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Nice - Parte II - Colline du Châteaux e Promenade des Anglais - Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur - França - 2013

31 de jul.
15 min de leitura

Plage de l'Opéra, uma praia privada instalada num lugar icônico de Nice, o balneário marítimo mais antigo da cidade, criado em 1899, onde podem ser apreciados os belíssimos e variados tons de azul da Baie des Anges (Baía dos Anjos), no mar Mediterrâneo. Quai des États-Unis, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.



Nice - Parte II


Continuando nossa visita a Nice, dirigimo-nos, caminhando pela beira-mar, ao sudeste da cidade para conhecer a Colline du Château (Colina do Castelo).


Ao longo do Quai des États-Unis, fomos observando alguns edifícios interessantes, como o Résidentiel Beau Rivage, local onde, em diferentes épocas, se hospedaram personalidades de renome internacional, como a francesa Santa Teresinha do Menino Jesus, em 1887, o escritor russo Anton Tchekhov, em 1891, autor de peças teatrais, como "Tio Vânia" e "Cerejeira", contos, como "O caçador", e a novela "A estepe", e o pintor e gravurista francês Henri Matisse (citado no post anterior, Nice - Parte I), em 1916, autor de "A dança" e "Mulher de chapéu".




Résidentiel Beau Rivage, estilo clássico da Belle Époque, construído em 1860 por Victoire Schmitz e restaurado por Georges-Xavier Marguarita em 1984. Quai des États-Unis, 107, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Placa na fachada principal do Résidentiel Beau Rivage lembrando que Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja Católica, pernoitou aqui, em 1887. Quai des États-Unis, 107, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Placas na fachada principal do Résidentiel Beau Rivage lembrando que aqui habitaram o escritor russo Anton Tchekhov, em 1891, e o pintor e gravurista francês Henri Matisse, em 1916. Quai des États-Unis, 107, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Bela casa, ao lado do então Studio Immobiliare (SI), Quai des États-Unis, por volta do n. 130, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Chegamos ao sopé da Colline du Châteaux (Colina do Castelo).


É difícil se imaginar hoje, mas Nice foi, por muito tempo, uma das principais cidadelas fortificadas do Mediterrâneo, uma praça forte de grande importância que os exércitos disputavam a cada conflito armado e cuja posse era determinante; isso até o início do século XVIII, precisamente em 1706, quando o rei Luís XIV da França decidiu colocar um fim.


Como todas as cidades, durante a Idade Média, Nice era provida de muralhas de proteção, inicialmente em torno da "ville haute" (vila alta), correspondente à atual Colina do Castelo, onde se encontrava o Castelo Condal, e próximo a qual se encontrava o sítio da implantação antiga, a sede da Nikaïa grega; a partir do século XIII, a cidade se estendeu sobre os contrafortes da colina, sobre o que seria mais tarde a Vieux-Nice, mas que se chamava, na época, a "ville basse" (vila baixa); conventos, palacetes, lojas foram construídas nessa zona compreendida entre os contrafortes e o leito do rio Paillon, que era então menos definido e mais largo do que hoje; uma muralha protegia a cidade ao longo do rio Paillon, desde a Torre Pairolière (que ficava onde hoje é o início da Place Garibaldi) até o mar.


No século XVI, alertado pelas numerosas ameaças sofridas pela cidade e pela província inteira, Emanuel Felisberto, duque de Saboia, decidiu fortificar todo o litoral de seus Estados; o sistema de defesa se constituía da Cidadela de Villefranche-sur-Mer (base de frota ducal), do Forte de Mont-Alban, do Forte Saint-Hospice (sobre o Cap Ferrat) e também das muralhas e da Cidadela de Nice, cujo papel era decisivo; em prol da máxima eficiência, o duque ordenou a expropriação da Colina do Castelo em benefício do exército; enquanto as edificações civis e religiosas tiveram que descer para se instalar na "ville basse" (como a Catedral de Santa Maria do Castelo), a colina foi inteiramente militarizada, abrigando somente o governador e a guarnição; era, então, uma das maiores cidadelas do Mediterrâneo ocidental.


Durante todo o século XVII, os Estados de Saboia foram teatro de operações militares incessantes, e Nice foi várias vezes assediada: em 1543, a cidade resistiu vitoriosamente às tropas francesas e turcas; em 1691, ela teve, dessa vez, que se render e, na ocasião, a Cidadela foi bastante danificada por uma explosão; em 1705, Nice teve que sustentar um novo cerco francês, tendo se rendido em 5 de janeiro de 1706; dessa vez, o rei Luís XVI, irritado com a resistência obstinada dos habitantes de Nice, decidiu arrasar as fortificações e o Castelo no limite do seu reino, cuja conquista exigira tanto esforço em cada conflito; Nice viu suas muralhas, a torre principal e todo o sistema de fortificações destruídos pela pólvora, desaparecendo completamente; ficou sem meios de se defender, tornando-se uma cidade aberta; por outro lado, por mais trágico que tenha sido na época, veio a permitir, contudo, um novo período de desenvolvimento com o acolhimento de visitantes estrangeiros durante o inverno.


Assim, a Colina do Castelo, em sua grande parte, passou a ser um espaço aberto, o Parc de la Colline du Château, com passeios arborizados, um lugar para jogos e pisos de mosaico recordando as origens helênicas da cidade, além de dois cemitérios, um deles hebraico.


Um dos acessos à colina é um elevador, pelo qual você também alcança a Tour Bellanda, construída no século XIX no local de uma torre de defesa da antiga fortaleza (a Tour du Môle).


Em 1824, a família Clerissi obteve permissão para restaurar a Torre Môle e transformá-la em um hotel; nela se hospedou, em 1831, o compositor francês Hector Berlioz, a caminho de Paris, decidido a matar Marie-Félicité-Denise Moke, sua noiva, que rompera o compromisso para casar com um homem rico, e a mãe dela; mas, ao experimentar o clima luminoso da cidade e usufruir seu quarto com vista para o mar e um pequeno espaço aberto em frente à torre, onde se deitava, contemplando o mar e contando os barcos de pesca, o compositor desistiu da ideia funesta; ali mesmo, entre abril e maio de 1831, Hector Berlioz criou a abertura da famosa ópera "Rei Lear".


Hector Berlioz foi um compositor romântico francês que viveu de 1803 a 1869; suas obras mais famosas, além da "Abertura de rei Lear", são "Sinfonia fantástica", "Grande Missa dos Mortos" ou "Requiem, "A danação de Fausto", "Os troianos" e "Romeu e Julieta".




Placa sobre Hector Berlioz na torre Bellanda; nela o compositor francês se hospedou, entre abril e maio de 1831, quando escreveu a abertura da ópera "Rei Lear". Rue des Ponchettes (sopé da Colline du Château), Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Bela guarita com telhado envernizado sobre o terraço da Tour Bellanda, esta erguida entre 1824 e 1825 sobre as ruínas da Tour du Môle. Rue des Ponchettes (sopé da Colline du Château), Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Vista do mar Mediterrâneo do terraço da Tour Bellanda; no dia, as águas estavam bem tranquilas. Rue des Ponchettes (sopé da Colline du Château), Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Vista da Baie des Anges e da orla de Nice (Quai des États-Unis e Promenade des Anglais) a partir do terraço da Tour Bellanda. Rue des Ponchettes (sopé da Colline du Château), Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




"Ville basse", hoje Vieux-Nice, vista a partir da Tour Bellanda; vê-se, na centro-esquerda, o campanário da Chapelle Sainte Rita à Nice-Église de l'Annonciation, e, mais à direita dela, a cúpula e o campanário da Cathédrale Sainte-Réparate. Rue des Ponchettes (sopé da Colline du Château), Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Em seguida, subimos e alcançamos o Parc de la Colline du Château (Parque da Colina do Castelo), onde podem ser vistos vestígios das antigas edificações, como, por exemplo, restos das fundações da Cathédrale Sainte-Marie du Château (Catedral de Santa Maria do Castelo), expropriada pelo duque Emanuel Felisberto, no século XVI, tendo a então Église Sainte-Réparate, na "ville basse", assumido a função de catedral da cidade.


Do alto da Colina do Castelo, podemos observar a expansão da cidade e o Port de Nice (Porto de Nice).


Nice nasceu do mar; foram os marinheiros gregos que a fundaram a fim de poder estabelecer ali um entreposto comercial e ancorar os seus navios na enseada de Ponchettes (também conhecida como Saint-Lambert); não havia nenhum porto no lugar em que o atual se encontra até o século XVIII.


No início do século XVIII, os duques de Saboia haviam conquistado um lugar de destaque no cenário das nações, além de recursos financeiros significativos; tornava-se urgente encontrar uma solução para ampliar a área de ancoragem em Nice e adaptá-la à tonelagem dos navios da época, especialmente porque os Estados de Saboia haviam se expandido com a ilha da Sardenha, e as comunicações marítimas via Nice eram as únicas possíveis.


A hipotética ampliação do embarcadouro da enseada de Ponchettes (Saint-Lambert) foi abandonada, e o rei Carlos Emanuel III de Saboia decidiu criar o porto na zona desabitada e pantanosa de Lympia.


A obra de escavação do porto foi realizada num curto período, entre 1749 e 1751, por Philippe Nicolis de Robilante; foram empregados condenados da prisão de Nice, que transportaram as pedras da pedreira localizada na encosta da colina do Castelo; mas as obras continuaram até o final do século XIX, quando o porto adquiriu o seu aspecto atual, com a Église du Port e os dois imóveis simétricos cuja aparência geral evocava inevitavelmente Turim.


Armazéns foram construídos para guardar as mercadorias que eram descarregadas e carregadas: trigo, carvão, têxteis, cimento, madeira, azeite, etc.


Mas, após a Primeira e, sobretudo, a Segunda Guerra Mundial, o tráfico comercial declinou sensivelmente no porto de Nice, passando este a ser mais frequentado por navios de passeio e iates de luxo, com a explosão do turismo.




Port de Nice (Port Lympia) a partir do mirante do Parc du Château; vê-se o antigo Quai du Commerce (onde se encontra ancorado um grande navio); ao fundo, o Mont Boron, onde ficava localizada a Bateria de Mont Boron, hoje em ruínas. Parc de la Colline du Château, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Port de Nice (Port Lympia); à esquerda, o antigo Quai du Commerce; à direita, o espigão com o farol do porto; ao fundo, à esquerda, o Mont Boron, e à direita, se projetando no mar, o Cap de Nice. Parc de la Colline du Château, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Port de Nice (Port Lympia); ao fundo, à esquerda, a Place de l'Île de Beauté, tendo ao centro a Église Notre-Dame du Port, em estilo neoclássico, ladeada por imóveis simétricos, inspirados na arquitetura de Turim; na centro-direita, o Quai de Deux Emmanuels e o Quai des Docks. Parc de la Colline du Château, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Iniciando a descida da Colina do Castelo, nos deparamos com uma bela vista sobre a Vieux-Nice (Nice Velha), antiga "ville basse".




Vieux-Nice; na frente, o campanário da Église Saint-Jacques-le-Majeur, conhecida também como Église du Jésus, criada pelos jesuítas no século XVII; mais ao fundo, a Cathédrale Sainte-Réparate, com campanário e cúpula (domo). Parc de la Colline du Château, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Na encosta oeste da colina, passamos pelo Prieuré Saint-Joseph (Priorado São José), localizado na Place Sainte-Claire, que faz parte da Fraternité Sacerdotale Saint-Pie X (Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX)), criada pelo bispo francês Marcel Lefebvre, uma organização católica tradicionalista que se opõe às reformas empreendidas pelo Concílio Vaticano II.


O priorado é responsável pela Chapelle de la Visitation (Capela da Visitação), iniciada no século XVII, que fazia parte de um antigo convento das irmãs clarissas, hoje desafetado e transformado em hotel.



Entrada do Prieuré Saint-Joseph, um dos lugares de culto tradicional da Fraternité Sacerdotale Saint-Pie X (FSSPX), ao lado da Chapelle de la Visitation. Place Sainte-Claire, 17, subida Menica Rondelly, Vieux-Nice, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Já na parte plana da Vieux-Nice, nos deleitamos com uma comida tradicional de Nice, a socca, uma massa feita de farinha de grão-de-bico, no restaurante Lou Pilha Leva, de especialidades culinárias de Nice.




Degustando a socca, panqueca da culinária de Nice feita de farinha de grão-de-bico no restaurante Lou Pilha Leva. Rue du Collet, 10, (Place Centrale), Vieux-Nice, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Perambulando pelas ruelas da Vieux-Nice, podemos observar fachadas típicas do lugar, que guardam uma grande semelhança com as de muitos lugares da Itália; destaque para as janelas com venezianas, que permitem controlar a ventilação e ver o exterior sem ser visto, guardando a privacidade.




Placa da Praça Central de Vieux-Nice, em francês (Place Centrale) e em occitano niçardo (Plassa Centrala); as fachadas típicas do velho bairro, muito semelhantes à da Itália; janelas com venezianas, que controlam a ventilação e guardam a privacidade. Place Centrale, Vieux-Nice, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Em seguida, nos dirigimos para o norte e nos deparamos com a Place Saint-François, que recebeu esse nome em homenagem ao convento franciscano, erguido ali no século XIII, mas que foi quase todo destruído, infelizmente, durante a Revolução Francesa; a praça é particularmente movimentada pela manhã, quando abriga seu famoso mercado dos peixes, com exceção das segundas-feiras.


Na praça encontra-se a Fontaine aux Dauphins (Fonte dos Golfinhos), desenhada pelo arquiteto municipal François Aragon e realizada pelo escultor César Chiavacci em 1938.




Fontaine aux Dauphins (Fonte dos Golfinhos), desenhada pelo arquiteto municipal François Aragon e realizada pelo escultor César Chiavacci, em 1938, no estilo neobarroco; consiste numa bacia quadrada da qual emerge uma base decorada com volutas e baixos-relevos, sustentando quatro golfinhos entrelaçados que carregam uma bola; a fonte fica localizada na Place Saint-François, onde funciona um mercado dos peixes todas as manhãs (exceto nas segundas). Vieux-Nice, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Saindo da Vieux-Nice, nos encaminhamos para a região norte do Port de Nice, pela Rue Bonaparte, onde encontramos um velho palacete, a maison du comte Joseph Laurenti, no qual se hospedou Napoleão Bonaparte de 22 de março a 22 de dezembro de 1794, quando era comandante da Artilharia do Exército da Itália, criado pelos revolucionários franceses em 1792.




Placa na fachada da maison du comte Joseph Laurenti (conde Laurenti, então comerciante em Nice), palacete no qual Napoleão Bonaparte, então general de brigada e comandante da Artilharia do Exército da Itália, se hospedou entre 27 de março e 22 de dezembro de 1794. Atual Rue Bonaparte, 6, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Descendo para o porto, na Square Guynemer, encontra-se o Monumento a Carlos Félix de Saboia, rei da Sardenha, duque de Saboia e príncipe do Piemonte de 1821 a 1831, que confirmou os privilégios de porto aberto (franco) para o comércio internacional do Port Lympia.


Voltado para o porto, o monumento, atribuído ao arquiteto italiano Paolo Emilio Barberi, realizado em 1828 (ou 1829), retrata Carlos Félix em trajes de época, provavelmente do século XVI, apontando para o mar; uma águia, símbolo da cidade, portando a cruz da família Saboia, está a seus pés; danificado durante os tumultos de 1851, provocados por populares contrários à supressão dos privilégios de porto franco (a estátua ficou com alguns dedos da mão esquerda mutilados), o monumento é a única homenagem prestada a um soberano da Saboia em Nice.




Monumento a Carlos Félix de Saboia, rei da Sardenha, duque de Saboia e príncipe do Piemonte, que manteve os privilégios de ponto franco da cidade; a obra é atribuída ao arquiteto italiano Paolo Emilio Barberi, 1828 (ou 1829); os dedos da mãe esquerda da estátua foram mutilados quando da revolta da população com a possível supressão dos privilégios de porto aberto da cidade, em 1851. Square Guynemer, Quai Lunel, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Na doca seguinte, Quai Rauba-Capèu, encontra-se o Monumento aos Mortos de Nice, obra do escultor francês Alfred Janniot de 1927 e inaugurado em 1928, é uma homenagem aos filhos de Nice que tombaram durante a Primeira Guerra Mundial; alcança 32 metros de altura e traz os nomes de 3665 soldados; destaca-se por suas esculturas em alto-relevo que simbolizam a guerra e a paz.




Monumento aos Mortos de Nice, cenotáfio em homenagem aos caídos durante a 1ª Guerra Mundial (restos mortais não se encontram aqui); aproveitou-se o espaço aberto na pedreira (encosta leste da Colina do Castelo) pela retirada de material para a construção do porto. Quai Rauba-Capèu, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Em seguida, fomos no Quai des États-Unis, onde se encontra a Plage de l'Opéra, uma praia privada instalada num lugar icônico de Nice, o balneário marítimo mais antigo da cidade, criado em 1899.




Opera Plage, que fica numa das praias mais icônicas da cidade, o primeiro balneário de Nice. Quai des États-Unis, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Na sequência, Promenade des Anglais (Passeio ou Calçada dos Ingleses); se uma avenida merece seu nome é esta; nome surpreendente para quem ignora a história da cidade e o papel efetivo dos estrangeiros no seu desenvolvimento; no entanto, um nome célebre que resume a imagem da cidade no mundo, com sua parcela de sonho, toda cintilante de luxo quando a noite cai; por mais de 7 quilômetros, do início a outro da Baie des Anges, a "Prom", como a chamam com carinho os habitantes de Nice, simboliza a imagem da cidade e de seu sucesso internacional atual: o sol, o mar, as palmeiras, a praia, os imóveis e os hotéis de luxo.


É verdade que a abertura dessa avenida coincide com o início do sucesso turístico da cidade, na primeira metade do século XIX; foi realmente a comunidade dos residentes britânicos que decidiu financiar a sua criação, em 1822; nesse ano, o pastor Lewis Way, que residia em Nice, se afligia com a miséria do povo atingido pela fome; para remediar a situação, ele decidiu empregar a população indigente num trabalho de interesse público: a construção de um "caminho" que se constituiria num novo lugar de passeio agradável, que permitiria aproveitar o panorama do mar e da montanha, através de uma vegetação abundante; finalizado em 1824, esse caminho conheceu um imenso sucesso; no início, ele somente alcançava a embocadura do rio Magnan; foi prolongado até Carras, em 1882, e, depois, até a margem do rio Var, em 1906.




Feira na Promenade des Anglais (Passeio dos Ingleses); via construída a partir de 1822 por iniciativa da comunidade britânica da cidade. Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Orla marítima ao longo da Promenade des Anglais, Baie des Anges, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Ao longo da Promenade des Anglais, observamos belíssimos imóveis, alguns de muito luxo.


O primeiro, no número 5 da avenida, é o edifício da antiga sede local da Companhia Ferroviária Paris-Lyon-Méditerranée.


Originalmente, era uma vila chamada "Les Algues", construída em 1861 para aluguéis de temporada; em 1934, foi reformada em estilo Art Déco; uma composição escultural de Gérard Choain adorna a entrada e representa as atrações turísticas da região de Nice; naquela época, o edifício abrigava os escritórios da Companhia Ferroviária Paris-Lyon-Méditerranée (PLM); hoje, numa parte do prédio funciona um dos postos do Escritório de Turismo de Nice-Côte d'Azur; é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2021.




Antiga sede da Companhia Ferroviária Paris-Lyon-Méditerranée; prédio construído em 1861 que passou por uma grande reforma em 1934, tornando-se um belo exemplar de arquitetura Art Déco da cidade. Promenade des Anglais, 5, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Pergulado na Promenade des Anglais, entre o prédio da Ferrovia Paris-Lyon-Méditerranée e o Palais de la Mediterranée. Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Na sequência, o Palais de la Mediterranée (Palácio do Mediterrâneo).


Durante os loucos anos 20, um "Palácio das Festas" ajudava a atrair turistas ricos; o projeto de trinta milhões de francos permitiu a construção, por iniciativa do norte-americano Frank Jay Gould, do Palais de la Mediterranée, em dois anos, este edifício Art Déco, que lembra a um pouco a fachada da Ópera de Paris; observam-se figuras femininas e cavalos na fachada, sempre no estilo Art Déco.


Caído em desuso, quase foi destruído, mas, por conta do apelo dos habitantes, uma parte foi preservada, restando apenas duas de suas fachadas; em 2001, um investimento de 120 milhões de euros possibilitou a reconstrução de um complexo hoteleiro com cassino.




Palais de la Mediterranée, inaugurado em 1928 (ou em janeiro de 1929), em estilo Art Déco, obra do arquiteto francês Charles Dalmas; as fachadas e sua decoração interior, na época, eram inteiramente Art Déco; no alto, esculturas representando figuras femininas e cavalos. Promenade des Anglais, 13-17, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Palais de la Mediterranée, praticamente reconstruído entre 2001 e 2004 e reaberto no último ano, tornou-se um luxuoso complexo hoteleiro e também cassino. Promenade des Anglais, 13-17, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


O próximo é o prédio do icônico Hôtel Negresco.


Por iniciativa do empresário romeno Henri Negresco, o edíficio hoteleiro foi erguido em 1913, no estilo Segundo Império, período Belle Époque, com base no projeto do arquiteto franco-holandês Edouard-Jean Niermans.




Hôtel Negresco, erguido com base no projeto do arquiteto franco-holandês Edouard-Jean Niermans, inaugurado em 1913, no estilo Segundo Império: fachadas de trama neoclássica, ornamentação quase barroca. Promenade des Anglais, 37. Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Em outro dia, visitamos mais uma vez o Quai des États-Unis, na preparação para a famosíssima prova ciclística Tour de France (Volta da França).



Escada da Opera Plage; belo dia de sol do verão europeu. Quai des États-Unis, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Barraca de Luxemburgo, no início da Tour de France 2013, Quai des États-Unis, 97, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Estruturas da Tour de France (Volta da França) na altura da Beau Rivage Plage, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Por fim, mas um passeio pela cidade, como despedida.




Place Masséna, a mais emblemática da cidade; ao fundo a Avenue Jean Médecin. Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Comparação entre os nomes das ruas em francês e em niçard (occitano niçardo), a língua original do lugar.




Placa da Rua São Francisco de Paula, em francês (acima) e em niçard (occitano niçardo). Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Encontramos um placa alusiva a Francis Gallo, um estudante do Lycée Masséna de Nice, que fazia parte do Corps Francs de la Libération (Corpos Independentes da Libertação), resistência à ocupação nazista da França, que, aos 17 anos, foi capturado pela Guarda Francesa da Milícia (colaboradora dos nazistas) e entregue aos alemães; foi executado com tiros de fuzil em um prado, perto de Saint-Julien-du-Verdon, nos Alpes-de-Haute-Provence ou Basses-Alpes, em 11 de junho de 1944.




Placa em homenagem ao estudante Francis Gallo, herói da resistência francesa, membro do Corps Francs de la Libération-CFL, morto em 1944 pelos nazistas com apenas 17 anos. Início da Rue Francis Gallo, quase esquina com a Rue de la Boucherie, Vieux-Nice, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Representação de um rosto humano incrustado na parede, no bairro Vieux-Nice, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Place du Pin, próxima da Rue Bonaparte, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


À noite, fomos perambular pela Vieux-Nice, nas proximidades da Place Garibaldi, quando encontramos a loja Girofle et Cannelle (Cravo e Canela), que comercializa especiarias, inclusive sais e pimentas do mundo todo.




Loja Girofle et Cannelle (Cravo e Canela), especiarias, sais e pimentas do mundo inteiro. Rue Pairolière, 4, Vieux-Nice, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


No nosso próximo post, partimos para a Córsega, ilha da França, para conhecer inicialmente Bastia.



Fontes:


Wikipedia


"Nice de A à Z", de Louis-Gilles Pairault; collection dirigée par Hervé Chirault, Editions Alan Sutton, 8, rue du Docteur Ramon, Saint-Cyr-sur-Loire, France, première édition 4º trimestre 2010.










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