Milão - Parte III - Região da Lombardia - Norte da Itália -2023
- Roberto Caldas

- há 3 dias
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Atualizado: há 4 horas

Fachada do Duomo di Milano; apresenta estilo barroco na parte inferior e assume formas góticas na parte superior. Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Milão - Parte III
O nosso passeio por Milão, após atravessar a Galleria Vittorio Emanuele II, continuou pelo Duomo di Milano, conhecido também como Cattedrale Metropolitana della Natività della Beata Vergine Maria.
As obras para a construção da catedral de Milão, possivelmente, iniciaram em 1386, época em que o estilo gótico das catedrais atingiu o seu apogeu, durando quase 6 séculos. Foi decidido que a nova igreja deveria ser construída na área das antigas Basilicas di Santa Maria Maggiore e di Santa Tecla, cujos restos, juntamente com os do Battistero di San Giovanni alle Fonti, ainda são visíveis na área arqueológica do complexo.
Para otimizar a obra, o então senhor de Milão, Gian Galeazzo Visconti, determinou, em outubro de 1387, a criação da Veneranda Fabbrica del Duomo, que, ao invés do tradicional tijolo lombardo, empregou, na catedral, o mármore de Candoglia.
Em razão da longa sucessão de arquitetos e engenheiros responsáveis pela obra, não é possível atribuir uma autoria específica ao projeto da Catedral.
A construção começou pela abside, inclusive pelos seus vitrais imponentes, e continuou em direção ao transepto e aos primeiros vãos das naves; em 16 de outubro de 1418, o Papa Martinho V, quando retornava do Concílio de Constança, consagrou o altar-mor da igreja.
As intervenções de São Carlo Borromeo, arcebispo de Milão de 1564 a 1584, e de Federico I Borromeo (arcebispo de 1595 a 1631) na catedral, em respeito aos decretos do Concílio de Trento (1545-1563), propulsores da Contrarreforma Católica em oposição à Reforma Protestante (iniciada em em 1517, com as 95 teses de Martinho Lutero), foram inspiradas pelos conceitos e estilos da arquitetura e do mobiliário da Roma papal, deixando uma nova marca no interior do Duomo, como pode-se observar na prodigiosa estrutura arquitetônica do presbitério, nos altares laterais, na cripta, no batistério e no piso.
No final do século XVI, foram lançadas as fundações da fachada, mas esta teve que aguardar bastante tempo, ou seja, até o final do século XVIII, para que um projeto definitivo fosse concluído.
O zimbório (cúpula do transepto) foi concluído entre os séculos XVII e XVIII, com a construção da grande torre no topo e a colocação da estátua da Madonnina, em 1774.
O século XIX foi marcado por grande atividade no canteiro de obras; às vésperas da coroação de Napoleão I como rei da Itália, e por iniciativa dele, novas obras foram iniciadas para completar a fachada (1807-1813); os trabalhos de construção e decoração prosseguiram, com a instalação da maioria das torres no telhado e a conclusão dos diversos vitrais com vidro esmaltado.
A conclusão da fachada se deu somente no século XX, com a instalação das portas, entre 1909 e 1965.
Estima-se que a Catedral de Milão detenha o recorde mundial de estátuas em seu interior e exterior, totalizando impressionantes 3.400.

Fachada do Duomo di Milano; a construção da fachada durou mais de três séculos: iniciada no final do século XVI, com a colocação das fundações, foi concluída somente em 1965; ela apresenta estilo barroco na parte inferior e assume formas góticas na parte superior. Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Parte externa da abside (posterior) do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Parte da fachada sul do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Cópia do crucifixo de cobre de Ariberto da Intimiano, do século XI (doado originariamente por Ariberto ao Monastero di San Dionigi), conhecido como bispo-guerreiro, arcebispo de Milão na primeira metade do século XI (1018 a 1045), e placas acima da tumba do religioso na catedral. Nave externa direita, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Nave central; em destaque, as imensas colunas com capitéis contendo nichos cobertos, com imagens nos seus interiores. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Detalhe de um dos capitéis das imensas colunas com nichos ocupados por imagens. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
A área presbiterial, uma fonte de admiração para muitos visitantes, é delimitada por dez pilares e reservada ao clero oficiante (os presbíteros), e está localizada em posição elevada em relação ao pavimento da nave central.
O altar-mor, proveniente da Basilica di Santa Maria Maggiore, uma das duas basílicas pré-existentes demolidas, foi consagrado pelo papa Martinho V em 16 de outubro de 1418, o que marcou o início oficial das atividades da nova catedral; os dois altos-relevos espelhados que podem ser vistos nos lados maiores são partes de um sarcófago romano-pagão do século III d.C. e retratam um homem segurando um pergaminho.
A cátedra episcopal (cadeira de alto espaldar destinada ao bispo) e o ambão (plataforma utilizada para leituras e homilias) são obras modernas em madeira do escultor italiano Mario Rudelli (1985), colocadas no coração do presbitério.

Área presbiterial, reservada ao clero oficiante (os presbíteros), na qual se veem dez pilares, que se encontram em posição elevada acima do piso da nave central; o altar-mor foi consagrado pelo papa Martinho V em 16 de outubro de 1418, marcando o início oficial das atividades da nova catedral; os dois altos-relevos espelhados nos lados maiores do altar são provenientes de um sarcófago romano-pagão do século III d.C., retratando um homem segurando um pergaminho; à esquerda, na frente do altar, observa-se o ambão, esculpido em madeira, e à direita do altar, a cátedra episcopal, com espaldar alto, obras do escultor italiano Mario Rudelli (1985). Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
No presbitério, atrás do altar-mor, encontra-se em destaque, o templete ou cibório de Pellegrino Tibaldi, criado por volta de 1580, que abriga o tabernáculo cilíndrico em forma de torre, criado por Pirro Ligorio (1512/1513-1583) e assinado por Aurelio, Girolamo e Ludovico Lombardi, que o fundiram em bronze em 1560, e que chegou a Milão em 9 de agosto de 1561, tendo sido presente do papa Pio IV de Médici para seu sobrinho Carlo Borromeo.
O templete ou cibório de Pellegrino Tibaldi tem a forma de um pequeno templo clássico circular; ele essencialmente replica a estrutura do tabernáculo, apresenta oito colunas coríntias que sustentam uma cúpula decorada com anjos e encimada pela imagem do Redentor; sua forma espelha o tabernáculo cilíndrico interno, sustentado por quatro anjos e inteiramente modelado com episódios da vida de Cristo.
De cada lado do cibório, encontram-se duas imponentes estátuas de prata de São Carlo Barromeo (à direita) e Santo Ambrósio (à esquerda), obras-primas da escultura barroca e da ourivesaria. A estátua de São Carlo, datada de 1610, foi modelada pelo escultor italiano Gian Andrea Biffi e cinzelada pelo ourives Francesco da Vertova; a mitra é adornada com pérolas e pedras preciosas doadas pelos fiéis. A estátua de Santo Ambrósio, criada quase um século depois (1698), obra do ourives Policarpo Spagnoletti, tem toda a sua superfície intrincadamente esculpida e decorada com diamantes e pedras duras.

O presbitério, obra do arquiteto Pellegrino Pellegrini, dito Tibaldi, do século XVI; destaque para o templete ou cibório de Pellegrino, criado por volta de 1580, que tem a forma de um pequeno templo clássico circular, com sua cúpula adornada com estátuas de anjos e coroada pelo Salvador; o templete abriga o tabernáculo cilíndrico em forma de torre, sustentado por quatro anjos e inteiramente modelado com episódios da vida de Cristo, presente do papa Pio IV de Médici para seu sobrinho Carlo Borromeo, que chegou a Milão em 9 de agosto de 1561; de cada lado do cibório, encontram-se duas imponentes estátuas de prata de Santo Ambrósio (à esquerda, de 1698) e de São Carlo Borromeo (à direita, de 1610), obras-primas da escultura barroca e da ourivesaria. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Os dois púlpitos circulares, projetados por Pellegrino Tibaldi, circundam os dois pilares que sustentam a cúpula. Ambos são apoiados por quatro cariátides monumentais de bronze, cada um, que sustentam os parapeitos feitos de placas de cobre repuxadas e douradas, bem como os dosséis que coroam seus cumes.
O púlpito da esquerda foi concluído em 1585 e é dedicado ao Novo Testamento e sustentado pelos símbolos dos Evangelistas, obra em bronze do escultor Giovanni Andrea Pellizzoni; o da direita, concluído em 1602, apresenta relevos do Antigo Testamento e quatro cariátides com os Doutores da Igreja, que são obras do escultor Francesco Brambilla, o Jovem.

O púlpito sul ou da direita do presbitério, projetado pelo arquiteto Pellegrino Tibaldi no século XVI; ele foi concluído em 1602; o parapeito de placas de cobre é sustentado por quatro caríatides, representando os Doutores de Igreja; embaixo, a cátedra episcopal. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

O púlpito norte ou da esquerda do presbitério, projetado pelo arquiteto Pellegrino Tibaldi no século XVI; ele foi concluído em 1585; o parapeito de placas de cobre é sustentado por quatro caríatides, representando os pelos símbolos dos Evangelistas. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Contrafachada, na altura da nave central, vendo-se vitrais da janela de estilo gótico, no alto, que datam do século XIX e foram criados pelos irmãos Bertini, representando São Carlos, Santo Ambrósio e São Miguel, enquanto Santa Tecla é de autoria de Mauro Conconi; na janela central, temos o vitral "A Assunção", criado, também no século XIX, a partir de desenho do pintor e gravador italiano Luigi Sabatelli. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Batistério, projeto de Pellegrino Tibaldi, aproximadamente de 1567; consiste num pequeno templo de base quadrada sustentado por quatro colunas coríntias, com entablamento e tímpanos nos quatro lados; na base, encontra-se a pia batismal composta por um sarcófago romano de pórfiro; atrás do batistério, instaladas na parede encontram-se duas placas de mármore vermelho de Verona com relevos dos Apóstolos, provavelmente obra de mestres campioneses do final do século XII, originárias da demolida Basilica di Santa Maria Maggiore; o vitral acima das placas foi remontado a partir de fragmentos do século XV e ilustra eventos do Novo Testamento. Segundo vão da nave externa esquerda, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Teto do batistério, projetado por Pellegrino Tibaldi, com uma pintura de Deus Pai e do Espírito Santo. Segundo vão da nave externa esquerda, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Bacia em pórfiro egípcio (provavelmente um sarcófago da época romana), atualmente utilizada como pia batismal na Catedral de Milão; acredita-se que é proveniente das Terme Erculee (Termas Hércules), existente na cidade romana de Mediolanum (Milão da época romana). Segundo vão da nave externa esquerda, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
O órgão grandioso da Catedral de Milão é obra das empresas italianas de construção e restauração de órgãos Mascioni e Tamburini, que, em 1938, criaram o que, atualmente, é o maior instrumento da Itália, o segundo da Europa e o sétimo do mundo; desde sua instalação até hoje, a Veneranda Fabbrica submete constantemente este valioso instrumento a frequentes intervenções com a finalidade de melhorar as suas qualidades artísticas, dotando-o de características técnicas modernas; o instrumento está instalado em quatro caixas de madeira monumentais, duas feitas no século XVI, para os órgãos anteriores da Catedral, e duas modernas, feitas em 1986.

Parte do órgão fabricado em 1938 pelas empresas Mascioni e Tamburini, instalada na caixa monumental de madeira do século XVI, lado esquerdo do presbitério. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Altar do Sagrado Coração, obra de Pellegrino Tibaldi, provavelmente do século XVI; no centro, em destaque, o retábulo de mármore de Edoardo Rubino, instalado em 1957. Sétimo vão da nave externa direita, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
No braço sul do transepto encontra-se a Capela de San Giovanni Bono, que foi arcebispo de Milão de 641 a 651, um período difícil, marcado por uma história de distanciamento; seu principal mérito foi o de pôr fim ao exílio e trazer a sede episcopal de volta a Milão, trabalhando por sua reconstrução e estabilização, já que, com a invasão lombarda, a diocese ambrosiana fora transferida para Gênova; por essa razão, tornou-se objeto de grande consideração e, posteriormente, de verdadeira veneração, sendo apelidado de "o Bom".
Os vitrais da capela celebram sua figura empreendedora e pacificadora.

A Capela de San Giovanni Bono (São João, o Bom); o arco ogival da capela é decorado com baixos-relevos que descrevem a vida do santo, intercalados com figuras das Virtudes Cardeais; o altar, em mármore policromado, que abriga os restos mortais de São João, o Bom, foi construído no século XVIII; no centro do altar, encontra-se uma escultura de 1763, de autoria do escultor Elia Vincenzo Buzzi, que retrata o santo esmagando a heresia na figura de Lúcifer; ladeando a estátua do santo titular estão, à direita, São Miguel Arcanjo e, à esquerda, um Anjo da Guarda, também de autoria de Buzzi; os três vitrais, com histórias de San Giovanni Bono, são de Bertini (1839-1842). Abside do transepto sul ou direito, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Junto à parede da nave externa direita, encontra-se a tumba do comerciante e grande doador de fundos para a construção da catedral, Marco Carelli.
Marco Carelli, muito rico, não possuía filhos, e no seu testamento e codicilo subsequente, de 26 de julho de 1393, nomeou a Veneranda Fabbrica del Duomo di Milano como sua herdeira universal, tornando-se assim, dado o tamanho de seu patrimônio - avaliado em 35.000 ducados na época e que hoje corresponderia a aproximadamente 30 milhões de euros - o maior benfeitor de todos os tempos da catedral.

A tumba do comerciante, banqueiro e filantropo milanês Marco Carelli, falecido em 1394; desenho do arquiteto e engenheiro italiano Filippino degli Organi e estátua do escultor italiano Jacopino da Tradate, provavelmente de 1406. Nave externa direita, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Crucifixo dourado que fica em frente ao altar do papa Pio IV, em mármore policromado, concedido por ele a San Carlo Borromeo, século XVI; o vitral com as Histórias de Santiago Maior é obra de Corrado de' Mochis de 1554-1564. Transepto sul ou da direita, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
No sexto vão da nave sul ou externa direita encontra-se o Altar de Sant'Agata.
Santa Ágata era uma siciliana de uma família nobre e rica que, desde jovem, resolveu dedicar-se à vida religiosa cristã; o procônsul Quinciano exortou-a a renunciar a Cristo, mas esta se negou; em razão dessa resistência, a autoridade romana ordenou que ela fosse torturada, inclusive com a mutilação de seus mamilos; mas, durante a noite, São Pedro lhe apareceu e curou suas feridas; levada de novo diante do Tribunal, Ágata rejeitou, mais uma vez, adorar os deuses e confessou ter sida curada por Jesus Cristo; irritado com a sua resistência, apesar das torturas, o procônsul mandou submetê-la aos suplícios dos carvões incandescentes, dos quais ela ainda saiu com vida, porém faleceu pouco tempo depois.

Altar de Sant'Agata (Santa Ágata), composto por colunas compósitas e um frontão, obra de Pellegrino Tibaldi, século XVI; o retábulo no centro foi encomendado em 1597 a Federico Zuccari. A pintura faz parte de uma campanha maior de obras destinadas à criação dos novos altares laterais projetados por Pellegrino Tibaldi, o artista e arquiteto predileto de São Carlo Borromeo, então arcebispo de Milão. A construção prosseguiu sob o episcopado de Federico Borromeo, a quem Zuccari era particularmente apegado. O retábulo retrata o episódio em que a virgem siciliana e santa mártir Ágata encontra-se na prisão, após ter sofrido tortura, e recebe a visita de São Pedro, que cura seu seio amputado. As figuras, de solenidade monumental, possuem um gesto teatral que torna a cena imediatamente compreensível, correspondendo à visão do cardeal Federico sobre a pintura como meio de promover a compreensão da história sagrada e a devoção por parte dos fiéis. A pintura, danificada desde o início pela umidade e extensivamente alterada ao longo dos séculos, chegou até os dias de hoje em mau estado de conservação. A última restauração consistiu na limpeza e no restabelecimento da legibilidade das figuras. No vitral, estão representadas as Histórias de Santo Elígio, de Niccolò da Varallo (1480-1489). Sexto vão da nave sul (externa direita), Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
A catedral possui diversos vitrais espalhados por todas as suas paredes, dentre eles os que são conhecidos como Storie del Nuovo Testamento (Histórias do Novo Testamento), instalados na janela V19, que narram a vida de Jesus Cristo.
A criação dos vitrais foi confiada aos maiores artistas da época, desde o início do século XV. A partir de 1830, todos os painéis dos séculos XV e XVI que originalmente compunham a janela V19 foram transferidos para outras janelas para dar lugar a uma janela moderna. A janela 19 apresenta hoje painéis do século XIX, obra de Giovanni Battista Bertini e seus filhos Giuseppe e Pompeo, que, no século XIX, estiveram envolvidos em uma importante restauração e renovação da coleção de vitrais da Catedral.

Os vitrais da janela V19 da Catedral de Milão são dedicados às Storie del Nuovo Testamento (Histórias do Novo Testamento) Os episódios são lidos da esquerda para a direita, de baixo para cima. Esta impressionante obra, juntamente com as outras duas janelas da abside, está entre os maiores vitrais góticos do mundo. Oficina Bertini 1838/1865. Deambulatório da abside, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Placa do século XVII que comemora o início da construção da catedral em 1386. Nave externa direita, Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Placa que informa, de forma resumida, como seu deu a construção da atual fachada: "Durante dois séculos, a Catedral ergueu a glória de suas primeiras torres até o céu, quando Pellegrino Tibaldi, conhecido como Pellegrini, e G. B. Crespi, conhecido como Cerano, começaram a fachada e a decoraram com as primeiras ordens das fantasias livres tão caras à sua época. Carlo Buzio assumiu a vasta obra com intuição aguçada e a trouxe de volta ao estilo original. Giuseppe Zanoia e Carlo Amati, sob o patrocínio de Napoleão, coroaram o edifício com o templo integrado. O voto secular dos milaneses. MDCVIIII - MDCLVI - MDCCCVI" (tradução livre do italiano). Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Placas onde está inscrita a "Série cronológica dos arcebispos da Igreja Milanesa, fundada por São Barnabé Apóstolo". Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Na placa, o registro de Sant'Ambrogio (Santo Ambrósio), romano, arcebispo de Milão a partir de 374 e falecido em 397; grande doutor da Igreja Católica, mentor e responsável pela conversão de Santo Agostinho. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Na placa, os registros de São Carlo Borromeo, milanês, arcebispo de Milão a partir de 1560 e falecido em 1584 (ver post Lago di Como - Albese con Cassano e Como) e de Federico I Borromeo (primo do primeiro), milanês, arcebispo de Milão a partir de 1595 e falecido em 1631; foram eles os responsáveis pela grandes obras feitas no interior da catedral, particularmente no presbitério, nos altares laterais, na cripta, no batistério e no piso, com auxílio do arquiteto Pellegrino Tibaldi. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Na placa, os registros de Ambrogio Damiano Achille Ratti (depois papa Pio XI), milanês, arcebispo de Milão a partir de 1921 e falecido em 1939, que, como pontífice máximo, condenou a ideologia do Comunismo na encíclica Divini Redemptoris, e firmou o Tratado de Latrão, em 1929, com o Reino da Itália, no qual foi reconhecida a Cidade do Vaticano como estado soberano, e de Giovanni Battista Montini (depois papa Paulo VI, hoje São Paulo VI), bresciano, arcebispo de Milão a partir de 1954 e falecido em 1978 (ver o post anterior Bréscia - Parte II), que, como pontífice máximo, encerrou os trabalhos do Concílio Vaticano II (1962-1965), iniciado pelo papa João XXIII, que reformou profundamente a Igreja Católica. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
Em seguida, fomos visitar os terraços do Duomo.
O passeio na parte superior da catedral é realizado em dois níveis: o primeiro, a cerca de 31 metros acima do solo, percorre-se o perímetro do Duomo, chegando até a contrafachada; o segundo, acessado por meio de duas escadas íngremes, o mais alto acessível aos visitantes atualmente, o do Terrazza centrale (Terraço Central), por volta de 45 metros do solo.
Os "terraços" superiores da catedral são um dos locais mais evocativos da cidade, oferecendo vistas esplêndidas de Milão e, em dias claros, das montanhas que circundam o Vale do Pó; ocupando aproximadamente 1.530 m², corresponde à área interna da nave principal ou central.

Contrafortes, arcobotantes e pináculos da parte superior da catedral. Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Gárgula em formato de querubim sobre uma cornucópia. Telhado do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Estátua provavelmente de figura bíblica. Telhado do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Florestas de pináculos em estilo gótico, Telhado do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Eunice nas decorações góticas do Telhado do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Torres góticas e estátua de mármore branco, provavelmente uma representação da Virgem Maria segurando o Menino Jesus. Telhado do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.

Contrafortes, arcobotantes e pináculos góticos. Telhado do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
No alto do zimbório, foi concluída a Grande Torre, em 21 de junho de 1762, projeto de Francesco Croce, arquiteto da Veneranda Fabbrica.

A Grande Torre do zimbório, concluída em 1762, com base no projeto de Francesco Croce; no alto, foi instalada a imagem dourada da Virgem Maria, conhecida como Madonnina. Telhado do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
A construção da estátua da Madonnina, a Virgem Maria dourada, foi decidida em 17 de junho de 1769, e contou com a participação do escultor e modelista Giuseppe Antignati, enquanto o ferreiro Varino forneceu a armadura de suporte; o ourives Giuseppe Bini modelou e moldou as placas de cobre sobre o modelo de madeira, e a douradura envolveu o uso de 156 folhetos, cada um composto por duas lâminas de ouro puro, sob a orientação do pintor Anton Raphael Mengs; a imagem foi concluída em 1773, mas permaneceu no edifício da Veneranda Fabbrica em razão do receio inicial de raios e ventos, sendo instalada somente em dezembro de 1774.

A Madonnina, a imagem dourada da Virgem Maria, instalada no alto da torre do zimbório da catedral em 1774; obra de autoria múltipla, com contribuição do escultor e modelista Giuseppe Antignati, do ferreiro Varino, do ourives Giuseppe Bini e do pintor Anton Raphael Mengs. Telhado do Duomo di Milano, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.
No próximo post, desfrutaremos de vistas espetaculares de Milão a partir dos terraços do Duomo, e as peças do Tesouro da Catedral.
Fontes:
Wikipedia;
Guide: Fabuleuse Italie du Nord: Rome, Florence, Venise, pesquisa e redação de Louise Gaboury, direção de Claude Morneau, versão eletrônica, 2019, Guides de Voyage Ulysse, Québec, Canada.





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