top of page

Córsega - Parte II - Cap Corse e Patrimonio - Collectivité de Corse - França -2013

  • há 3 horas
  • 21 min de leitura

Tour de l'Osse, torre genovesa do séc. XVI, no lado esquerdo da rota costeira, ao sul do Porto ou Marina de Porticciolo; as torres genovesas, na Córsega, foram construídas após a tomada de Constantinopla pelos turcos. Comuna de Cagnano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Saímos de Bastia para conhecer a ponta norte da ilha.


Cap Corse


O Cap Corse (Cabo Corso) é o "dedo" da ilha, apontado em direção ao norte; são cerca de 40 km de comprimento por, em média, 14 de largura, envoltos em mistérios, com uma longa espinha dorsal montanhosa, mais voltada para o oeste.


Uma rota admiravelmente traçada entre o mar e a montanha, permite descobrir sucessivamente as praias de areia e de seixos, as aldeias escarpadas com suas antigas culturas em terraços, e as pequenas marinas aninhadas nas enseadas da costa; a vertente oeste, mais abrupta que a costa tirrena, permanece mais selvagem; o Cap oferece aos amadores de caça e de mergulho submarino fundos rochosos e águas claras apaixonantes.


O Cap Corse conheceu desde o século IX a influência de Pisa, então cidade poderosa da Península Itálica, que confiou a senhoria do território ao marqueses toscanos de Massa; os numerosos edifícios românicos semeados sobre as vertentes do cabo são as testemunhas arquitetônicas de uma presença que não foi somente militar; muito naturalmente se estabeleceram os contatos comerciais entre as marinas do Cap e Pisa, que monopolizou assim os negócios dos produtos agrícolas da Balagne e do Cap.


Mas, no século XII, as relações comerciais com o Cap tornaram-se objeto de uma luta encarniçada entre Gênova e Pisa, potências rivais que viviam, todos duas, de negociar; a questão começou a pender mais em favor de Gênova; relações privilegiadas se estabeleceram entre o Cap Corse e a Soberba (apelido de Gênova); ademais, os genoveses foram a origem das grandes famílias de Cap Corse: Peverelli, Turca, Avogari e da Mare; essas famílias, aliadas aos nativos Gentile de Brando e de Nonza, mantiveram a aliança genovesa; sob essa proteção, os habitantes de Cap Corse se renderam sem risco a uma atividade comercial muito desenvolvida.


No entanto, a configuração geográfica do cabo e a sua prosperidade econômica, conjugadas ao declínio de Gênova a partir do meio do século XVI, a expuseram às incursões barbarescas (ou mouras), como eram chamadas, então, as razias realizadas pela população do Norte da África (berberes); mesmo assim, os habitantes de Cap Corse, ao contrário dos das demais regiões da ilha, continuaram a se aventurar pelos mares, pescando e realizando seu comércio marítimo.


No final do século XVIII, como toda a Córsega, o Cap Corse passou a ser dominado pela França; no início do século XIX, severamente impactada em suas atividades marítimas, se voltou, de uma forma particularmente dinâmica e corajosa para a agricultura; os habitantes a desenvolveram em terraços mantidos em encostas abruptas; o empreendimento foi coroado de sucesso e o Cap afirmou-se como uma região agrícola por mais de cinquenta anos.


Uma particularidade da região: a partir de meados do século XVIII e durante o século XIX, houve uma intensa emigração: os nativos de Cap Corse foram a origem dos primeiros entrepostos franceses na África do Norte e também se dirigiram, em busca de sucesso econômico, para os Estados Unidos, Antilhas e América do Sul, tendo esse movimento influenciado na arquitetura da região; muitos dos imigrantes que fizeram fortuna, particularmente em Porto Rico e na Venezuela, construíram na sua terra de origem mansões semelhantes a palácios da Renascença italiana ou no estilo colonial sul-americano.


Mesmo com essa emigração, Cap Corse conservou sua reputação de terra vinícola de qualidade, particularmente vinhos brancos, em Macinaggio e Tomino, e vinhos tintos, brancos e rosés frutados em Patrimonio; mas o turismo é que se tornou a atividade principal.




Mapa da Córsega; no alto, vê-se o Cap Corse, o "dedo" da ilha. https://www.allerencorse.com/carte-de-la-corse/


A volta no Cap Corse.


Cardo e Comuna de Ville-di-Pietrabugno


Começamos nosso passeio por Cardo, que é, hoje, um bairro um pouco afastado da cidade de Bastia, em razão de sua geografia; está no alto, podendo alcançar 296 metros em relação ao centro de Bastia, que se encontra no nível do mar.


As verdadeiras origens de Cardo se perdem no tempo; antigo eixo romano para uns, genovês, para outros, continua sendo uma aldeia tipicamente corsa, construída no alto de um contraforte rochoso; o lugar se desenvolveu realmente no século XV, e é da sua marina, Porto Cardo, que nasceu Bastia; em 1839, Bastia propôs a anexação da aldeia à aglomeração urbana da cidade; em 1844, por ordem do rei Luís Filipe da França, Cardo tornou-se um bairro de Bastia.


A Place de Cardo ou, em corso, Piazza di à Chjessa, alberga a Église Saint-Étienne (Santo Stefano, no dialeto toscano), a 268 metros de altura, declarada monumento histórico em 1993.


O edifício atual data de 1838, mas com grandes modificações entre 1870 e 1875, tendo sido completamente reconstruído sobre as antigas fundações de uma capela medieval.




Fachada neoclássica da Église Saint-Étienne (Santo Stefano) de Cardo, terminada em 1838, mas que sofreu grandes alterações entre 1870 e 1875; apresenta uma fachada frontal cujo corpo central é pontuado por pilastras e terminado por um frontão triangular; dois corpos flanqueiam esta seção central. Piazza di à Chjessa, bairro de Cardo, comuna de Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Fonte de água potável ao lado da Église Saint-Étienne, bairro de Cardo, comuna de Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


No início do Cap Corse, encontra-se a Ville-di-Pietrabugno, composta pelas localidades de Guaitella, Alzeto e Case Vechje; são lugares antigos, fundados por volta do século XV, que guardam uma certa autenticidade; elas oferecem belas vistas sobre o Mar Tirreno (parte do Mediterrâneo, voltado para a Península Itálica); no Port de Toga, podem ser vistas as ruínas de uma torre genovesa.




Vista da localidade de Guaitella, parte alta da comuna de Ville-di-Pietrabugno; em destaque, a Église Sainte-Lucie (Santa Lucia), erguida em 1796, em estilo barroco, e seu alto campanário. A partir do bairro de Cardo, comuna de Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Bastia baixa vista de Cardo; ao fundo, à esquerda, Port de Toga, localizado no litoral da Ville-di-Pietrabugno, vertente leste do Cap Corse. A partir do bairro de Cardo, comuna de Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.



Localidade de Mandriale, comuna de Santa-Maria-di-Lota.


Numa paisagem grandiosa, abrangendo mar e floresta, a comuna de Santa-Maria-di-Lota é composta de quatro localidades, dentre elas a de Mandriale, sobre um alto que domina a Marina de Miomo e sua praia de seixos, protegida por uma bela torre genovesa do século XVI ainda em bom estado.



Église de l'Assomption de Mandriale (Santa Maria Assunta), erguida no final do século XVI, na localidade de Mandriale, 329 metros de altura, a mais alta da comuna de Santa-Maria-di-Lota. Localidade de Mandriale, comuna de Santa-Maria-di-Lota, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Comuna de Brando


A comuna de Brando é mais conhecida pelo seu litoral, como a localidade de Erbelunga, que se tornou uma escala privilegiada e reconhecida pelos numerosos cantores e músicos oriundos do lugar e pela Tour d'Erbelunga, construção genovesa do século XVI, época das invasões, tornada hoje o símbolo da estação balneária.


Tem-se, antes a localidade de Lavasina, situada à margem de uma praia de seixos, célebre por seu santuário, a Église Notre-Dame-des-Grâces, que possui um quadro representando a Virgem e o Menino Jesus, a qual se reputa ser milagroso.




Águas transparentes do Mar Tirreno, num lugar próximo à Plage de Lavasina. Localidade de Lavasina, comuna de Brando, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


A localidade de Erbalunga, uma pequena marina da comuna de Brando, alinha suas velhas maisons à flor da água sobre um pontão de xisto verde sobre o qual se tem uma antiga torre genovesa semiarruinada.


Foi a primeira marina a ser efetivamente habitada no século XVI; os corsos, sempre estressados pelas eternas invasões que a ilha sofreu ao longo dos séculos, erguiam suas aldeias e localidades no alto, preferivelmente na contraencosta das elevações, para dificultar que fossem vistas por quem se encontrava embaixo, bem como para facilitar a defesa, haja vista, que, no passado, sem o vetor aéreo e as armas de fogo de longo alcance, o alto tinha, no jargão militar, comandamento sobre a parte baixa, dificultando sobremaneira o ataque.


Assim, mesmo os habitantes do Cap Corse, os únicos corsos que tinham vocação para navegar no mar, como pescadores ou comerciantes, construíam seu lugar de residência no alto, mantendo uma marina correspondente no litoral, empregando-a apenas quando da atividade marítima, mas sem ser habitada permanentemente.




Marina de Erbalunga, a primeira a ser efetivamente habitada no século XVI; o lugar é o berço do ramo paterno do famoso poeta Paul Valéry (1871-1945), Localidade de Erbalunga, comuna de Brando, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Vista da orla sul de Erbalunga, na direção de Bastia. Marina de Erbalunga, comuna de Brando, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Comuna de Sisco


A comuna de Sisco compreende uma modesta marina à margem da rota costeira e várias localidades de altitude, por volta de dezessete, disseminadas de uma parte e de outra de um vale muito verdejante e florido.


Na Idade Média, Sisco foi uma das raras localidades da Córsega a possuir oficinas de metalurgia; ferreiros, armeiros e ourives fabricavam armas brancas, couraças e joias.




Plage de Sisco, uma praia de seixos à beira do Mar Tirreno. Marina de Sisco, comuna de Sisco, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


No caminho, apreciamos a vegetação conhecida como maquis, na zona costeira, formada por arbustos densos e aromáticos


As próprias plantas que compõem o maquis — estevas, urzes arbóreas, murtas, medronheiros, azinheiras e silvas em abundância — geraram seu próprio mito particular, por meio de sua fragrância: Napoleão Bonaparte, o filho mais ilustre da Córsega, afirmava que o odor da terra (maquis) era suficiente para reconhecer a ilha de olhos fechados.




Belo cavalo pastando no maquis da zona costeira, vegetação aromática que exala um cheiro muito agradável, um perfume natural, nas proximidades da Plage de Sisco. Comuna de Sisco, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Bela casa no Cap Corse, entre a Plage de Sisco e a Marine de Pietracorbara. Comuna de Sisco, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.



Comuna de Cagnano   


Comuna de várias facetas, Cagnano é, antes de tudo sua marina, Porticciolo (pequeno porto), e sua pesca tradicional, foi nesse pequeno porto que um estaleiro naval construiu, no passado, navios para a América.


Entre a Marina de Pietracorbara e a de Porticciolo, já dentro da comuna de Cagnano, eleva-se, à esquerda da estrada costeira, uma das mais famosas torres genovesas, a Tour de l'Osse ou Tour de Losse e sua pequena praia, num entorno ainda selvagem e protegido; construída no século XVI, outrora era conhecida como Torre dell'Aquila (Torre da Águia), devendo seu nome atual à descoberta de esqueletos nas suas fundações.


Para prevenir as razias barbarescas, a partir de 1530, pelo menos de oitenta e cinco a noventa torres redondas foram edificadas pelos genoveses para vigiar o litoral, circundando a costa da Córsega; as mais numerosas subsistem no Cap Corse; elas são, em geral, construídas sobre um mesmo esquema: a porta encontrava-se no primeiro andar, a qual se acessava seja por uma escada fixa, seja, mais frequentemente, por uma escada retrátil em madeira, que tornava a posição impenetrável; também, no interior, passava-se de um nível para outro (salas da guarda ou plataforma de observação) por outras escadas amovíveis.


As torres do litoral tinham como fim principal observar e alertar a população para lhe permitir se refugiar nas zonas seguras do interior; até o século XVIII, regras muito restritas, estabelecidas pelos genoveses, regiam a guarda das torres de vigilância do litoral; eis algumas obrigações dos vigilantes, conhecidos como torregiani: 1) subir a cada noite, após o pôr do sol, para verificar a ausência de aproximação barbaresca e, de acordo com a situação, comunicar-se com as torres vizinhas por meio de fogos convencionados; 2) proibição de abster-se mais de dois dias, e por um vigia de cada vez; proibido também aos guardas pagar para serem substituídos; 3) obrigação de informar aos navegadores que perguntassem aos vigias o estado de segurança da rota escolhida; 4) a responsabilidade de cobrar impostos dos navios que passavam também cabia aos vigias.


Atualmente, subsistem cerca de sessenta torres na Córsega; elas fazem parte de uma programação de restauração.


 


Tour de l'Osse, do séc. XVI, próximo ao sul do Porto ou Marina de Porticciolo; erguida para defender o litoral corso das razias realizadas pelos mouros com o fim de promover saques e destruição, ações que duraram cerca de três séculos. Comuna de Cagnano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Tour de l'Osse; século XVI; no terraço, há ameias que vazam o parapeito de formar a permitir que os guardas, na época, atirassem flechas ou disparassem armas de fogo contra os atacantes, numa posição relativamente protegida; abaixo do parapeito, entre as mísulas que o sustentam, veem-se aberturas conhecidas como mata-cães, através das quais se podia observar os atacantes que se encontravam na base da parede defensiva, solapando-a ou assediando um portal, para agredi-los com pedras, flechas, água fervente, areia quente, cal virgem, alcatrão, óleo fervente, ou outros objetos; a porta ficava no primeiro andar, somente acessível por uma escada móvel; um ressalto (anel) que delimitava o nível dos armazéns e da cisterna d'água; na base, o "fruit" (assemelha-se a uma pera), ou seja, a inclinação dada ao lado externo da parede da torre, cujas finalidades são fortalecer a estrutura em sua fundação, exigindo mais esforço do inimigo nos trabalhos de sapa, e permitir que os projéteis lançados do terraço ricocheteiem nos atacantes. Comuna de Cagnano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




"Nosso" Citroën C4, alugado para a viagem, nas proximidades da Tour de l'Osse. Comuna de Cagnano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Lindas cores das águas do Mar Tirreno, nas proximidades da Torra di l'Osse. Comuna de Cagnano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Comuna de Rogliano


Rogliano é uma comuna habitada desde a época romana e é formada por sete localidades disseminadas por diversos esporões: Campiano, Bettolacce, Magna, Soprana e Sottana, Olivo, Vignale e Querciolo; Rogliano nivela suas torres, as fachadas de suas igrejas e suas altas casas antigas em uma depressão verdejante protegida pelo Mont Poggio.


Mas a comuna possui também sua marina, o Port de Macinaggio; este marca praticamente a extremidade marítima norte da ilha; frequentado desde a antiguidade, recebeu as visitas de Pasquale Paoli, em 1790, de Napoleão Bonaparte, ainda menino, em 1773, e da imperatriz Eugênia, consorte de Napoleão III, da França, em 1869; porto de pesca e sobretudo de diversão, restaurado e renovado, tornou-se, ao fio dos anos, um lugar turístico de prestígio, escala entre a Córsega e o continente; pode-se praticar, também, mergulho, alugar barcos à vela ou com motor e contratar passeios pelo mar.


No porto, durante nossa visita, encontrava-se hasteada a Drapeau de la Corse ou, na língua corsa, Bandera di Corsica (Bandeira da Córsega), representando o perfil de uma cabeça negra, conhecida como Cabeça de Mouro, usando uma faixa branca na cabeça, sobre um fundo completamente branco.


A Cabeça de Mouro aparece na Córsega no final do século XIII, sobre as armas do rei de Aragão, em lembrança a reconquista cristã da Espanha (a chamada Cruz de Alcoraz, terceiro quartel do Escudo de Aragão, composto da Cruz de São Jorge em campo branco, com uma Cabeça de Mouro em cada um dos quatros cantos, presa com uma faixa branca, cuja cauda longa cai atrás do pescoço; atribuída ao rei Pedro I, para celebrar a tomada de Huesca dos mouros (berberes mulçumanos), após a batalha de Alcoraz, em 1096); surge na ilha em razão de o papa Bonifácio VIII, em 1297, ter investido os aragoneses, sob o reinado de Jaime II, no domínio sobre a Córsega e a Sardenha, mas que, na prática, não se efetivou na época.


Esse símbolo é retomado quase dois séculos mais tarde pelos chefes corsos partidários dos aragoneses, dentre eles, Vincentello d'Istria, lugar-tenente do rei Afonso V, de Aragão, que construiu a Citadelle de Corte, por volta de 1420.


Caída em desuso, a Cabeça de Mouro reaparece no século XVIII, notadamente com o general Gaffori no cerco de Bastia (1754); mas é com Pasquale Paoli que esta tornou-se o símbolo oficial da nação corsa; ele decidiu suprimir as correntes e outras marcas de submissão e subir a faixa, que, antes, cobria os olhos; uma das versões da adoção dessa cabeça diz que os corsos o fizeram como emblema da luta encarniçada contra qualquer invasor da ilha, simbolizada pelos terríveis sarracenos ou mouros, que, por séculos, praticaram suas razias no território corso.




Bandeira da Córsega; autora Patricia.fidi; https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flag_of_Corsica.svg#file




Port de Macinaggio, marina de Rogliano, lugar de alto turismo, escala de navegadores e de praticantes de mergulho; no mastro, a Bandeira da Córsega - fundo branco, tendo no centro a Cabeça de Mouro -. Porto de Macinaggio, Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Portu di Macinaghju (em corso); houve as passagem no porto de Pasquale Paoli, em 1790, de Napoleão Bonaparte, ainda menino, em 1773. Porto de Macinaggio, Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




A Chapelle de Saint-Marc; no nicho, vê-se a imagem do evangelista São Marcos com o livro sagrado; registre-se, também, que houve no lugar a passagem da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, em 1869. Porto de Macinaggio, Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Cabe observar que a imperatriz Eugênia retirou de seus cofres o suficiente para construir a estrada que atravessa a Comuna de Rogliano e que desde então é chamada de "Caminho da Imperatriz".


A principal localidade da Comuna de Rogliano chama-se Bettolacce, que funciona como sua capital.




Prédio da Mairie de Rogliano (Prefeitura de Rogliano). Localidade de Bettolacce, capital da Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Telhados de ardósia das casas da localidade de Bettolacce, a partir das quais se veem a Punta di a Coscia e, mais ao fundo, a Ilha Capraia, pertencente a Livorno, Itália. Localidade de Bettolacce, capital da Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Teto de casa com pedras de ardósia, Bettolacce; ao fundo, a Plage U Stazzu e a Punta di a Coscia, com torre genovesa. Localidade de Bettolacce, capital da Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Casas de Bettolacce, ao fundo, o Domaine de Gioielli (vinícola) e, na sequência, sobre um monte do litoral, o Moulin de la Butte de Bucinu (moinho de vento, situado na Comuna de Tomino), ao sul do Port de Macinaggio. Localidade de Bettolacce, capital da Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Ruína de edifício de pedra na localidade de Bettolacce, capital da Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Domaine de Gioielli (vinícola), tanque, e, ao fundo, à esquerda, o Port de Macinaggio, e, à sua direita, um monte com o Moulin de la Butte de Bucinu, situado na Comuna de Tomino. Localidade de Bettolacce, capital da Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


A Tour de Rogliano, também conhecida como Tour della Parocchia ou Torre Franceschi, é uma torre circular construída no século XV no coração da localidade de Bettolacce, na Comuna de Rogliano; este monumento fortificado, em excelente estado de conservação, representa a arquitetura militar genovesa que marcou profundamente a paisagem da Córsega entre a Idade Média e o Renascimento; servia, provavelmente, como posto de observação e defesa, para controlar as populações locais e as rotas comerciais marítimas em uma região frequentemente ameaçada por ataques de piratas berberes; sua localização central na localidade, perto da Église Sant'Agnellu, reflete seu duplo papel, defensivo e simbólico, dentro da comunidade.




Torre Franceschi, também conhecida como Tour della Parocchia; erguida no século XV pelos genoveses, com utilização de materiais locais, como xisto e calcário; estrutura redonda em pedra, projetada para resistir a ataques e oferecer uma vista panorâmica dos arredores. Localidade de Bettolacce, capital da Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Ao lado da torre, encontra-se a Chapelle de Confrérie Santa Croce de Rogliano; foi construída no século XVII, dedicada aos membros da Confrérie des Pénitents de la Sainte Croix (Confraria dos Penitentes da Santa Cruz), uma associação religiosa leiga típica da Córsega e do Mediterrâneo; seu papel era tanto espiritual, com práticas de devoção e penitência, quanto social, organizando ritos coletivos como procissões e serviços fúnebres; o edifício reflete, portanto, a importância das confrarias na vida comunitária da ilha durante o início da Era Moderna.




Fachada principal da Chapelle de Confrérie Santa Croce, do século XVII; serviu de oratório dos Irmãos Penitentes da Santa Cruz; fachada de dois andares separada por uma cornija, pontuada por contrafortes que definem três vãos; o frontão triangular domina uma porta central encimada por uma janela semicircular no tímpano, um motivo comum em edifícios religiosos barrocos; sob o telhado inclinado, uma série de mísulas adornadas com glifos — símbolos gravados — acrescenta um toque decorativo singular, evidenciando o cuidado empregado na sua construção; estes elementos estilísticos sugerem influências tanto locais como italianas, características da Córsega durante este período. Localidade de Bettolacce, capital da Comuna de Rogliano, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Comuna de Ersa - norte do Cap Corse


A Comuna de Ersa acolhe um importante parque eólico ao norte do Cap Corse; a partir da localidade de Boticella, após um percurso sinuoso de cerca de 7 km, na estrada D 253, atravessando maquis e olivais, chega-se ao aprazível Port de Barcaggio, um pequeno porto, na ponta do Cap Corse, escondido no fundo de uma baía, em frente à Îlot de la Giraglia (Ilhota da Giraglia); do lado, estende-se um longa e bela praia de mesmo nome (Barccaggio) de areia e de seixos.


A Îlot de la Giraglia (Ilhota da Giraglia) está no extremo norte do Cap Corse, o qual é protegido pelo farol que fica na ilhota.




Ilhota da Giraglia, com farol, ponto extremo norte do Cap Corse; com destaque para as águas com tons de azul-turquesa. Port de Barcaggio, Comuna de Ersa, norte do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Îlot de la Giraglia, com farol, vista a partir do Portu di Barcaghju (em língua corsa). Port de Barcaggio, Comuna de Ersa, norte do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Comuna de Centuri


A atração principal da comuna é seu porto, conhecido como Port de Centuri ou, em corso, Portu Turisticu di Centuri; localizado numa bela baía, é um dos melhores lugares para fazer escala no Cap Corse; de manhã cedo, o porto oferece uma atmosfera deliciosa com uma luz bem suave, iluminando as casas com reboco ocre, cinza ou branco e seus belos telhados feitos de pedras de serpentina (silicato) verde.


Por volta de 1760, Pasquale Paoli transformou-o em porto de guerra e criou um estaleiro naval para fornecer navios de combate para a frota corsa, capazes de combater os genoveses.




Port de Centuri; no século XVIII, o líder patriota Pasquale Paoli fez dele um porto de guerra, criando também um estaleiro para fornecer barcos de combate para a frota corsa na luta contra os invasores genoveses; ao fundo, à direita, a Ilhota de Capense. Vista a partir do Belvédère du Col de la Serra (361 metros), Comuna de Centuri, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Belvédère du Col de la Serra, de onde se avistam ruínas de moinhos de vento rodeadas por cabras. Col de la Serra, Comuna de Centuri, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Cabras no Col de la Serra, oeste do Cap Corse. Comuna de Centuri, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Comuna de Barrettali


Barrettali, com seu pequeno porto de Giottani e suas localidades empoleiradas no alto, encarna o arquétipo da comuna do Cap Corse, com seus grandes mausoléus, como o da família Calizi-Altieri, situado na localidade de Minervio, visível acima da estada, que data dos anos 1930 e que é apelidado de Panteão por sua evidente semelhança com o famoso monumento parisiense.


Os túmulos de Cap Corse surgem a cada curva, emergindo da vegetação rasteira, muitas vezes de frente para o mar, às vezes no coração das localidades; esses monumentos, aparentemente atemporais, foram construídos na virada do século XX, com seus telhados em forma de cúpula ou, por vezes, de quatro águas, e suas dimensões extraordinárias, acessíveis ao final de grandes escadarias ou com apenas alguns degraus; raramente, em uma área geográfica tão pequena, populações ergueram tantos edifícios funerários desse porte; eles testemunham uma certa grandeza dos homens e mulheres desta região norte da Córsega, como mercadores ricos, figuras notáveis, em particular, médicos e políticos, e alguns que emigraram para outros países, no Caribe e na América do Sul, e retornaram à terra natal para demonstrar o seu sucesso.


O Mausoléu da Família Calizi-Altieri conta uma história antiga, a de uma linhagem de notários, capitães de navio e mercadores, particularmente em Marselha; a família já não reside na ilha, mas os seus descendentes continuam a preservar o que permanece como um símbolo do seu sucesso.




Mausoléu da Família Calizi-Altieri, visível da estrada D 80; também é conhecido como Panteão, dada uma certa semelhança com o monumento parisiense; grandioso túmulo de mármore, sustentado por imponentes colunas e encimado por uma cúpula; uma das versões de sua construção, em 1935, é de que foi iniciativa de Louis Altieri, após o falecimento de seu pai (ou sogro) Giuseppe Antonio Calizi, membro da Legião de Honra, que teria sido inumado aqui. Localidade de Minervio, Comuna de Barrettali,  vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Comuna de Luri


A Comuna de Luri se espalha por várias localidades, num vale verdejante aberto sobre a costa leste do Cap Corse; sobre as ruínas da Tour des Motti, foi construída a denominada Tour de Sénèque (Torre de Sêneca); embora ela tenha o nome do famoso filósofo estoico romano, este nunca esteve nela, embora tenha recebido o castigo de exílio na ilha.


O imperador Cláudio, instigado por sua esposa Valéria Messalina, condenou Sêneca, em 41, ao exílio na Córsega sob a acusação de adultério com a jovem Júlia Lívila, irmã de Calígula, tendo ele permanecido na ilha até 49; nos seus escritos, o filósofo não faz uma descrição muito positiva da ilha: "A terra onde me encontro não tem a mínima mercadoria para oferecer ao comércio exterior, e mal dá para o sustento de seus habitantes; aqui não se extraem mármores preciosos nem se exploram minas de ouro ou prata".


Na estrada D 180, na direção de Santa Severa, encontramos um lugar conhecido como Jardins Traditionnels du Cap Corse, que oferecia, na época, uma parada agradável e didática.




Les Jardins Traditionnels du Cap Corse, margem da estrada D180, local onde podemos observar algumas flores, possivelmente nativas. Chemin Cepitta ou Cepita, Comuna de Luri, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.  




Les Jardins Traditionnels du Cap Corse, na margem da estrada D 180, Chemin Cepitta ou Cepita, Comuna de Luri, vertente leste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Comuna de Patrimonio


Por fim, encerramos nossa volta pelo Cap Corse na Comuna de Patrimonio; ela dissemina suas casas e sua grande igreja sobre as vertentes de uma colina próspera coberta de pomares e vinhedos.


Reputada sobretudo por suas vinícolas, a comuna é de ocupação muito antiga; já na Antiguidade, seus vinhos eram muito apreciados; é composta por onze localidades entre vinhedos, e todas guardam sua autenticidade.




Patrimonio, com vista, ao fundo, da Maison Calvelli. Comuna de Patrimonio, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


No centro da comuna, na localidade de Cardeto, encontra-se a Église Saint-Martin (San Martinu); essa igreja, com seus xistos que tomam, no sol poente, um tom dourado quente, compõe uma das imagens turísticas mais conhecidas da Córsega; edificada a partir de 1570, ela foi reformada entre 1801 e 1810, sendo que a parte superior e o campanário datam dessa época.




Fachada principal da Église Saint-Martin (San Martinu), erguida no século XVI e amplamente reformada no início do século XIX. Localidade de Cardeto, Comuna de Patrimonio, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Em direção ao litoral, entre vinhedos, encontra-se a Maison de Notable de la Famille Calvelli (Calvello); a casa está situada num promontório chamado U Calvellu; é um edifício do século XVI, imponente devido ao seu tamanho, provavelmente um dos maiores da Córsega; possui cerca de quarenta quartos; as paredes são rebocadas com pedra aparente. uma cornija em cavetto percorre a parte inferior do telhado de lajes de xisto; em outra fachada, podem ser vistos vestígios de elementos medievais da casa: mísulas que provavelmente sustentavam uma torre de vigia e contrafortes; a casa conta com uma capela particular, a Chapelle de la Sainte Trinité (Capela da Santíssima Trindade).




Maison de la Famille Calvelli; erguida no século XVI; mais de quarenta cômodos; à esquerda, a Chapelle de la Sainte Trinité, particular. Promontório U Calvellu, Localidade de Calvello, Comuna de Patrimonio, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Patrimonio; lugar de produção de vinhos de denominação controlada; ao fundo, vinhedos, montes e, no litoral, as Marines du Soleil vistos a partir da Localidade de Cardeto, Comuna de Patrimonio, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Ainda na comuna, avistamos uma casa muito intrigante, a Maison de Notable de la Famille Maestracci (Poretto)


A casa vislumbra-se por trás de uma cortina de eucaliptos; tem um formato alongado em U; a fachada frontal é o elemento mais marcante; recuada ao centro, a entrada principal no primeiro andar é visível; o acesso é feito por duas escadas retas que levam a uma varanda que percorre ambos os lados; a porta de entrada é emoldurada por uma decoração vegetal e encimada por um frontão triangular, no qual uma cabeça de lobo está esculpida em alto relevo, juntamente com a data de 1894.


Diz-se que Elvira Maestracci-Pietri reproduziu os planos da casa que seu pai havia construído em Porto Rico; sendo Patrimonio uma região vinícola, seu marido, Pierre Antoine, quis que a casa fosse construída em um único nível (primeiro andar), de forma a acomodar a adega no piso inferior (térreo), sendo essa a única diferença em relação à arquitetura porto-riquenha; no entanto, devido à falta de verbas, a varanda, que deveria circundar toda a casa, ficou limitada à fachada.




Maison de la Famille Maestracci, inaugurada em 1894, construída com base em modelo de casa de Porto Rico, local em que a família obteve sucesso financeiro; a porta é ladeada por dois vãos e encimada com um frontão com uma escultura de cabeça de lobo; a fachada é recuada e encimada por um frontão triangular com cornija moldada e perfurado por um óculo; acima do frontão, a parede continua a ocultar o telhado; a fachada principal é flanqueada por duas alas, cada uma com vãos regularmente espaçados. Poretto, Comuna de Patrimonio, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Hôtel du Vignoble, com uma loja Cave Louis Montemagni, com venda de vinhos (foi alterado para vinhos Domaine U Murtone, de Jean-Luc Santini, neto de Louis Montemagni). Margem da estrada D 81, Comuna de Patrimonio, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Também encontramos, ao longo da estrada D 81, uma pequena capela curiosa, a Chapelle Sainte-Marie (Santa Maria Assunta), em estilo românico, que domina um cruzamento de estradas no coração de Patrimonio; de difícil datação, o edifício pode ter sido erguido entre os séculos X e XI, ou ser o resultado de uma reconstrução com materiais antigos.




Chapelle Sainte-Marie (Santa Maria Assunta), à margem da estrada D 81, em frente ao posto dos Correios; estilo românico, possivelmente erguida entre os séculos X ou XI, ou construção mais recente, empregando materiais antigos. Comuna de Patrimonio, vertente oeste do Cap Corse, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


No nosso próximo post, vamos conhecer a região ao sul de Bastia, Casinca e Costa Verde, no leste da Córsega.



Fontes:


Wikipedia


"Petit Futé Corse 2013", de Xavier Bonnin, Jean-Paul Labourdete, Dominique Auzias et alter; édité par Les Nouvelles Editions de l'Université, 18, rue des Volontaires, Paris, France; impression par Imprimerie Chirat, Saint-Just-la-Pendue, France, février 2013.


"Le Guide Vert Michelin Corse"; responsable par collection Anne Teffo; édition de Natacha Brumard; rédaction de Jordane Bertrand, Isabelle Bruno, Louise Druet, Jean-Louis Gallo, Guylaine Idoux e Hervé Kerros; édité par Michelin, Propriétaires-éditeurs et Michelin Guides Touristiques, 27, cours de l'Île-Seguin, Boulogne-Billancourt, France; impression par Tipografica Varese, Italie, 01-2013.


"La Corse - Île de Beauté, Terre de Liberté", de Jean-Paul Brighelli; collection conçue par Pierre Marchand, édité par Découvertes Gallimard Culture et Société; impression par IME, France, avril 2004.










Comentários


Obrigado por se subscrever!

SUBSCREVER

bottom of page