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Milão - Parte II - Região da Lombardia - Norte da Itália - 2023

  • Foto do escritor: Roberto Caldas
    Roberto Caldas
  • 1 de jan.
  • 15 min de leitura

Arco triunfal da entrada sul da Galleria Vittorio Emanuele II; no alto do arco, a inscrição; "A Vittorio Emanuele II, os milaneses" (tradução livre do italiano). Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.



Milão - Parte II


Continuando nossa visita ao complexo La Scala, ingressamos no Museo Teatrale (Museu Teatral), composto de várias salas.


Sala Piermarini e Paisiello




Vitrine com instrumentos musicais antigos originais, organizada por Pier Luigi Pizzi; à esquerda, o busto de Christoph Willibald Gluck, compositor alemão de óperas italianas, com base na obra do escultor francês Jean-Antoine Houdon, e à direita, busto de Jean-Baptiste de Lully, compositor nascido na Itália, mas naturalizado francês, com base na escultura atribuída ao escultor francês Antoine Coysevox. Sala Piermarini e Paisiello, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália. 




Retrato de Giovanni Paisiello (1740-1816) sentado em frente ao seu instrumento; obra da pintora francesa Marie Louise Elisabeth Vigée Lebrun, 1791; Paisiello foi um dos primeiros compositores a ter suas obras apresentadas no Teatro alla Scala, trabalhou durante anos em São Petersburgo e era o compositor favorito de Napoleão I; embaixo, uma Spinetta Guaracino, fabricada por Honofrio Guaracino em 1667; na alavanca da nota mais grave, há uma inscrição que diz "[Hono]frio Guaracino fecit 1667"; a pintura na tampa do instrumento retrata Judite mostrando a cabeça de Holofernes aos judeus e está assinada "AS 1669"; à esquerda, retrato (óleo sobre tela) do ator francês preferido de Napoleão I, François-Joseph Talma (1763-1826), em traje típico, interpretando Egisto, pintado, em 1830, por Guillermain; e, à direita, retrato da atriz francesa Françoise Raucourt (1756-1815) representando Clitemnestra, pintado, em 1830, por Guillermain. Sala Piermarini e Paisiello, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália. 




Harpa Sebastien Erard, construída no início do século XIX, em Londres, por Sebastien Erard; o fabricante iniciou suas atividades em 1777 e quinze anos depois se transferiu para Londres, em Great Marlborough Street; os seus instrumentos foram apreciados pelos principais compositores da época; Beethoven, Chopin, Liszt, Mendelssohn e Verdi; é um modelo império com capitel em forma de cabeça de carneiro e sete pedais para a ativação dos semitons mais um pedal que controla cinco portas de amortecimento (surdinas); o tampo harmônico de abeto é decorado com medalhões e vasos de flores, enquanto a caixa de ressonância é feita de bordo marmorizado, tingido, curvado e em múltiplas camadas; a parte traseira do instrumento apresenta cinco janelas com moldura dourada, cada uma fechada por uma porta exclusiva; os pinos que prendem as cordas à caixa de ressonância são feitos de ébano; a coluna, torneada com caneluras douradas, é encimada por um capitel dourado com cabeça de carneiro e decorado com folhas, pinhas e frutos; a base do instrumento, sobre a qual repousam tanto a caixa quanto a coluna, abriga o mecanismo dos sete pedais, além do pedal da surdina, e é decorada com folhas em relevo. Sala Piermarini e Paisiello, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália. 

 



Cópia de gravura representando Carlo Goldoni, realizada por Marco Alvise Pitteri, por volta de 1761, baseado em retrato feito por Lorenzo Tiepolo; Carlo Goldoni nasceu em Veneza, em 1707, e é considerado o pai da comédia veneziana; o teatro de Goldoni sempre foi cheio de contradições, e, ao contrário da Commedia dell'Arte tradicional, as cenas eram bastante simples porque o “cotidiano” era o que ele gostava de contar; os personagens também representavam homens humildes, normais e concretos (ver post Veneza - Parte I). Sala Piermarini e Paisiello, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  




La barca dei comici (A barca dos comediantes): a viagem de Carlo Goldoni de Rimini a Chioggia, de autoria de Casimiro Brugone de Rossi, pintado por volta de 1850; a obra retrata um dos episódios mais célebres da vida de Goldoni, quando, aos treze anos, após descobrir sua vocação teatral, fugiu de navio de Rimini, onde estudava na escola dos dominicanos, na companhia de uma trupe de comediantes, vivenciando com eles uma incrível aventura na viagem marítima até Chioggia, rumo a Veneza; nota-se a sensação de progresso transmitida pela direção do navio, a alegria das figuras e os tons vibrantes. Sala Piermarini e Paisiello, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  




Uma das cópias da escultura de bronze representando Mozart jovem, da segunda metade do século XIX, provavelmente do escultor Richard Pauli. Sala Piermarini e Paisiello, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  




Relógio da marca Rolex com o brasão do teatro. Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  


Sala della Commedia dell'Arte


A Commedia dell'Arte era uma forma popular de teatro de máscaras que se consolidou na Itália entre os séculos XVI e XVIII. Na época, os atores improvisavam e misturavam atuação com acrobacias e canto.




Busto representando o ator cômico Tiberio Fiorilli (1608-1694), conhecido como "Scaramuccia" (Scaramouche), um dos personagens da Commedia dell'Arte. Sala della Commedia dell'Arte, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  




Detalhe da Sala della Commedia dell'Arte: à esquerda, o busto do ator francês do século XVII, Raymond Poisson, dito "Belleroche", caracterizado do personagem que o tornou famoso na comédia francesa, "Crispin"; acima, à esquerda, pintura da Escola de Bolonha do século XVII representando personagens da comédia italiana: "Senhora Lúcia" e "Trastullo"; no centro, abaixo, vitrine expondo admirável coleção de porcelanas representando figuras inspiradas nos personagens e músicos da Commedia dell'Arte; sobre a vitrine, à esquerda, o personagem "Arlequim" e, à direita, "Pantalone", provavelmente esculturas em madeira policromada da escola italiana do século XVIII; no centro, alto, o retrato de Carlo Goldoni (1707-1793), pintura em pastel da Escola Veneziana, século XVIII; à direita, abaixo, o busto representando o ator cômico Tiberio Fiorilli; e, à direita, acima, pintura da Escola de Bolonha do século XVII representando personagens da comédia italiana: "Capitão Babbeo" e "Cucuba". Sala della Commedia dell'Arte, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Detalhe da Sala della Commedia dell'Arte: à esquerda, o personagem "Arlequim" e, à direita, "Pantalone", provavelmente esculturas em madeira policromada da escola italiana do século XVIII; no centro, alto, o retrato de Carlo Goldoni (1707-1793), pintura em pastel da escola veneziana, século XVIII. Sala della Commedia dell'Arte, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Detalhe da Sala della Commedia dell'Arte: vitrine expondo admirável coleção de porcelanas representando figuras inspiradas nos personagens e músicos da Commedia dell'Arte. Sala della Commedia dell'Arte, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Retrato de Caterina Biancolelli (1665–1716), dita "Colombina", cantora e atriz cômica italiana, naturalizada francesa, pintura da Escola Veneziana, século XVIII. Sala della Commedia dell'Arte, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Estatuetas dos personagens (máscaras) da comédia de arte italiana: à esquerda, "Pantalone", um comerciante idoso (mercador de Veneza) que frequentemente entra em competição com homens jovens na tentativa de conquistar alguma moça, e, à direita, "Arlequim", identificado por seu traje colorido com estampa de losangos, seu papel geralmente é o de um servo despreocupado e alegre, mas também astuto, que age para frustrar os planos de seu mestre, "Pantalone"; provavelmente feitas de madeira. Sala della Commedia dell'Arte, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Sala delle Dive del Bel Canto (Sala das Divas do Bel Canto)


A terceira sala do museu é a sala do bel canto do início do século XIX. Nas paredes, encontram-se os retratos das primeiras cantoras que fizeram parte da era de ouro de Milão e do Teatro alla Scala. Mas também estão representados os compositores das óperas que tornaram essas mulheres famosas.


No centro da sala, encontra-se o piano de Franz Liszt. O compositor húngaro recebeu este instrumento de presente da Steinway & Sons. Numa carta que escreveu aos fabricantes em 1883, expressou o seu entusiasmo: “uma obra-prima gloriosa em potência, sonoridade, qualidade melodiosa e efeitos harmônicos perfeitos”.


O piano terminou ficando com a neta do compositor, a pianista Daniela von Bülow, que o levou para a Villa Cargnacco, no Lago di Garda.


Quando o Estado italiano confiscou a villa e a entregou a Gabriele D'Annunzio com o novo nome de Il Vittoriale degli Italiani (ver post anterior intitulado Lago di Garda - Gardone Riviera e Il Vittoriale degli Italiani), o instrumento permaneceu lá. Somente após uma longa disputa judicial e a morte de D'Annunzio, Daniela von Bülow recuperou a posse do piano. Ela, então, o doou ao Museo Teatrale, onde até hoje está em exposição, magnífico após sua recente restauração.


Uma das divas homenageadas na sala é a cantora lírica francesa (de ascendência espanhola) Maria Malibran, cujo retrato encontra-se exatamente atrás do piano; meio-soprano, nos seus anos de fama, a cantora conquistou a admiração de muitos compositores e artistas importantes, como Gaetano Donizetti, Vincenzo Bellini, Gioachino Rossini, George Sand, Felix Mendelssohn, Frédéric Chopin e Franz Liszt. Donizetti escreveu para ela sua "Maria Stuarda" (Mary Stuart); Bellini para ela compôs novas versões de "I puritani" e de "La sonnambula", adaptada à tessitura mais grave da artista, e Mendelssohn, a ária de concerto "Infelice!" com acompanhamento de violino para ela e seu amante Charles de Bériot.




O piano presenteado pela fabricante Steinway & Sons, em 1883, ao compositor húngaro Franz Liszt; ao fundo, na parede, o retrato de Maria Malibran (1808-1836), cantora lírica francesa (meio-soprano), que interpretou a personagem "Norma", na ópera homônima de Vicenzo Bellini (1801-1835), no Teatro alla Scala, em 1834; quadro de autoria de Luigi Pedrazzi, provavelmente entre 1841/43. Sala delle Dive del Bel Canto, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Busto de Nicola Tacchinardi, violoncelista e tenor italiano do final do século XVIII e primeira metade do século XIX, obra de Antonio Canova (1757-1822). Sala delle Dive del Bel Canto, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Retrato do compositor italiano Vincenzo Bellini (1801-1835), cujas óperas mais famosas são "La sonnambula", "Norma" e "I puritani"; miniatura atribuída ao pintor francês Jean-François Millet, possivelmente criada na primeira metade do século XIX. Sala delle Dive del Bel Canto, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.   


A quarta sala: Verdi e La Scala no século XIX


Na quarta sala do museu, encontram-se pinturas de artistas do século XIX, todas com alguma ligação ao Teatro alla Scala.




Retrato do compositor italiano Gaetano Donizetti jovem (1797-1848), de autor anônimo, provavelmente da Escola Italiana, por volta de 1835, tendo composto as óperas "Anna Bolena", "O elixir do amor" e "Lucia di Lammermoor". Quarta sala: Verdi e La Scala no século XIX, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.    




Um tafelklavier (pianoforte, piano retangular ou de mesa), de fabricação vienense, doado em 1832, por Antonio Barezzi a Giuseppe Verdi, seu futuro genro. Quarta sala: Verdi e La Scala no século XIX, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.    

 

A quinta sala: Pasta, Patti, Rossini e Wagner


Nesta sala, encontram-se o famoso busto em bronze de Rossini, de autoria de Marocchetti, um retrato de Gaetano Donizetti maduro e outro de Giuditta Pasta, a primeira intérprete de Norma.


Outro busto em bronze, uma cópia de Lorenz Gedon (original mantido em Munique, Alemanha), retrata Richard Wagner.




Busto em bronze do compositor italiano Gioachino Rossini (1792-1868), cujas óperas mais famosas são "Tancredi", "O barbeiro de Sevilha", "Otello" e "Guilherme Tell"; escultura de Carlo Marochetti, realizada em 1864. Sala Pasta, Patti, Rossini e Wagner,  Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  




O busto do compositor alemão Ludwig van Beethoven, cópia em bronze do original em mármore do escultor vienense Anton Dietrich, executado em 1821; Dietrich esculpiu dois bustos muito semelhantes, o primeiro dos quais está exposto no Museu de História da Arte de Viena e o segundo na Ópera Estatal de Viena. Sala Pasta, Patti, Rossini e Wagner,  Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Busto em bronze do compositor alemão Richard Wagner, cópia do original criado por Lorenz Gedon em 1880, hoje mantido em Munique na Städtische Galerie im Lenbachhaus und Kunstbau München. Sala Pasta, Patti, Rossini e Wagner,  Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  




Retrato do compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901), por volta de 1843, atribuído a um certo pintor chamado F. Torriani; Verdi compôs óperas consideradas obras-primas como "Rigoletto", "Nabucco", "La traviata", "Aida", "Macbeth", "Il trovatore", "Simon Boccanegra", "Um baile de máscaras", "La forza del destino" e "Otello". Sala Pasta, Patti, Rossini e Wagner, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  


A oitava sala: Verdi, Boito e as estrelas do século XX


Nesta sala, há um grande espaço dedicado a uma longa lista de estrelas ligadas ao La Scala: Rosina Storchio, Claudia Muzio, Francesco Tamagno, Enrico Caruso, Aureliano Pertile, Tancredi Pasero, Maria Callas, Renata Tebaldi, Giuseppe Di Stefano, Mario Del Monaco, Franco Corelli, Leyla Gencer, Rudolf Nureyev e Giorgio Strehler.




Busto em bronze do cantor italiano Enrico Caruso (1873-1921), um dos tenores mais famosos da história da ópera e um dos primeiros a ter a voz gravada em discos, bem como o primeiro artista na história a vender mais de um milhão de discos com a ária "Vesti la giubba" da ópera "Pagliacci", de Ruggero Leoncavallo, gravada nos Estados Unidos em 1902, 1904 e 1907 pela gravadora Victor-RCA; obra do escultor italiano Filippo Cifariello, por volta de 1910. Sala: Verdi, Boito e as estrelas do século XX, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  




Retrato do grande compositor italiano de óperas Giacomo Puccini (1858-1924), autor de peças fenomenais como "Manon Lescaut", "La bohème", "Tosca", "Madama Butterfly" e "Turandot"; obra do pintor italiano Arturo Rietti, realizada em 1906. Sala: Verdi, Boito e as estrelas do século XX, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  


 


Retrato da cantora greco-americana Maria Callas (1923-1977), uma das sopranos mais famosas do mundo operístico; obra de Ulisse Sartini, datada de 1980. Sala: Verdi, Boito e as estrelas do século XX, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  




Retrato do bailarino e coreógrafo soviético (hoje, Rússia) Rudolf Nureyev (1938-1993) obra do pintor italiano Attilio Melo. Sala: Verdi, Boito e as estrelas do século XX, Museo Teatrale, Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.  

 



Cartaz anunciando uma Noite de Gala para o dia 19 de outubro de 1875, no Teatro alla Scala, em honra a imperatriz alemã, Augusta de Saxe-Weimar-Eisenach, com apresentação da ópera "Um baile de máscaras", de Verdi, e, em saudação ao imperador da Alemanha, Guilherme I, com o grande balé do coreógrafo Giovanni Casati "Manon Lescaut", com música de P. Giorza, F. Bellini e C. Roncati. Museo del Teatro alla Scala, Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Após a nossa visita ao belo Teatro alla Scala, saímos para a Piazza della Scala e ingressamos na famosíssima Galleria Vittorio Emanuele II.


Quando, no final da Segunda Guerra de Independência Italiana, as tropas franco-piemontesas libertaram Milão dos austríacos em junho de 1859, a Prefeitura da cidade logo iniciou um projeto de renovação urbana com o objetivo de redefinir a imagem e o papel da cidade no novo contexto político e institucional.


Nesse contexto de prosperidade predominante, a Piazza del Duomo, coração cívico e espiritual de Milão, necessitava, principalmente seu entorno - ocupado pelo bairro medieval de Rebecchino e pelo Coperto dei Figini (Pórtico das Figinas), de estilo renascentista, ambos áreas residenciais e comerciais e, ao norte, por um bairro populoso de residências particulares e prédios públicos, em meio a uma rede de ruas estreitas e sinuosas - de uma readequação.


Em 1860, foram apresentadas as primeiras propostas para a remodelação do centro da cidade, incluindo a Galleria, exatamente no norte da praça, ou seja, uma passagem coberta ligando a Piazza del Duomo à Piazza della Scala. O nome foi escolhido para homenagear o monarca piemontês que foi um dos grandes ativistas pela Unificação Italiana.


Após a realização de três concursos muito disputados, o projeto básico da galeria, do arquiteto italiano Giuseppe Mengoni, foi aprovado pela câmara municipal de Milão em setembro de 1863, mas o definitivo, somente, em setembro de 1864, depois de ter sofrido diversas modificações com base nas alterações do arquiteto, nas informações mais detalhadas fornecidas pelo júri e pela Comissão de Ornamentação.


A construção do edifício iniciou-se em março de 1865, mas somente foi concluída em 1877, embora a galeria tenha sido inaugurada em 15 de setembro de 1867, ainda inacabada.


Construída com uma estrutura em treliça de ferro e vidro aramado, trata-se, na verdade, de uma rua pedonal coberta, utilizada como um elegante centro comercial com pouco menos de cem lojas, livrarias e bares, dispostos em planta cruciforme, com braços de igual largura (14,50 m), mas desiguais comprimentos (105,10 m e 196,60 m).




Arco triunfal da entrada norte da Galleria Vittorio Emanuele II; vê-se, no centro da praça, o Monumento a Leonardo da Vinci. Piazza della Scala, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Braço maior da galeria, com aproximadamente 196,60 m de comprimento por 14,50 m de largura, sentido norte-sul, ligando a Piazza della Scala (entrada norte) à Piazza del Duomo (entrada sul), ao fundo. Galleria Vittorio Emanuele II, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Braço maior da galeria, com aproximadamente 196,60 m de comprimento por 14,50 m de largura, sentido sul-norte, ligando a Piazza del Duomo (entrada sul) à Piazza della Scala, ao fundo; acima, na base da cúpula, nas lunetas, à esquerda, "Alegoria da Europa" e, à direita, "Alegoria da Ásia". Galleria Vittorio Emanuele II, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Quatro blocos, cada um com 29,30 m de altura, com um pátio fechado, delimitam a área e a altura dos braços da galeria. As paredes perimetrais são revestidas com decorações estilizadas com telamones e cariátides ao estilo do século XIX, grafites e estuque imitando mármore. A decoração das lunetas das entradas leste e oeste é complementada por diversas representações alegóricas. Ocupa uma área de aproximadamente 20.000 metros quadrados.




Ala leste do braço menor da galeria, este com aproximadamente 105,10 m de comprimento por 14,50 m de largura, em direção à Via Ugo Foscolo; luneta com diversas representações alegóricas. Galleria Vittorio Emanuele II, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Ala oeste do braço menor da galeria, este com aproximadamente 105,10 m de comprimento por 14,50 m de largura, em direção à Via Silvio Pellico; luneta com diversas representações alegóricas. Galleria Vittorio Emanuele II, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


O octógono central tem uma extensão de 36,60 m e uma altura de 12,15 m acima da imposta do arco, com uma altura do solo até à imposta da lanterna de 47,08 m. No seu piso, ao centro, encontra-se um mosaico com o brasão da Casa de Saboia. Nas laterais, também em mosaico, estão os brasões das quatro cidades que, em diferentes épocas, foram capitais do Reino da Itália: Milão (sob Napoleão), Turim, Florença e, finalmente, Roma (sob a Casa de Saboia). Nas lunetas ao redor da abóbada, estão representadas as alegorias dos quatro continentes: África, Ásia, Europa e América. Pendentes decorados ligam os arcos das galerias e o anel da imposta da cúpula.




O octógono central da galeria, onde cruzam os dois braços, com 36,60 m de largura e uma altura do solo até ao arranque da lanterna de 47,08 m; nas lunetas abaixo da cúpula, à esquerda, a "Alegoria da América" e, à direita, a "Alegoria da Europa". Galleria Vittorio Emanuele II, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




O grande mosaico representando o brasão da Casa de Saboia e o lema FERT, no centro do octógono. Galleria Vittorio Emanuele II, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Um dos lados do octógono central, tendo, na parte inferior uma loja da marca Prada; no alto, as figuras decorativas telamones (masculinas) e cariátides (femininas); na luneta, a "Alegoria da Europa". Galleria Vittorio Emanuele II, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Em detalhe, os telamones e as cariátides e, acima, na luneta, a "Alegoria da Ásia". Galleria Vittorio Emanuele II, Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.




Arco triunfal da entrada sul da Galleria Vittorio Emanuele II; no alto do arco, a inscrição; "A Vittorio Emanuele II, os milaneses" (tradução livre do italiano). Piazza del Duomo, Milão, capital da província homônima e da Região da Lombardia, Itália.


Próximo post, uma das grandes atrações de Milão, o Duomo.



Fontes:


Wikipedia;


Guide: Fabuleuse Italie du Nord: Rome, Florence, Venise, pesquisa e redação de Louise Gaboury, direção de Claude Morneau, versão eletrônica, 2019, Guides de Voyage Ulysse, Québec, Canada.










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