top of page

Córsega - Parte I - Bastia e sua Citadelle - Collectivité de Corse - França -2013

  • há 10 minutos
  • 19 min de leitura

Quiosque de Música, edificado em 1907 numa das maiores praças da Europa, Place St-Nicolas, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Córsega - Parte I


A Córsega é conhecida como l'Île de Beauté (a Ilha da Beleza); é uma verdadeira montanha no mar; é a ilha do Mediterrâneo que possui as maiores elevações, cujas altitudes e desníveis rivalizam com os mais belos cumes dos Alpes: o Monte Cintu, o "Evereste da Córsega", com seus 2.706 metros, ou o mítico Ritondu e seus 2.622 metros; mas a ilha são também os lagos, os rios e os belos vales; um mar e um litoral paradisíacos, mais de 1.000 quilômetros de costa onde se escondem praias secretas, ainda preservadas e longe de toda a agitação do verão.


A Córsega, provavelmente, foi ocupada por uma civilização neolítica, a partir do VII milênio a. C., vinda da Itália durante um ou outro dos recuos do mar que possibilitaram a ligação do arquipélago "toscano" ao continente.


Após a ocupação parcial romana, fundando Aléria sobre o sítio onde se encontrava o entreposto grego de Alelia, e, mais ao norte, Mariana, o que marcou a ilha de um influência profunda e durável, infelizmente, com a derrocada do Império Romano do Ocidente, a Córsega passou a sofrer incursões dos mouros (sarracenos) e dos lombardos.


No final do século VI, a Santa Sé começou a ter maior influência sobre a ilha, cuja parte considerável da população ainda guardava suas crenças pagãs, mas ainda disputando com a presença importante dos mouros, a partir do século VIII; os mouros somente foram retirados definitivamente da Córsega em 1014, no entanto continuaram a fazer seus assaltos, conhecidos com razias, incursões rápidas com objetivo de saques, subtração de rebanhos, rapto de pessoas e destruição, trazendo um desassossego constante à população da ilha.


Por volta de 1077, a Córsega foi cedida pelo Papado a Pisa, cidade importante da península itálica, ocasião em que a ilha viveu o que se conhece como Era de Ouro, mas, em 1284, a República de Gênova a conquistou.


Mas, no início, não foi um domínio tranquilo, pois partes do território eram efetivamente controlados pelos senhores da terra, líderes de clãs, como Sinucello della Rocca, conhecido como Giudice de Cinarca (juiz), que se intitulou conde, no final do século XIII, e Vincentello d'Istria, na primeira metade do século XIV, que construiu uma Cidadela em Corte, que se opuseram duramente aos genoveses.


Por conta da forma dura pela qual a administração genovesa - delegada a corporações como Moana e Banco di San Giorgio - tratava os ilhéus, frequentemente surgiam movimentos de libertação dos corsos contra os genoveses; o mais impactante foi o liderado, na segunda metade do século XVI, pelo nativo Sampiero Corso, condottiere (capitão mercenário) a serviço da França, que havia ocupado a ilha na companhia dos franceses, que depois a devolveram a Gênova; inconformado com esse desfecho, Sampiero desembarcou na ilha e ele mesmo liderou os patriotas contra os genoveses com o objetivo de tornar a Córsega independente, mas terminou assassinado numa emboscada planejada por parentes de sua esposa, que ele próprio havia matado.


A tentativa de insurreição geral liderada por Sampiero Corso fez compreender à República de Gênova que ela mesma deveria administrar a ilha; assim, ela, de 1570 a 1730, sem delegação de poder, tornou-se novamente a odiada soberana da Córsega; "Século de Ferro", diz-se desse sombrio século XVII.


Porém, nem tudo na administração genovesa era negativa; a Córsega era regularmente dizimada pela fome; para minimizar isso, os genoveses introduziram o castanheiro, conhecido como o pão dos pobres, que serviu de base da polenta, que por muito tempo protegeu tão bem o camponês da fome que os franceses, durante a guerra da conquista, no século XVIII, pensaram em queimar essa árvore para enfraquecer a resistência.


Os genoveses também ergueram pontes sobre cursos d'água intransponíveis e as fortificações, como as de Calvi, Bonifacio e Bastia, hoje ornamentos turísticos, mas anteriormente, tinham como objetivo proteger os soldados genoveses contra os próprios corsos, bem como defender-se das investidas marítimas dos mouros (sarracenos).


Mesmo com essas providências, os corsos não pararam de se levantar contra os genoveses, principalmente depois da implantação da taxa conhecida como due seini; primeiro, em 1730, tendo como um dos líderes Luigi Giafferi; depois, em 1734, tendo a frente novamente Luigi Giafferi acompanhado de Ghjacintu Paoli; até a criação do Reino da Córsega aconteceu nessa época, mas precisamente em 1736, com a escolha de um alemão como rei, Théodoro de Neuhof, mas a iniciativa foi efêmera, terminando oito meses depois; Ghjacintu Paoli e Luigi Giafferi acabaram derrotados e seguiram para o exílio em 1739.


Em meados do século XVIII, nova insurreição corsa, capitaneada por Gian Pietro Gaffori, levando os genoveses a sitiar a cidade de Corte, disparando com muita violência na direção da casa de Gaffori, cujos buracos nas paredes do edifício são visíveis até hoje; mas a revolta terminou depois que Gaffori foi morto por corsos partidários de Gênova em 1753.


Mas isso não interrompeu a luta dos corsos pela independência; Pasquale Paoli (filho de Ghjacintu Paoli) foi eleito general da nação corsa, em 1755; as escaramuças com os genoveses foram encarniçadas, tendo Paoli conseguido firmar a cidade de Corte como a capital da Córsega livre.


Os genoveses, endividados e enfraquecidos militarmente, cederam a Córsega aos franceses, a título de hipoteca, a qual eles nunca resgataram.


Dessa vez os franceses, liderados por generais do rei Luís XV, apesar de terem sofrido algumas derrotas pontuais, como em Borgo, em 1768, conseguiram desorganizar as forças corsas, terminando por derrotá-las definitivamente na Batalha de Ponte Novu, em 1769, obrigando Pasquale Paoli a se exilar na Inglaterra.


Durante a Revolução Francesa, Pasquale Paoli (também conhecido como Pascal Paoli) voltou do exílio, em 1790, e, tendo influenciado nas eleições na Córsega bem como criticado os rumos da Convenção nacional francesa, dominada pelos jacobinos, terminou por entrar em atrito com a família Bonaparte, que foi cassada da ilha em 1793; sentindo-se inseguro em relação ao governo francês, Paoli apelou para os ingleses, que ocuparam a ilha em 1794; no mesmo ano, Paoli declarou o Reino Anglo-Corso, sendo ele presidente da Assembleia Corsa, mas foi obrigado pelos próprios ingleses a se exilar novamente em 1795.


Em 1796, a ilha é retomada pelos franceses e, a partir daí, a Córsega seguirá fazendo parte da França.


No século XX surgiram alguns movimentos autonomistas, dentre eles a Front de Libération Nationale de la Corse (FLNC), que desenvolveu ações violentas contra agentes do Estado, mas foi esmorecendo com o tempo.


Mas, até hoje, muitos dos nativos da Córsega não aceitam o controle da ilha pelos franceses e ainda defendem a independência da ilha.


A Córsega hoje é um destino consolidado, acolhendo a cada verão mais de 3 milhões de turistas; paraíso do turismo de aventura: ciclismo, mototurismo, caminhadas ao ar livre, alpinismo, mergulho, kitesurf, etc.


Na Córsega, fala-se francês, mas a população tenta manter viva a língua corsa, que obteve, em 1974, o status de língua regional; idioma de raízes celto-lígures, o corso foi lentamente latinizado, depois sofreu, a partir do século IX, uma forte influência toscana; a sintaxe do corso resta próxima à do toscano medieval, o que permite considerar essa língua como o reflexo daquela da época de Dante.


Partimos para Córsega pelo Port de Nice, embarcando num navio da Corsica Ferries.




Navio da Corsica Ferries, atracado no Port de Nice, partindo para a Córsega; embarcamos nele. Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Partindo para Córsega; vê-se, ao fundo, a Colline du Château (Colina do Castelo) e, incrustrado nela, à esquerda, o Monumento aos Mortos da 1ª Guerra Mundial. Costa de Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Partindo para Córsega; na frente, o Cap de Nice, mais atrás e alto, o Mont Boron; no canto direito, bem horizontal, o Palais Maeterlinck. Costa de Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Partindo para Córsega; ao largo da costa, a Promenede des Anglais: à direita, Hôtel Negresco. Costa de Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Indo para Córsega a bordo do navio da Corsica Ferries. Mar Mediterrâneo, Europa.



Bastia


Alguns pescadores, por volta do século XI, ergueram suas habitações precárias no lugar onde se encontra o atual Vieux-Port.


Depois, vieram os italianos (lígures e pisanos) e tomaram posição nessa parte da costa, no plano.


Mas o desenvolvimento da vila começou quando, por volta de 1378, o governador genovês decidiu transferir seu centro administrativo de Biguglia, mais ao sul, para Bastia; o destino se selou, as pedras do Donjon (torre de homenagem medieval) também (a bastiglia, que dará o nome à cidade) e a Cidadela nasceu; as muralhas, depois o palácio, e a influência de Bastia sobre esta parte da ilha tornar-se-iam efetivas no século XVI.


A partir do século XVII, Gênova concede a Bastia o status de capital da Córsega, confirmando o simbolismo do local.


Monumentos religiosos e admistrativos se desenvolveram no curso dos dois séculos seguintes.


Após as revoltas que agitaram a ilha inteira contra os genoveses durante uma boa parte do século XVIII, Bastia tornou-se francesa, e a Revolução lhe deu o título de Prefeitura de Golo, um departamento recém-criado e de curta duração.


Em 1975, tornou-se a capital do Departamento da Haute-Corse.


Desembarcamos no Nouveau-Port (Novo Porto).




Navio batizado de Pascal Paoli, da empresa SNCM, visto a partir do Nouveau-Port de Bastia. Quai Nouveau, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Alojamo-nos num belo hotel, o Pietracap Hotel, situado na localidade de Pietranera, na Comuna de San-Martino-di-Lota, na região da Grand Bastia.




Jardim do Pietracap Hotel, Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Jardim do Pietracap Hotel, Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França. 




Jardim e piscina do Pietracap Hotel, Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França. 




Sala de estar do Pietracap Hotel, Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França. 




Proprietária do Pietracap Hotel, Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França. 




Quarto do Pietracap Hotel, Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França. 




Varanda do quarto do Pietracap Hotel, Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França. 




Vista do Mediterrâneo e, ao fundo, a ilha de Elba, a partir do Hotel Pietracap, Elba abrigou Napoleão, após o fracasso da invasão da Rússia e sua derrota frente a colisão formada por russos, austríacos, prussianos e ingleses, em 1814; Napoleão reinou na ilha por cerca de 10 meses, com o nome Principato dell'Isola d'Elba; fugiu da ilha, em fevereiro de 1815, para governar a França por 100 dias, até Waterloo, quando foi novamente derrotado e, em seguida, exilado na ilha de Santa Helena, na costa africana. Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França. 




Barco da empresa Corsica Ferries, Mediterrâneo, na orla de Bastia, a partir do Hotel Pietracap, Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França. 




Barco da empresa SNCM, Mediterrâneo, na orla de Bastia, a partir do Hotel Pietracap, Route de San Martino, 20, Pietranera, Comuna de San-Martino-di-Lota, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França. 


Começamos nosso passeio pela Place Saint-Nicolas.


É uma das maiores praças da Europa; aberta para o porto novo, tendo cerca de 300 metros de comprimento, possui a nobreza e a amplidão de uma praça real; a oeste e ao sul, grandes edifícios cobertos de ardósia mostram suas sóbrias fachadas.


Começou a tomar forma na década de 1830; no centro, encontra-se um quiosque musical, edificado em 1907, e, mais ao sul, a estátua do imperador Napoleão I, em vestes romanas, ali colocada em 1853, obra do escultor Lorenzo Bartolini.


Uma curiosidade: no início do século XX, quando estádios eram raros, disputavam-se, aos domingos, partidas de futebol na praça.




Quiosque de Música, edificado em 1907. Place St-Nicolas, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Estátua de Napoleão I, como imperador romano, realizada pelo escultor Lorenzo Bartolini, no início do século XIX, para a cidade de Livorno, na Itália, mas lá nunca foi colocada, sendo instalada na Praça de São Nicolau, em Bastia, em 1853. Place Saint-Nicolas, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Indo na direção do Vieux-Port, nos deparamos com o Oratoire de la Confrérie de Saint-Roch, que, nas suas proporções atuais, foi terminado em 1604; a atual fachada foi refeita tardiamente no estilo neoclássico.




Oratoire de la Confrérie de Saint-Roch (Oratório da Confraria de São Roque), cuja construção, nas proporções atuais, foi terminada em 1604; a fachada atual foi construída tardiamente, no estilo neoclássico; são quatro colunas da ordem toscana sustentando um entablamento, coroado por grande frontão triangular; o grande portal em mármore branco, encimado pela concha dos peregrinos, foi esculpido em 1860 pelo marmorista Giuseppe Bertolucci. Rue Napoleón, 19, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Mais à frente, na Terra-Vecchia (Terra Velha), encontramos o Oratoire de la Confrérie de l'Immaculée Conception (Oratório da Confraria da Imaculada Conceição), elevado a partir de 1589, esconde, atrás de sua fachada de mármore branco, uma decoração de uma rara suntuosidade: douraduras, mármores, paredes cobertas de painéis de madeira e de damasco de veludo escarlate adornam sua nave.


Diversas reuniões políticas foram aqui desenroladas, particularmente as sessões do Parlamento Anglo-Corso de 1794 a 1796, presididas pelo vice-rei sir Elliot; nessas ocasiões, o trono do rei George III da Inglaterra era instalado no meio da nave.




Nave do Oratoire de la Confrérie de l'Immaculée Conception (Oratório da Confraria da Imaculada Conceição); observam-se as paredes revestidas, na parte inferior, com painéis de madeira, e, acima, com veludos escarlates, filetados com douraduras; o altar-mor, em mármore, foi erguido em 1624 e renovado em 1763, está ornado com uma cópia da "Imaculada Conceição" do renomado pintor espanhol Bartolomé Murillo. Rue Napoleón, 3, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




No centro da parede norte da nave, encontra-se um armário-vitrine, que abriga a Virgem (Imaculada Conceição), imagem que é levada na procissão solene a cada 8 de dezembro, através das ruas de Terra-Vechia até a Église Saint-Jean-Baptiste. Oratoire de la Confrérie de l'Immaculée Conception, Rue Napoleón, 3, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


A próxima parada foi a Église Saint-Jean-Baptiste (Igreja de São João Batista), a maior igreja paroquial da Córsega, erguida entre 1636 e 1666, que se eleva acima de Terra Vechia e oferece vista para o Vieux-Port a partir da sua alta e teatral fachada de dois estágios, decorada com volutas e flanqueada por dois campanários construídos no século XIX.


No interior, a alta nave central e suas duas laterais, originalmente construídas no estilo barroco característico de Bastia, receberam, no século XVIII, uma decoração onde se mesclam mármores preciosos, estuques dourados e pinturas em trompe-l'oeil.




Fachada monumental da Église Saint-Jean-Baptiste, com dois estágios, decorada com grandes volutas na lateral e ladeada por duas torres sineiras, erguidas no século XIX, domina a bacia do Vieux-Port. Rue Cardinal Viale Prelà, 4, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Pintura em trompe-l'oeil, na abóboda da igreja, realizada em 1871, representando São João Batista batizando Jesus no rio Jordão; na ocasião, os céus se abriram, o Espírito Santo desceu como uma pomba e uma voz divina declarou que Ele era o Filho amado. Église Saint-Jean-Baptiste, Rue Cardinal Viale Prelà, 4, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Imagem de Sainte Jeanne d'Arc (Santa Joana d'Arc), padroeira da França. Église Saint Jean-Baptiste, Rue Cardinal Viale Prelà, 4, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Em seguida, a partir do Vieux-Port, na Terra-Vecchia (Terra Velha), subimos pela Descente de la Gabella para alcançar a Terra-Nova, no alto, onde se encontra a Citadelle.




Descente de la Gabella, escadaria para Terra-Nova, Quai Albert Gillio, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Chegando na Terra-Nova, fomos visitar a Citadelle de Bastia.


Se as torres das fortificações genovesas da Córsega tinham por objetivo proteger a ilha contra invasores, as Fortalezas (Cidadelas) de Bastia, de Bonifacio e de Calvi tinham, sobretudo, por fim proteger o Banco di San Giorgio contra as ações dos insulares.


A partir de 1380 em Bastia, o governador genovês Leonello Lomellino construiu um primeiro donjon (torre de homenagem), em torno do qual seus sucessores, Tomasino de Campofrego, em 1478, e Andrea Doria, em 1553, acrescentaram outros edifícios da Citadelle (Cidadela), cercada por muralhas do século XV, que controlava o porto, então o mais ativo da Córsega.


No interior da fortaleza, os edifícios adjacentes à torre principal delimitavam um pequeno pátio e um jardim e constituíam o chamado Palais des Gouverneurs genoveses, do século XV ao século XVIII; depois, serviu de sede do Conselho Superior, criado pelo rei Luís V, após a conquista da ilha pelos franceses.


A estrutura pouco evoluiu desde a época genovesa, conservando sua atmosfera de edificação militar.




Palais des Gouverneurs; residência dos governadores genoveses do séc. XV a XVIII; a ponte-levadiça, que se vê abaixo da pequena torre, foi reconstruída idêntica à original. Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Torre do relógio do sol, ladeado por volutas, sobre as quais podem ser observados artefatos militares (granadas de canhão (balas) com uma língua de fogo sobre elas). Palais des Gouverneurs, Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Place du Donjon, à esquerda, o Donjon (Torre de Homenagem) em continuação à fachada principal do Palais des Gouverneurs,. Terra-Nova, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


No interior do Palais des Gouverneurs, encontra-se o Musée de Bastia, instalado ali por volta de 1952; o museu combina história e belas artes; pinturas, esculturas, mobiliário, artefatos e recursos multimídia permitem aos visitantes descobrir sete séculos da história da cidade e da Córsega; parte da coleção de pinturas legada a Bastia após a morte do cardeal Fesch, tio materno de Napoleão Bonaparte, também faz dele um museu de belas artes, revelando um verdadeiro panorama da pintura italiana dos séculos XVII e XVIII.


No alto da fachada da recepção do museu, encontrava-se um cartaz da exposição sobre Théodore de Neuhof, o único rei da Córsega.




Musée de Bastia, instalado no interior do antigo Palais des Gouverneurs; na fachada da recepção, vê-se um cartaz da exposição sobre Théodore de Neuhof, o único rei da Córsega. Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Maquete de Bastia; num pequeno cabo, à esquerda, vê-se a Citadelle, com suas muralhas, dominando o Vieux-Port (Velho Porto); à direita, o Nouveau-Port. Musée de Bastia, Palais des Gouverneurs, Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Retrato de oficial do Exército Britânico, século XVIII, que, provavelmente, operou na Córsega durante a ocupação britânica da ilha, entre 1794 e 1796. Musée de Bastia, Palais des Gouverneurs, Place du Donjon,  Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Louis Napoléon Mattei, um empresário visionário, fundador da Distillerie L.N. Mattei em 1872, foi também um pioneiro no campo da publicidade, desenvolvendo objetos sob a marca Cap Corse Mattei, que agora são muito procurados por colecionadores.




Cartaz de propaganda da bebida Cap Corse Mattei, desde 1872, vinho aperitivo de quinino, da empresa L.N. Mattei (Louis Napoléon Mattei). Musée de Bastia, Palais des Gouverneurs, Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Medalhão da fachada da Fábrica Mattei em Toga, obra realizada pelos escultores de Bastia Jean-Mathieu Pekle e Ivo Borghesi, por volta de 1930; a Corsica (Córsega), representada por uma figura feminina com louros, sentada sobre uma rocha no formato da ilha; embaixo, seu símbolo, a cabeça de mouro com a venda levantada; a figura feminina segura uma lousa contendo os nomes dos grandes heróis corsos, Sampiero Corso, Pasquale Paoli e Napoleón Buonaparte. Musée de Bastia, Palais des Gouverneurs, Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Na sequência, temos o retrato do alemão Théodore de Neuhoff, o único rei da Córsega.


Normalmente, os coletores de impostos não são muito populares em qualquer país do mundo, mas os que os genoveses enviaram à ilha, a partir de 1715, para cobrar a taxa conhecida como dos due seini, suscitaram mais rapidamente um profundo descontentamento que, a partir de 1730, transformou-se em revolta aberta, que mobilizou todas as classes socias da Córsega, tanto o povo, o mais duramente atingido, como os notáveis, muitos deles de origem genovesa, que aspiravam se autogovernar, e até os padres que forneciam, durante suas pregações e preces, o quadro ideológico da revolta; os presídios costeiros, onde residia a administração genovesa, foram sucessivamente atacados por bandos de montanheses descontrolados; os rebelados participavam de consultas (assembleias), frequentemente reunidas nos conventos cedidos por religiosos simpatizantes, como o de Orezza, o Convento de São Francisco; eles conseguiram até mesmo derrotar tropas que Carlos VI, imperador do Sacro Império Romano-Germânico e arquiduque da Áustria, havia fornecido a Gênova: 3.600 homens, comandados pelo barão de Whachtendonck e pelo genovês Camille Doria foram enviados, em 1731, para a Córsega; 600 desses homens, comandados pelo coronel Vinz, desembarcaram em Calvi, em 1732, e atacaram Calenzana, na região da Balagne, onde foram derrotados pelos rebelados corsos; entre os alemães, duzentos mortos e feridos, incluindo um tenente-coronel e um capitão dos granadeiros; mas, em 1733, os notáveis da ilha, assustados com a radicalização da revolta e com a chegada das tropas imperiais, terminaram a insurgência.


Nova revolta estourou em 1734 na ilha; diante desse quadro, um aventureiro alemão de Vestfália, o barão de Neuhof, desembarcou na ilha em abril de 1736 e se ofereceu para conduzir os corsos no caminho da liberdade; ele foi eleito rei, e seu povo o amava; cunhou-se até moedas de cobre com sua efígie; por volta de oito meses depois, em novembro do mesmo ano, ele foi obrigado a se exilar; ele tentou retornar, mas a ópera-bufa do efêmero Reino da Córsega chegou ao fim.




Retrato de Théodore de Neuhoff (alemão de Vestfália), rei da Córsega por 8 meses, em 1736, em oposição a Gênova. Musée de Bastia, Palais des Gouverneurs, Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Em seguida, fomos conhecer os belos jardins do Musée de Bastia, um refúgio incomparável de verde e tranquilidade no coração da cidade, com vista para o Vieux-Port e oferecendo vistas deslumbrantes das ilhas do arquipélago toscano.




Vista de Terra-Vecchia, com destaque para a fachada monumental da Église Saint Jean-Baptiste, a partir dos jardins suspensos do Musée de Bastia, Palais des Gouverneurs, Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Vista do Pier do Nouveau-Port a partir dos jardins suspensos do Musée de Bastia, Palais des Gouverneurs, Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Jardins suspensos do museu, atrás a torre do relógio do Palácio dos Governadores. Musée de Bastia, Palais des Gouverneurs, Place du Donjon, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Saímos do palácio e continuamos nosso passeio pela Cidadela, momento em que observamos a imponente fachada da Église Sainte-Marie (protocatedral).


Essa igreja, erguida a partir de 1495 por ordem do bispo de Mariana, foi elevada à catedral em 1570, mantendo esse título até a transferência do bispado da Córsega para Ajaccio, em 1801.




A imponente fachada da Église Sainte-Marie (protocatedral), construída a partir de 1495, foi a catedral da Córsega de 1570 até 1801, quando o arcebispado mudou para Ajaccio; restaurada, a fachada, agora em estilo neoclássico, é encimada por um frontão retangular. Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


No presbitério, localizado na Rue de l'Esplanade, 12, no mesmo largo da igreja, o general do Império Francês Joseph Léopold Hugo e seu filho, o renomado escritor Victor Hugo, residiram de 1803 a 1805.




Presbitério onde se alojaram o renomado escritor Victor Hugo e seu pai, general Hugo, entre 1803 e 1805. Rue de l'Esplanade, 12, Terra-Nova, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Placa alusiva à estadia de Victor Hugo e seu pai, general Joseph Hugo, no nr. 12 do Presbitério, Rue de l'Esplanade, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Ao sul da Église Sainte-Marie, no Parvis Sainte-Croix, encontra-se a entrada sudoeste da Chapelle Sainte-Croix ou Oratoire de la Confrérie di Santa Croce, erguida em 1600 pelas duas mais poderosas confrarias de penitentes de Bastia com o fim de abrigar um crucifixo miraculoso, retirado da água em 1428; o Cristo dos Milagres, também conhecido como Cristo Negro (U Cristu Negru), em razão de sua cor negra, o crucifixo mais venerado pelos paroquianos de Bastia, está exposto na capela lateral direita da capela; a cada 3 de maio, uma procissão solene honra o Cristo dos Milagres, padroeiro dos pescadores de Bastia.


Joia de arte barroca tardia incrustrada na Cidadela, esse oratório possui uma decoração pintada, esculpida e dourada.


Erguido sobre solo pertencente à Basilica di San Giovanni in Laterano (Arquibasílica de São João de Latrão), em Roma, Itália, encontra-se, portanto, em terra do Vaticano.




Fachada sudoeste da Chapelle Sainte-Croix ou Oratoire de la Confrérie di Santa Croce, construída em 1600 para abrigar um crucifixo retirado das águas em 1428, conhecido como Cristo dos Milagres ou Cristo Negro (U Cristu Negru); como a capela foi edificada em solo de propriedade da Igreja de São João de Latrão, da Diocese de Roma, pertencente ao bispo de Roma (Papa), ela é ligada diretamente ao Vaticano, uma igreja papal, como explica, em latim, a placa instalada embaixo da cruz. Parvis Sainte-Croix, Citadelle de Bastia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Vista da Citadelle a partir do bastião sul da muralha; no primeiro plano, à direita, o prédio da Crèche Ciucciarella; na sequência, atrás de um paredão de pedras, o antigo Couvent Sainte-Claire, e, no alto, o campanário da Église Sainte-Marie (protocatedral). Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Mudamos, depois para um hotel no bairro Terra-Vecchia, com a frente para a costa marítima da cidade, denominado Hôtel Posta Vecchia; antiga sede da agência de correios, este palacete de inspiração genovesa, ergue-se imponente entre o mar azul e o centro histórico de Bastia, onde a vida pulsa plenamente, próximo de atrações como Place Saint-Nicolas, Église Saint-Jean-Baptiste e o Vieux-Port.


O alto palacete com arquitetura de inspiração genovesa é caracterizado pelo telhado feito com pedras de ardósia, conferindo um tom cinza-azulado uniforme, pelas janelas de sótão (sobre o telhado principal) conhecidas como "fenêtre en chien assis" (janela em cão sentado), encimada por um pequeno telhado cuja inclinação é oposta à inclinação do telhado principal; as janelas da fachada são dotadas de persianas genovesas (permitem a proteção dos cômodos da luz solar direta e do calor, mantendo ao mesmo tempo um fluxo de ar constante dentro da habitação).




O alto palacete do Hôtel Posta Vecchia, de inspiração genovesa; nas fachadas, podem ser observadas as janelas equipadas com persianas genovesas, pintadas de verde. Rue Posta Vecchia, 8, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Quarto do Hôtel Posta Vecchia, sob o telhado. Rue Posta Vecchia, 8, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Vista do Mar Mediterrâneo a partir da janela de sótão (sobre o telhado principal) conhecida como "fenêtre en chien assis", do Hôtel Posta Vecchia, Rue Posta Vecchia, 8, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Barco da empresa de navegação Corsica Ferries, visto da janela do quarto do sótão do Hôtel Posta Vecchia, Rue Posta Vecchia, 8, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Fizemos mais um passeio na região da Place Saint Nicolas.


Localizada no coração de Bastia, na Place Saint Nicolas, a Concept Store Mattei é a única loja na Córsega classificada como Monumento Histórico, tombada em 2017; a empresa L.N. Mattei, após a conclusão do palacete do Banque Fantauzzi, nos anos 1880, alugou o térreo e o sótão do prédio, onde instalou sua grande loja e também, inicialmente, a destilaria e a fábrica de tabaco, que posteriormente foram transferidas para a Usina de Toga; hoje o espaço pertence à própria empresa L.N. Mattei.


Num espaço acolhedor, muito bem preservado, são encontrados, naturalmente, os produtos L.N. Mattei, mas também uma ampla seleção de vinhos, bebidas espirituosas, produtos gourmet e outros itens.


O fundador da empresa, Louis Napoléon Mattei, além da bebida de vinho aperitivo de quinino, motivado pela ideia de valorizar os produtos locais, transformando-os em um produto único, desenvolveu suas primeiras receitas de licor com base em frutas emblemáticas da Ilha da Beleza, como o cédrat (cidra) e o myrte (murta).


Podem-se admirar, nas fachadas do edifício, as naturezas-mortas que representam os principais produtos da empresa Mattei, obra do escultor Ivo Borghesi nos anos 1930.




Maison L.N. Mattei Cap Corse (Concept Store Mattei), instalado no palacete inaugurado nos anos 1880, por iniciativa do Banque Fantauzzi; a fachada principal da loja é coberta por belas esculturas do artista Ivo Borghesi, realizadas por volta dos anos 1930, que exibem os principais produtos da marca L.N. Mattei. Boulevard du Général de Gaulle, 15, Place Saint-Nicolas, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Detalhe da fachada principal da Concept Store Mattei, com a escultura de natureza-morta, obra do escultor Ivo Borghesi, por volta dos anos 1930, representando a garrafa da bebida Cap Corse Mattei, vinho aperitivo de quinino, e um cesto com uvas, matéria prima de um dos produtos carros-chefes da empresa L.N. Mattei. Boulevard du Général de Gaulle, 15, Place Saint-Nicolas, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Detalhe da fachada principal da Concept Store Mattei, com a escultura de natureza-morta, obra do escultor Ivo Borghesi, por volta dos anos 1930, representando a garrafa do licor Cédratine Mattei e um cesto com os cédrats de Corse (cidra da Córsega, uma fruta cítrica, parente do limão), matéria prima de um dos produtos carros-chefes da empresa L.N. Mattei. Boulevard du Général de Gaulle, 15, Place Saint-Nicolas, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Voltando para o hotel, passamos pela galeria que liga a Rue Posta Vecchia à orla de Bastia, entre edifícios antigos da Terra-Vecchia, inspirados na arquitetura tradicional genovesa.




Vindos da Place du Marché, encontramos a galeria que liga a Rue Posta Vecchia à orla de Bastia. Rue Posta Vecchia, Terra-Vecchia, Bastia, capital do Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


No nosso próximo post, partimos para o Cap Corse, o dedo da ilha.



Fontes:


Wikipedia


"Petit Futé Corse 2013", de Xavier Bonnin, Jean-Paul Labourdete, Dominique Auzias et alter; édité par Les Nouvelles Editions de l'Université, 18, rue des Volontaires, Paris, France; impression par Imprimerie Chirat, Saint-Just-la-Pendue, France, février 2013.


"Le Guide Vert Michelin Corse"; responsable par collection Anne Teffo; édition de Natacha Brumard; rédaction de Jordane Bertrand, Isabelle Bruno, Louise Druet, Jean-Louis Gallo, Guylaine Idoux e Hervé Kerros; édité par Michelin, Propriétaires-éditeurs et Michelin Guides Touristiques, 27, cours de l'Île-Seguin, Boulogne-Billancourt, France; impression par Tipografica Varese, Italie, 01-2013.


"La Corse - Île de Beauté, Terre de Liberté", de Jean-Paul Brighelli; collection conçue par Pierre Marchand, édité par Découvertes Gallimard Culture et Société; impression par IME, France, avril 2004.












Comentários


Obrigado por se subscrever!

SUBSCREVER

bottom of page