes: a mais antiga, San Romano, nos séculos VII-VIII, e a mais recente, San Babila, não antes de 1096, provavelmente no estilo românico.


Baseada num projeto de Aurelio Trezzi, a construção de uma nova fachada, nas formas clássicas “alla romana”, começou em 1601.


Entre 1883 e 1907, foram realizadas extensas reformas, tanto internas (remoção de acréscimos decorativos do século XVIII para revelar os capitéis e elementos românicos, introdução de mobiliário pseudo-antigo, construção de novas absides) quanto externas, com a criação de uma nova fachada neorromânica em 1883, projetada por Paolo Cesa Bianchi e concluída por Cesare Nava, em 1906, que substituiu a fachada do século XVII.


A torre sineira do século XIX (1820), no lado esquerdo, foi transformada em uma torre de estilo românico por Bruni em 1926.


Na frente da igreja, encontra-se a Colonna del Leone (Coluna do Leão).


É um monumento histórico de origem incerta, possivelmente datando do final da Idade Média. Originalmente símbolo da Porta Oriental, a coluna foi reconstruída em mármore em 1629 pelo Conde Carlo Serbelloni, com base em um projeto de Giuseppe Robecco, após uma intervenção anterior em 1549. A estátua do leão, que talvez tenha sido feita de ferro e roubada dos venezianos, domina a praça e está ligada a lendas de vitórias milanesas. Danificada durante a Segunda Guerra Mundial, foi restaurada em 1986 e ligeiramente deslocada durante a construção do metrô em 1969.




Fachada principal da Basilica di San Babila, igreja construída no final do século XI; a fachada atual, em estilo neorromântico, foi concluída em 1906, com base no projeto do arquiteto Paolo Cesa Bianchi e executada pelo engenheiro Cesare Nava; o atual campanário, à esquerda, também em estilo neorromântico, foi terminado em 1926, projeto de Bruni; na frente da igreja, na Piazza di San Babila, encontra-se a Colonna del Leone. Corso Monforte, 1, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Luneta sobre a porta central da Basilica di San Babila, com a representação, em mosaico, do Cristo Pantocrator, segurando o Evangelho com a mão esquerda e abençoando com a mão direita, sobre um fundo dourado; nas páginas abertas do livro, as últimas letras do alfabeto grego, alfa e ômega, no sentido em que foi colocado no Apocalipse 22:13: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim"; sobre o conjunto, num arco de cor verde, escrito em latim, a frase: "Cristo, ontem e hoje, o mesmo e para sempre" (tradução livre do latim); abaixo da luneta, o dintel da porta central, no qual estão esculpidos em baixo-relevo as criaturas que simbolizam os quatro evangelistas - o touro (São Lucas); a águia (São João); o homem (São Mateus); e o leão (São Marcos) - tendo ao centro o Cordeiro de Deus (representando Cristo). Corso Monforte, 1, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Na sequência, nos deslocamos pelo Corso Venezia, via onde podem ser vistos belos edifícios históricos da cidade.


No curso da via, nos deparamos com mais um edifício no estilo Liberty de Milão (influências do Art Nouveau floral francês, do Jugendstil alemão e do ecletismo), a Casa Barelli.


O edifício foi construído em 1907 de acordo com o projeto do arquiteto Cesare Mazzocchi.


Em 2023, o famoso tenista italiano Jannik Sinner (que oscila entre os primeiros lugares do ranking da ATP) comprou vários apartamentos no edifício.




Casa Barelli, erguida em 1907, no estilo Liberty, com base no projeto do arquiteto Cesare Mazzocchi, local onde fica uma das lojas da empresa de moda Dolce & Gabbana; a fachada, caracterizada pela assimetria, apresenta elegantes decorações Art Nouveau, com destaque para os elementos de ferro fundido, predominante nos dois primeiros andares, criando uma nítida linha horizontal, mas também presente nos pilares das janelas do segundo e terceiro andares, bem como nas balaustradas das diversas varandas. Corso Venezia, 7, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Um belo prédio que aloja uma das lojas da empresa de moda Dolce & Gabbana na esquina da Via della Spiga com o Corso Venezia, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Mais à frente, ainda no Corso Venezia, nos deslumbramos com a sede do Museo di Storia Naturale di Milano.


É o museu cívico mais antigo de Milão e atualmente é o centro do Jardim da Ciência, que inclui dois grandes laboratórios educativos — o Paleolab e o Biolab — e o Planetário Cívico Ulrico Hoepli. Fundado em 1838 com a doação das coleções de história natural de Giuseppe De Cristoforis e Giorgio Jan, foi o primeiro museu de arquitetura italiana, construído entre 1892 e 1907 segundo um projeto do arquiteto Giovanni Ceruti e inspirado nos grandes museus de história natural europeus da segunda metade do século XIX.




Fachada principal da sede do Museo di Storia Naturale di Milano, erguido de 1892 a 1907, estilo neogótico, tendo se inspirado no British Museum Natural History (Museu de História Natural Britânico), em Londres. Corso Venezia, 55, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Agora, estamos em outro ponto da cidade, a Piazza della Repubblica, uma das maiores da cidade, onde encontramos o Monumento in Memoria dei Martiri delle Foibe.


Os Massacres de Foibe (caverna), iniciados em 1943, foram execuções em massa, muitas vezes utilizando cavernas naturais localmente chamadas de foibe, que faziam parte do Terror Vermelho do regime comunista de Josip Tito para se livrar das minorias de língua italiana da Dalmácia, do Quarnaro e da Ístria (ver o post Lago di Garda - Gardone Riviera e Il Vittoriale degli Italiani), regiões que compunham a antiga Iugoslávia; de acordo com declarações oficiais, ocorreram "para vingar os massacres fascistas" durante a ocupação italiana.


Essas populações de língua italiana eram resultado da ocupação de parte dessas áreas pela República de Veneza por muitos séculos; depois, com a derrota de Veneza pela tropas francesas comandadas por Napoleão, no final do século XVIII, essas regiões, por volta de 1815, foram para o controle do Império Austríaco e, na sequência, Austro-Húngaro, que era multirracial, e, após o final da I Guerra Mundial, passaram a compor o Reino da Iugoslávia; em abril de 1941, o país foi ocupado e dividido pelas potências do Eixo; na ocasião, houve excessos praticados pelos integrantes das tropas alemãs e italianas, gerando o desejo de vingança entre os eslavos, que eram a maioria da população local.


Com o desmantelamento do Exército Italiano do regime fascista, a maioria dos soldados que se encontrava na Iugoslávia se retirou, e a vingança caiu, infelizmente, sobre os civis de língua italiana.


Os massacres foram perpetrados pelos partisans (guerrilheiros que lutaram contra as tropas do Eixo que ocupavam seus territórios) comunistas de Tito, a vanguarda da violência da sua facção política, que agora estava pronta para explodir contra os oponentes políticos; alguns habitantes de língua italiana foram jogados, mortos ou vivos, nas cavernas; mas a maioria foi exterminada nos campos de concentração iugoslavos; há relatos de que mulheres grávidas morreram, depois de serem esquartejadas com facas; bebês de poucos meses foram arrancados dos braços de suas mães; idosos que mancavam, padres que ajudavam órfãos e civis indefesos também foram executados ou perderam tudo que tinham.


Cerca de 350.000 cidadãos de nacionalidade ou de língua italiana que residiam em algumas regiões da Iugoslávia foram obrigados, entre 1943 e 1954, a emigrar para a Itália; esses cidadãos, muitas vezes, não foram bem recebidos na nova terra, pois eram vistos como simpatizantes ou apoiadores do derrotado regime fascista de Mussolini.




Monumento in Memoria dei Martiri delle Foibe, inaugurado em 10 de outubro de 2020, obra do artista Piero Tarticchio, nascido em Gallesano, a poucos quilômetros de Pula (região de Ístria, hoje pertencente à Croácia), e muito conhecido na comunidade istrio-dálmata pela tragédia que levou sete membros de sua família a morrerem no foibe; a estrutura é composta por dois blocos de pedra colocados um sobre o outro, com uma altura total de 4 metros, e representa um homem despido no fundo de uma caverna, uma imagem simbólica do sofrimento e do martírio de milhares de vítimas dos trágicos eventos ocorridos entre 1943 e 1954; no seu lado esquerdo, vê-se a seguinte inscrição: “À perene memória dos mártires das Foibe, dos desaparecidos sem retorno e dos 350.000 exilados da Veneza Júlia, da Ístria, de Fiume e da Dalmácia. 1943-1954. Gorizia – Triste – Fiume – Ístria – Dalmácia” (tradução livre do italiano). No jardim com vista para a Via Panfilo Castaldi, na Piazza della Repubblica, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Partindo da Piazza della Repubblica, caminhamos pela Via Filippo Turati, até nos depararmos com a Ca'Brutta (Casa Feia, no dialeto milanês), uma das obras-primas do modernismo (racionalismo) italiano.


O arquiteto Giovanni Muzio, um dos expoentes do movimento artístico Novecento, entre 1919 e 1922, projetou e supervisionou a construção de um dos edifícios mais emblemáticos de Milão, em colaboração com o engenheiro Pier Fausto Barelli e o arquiteto Vittorino Colonnese; erguido no cruzamento da Via della Moscova com a Via Filippo Turati (na época, Via Principe Umberto), o edifício residencial era composto por apartamentos destinados à abastada classe média da cidade; após sua conclusão, foi alvo de críticas não só por parte de profissionais da área, mas também da população milanesa: por isso, ainda hoje é conhecido como Ca’Brutta, alcunha proveniente do dialeto milanês que significa literalmente “casa feia”.


Ca’Brutta é hoje considerada o primeiro manifesto material do grupo de arquitetura Novecento, formado por Muzio e outros profissionais como Alpago Novello e Gio Ponti, e promovido por Margherita Sarfatti, jornalista de origem judia, crítica de arte, mecenas e uma das amantes de Benito Mussolini, podendo-se dizer que foi uma das formuladoras do fascismo, até seu rompimento com o movimento, após o início das hostilidades do regime aos judeus.


No edifício de Muzio, o historicismo arquitetônico — especialmente o estilo Liberty tardio tão comum em Milão — foi definitivamente abandonado em favor de um gosto mais moderno.


Consiste o prédio em dois corpos, quebrados por uma rua privada - Via Cesare Mangili -, que aumenta as vistas internas e conecta o enorme edifício ao contexto urbano.


A estrutura de concreto armado apresenta-se externamente como uma reinterpretação de um edifício renascentista, com sua fachada tripartida e uma entrada lateral em arco triunfal, ambas decoradas assimetricamente com motivos geométricos.


O edifício foi, na verdade, uma inovação incrível na área, pois representava uma interpretação moderna da arquitetura clássica italiana. Apresentava na época, também, modernidade estrutural e decorativa em seus equipamentos, com características inovadoras como elevadores, sistema de aquecimento, água quente, eletricidade e garagens subterrâneas.




Fachada da Ca'Brutta voltada para a Via della Moscova, edifício estilo racionalista do arquiteto Giovanni Muzio, integrante do movimento artístico Novecento, erguido entre entre 1919 e 1922. Vie della Moscova, 12-14, Andrea Appiani, 2, Cesare Mangili, 1-6, Bonaventura Cavalieri, 1, 1A, 3, Filippo Turati, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Fachada da Ca'Brutta na confluência da Via della Moscova com a Via Filippo Turati; pode-se observar a fachada tripartida decorada assimetricamente com motivos geométricos. Vie della Moscova, 12-14, Andrea Appiani, 2, Cesare Mangili, 1-6, Bonaventura Cavalieri, 1, 1A, 3, Filippo Turati, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




A fachada de um dos corpos da Ca'Brutta voltada para a Via Andrea Appiani; a fachada é dividida em três faixas horizontais das quais a mais baixa é formada por pedras de travertino, a segunda é caracterizada por reboco cinza aplicado em "estilo francês" e a terceira, no topo, é coberta com mármores branco, rosa e preto. Vie della Moscova, 12-14, Andrea Appiani, 2, Cesare Mangili, 1-6, Bonaventura Cavalieri, 1, 1A, 3, Filippo Turati, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Vista dos dois corpos da Ca'Brutta a partir da Via Andrea Appiani; entre os dois corpos, a privada Via Cesare Mangili. Vie della Moscova, 12-14, Andrea Appiani, 2, Cesare Mangili, 1-6, Bonaventura Cavalieri, 1, 1A, 3, Filippo Turati, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Vista do Arco Triunfal, entrada da Via privata Cesare Mangili, entre os dois corpos da Ca'Brutta, a partir da Via Filippo Turati. Vie della Moscova, 12-14, Andrea Appiani, 2, Cesare Mangili, 1-6, Bonaventura Cavalieri, 1, 1A, 3, Filippo Turati, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Ao lado da Ca'Brutta, podemos apreciar o elegante edifício estilo Art Nouveau, localizado no Largo Guido Donegani, cujo térreo é ocupado por uma das lojas da fabricante americana de pianos Steinway & Sons.


Marca de pianos artesanais famosa entre pianistas de concerto, músicos e entusiastas desde 1853.




Elegante edifício Art Nouveau, rodeado por cinco janelas em arco, que abriga no térreo, a loja principal da Steinway & Sons em Milão. Largo Guido Donegani, 3, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  


No próximo post, vamos visitar, além de outras atrações de Milão, o Castello Sforzesco.



Fontes:


Wikipedia;


Guide: Fabuleuse Italie du Nord: Rome, Florence, Venise, pesquisa e redação de Louise Gaboury, direção de Claude Morneau, versão eletrônica, 2019, Guides de Voyage Ulysse, Québec, Canada.

















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