Milão - Parte V - Região da Lombardia - Norte da Itália - 2023
- Roberto Caldas

- 19 de jan.
- 16 min de leitura

Campanário (torre sineira) da Chiesa di San Gottardo in Corte, obra de Francesco Pecorari, realizada entre 1330 e 1336. Via Francesco Pecorari, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Milão - Parte V
Interrompemos nossa visita ao Museo del Duomo, instalado no Palazzo Reale di Milano, para ingressar no pátio que liga este a Chiesa di San Gottardo in Corte.
No referido pátio, nos deparamos com uma cópia em tamanho real da famosa estátua Madonnina.
A Madonnina da Catedral de Milão foi colocada no topo da torre principal da catedral no final de dezembro de 1774. Com 4,16 metros de altura e pesando 964 kg, suas placas de cobre e estrutura de aço de 564,80 kg — sustentada por uma nuvem de quatro querubins —, a estátua da Madonnina é o maior presente que a Veneranda Fabbrica ofereceu a Milão em séculos.
Sua proteção se estende a todos que encontram alegria em vê-la: todos voltam seu olhar e seus pensamentos para ela. Aqueles que vêm a Milão se maravilham com sua luz; aqueles que partem a levam consigo para sempre.
O desejo de poder se aproximar da Madonnina sempre foi forte e sincero: por isso, em 2015, a Veneranda Fabbrica encomendou à Fonderia Nolana Del Giudice a criação de uma réplica absolutamente fiel à original, em escala 1:1, para permitir que os fiéis e visitantes do Conjunto Monumental se aproximassem e contemplassem mais de perto uma obra tão especial.
Para compartilhar a emoção de admirar esta extraordinária réplica, que atraiu milhões de pessoas no pavilhão da Fabbrica del Duomo na Expo Milano 2015, depois no Palazzo Lombardia e dentro da Catedral, a obra foi instalada no pátio que conduz os visitantes do Museu do Duomo à Chiesa di San Gottardo in Corte.

Cópia em escala 1:1 da Madonnina del Duomo di Milano, executada pela Fonderia Nolana Del Giudice; obra criada para a Veneranda Fabbrica del Duomo di Milano utilizando a técnica de fundição por cera perdida a partir de um modelo 3D; bronze dourado com folha de ouro 24k, 2015. Pátio que liga o Museo del Duomo, no Palazzo Reale, à Chiesa di San Gottardo in Corte, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Em seguida, nos dirigimos ao interior da Chiesa di San Gottardo in Corte.
A igreja foi construída entre 1330 e 1336 por ordem de Azzone Visconti, senhor de Milão.
Inicialmente dedicada à Virgem Maria, foi posteriormente dedicada a São Gotardo, o santo padroeiro dos que sofrem de gota, doença que afligia o próprio Azzone.
O topônimo in Corte refere-se às suas origens como uma igreja palatina (palaciana), intimamente ligada à sede do Palazzo Ducale, agora Reale.
O edifício, com uma única nave e uma abside semioctogonal - em terracota, assentada sobre um paralelepípedo de pedra - é uma obra-prima do gótico lombardo, criada por Francesco Pecorari, de Cremona.
Era chamada de "Torre delle Ore" (Torre das Horas) porque abrigava o relógio, um dos mais antigos de Milão, símbolo de todo o bairro, precisamente "delle Ore" (das Horas).
O interior preserva uma "Crucificação", um importante fragmento de um afresco da escola de Giotto, e o monumento funerário de Azzone Visconti, uma obra do século XIV do escultor Giovanni di Balduccio, de Pisa.

Nave única da Chiesa di San Gottardo in Corte, concluída em 1336, mas amplamente reformada e modificada; todo o edifício passou por reformas consideráveis que deram à igreja sua atual aparência neoclássica, durante a reorganização geral do Palazzo Reale, encomendada pelo Governo Austríaco e realizada por Giuseppe Piermarini. Via Francesco Pecorari, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Ao lado esquerdo do altar, pode-se admirar o monumento funerário de Azzone Visconti, uma obra em mármore de Giovanni di Balduccio criada entre 1340 e 1344.
O sarcófago retrata Azzone deitado, e abaixo estão esculpidas as imagens de dez cidades sujeitas ao senhorio dos Visconti.
Na cena central, dois anjos envolvem Santo Ambrósio em um manto, e ao centro podem ser reconhecidas duas figuras: Azzone Visconti e o Imperador Luís da Baviera no ato de conferir-lhe a dignidade de vigário imperial.

Monumento funerário de Azzone Visconti, obra de Giovanni di Balduccio e assistentes, feita por volta de 1340 e 1344. Parede esquerda do presbitério. Chiesa di San Gottardo in Corte, Via Francesco Pecorari, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Monumento funerário de Azzone Visconti; sobre o tampo, uma escultura representando Azzone deitado; abaixo, vê-se ao centro, Santo Ambrósio, ladeado por dois anjos, que o envolvem com um manto; abaixo desse conjunto, Azzone, à esquerda, recebendo a dignidade de vigário imperial do imperador Luís IV da Baviera, do Sacro Império Romano-Germânico, à direita; nas duas laterais do conjunto central, representação de dez cidades sujeitas ao senhorio dos Visconti. Chiesa di San Gottardo in Corte, Via Francesco Pecorari, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Sob a tribuna, em um nicho, pode-se ver a obra Madonna dei Dispersi (Madona dos Desaparecidos) de Romano Rui, da segunda metade do século XX; em cobre banhado a prata, a obra é dedicada aos soldados que caíram na campanha russa, durante a II Guerra Mundial, e aos de todas as guerras.

Madonna dei Dispersi (Madona dos Desaparecidos) de Romano Rui, da segunda metade do século XX; dedicada aos soldados que caíram na campanha russa, durante a II Guerra Mundial, e aos de todas as guerras. Chiesa di San Gottardo in Corte, Via Francesco Pecorari, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Na parede da contrafachada encontra-se um afresco, conhecido como "Crucificação", atribuído ao pintor conhecido como Maestro di San Gottardo in Corte, inspirado na obra do famoso pintor medieval, precursor do Renascimento, Giotto di Bondone; foi descoberto em 1926, no exterior da igreja, na base do campanário, e, em 1953, foi removido e transferido para tela, onde pode ser admirado atualmente.

Detalhe do afresco "Crucificação", confecionado por volta de 1340, atribuído ao Mestre de San Gottardo in Corte, estilo Giotto; da obra severamente deteriorada, a seção inferior permanece visível, onde, entre os três crucifixos, uma composição complexa com figuras dispostas em múltiplos níveis se desdobra de forma fragmentada; a restauração mais recente, realizada por Anna Lucchini, trouxe à luz novos detalhes após a limpeza e o preenchimento das lacunas: reaparece a figura sentada sob o crucifixo, talvez identificada como um profeta; a figura central da cena do corte da túnica (que era utilizada por Cristo), no grupo de soldados e sacerdotes, à direita; e a figura coroada à esquerda, provavelmente Davi ou Salomão; o Mestre de San Gottardo, ativo por volta de 1340 na Capela Palatina, utiliza uma linguagem atualizada para a cultura figurativa toscana da época; o artista demonstra sua influência de Giotto, que foi chamado por Azzone Visconti, fundador de San Gottardo, para trabalhar na "antiga corte" (atual Palazzo Reale) entre 1335 e 1336. Chiesa di San Gottardo in Corte, Via Francesco Pecorari, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Voltamos ao Museo del Duomo, nas instalações do Palazzo Reale, ingressando na Sala n. 10, da época Borromeana.
Uma verdadeira obra-prima do mestre veneziano Jacopo Robusti, conhecido como Tintoretto, e de todo o maneirismo italiano, a pintura a óleo sobre tela "Disputa di Gesù fra i dottori del tempio" (Disputa de Jesus com os doutores do templo) é uma das obras mais importantes entre as expostas no Museu. A obra pode ter sido encomendada a Tintoretto pelo cardeal milanês Filippo Archinto, núncio papal na República de Veneza antes de se tornar arcebispo da cidade ambrosiana em 1556.

Pintura "Disputa di Gesù fra i dottori del tempio" (Disputa de Jesus com os doutores do templo), óleo sobre tela, realizada por volta de 1540-1543, de autoria de Jacopo Robusti, conhecido como Tintoretto; a pintura retrata o episódio do Evangelho segundo o qual Jesus, aos doze anos, visitando Jerusalém com seus pais, permanece no templo sem que eles saibam, questionando os doutores da Lei sobre questões teológicas e desconcertando-os com sua inteligência; situada num amplo espaço delimitado por colunas em perspectiva, a cena tem como ponto focal o jovem Jesus, retratado ao centro, ao fundo: sentado numa cadeira dourada, adornada com três esculturas e colocada no topo de uma escadaria, ele é capturado no ato de dialogar com os doutores da Lei; estes últimos ocupam grande parte da composição, retratados em diversas poses e atitudes que refletem a agitação neles despertada pelas palavras de seu interlocutor: especificamente, se dois grupos ao fundo flanqueiam a cátedra em varandas, outros encontram-se ao lado de Jesus e um está sentado a seus pés nos degraus; em primeiro plano, outros doutores da Lei formam duas alas laterais: entre eles, destacam-se duas figuras, absortas na consulta de grandes livros: uma sentada à direita, perto do doutor de manto amarelo, e a outra ajoelhada à esquerda; ao lado desta última, uma jovem observa a cena, talvez a Virgem Maria, que veio procurar seu filho. Sala n. 10, da época Borromeana, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Ainda na mesma sala, observamos a escultura batizada de "Eva"; datada entre 1563 e 1565, de autoria de Giovan Angelo Marini, a escultura em mármore de Candoglia provém do Duomo.
A obra retrata a progenitora da humanidade, induzida pelo diabo a comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, como uma jovem de longos cabelos ondulados presos na nuca. Voltada três quartos para a direita e nua, exceto por uma trepadeira que cobre parcialmente seu ventre, a figura apoia o braço esquerdo em um tronco de árvore: o diabo, na forma de uma serpente com rosto humano, se enrola em torno dele. Eva é ladeada à sua direita por seu filho jovem, Caim, sentado no pedestal poligonal que sustenta ambas as figuras.

Escultura em mármore "Eva", datada entre 1563 e 1565, de autoria de Giovan Angelo Marini. Sala n. 10, da época Borromeana, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Seguindo na mesma sala da época Borromeana, temos a escultura de Sant’Antonio abate (Santo Antônio Abade).
A escultura em mármore de Candoglia, que data de meados do século XVI, atribuída a um escultor lombardo desconhecido, representa o referido santo, provavelmente proveniente do interior da Catedral, um dos eremitas mais ilustres da história da Igreja Católica, que viveu entre os séculos III e IV, sendo representado aqui como um homem maduro de longa barba, com o olhar fixo à esquerda.
Vestido com uma túnica e um manto esvoaçante, segura um cajado na mão direita e uma chama na esquerda, seus atributos habituais, assim como o leitão agachado sobre o pedestal circular.

Escultura em mármore "Santo Antônio Abade", de meados do século XVI, de autoria de escultor lombardo desconhecido. Sala n. 10, da época Borromeana, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Ainda na mesma sala, vê-se a escultura representando Sant’Ambrogio (Santo Ambrósio), datando de 1605, de autoria atribuída a Marco Antonio Prestinari; a escultura em mármore de Candoglia provém do capitel de um pilar em frente ao altar-mor da Catedral.
Santo Ambrósio (século IV), doutor da Igreja, bispo e padroeiro de Milão, foi, na época, um líder influente do episcopado do norte da Itália. Um opositor ferrenho dos hereges, particularmente dos arianos, defendeu a primazia da Igreja de Roma, frequentemente entrando em conflito com o poder imperial, que, em sua opinião, deveria ser considerado dentro da Igreja e não acima dela.
O santo é retratado como um bispo maduro, com olhar intenso, barba e cabelos cacheados; vestido com mitra, túnica, casula e estola, ele empunha um chicote na mão direita, chicote usado contra seus adversários, enquanto a mão esquerda segura um objeto que falta (talvez um crucifixo); suas vestes são representadas com grande atenção aos detalhes, como as gemas que decoram sua mitra e as borlas que pendem de suas luvas; os seus quadris sugerem que ele está avançando.

Escultura em mármore "Santo Ambrósio", datando de 1605, de autoria atribuída a Marco Antonio Prestinari. Sala n. 10, da época Borromeana, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Continuando na Sala n. 10 do museu, nos deparamos com um dos frontais (antependium) utilizado no altar de São Carlo Barromeo, no Duomo di Milano, por ocasião das cerimônias de sua canonização, um exemplo precioso da excelência alcançada pela arte do bordado milanês entre o final do século XVI e o início do século XVII.
É um dos dois elementos sobreviventes do conjunto litúrgico produzido no biênio 1609-1610 para a canonização de Carlo Borromeo, arcebispo de Milão de 1565 a 1584 e figura chave na reforma conciliar pós-Tridentina.
Para a cerimônia, que ocorreu simultaneamente em 4 de novembro de 1610 na Catedral de Milão e na Basílica de São Pedro, em Roma, a Veneranda Fabbrica del Duomo encomendou um conjunto de duas vestes litúrgicas completas e três frontais de altar, que se perderam completamente, com exceção deste.
Mencionadas em fontes antigas pela riqueza e qualidade dos materiais e pelo requinte da execução, as duas peças do frontal foram criadas por dois artesãos milaneses. Enquanto Pompeo Berlusconi supervisionava a aplicação dos fios de ouro e prata, Antonia Pellegrini criou o bordado em "ponto de pintura" ("São Carlos" no medalhão central do frontal), uma técnica que consistia em bordar figuras com pontos tão finos que a imagem parecia pintada.
O frontal (antependium), a peça destinada a cobrir a frente do altar, representa a mais importante de todo o retábulo: é revestido com seis painéis verticais de tela prateada moderna, sobre os quais se aplicam o medalhão central bordado representando São Carlo Borromeo e a aplicação de enfeites metálicos. Uma rica franja dourada marca a transição entre a faixa horizontal superior e o corpo do frontal.
A decoração metálica divide-se em duas faixas horizontais: uma faixa superior fina, com volutas mixtilíneas alternadas que emolduram a mitra do cardeal, uma cruz grega e o lema "Humilitas", e uma faixa principal muito mais larga. Esta última apresenta uma decoração de estrutura semelhante, com a mitra e o lema alternando-se, quatro vezes cada, em ambos os lados do medalhão central que contém o retrato de São Carlo.
Este último é retratado de corpo inteiro, rezando contra um céu nublado; atrás dele, em um degrau, repousam seu chapéu de cardeal e sua mitra. O bordado é executado em ponto cetim, ponto dividido e ponto invisível com sedas multicoloridas, fios de ouro e prata sobre um fundo de tafetá branco.
Quanto aos desenhos preparatórios para os bordados, Pompeo Berlusconi certamente trabalhou com base em projetos de Giovanni Battista Crespi, conhecido como Cerano, um sensível intérprete artístico do clima da Contrarreforma que, muito provavelmente, também forneceu os desenhos para os bordados de Antonia Pellegrini.
Sobre o frontal de São Carlo, encontram-se duas esculturas representando Anjos em madeira entalhada, pintada e dourada, datadas do primeiro quartel do século XVII, e que serviam de suporte para o retábulo original do altar-mor da Catedral, atribuídas a um artista lombardo desconhecido.
As obras representam os “Anjos” como figuras aladas, vestidas com túnicas de listras horizontais inclinadas que deixam um dos braços descoberto, levado à cabeça, segurando uma espécie de almofada baixa.
O outro braço, em forma de "L", está com a mão dobrada, como se estivesse sustentando um peso.

Frontal do altar de São Carlo Barromeo, realizado entre 1609 e 1610, de autoria dos artistas Pompeo Berlusconi e Antonia Pellegrini, sobre desenhos preparatórios feitos por Giovanni Battista Crespi; sobre o frontal, esculturas de dois "Anjos", datadas do primeiro quartel do século XVII, atribuídas a um artista lombardo desconhecido. Sala n. 10, da época Borromeana, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Continuando na Sala n. 10, observamos um conjunto de 6 modelos preparatórios, realizados em relevo em terracota, datados entre antes de 1617 e 1622, atribuídos a Giovan Andrea Biffi para os 17 relevos em mármore com as “Histórias da Virgem”, destinados ao coro da Catedral:
1 - Assunzione della Vergine, datado de antes de 1620; de formato retangular, a obra retrata a "Assunção da Virgem", ou seja, sua ascensão ao céu; Maria, no centro superior da cena, está sentada sobre uma nuvem sustentada por querubins, enquanto abaixo, os 12 Apóstolos observam o evento com diferentes atitudes e poses; observa-se, em particular, os dois ajoelhados diante do túmulo da Virgem.
2 - Apparizione di Cristo alla madre, datado de antes de 1622, este atribuído a Giovan Pietro Lasagn; de formato retangular, a obra retrata a "Aparição de Cristo à Sua Mãe": Jesus ressuscitado, seguido por uma hoste voadora de anjos e querubins, está à direita, caminhando em direção à Virgem, ajoelhada na outra extremidade da cena; o braço direito da Virgem está ausente; atrás de Maria, outra figura angelical levanta a cortina de uma porta, localizada sob uma abóbada de berço com caixotões que define o espaço em perspectiva; ao fundo, vê-se outra figura angelical e as Mulheres Pias, enquanto, ao longe, avista-se o Gólgota com suas três cruzes.
3 - Gesù tra i dottori, datado de antes de 1622; de formato retangular, a obra retrata "Jesus entre os Doutores", um episódio do Evangelho no qual Jesus, aos doze anos, visitando Jerusalém com seus pais, permanece no Templo sem que eles percebam, questionando os doutores da Lei sobre questões teológicas e desconcertando-os com sua inteligência; o jovem Cristo está no centro da cena, sentado em uma cadeira elevada; ao seu redor, os doutores o ouvem atentamente, retratados em diversas poses e atitudes; à esquerda, ao fundo, a Virgem Maria e São José também observam o filho; ao fundo, em perspectiva formada por uma fileira de colunas, vislumbram-se vários edifícios com cúpulas no topo.
4 - Fuga in Egitto, datado de antes de 1622; de formato retangular, a obra retrata a "Fuga para o Egito" da Sagrada Família para proteger o recém-nascido Jesus da ira de Herodes; no centro da cena, está a Virgem com o Menino Jesus, sentados em um jumento, seguidos por São José e precedidos por dois anjos; o cenário naturalista é sugerido pela palmeira atrás de São José e por outras árvores ao fundo, onde também se vislumbram os contornos de várias montanhas.
5 - Purificazione della Vergine, datado de antes de 1618; de formato retangular, a obra retrata a "Purificação da Virgem", um rito realizado no templo 40 dias após o parto de Maria; Maria está ajoelhada ao centro, oferecendo duas pombas em uma tigela ao sacerdote, que está atrás do altar segurando o menino Jesus nos braços; a cena, definida em perspectiva por uma coluna à direita, é testemunhada por diversas figuras com diferentes atitudes e poses.
6 - Visitazione, datado de antes de 1617; de formato retangular, a obra retrata a "Visitação", o encontro entre Maria, grávida de Jesus, e sua prima mais velha, Isabel, que também estava grávida de São João Batista; à direita, as duas protagonistas se destacam, abraçadas na soleira da casa de Isabel; atrás delas, Zacarias, marido de Isabel, e três figuras femininas testemunham a cena; à esquerda, perto de uma árvore, está São José com um jumento, em frente ao qual um arbusto revela a vista das montanhas ao fundo.

6 modelos preparatórios em terracota para os originais em mármore do coro da Catedral, da esquerda para direita, de cima para baixo: 1- "Assunção da Virgem"; 2 - "Aparição de Cristo à Sua Mãe"; 3 - "Jesus entre os Doutores"; 4 - "Fuga para o Egito"; 5 - "Purificação da Virgem"; e 6 - "Visitação"; a maioria realizada por Giovan Andrea Biffi, primeiro quarto do século XVII. Sala 10, da época Borromeana, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Na Sala n. 13, temos as tapeçarias com motivos religiosos; chamou-nos atenção a que representa "Moisés recebe as Tábuas da Lei", realizada com emprego de lã, seda, prata e ouro.
Pertence a uma série de “Histórias de Moisés”, que inclui outros dois exemplos narrativos (“A Travessia do Mar Vermelho” e “A Serpente de Bronze”) e um tecido complementar com “Brincando com Putti”, todos conservados no Museu na sala dedicada a eles
A série de tapeçarias foi encomendada pela família Gonzaga, que exercia a senhoria de Mântua, por volta de 1554 à fábrica de Nicola Karcher, natural de Bruxelas (atual Bélgica) e um dos mais ilustres tecelões da Itália na época. Os cartões preparatórios, hoje perdidos, são da autoria de Giovanni Battista Bertani, aluno de Giulio Romano, que foi nomeado arquiteto do duque Guglielmo Gonzaga em 1549. Foi este último quem doou a série ao arcebispo de Milão, Carlo Borromeo, parente da dinastia de Mântua, que por sua vez a doou à Catedral em 1569.
A tapeçaria que retrata a "Entrega das Tábuas da Lei" mostra Moisés, vestido de vermelho e ajoelhado sobre uma rocha no Monte Sinai, diante de um fundo de nuvens cinzentas ondulantes e arredondadas, entre as quais aparecem as mãos de Deus segurando as Tábuas do Decálogo com as leis morais e culturais para o povo judeu.
A borda, com aglomerados de folhas e frutos nas laterais horizontais e troféus de pássaros e máscaras nas verticais, também contém três ovais: eles representam a “Cura de Tobias” (ou “Jacó abençoando os filhos de José”) e o “Arcanjo Rafael” nos cantos superiores e a “Justiça” no centro da parte inferior.
Notável pela sua execução requintada e suntuosa e pelas suas bordas com festões vegetais enriquecidos com troféus de caça e pesca, cenas figurativas ou alegóricas, placas e máscaras.

Tapeçaria "Moisés recebe as Tábuas da Lei", realizada por volta de 1554 pela oficina de Nicola Karcher, empregando lã, seda, prata e ouro, com base no desenho preparatório de Giovanni Battista Bertani. Sala n. 13, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Vários modelos e esculturas de cunho religioso no Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

"Crocifissione" (Crucificação), modelo escultórico, feito em terracota em relevo, datada de 1747, obra de Carlo Maria Giudici; a obra retangular retrata Cristo na cruz, em destaque no centro da cena contra um céu repleto de nuvens; mais abaixo, à esquerda, Maria Madalena beija os pés de Cristo, enquanto à direita, a Virgem Maria é amparada por mulheres piedosas; a cena é completada por uma figura masculina de turbante, sentada no primeiro plano à esquerda: atrás dele, vislumbram-se dois cavaleiros. Sala n. 15, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Na Sala n. 16 do Museu, temos peças empregadas na execução da imagem da Madonnina.
A estrutura original da Virgem da Assunção (Madonnina). A obra constitui a estrutura interna original da escultura em cobre dourado "Virgem da Assunção" para a torre principal da Catedral, a Madonnina, símbolo da Catedral que protege Milão do alto desde dezembro de 1774. A moldura foi feita de ferro, em 1773, pelo ferreiro Giovanni Battista Varino, e posteriormente alojou as placas de cobre repuxadas e douradas pelo ourives Giuseppe Bini. Esta, na base da qual é visível um anel ao qual estão presos os braços de ancoragem das barras de ligação que a conectavam à torre principal, foi substituída em 1967 por uma versão em aço inoxidável, pois estava severamente degradada e, portanto, representava um risco para a estabilidade da Madonnina.

A estrutura interna original da Virgem da Assunção (Madonnina), feita em cobre dourado; foi substituída em 1967 por uma de aço inoxidável. Sala n. 16, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Também pode ser observado o busto da Virgem da Assunção, parte de uma maquete utilizada para a construção da Madonnina.
Representando a “Virgem Maria da Assunção” em meio corpo e datando de 1770, a escultura em nogueira, de autoria de Giuseppe Antignati, é a parte remanescente de uma maquete em tamanho real feita para a construção da Madonnina da Catedral.
A obra retrata a "Assunção" velada, com o rosto de expressão benevolente voltado para cima e ligeiramente para a direita em relação ao busto, que está em posição frontal. Uma rachadura visível marca o lado esquerdo do rosto verticalmente, do lábio superior para baixo, enquanto a parte inferior do pescoço mostra vestígios de arrependimento, talvez relacionados ao decote do vestido.

Busto da Virgem da Assunção (Madonnina), realizado em madeira de nogueira, datando de 1770, de autoria de Giuseppe Antignati. Sala n. 16, Museo del Duomo, Palazzo Reale, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
No próximo post, iremos passear pelo Corso Vittorio Emanuele II e seu entorno.
Fontes:
Wikipedia;
Guide: Fabuleuse Italie du Nord: Rome, Florence, Venise, pesquisa e redação de Louise Gaboury, direção de Claude Morneau, versão eletrônica, 2019, Guides de Voyage Ulysse, Québec, Canada.






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