Nice - Parte I - Place Masséna e Cathédrale Orthodoxe Saint-Nicolas - Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur - França - 2013
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Place Masséna (Praça Masséna), construída progressivamente entre as décadas de 1830 e 1860, com a Fontaine du Soleil, com o deus grego Apolo no centro, obra do arquiteto francês Alfred Janniot, inaugurada em 1956; reconhecível por suas fachadas vermelhas, sua fonte do sol e seu calçamento em preto e branco, a praça é o ponto de encontro dos habitantes da Côte d'Azur, no coração de Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Após Cannes, a cidade francesa do cinema internacional, fomos conhecer Nice.
Nice
A região, provavelmente, era ocupada por um assentamento lígure, assim, como Cannes, povo que havia migrado da Península Ibérica e terminara se espalhando pelo sul da atual França e pelo litoral norte da Itália, nas proximidades da atual Gênova.
Mas, entre os séculos V e III a.C., gregos oriundos de Foceia, cidade grega da Ásia Menor, que fica na atual Turquia, fundaram no lugar, no flanco da colina do Castelo, um entreposto comercial para suas trocas tanto por mar, no Mediterrâneo, quanto por terra com os povoados lígures; assim, nasceu Nikaïa.
Após a conquista romana do sul da Gália e a criação da Província de Narbonnaise, por volta do fim do século II a. C., Nikaïa, como cidade grega, beneficiou-se de um estatuto autônomo, vinculada a Marselha, também fundada pelos gregos de Foceia; porém, quando da guerra civil na República Romana, ela tomou partido de Pompeu contra César e, após a derrota daquele, em 49 a.C., César decidiu colocar fim nesse particularismo, sendo a cidade incorporada à pequena Província Romana dos Alpes Marítimos, imprensada entre as Províncias da Gália Narbonnaise e a Gália Cisalpina, e servida pela importante via romana que corria ao longo do litoral, chamada Via Julia Augusta.
Após a invasão bárbara aos territórios do Império Romano do Ocidente, Nice, entre 493 e 553 (ou 554), fez parte do Reino Ostrogodo, e, em seguida, do Império Bizantino, até 641, quando foi conquistada pelos lombardos, sendo anexada ao Reino da Lombardia, que ocupava uma parte considerável da Península Itálica e a antiga Província romana dos Alpes Marítimos.
Em 774, Carlos Magno, o rei do francos, pôs fim ao Reino Lombardo, e Nice passou a fazer parte do "Reino da Itália", composto pelas regiões norte e centro da atual Itália, integrando o Sacro Império Romano-Germânico.
A partir daí, entre idas e vindas, ora como república lígure ligada a Gênova, ora subordinada aos Condes de Provença, que, muitas vezes, eram, também, Condes de Barcelona.
Mas, a Provença, a partir de 1383, mergulhou numa terrível guerra civil, desencadeada pela sucessão da condessa Joana, também rainha de Nápoles, que colocou em campos opostos os partidários do duque de Anjou e aqueles do duque de Duras, que se enfrentaram pelo controle da província e dos Estados Italianos associados; Nice, assim como algumas outras circunscrições administrativas da Provença Oriental, escolheu o partido do duque de Duras, mas este terminou por ser cercado no sul da Itália, deixando a cidade acuada, ameaçada de sofrer uma repressão feroz pelo partido do duque de Anjou.
Para escapar desse destino, a influente família Grimaldi de Beuil entrou em contato com Amadeu VII, conde de Saboia; ele próprio viajou de Chambéry, capital do Condado de Saboia, para Nice e chegou à entrada do território da comuna de Nice, na influente abadia de Saint-Pons, onde se encontrou com os representantes da cidade e assinou com eles um acordo, em 28 de setembro de 1388, pelo qual Nice se "entregou" ao conde de Saboia e o reconheceu como soberano.
Os Saboias governaram Nice durante quase meio milênio, mas com algumas intercorrências: em 1543, a cidade foi sitiada pela frota turca, aliada dos franceses na guerra empreendida pelo rei Francisco I, da França, contra Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico e rei da Espanha, ocasião em que a Cidadela, fortificação erguida no alto da Colina do Castelo, resistiu; em 1691 e em 1705/1706, foi atacada pelos franceses, durante o reinado de Luís XIV, e, nas duas ocasiões, se rendeu, sendo que, na última, as instalações da Cidadela foram completamente arrasadas; com o advento da Revolução Francesa, Nice foi anexada à jovem República Francesa em janeiro de 1793, porém, com a queda de Napoleão em 1814, a cidade ficou, novamente, sob o poder da família Saboia.

O cerco de Nice de 1543 pelos Franco-Turcos. Gravura de Enea Vico, archives communales de Nice — Archives municipales de Nice, Domaine public, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2995083

Vista "a voo de pássaro" do cerco de Nice em 1543; anônimo (Istambul, Topkapï Saray Museum).https://una-editions.fr/des-plans-a-une-mise-en-atlas-la-cartographie-de-nice-aux-xvie-et-xviie-siecles-et-ses-usages/

Plano perspectivo de Nice, 1625, Jacob Laurus (Archives Municipales Nice, 1 Fi 90/04); na gravura, pode-se ver a Vieux-Nice delimitada pelo rio Paillon canalizado; à direita, acima, a Colina do Castelo, tendo no alto a Cidadela (2) e o Castelo propriamente dito (1); embaixo, nas proximidades do rio, distinto pela sua cúpula, o Domo di S. Reparata (3).https://una-editions.fr/des-plans-a-une-mise-en-atlas-la-cartographie-de-nice-aux-xvie-et-xviie-siecles-et-ses-usages/
Mas, quando do movimento armado para a unificação da Itália, o então rei do Piemonte-Sardenha, Vittorio Emanuele II di Savoia, teve que contar com o apoio de Napoleão III, imperador da França, na sua luta contra o Império Austríaco, que dominava partes do centro e do norte da Península Itálica, e, após a vitória, em troca da ajuda, cedeu à França (por meio de um suspeito referendo popular), em 1860, uma porção importante do território do seu antigo Reino do Piemonte-Sardenha, ou seja, os Condados de Nice e Saboia.
Nice tornou-se, assim, a capital do novo departamento francês, batizado de Alpes-Maritimes.
A cidade é famosa por seu apelo turístico, que, desde o século XVI, convidava forasteiros abastados a visitar a cidade, particularmente entre outubro a abril, em razão do ameno clima primaveril do inverno em Nice, da sua vegetação exuberante e da luz deslumbrante.
Mas os turistas, principalmente da aristocracia e da alta burguesia inglesas, começam a vir em maior quantidade e frequência depois do fim das guerras napoleônicas, transformando a cidade, com a construção de vilas luxuosas, incentivando o erguimento de hotéis, fazendo circular muito dinheiro pela cidade e criando empregos para os locais.
Somente no período entreguerras que as pessoas começaram a vir a Nice aproveitar o verão, agora para jogar tênis, participar de corridas automobilísticas e tomar banho de mar; assim, se produziu uma revolução turística, devido, em parte, à chegada de uma clientela americana que tinha descoberto Nice por ocasião da Primeira Guerra Mundial: a invenção do turismo de verão.
O nome da cidade em francês é Nice, mas, no tempo em que ela era ligada à Península Itálica, era conhecida como Nizza, mas também, na expressão do dialeto occitano (no passado, chamado de provençal), tem seu nome próprio: Nissa ou Niça.
O passeio começa pela Cathédrale Sainte-Réparate.
No local, anteriormente, encontrava-se uma capela, erguida por volta de 1075, que foi dedicada a Santa Reparata no final do século XII, e, depois, tornou-se um priorado da Abadia de Saint-Pons; em 1246 foi elevada à igreja e, entre 1455 e1468, ampliada em razão do crescimento populacional da paróquia.
Em 1531, com a desafetação da antiga Cathédrale Sainte-Marie do Castelo, no alto da colina, a Église Sainte-Réparate passou a funcionar como catedral da cidade, mas, somente em 1590, ela recebeu o título oficial.
No entanto, resolveu-se erguer uma nova catedral, mais imponente, cuja construção iniciou-se na segunda metade do século XVII, com base no projeto do arquiteto niçardo Jean-André Guibert; porém, a obra passou por algumas vicissitudes, como o desabamento da abóbada em 1658, sendo consagrada apenas em 1699; um campanário (torre sineira) separado da nave (no estilo das igrejas italianas) foi acrescentado em meados do século XVIII; a fachada em estilo barroco, projetada por Guibert, foi adicionada entre 1825 e 1830.
As cerâmicas vidradas, de inspiração genovesa, fazem com que sua cúpula brilhe ao sol.
Diz-se que Santa Reparata, padroeira de Nice, foi uma mártir de Cesareia, na Palestina, durante as perseguições do Imperador Décio, no século III, cujo corpo torturado foi trazido para a costa de Nice em um barco puxado por anjos, daí o nome "Baie des Anges" (Baía dos Anjos).

Basilique-Cathédrale Sainte-Marie Sainte-Réparate, erguida no século XVII, com projeto de Jean-André Guibert; a belíssima fachada em estilo barroco, adicionada entre 1825 e 1830, tem no nicho central a estátua de Santa Reparata, ajoelhada e segurando a palma dos mártires nas mãos, ladeada pelas estátuas dos 4 bispos fundadores da Igreja de Nice (Pons, Bassus, Valerian e Siagre), também instalados em nichos. Rue Sainte-Réparate, 3, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
O Palais de Justice de Nice (Palácio de Justiça)
No local, existia o antigo Convento dos Dominicanos, que foi demolido por volta de 1882 para a construção do novo prédio; o Palácio da Justiça foi inaugurado em 17 de outubro de 1892, em estilo neoclássico, obra do arquiteto departamental Auguste-Vincent Dieudé-Defly.
Atualmente, o edifício abriga o Tribunal de Grande Instance de Nice (TGI).

Palais de Justice (Palácio de Justiça), obra de Auguste-Vincent Dieudé-Defly no estilo neoclássico, inaugurado em 1892. Place Palais de Justice, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Em direção ao litoral, vamos encontrar a Opéra de Nice-Côte d'Azur.
Desde 1777, no local funcionava o Théâtre Maccarani; um novo edifício lhe substituiu em 1828, chamado Théâtre Royal, que conheceu representações famosas, notadamente o baile ao qual compareceu o imperador francês Napoleão III, quando de sua visita à cidade, em 1860, porém, este sofreu um incêndio devastador, em 1881.
A casa de espetáculos foi reconstruída, sendo inaugurada em 1885, com o nome de Théâtre Municipal, projeto do arquiteto de Nice, François Aune, aluno de Gustave Eiffel (que projetou a Torre Eiffel, em Paris), e aprovado por nada mais nada menos que Charles Garnier (que projetou uma das mais famosas casas de óperas do mundo, a Opéra de Paris, também conhecida como Opéra Garnier), então Inspetor de Construções Civis da França.
Em 1902, o Théâtre Municipal toma o nome pelo qual ele é conhecido até hoje: Opéra de Nice.

Fachada sul da Opéra de Nice, erguida em estilo eclético com base no projeto arquitetônico de François Aune e inaugurada em 1865, vista do Quai des États-Unis; uma estrutura tradicional de alvenaria feita de pedras, tijolos e cal, dentro da qual foi instalada uma estrutura de vigas metálicas. Rue Saint François de Paule, 4-6, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Em seguida, passeando pelo Boulevard Jean Jaurès nos deparamos com a Place Garibaldi que foi, por longo tempo, um dos lugares mais simbólicos da cidade.
A construção da praça iniciou em 1780 (ou 1782) e foi concluída em 1792, projetada pelo arquiteto Antoine Spinelli, no formato retangular, ladeada por edifícios harmônicos, pintados com a cor "huile de noix" (amarelo dourado) com decorações em trompe-l'oeil (engana o olho), representando frontões sobre as janelas e as balaustradas abaixo, lembrando muito claramente a arquitetura das praças de Turim.
Desde a origem, sua função política era forte: ela se encontrava de fato na desembocadura da rota de Turim (hoje, Rue de la République), eixo maior do Condado de Nice, que ligava a cidade à capital do Reino da Sardenha; os enormes trabalhos empreendidos pelo rei Vittorio Amedeo III vinha justamente tornar carroçável essa rota vertiginosa que, por um percurso extremamente sinuoso e espetacular, passando por Sospel, Fontan e o Col de Tende, desencravou Nice, ao conectá-la por terra ao Piemonte.
A praça então construída celebrava o fim da viagem e a chegada a Nice com uma solenidade digna de uma construção real; ela foi inclusive batizada de Piazza Vittorio ou Vittoria, um nome que evocava tanto o primeiro nome do soberano quanto a palavra italiana para vitória; a chegada era simbolizada por um arco do triunfo, a Porta de Turim, símbolo do poder real, que foi destruída em meados do século XIX para facilitar a circulação.
No curso das diferentes alterações de regime que conheceu a cidade desde o fim do século XVIII, a praça conheceu múltiplas denominações, reveladores da sua dimensão simbólica e política: inicialmente, Vittorio ou Vittoria, foi rebatizada de la République quando da entrada das tropas francesas, tendo sido teatro de algumas cerimônias revolucionárias; tornou-se, durante o Primeiro Império, Napoléon, antes de retomar seu primeiro nome em 1814, Vittoria; em 1860, voltou ao nome Napoléon (Napoleão III fez na praça sua entrada solene quando de sua visita em setembro de 1860); enfim, anunciada a proclamação da república em setembro de 1870, ele foi nomeada Garibaldi.

Place Garibaldi, construída entre 1780 (ou 1782) e 1792, plano de Antoine Spinelli e, à esquerda, ao fundo, Avenue de la Republique; os prédios foram erguidos inspirados nas construções de Turim (Itália), pintados com a cor "huile de noix" (amarelo dourado) com decorações em trompe-l'oeil (engana o olho), representando frontões sobre as janelas e as balaustradas abaixo. Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
À antiga Porta de Turim, símbolo do poder real, não mais existente, correspondia um símbolo do poder religioso, a nobre fachada da Chapelle du Saint-Sépulcre, da Confrérie des Pénitents bleus (Société du Saint Sépulcre), construída segundo os planos de Antonio Spinelli pelo empreiteiro André Laurenti entre 1782 e 1784.

Atrás do Monumento a Garibaldi, vê-se a fachada principal da Chapelle du Saint-Sépulcre, erguida entre 1782 e 1784, com base no projeto de Antonio Spinelli, oratório dos Pénitents bleus (Penitentes azuis); acima do pórtico, no segundo registro, veem-se três grandes aberturas, separadas por pilastras coríntias que sustentam o frontão triangular que forma o terceiro registro; de cada lado do frontão, potes de fogo formam uma decoração em estilo barroco numa fachada amplamente inspirada no neoclassicismo de Turim; ao fundo, à direita, o campanário triangular, característico dos locais de culto das confrarias penitenciais. Place Garibaldi, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Em frente à Chapelle du Saint-Sépulcre encontra-se o Monumento a Garibaldi, inaugurado em 1891.
Foi inicialmente concebido pelo artista francês Antoine Etex, escolhido para isso em 1886, mas este morreu, em 1888, antes de sua conclusão; quem terminou a estátua foi o escultor, também francês, Gustave Deloye.
O filho mais ilustre de Nice indiscutivelmente é Giuseppe Garibaldi, o "Herói dos Dois Mundos".
Nascido em 1807 e criado próximo ao porto, Garibaldi foi uma aventureiro desde a adolescência, tendo fugido de casa aos 13 anos para tomar um barco, e alimentou ideais revolucionários, trazidos pelos franceses que ocuparam Nice até 1814.
Entrou em contato com Giuseppe Mazzini, célebre revolucionário italiano, e, por sua influência, ingressou no movimento Giovine Italia (Jovem Itália), que defendia a unidade da Península Itálica, que era então dividida em uma dezena de Estados diferentes; na ocasião, em razão da ligação do movimento com a Maçonaria, Garibaldi tornou-se maçom; em seguida, participou de tentativas revolucionárias no Piemonte-Sardenha e em Gênova, mas estas fracassaram; ele escapou por pouco de ser detido, tendo sido condenado à morte por contumácia, sendo obrigado a se exilar em 1834.
Esse exílio durou cerca de 15 anos, ocasião em que esteve na Tunísia e depois na América do Sul; sempre envolvido em combates republicanos e nacionalistas, muitas vezes arriscados, frequentemente incertos: ele combateu pela República do Rio Grande do Sul, conhecida também como República Farroupilha (momento em que conheceu sua futura esposa, a catarinense Anita), em rebelião contra o imperador do Brasil; ele emprestou seu braço ao Uruguai, na luta por sua independência contra a Argentina.
Perdoado da sua condenação à morte pelo monarca liberal do Reino da Sardenha, Carlos Alberto, ele voltou à sua cidade natal em 1848, para logo em seguida se engajar na Primeira Guerra de Independência Italiana, marcada por duas derrotas infringidas pela Áustria; humilhado, Carlos Alberto abdicou do trono, deixando no lugar seu herdeiro, Vittorio Emanuele II; Garibaldi, republicano de coração e apaixonadamente ligado a Roma (que fazia, na época, parte dos Estados Papais), se engajou na aventura da República Romana, que fora proclamada em fevereiro de 1849 após a fuga do papa; mas essa república, mais ideal do que real, se mostrou efêmera; foi abolida no início do verão de 1849 pelas tropas francesas enviadas pelo presidente Luís Napoleão, futuro Napoleão III, a quem Garibaldi devotada um ódio tenaz; ele teve que escapar através das montanhas, ocasião em que Anita morreu no curso dessa fuga, e novamente se exilou, passando pelos Estados Unidos, Inglaterra, Peru, China e Filipinas.
Voltou ao território italiano para participar da Segunda Guerra de Independência, eclodida em 1859, quando, inicialmente, comandou seus caçadores dos Alpes nos combates no norte da península; em seguida, se engajou em uma das mais extraordinárias campanhas militares do século: a Expedição dos Mil; com cerca de mil voluntários, ele embarcou na Ligúria em direção à Sicília e conseguiu conquistar o Reino das Duas Sicílias (Nápoles e Sicília), que governava então todo o sul da península e havia permanecido até então à parte da unidade italiana; despertando entusiasmo e angariando apoio, ele assumiu o controle de todo o país em poucos meses (maio-setembro de 1860) em nome da unidade italiana e, em 26 de outubro, entregou a Vittorio Emanuele II o reino que havia conquistado; mas a realização desse sonho custou para Garibaldi um preço extremamente elevado; nas negociações entre Vittorio Emanuele II e Napoleão III, Nice, a cidade natal do herói, foi anexada à França, e não à Itália unificada.
No final da vida, Garibaldi foi residir na Ilha Caprera, ao norte da Sardenha, onde ergueu uma casa semelhante às das estâncias uruguaias; depois, quando já estava bastante debilitado, mandou construir um quarto voltado para o norte, na direção de sua amada Nice, onde veio a falecer, em 1882, com os olhos voltados para sua cidade natal.

Monumento a Garibaldi, inaugurado em 1891, obra de Antoine Etex e Gustave Deloye; no pedestal, sob a estátua, duas mulheres representando a França e a Itália, velando sobre o berço de Garibaldi criança; os dois leões simbolizam os filhos de Garibaldi, Minotti e Ricciotti. Place Garibaldi, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Na segunda metade do século XIX, o Hôpital Saint-Roch, projetado pelo arquiteto Giuseppe Vernier, foi edificado num estilo que retomava aquele da Place Garibaldi, do outro lado da Pont Garibaldi (englobada em 1872 quando da cobertura do rio Paillon - hoje, Avenue Saint-Sébastien).
Hoje, o edifício não tem mais serviços hospitalares, abrigando as sedes da Polícia Nacional e da Polícia Municipal - o Palacete das Polícia (Hôtel des Polices).

Prédio do antigo Hôpital Saint-Roch, projetado pelo arquiteto Giuseppe Vernier, concluído em 1859, inspirado nas edificações da Place Garibaldi, inclusive com a fachada na cor "huile de noix" (amarelo dourado). Rue de l'Hôtel des Postes, 4, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
A Place Général Marshall, em frente ao Hôpital Saint-Roch, é uma encantadora praça pública situada no coração de Nice, servindo como um oásis urbano tranquilo na vibrante Riviera Francesa; batizada em homenagem ao general americano George C. Marshall, arquiteto da reconstrução europeia pós-Segunda Guerra Mundial através do Plano Marshall, esta praça reflete os profundos laços históricos entre os Estados Unidos e a França; a praça combina o charme mediterrâneo com espaços verdes bem cuidados, oferecendo aos moradores e visitantes um refúgio sereno.

Place Général Marshall, um oásis verde no coração da cidade. Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Mais a oeste, localizada na Avenue Jean-Médecin, a Basilique Notre-Dame-de-l'Assomption é a maior igreja da cidade; construída entre 1864 e 1879, projeto do arquiteto francês Charles Lenormand em estilo neogótico, inspirado nas catedrais francesas, reflete o desejo de integração de Nice após sua anexação à França; suas duas torres e magníficos vitrais em forma de rosa a tornam um monumento icônico.
Inspirado na Notre-Dame de Paris e na Catedral de Angers, o edifício é adornado com vitrais do século XIX; possui duas torres quadradas e um suntuoso vitral em forma de rosácea representando cenas da Assunção.

Basilique Notre-Dame-de-l'Assomption à Nice, construída em estilo neogótico a partir de 1864, inaugurada em 1868, mas concluída somente em 1879, projeto do arquiteto francês Charles Lenormand; fachada principal inspirada na Notre-Dame de Paris, com três pórticos, uma rosácea, duas naves em arco ogival e uma galeria com quatro pináculos; uma estátua da Virgem Maria ergue-se no topo e outra em frente à rosácea; duas torres elevam-se a 31 metros no céu da cidade. Avenue Jean-Médecin, 46, e Rue d'Italie, 2, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Nave principal com altar; a estrutura interna é inspirada na Abadia de Saint-Serge d'Angers: coro, três naves de mesma altura, doze capelas laterais e sete capelas em absides. Basilique Notre-Dame-de-l'Assomption, Avenue Jean-Médecin, 46, e Rue d'Italie, 2, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

16a Capela, Santo Antônio; Eunice colocando vela, agradecendo ao santo mais querido por minha mãe, Margarida. Basilique Notre-Dame-de-l'Assomption, Avenue Jean-Médecin, 46, e Rue d'Italie, 2, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Placa comemorativa da adoção do cristianismo na Armênia, em 301, sobre a porta de entrada da igreja. Basilique Notre-Dame-de-l'Assomption, Avenue Jean-Médecin, 46, e Rue d'Italie, 2, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Detalhe de prédio que fica na esquina da Rue de Paris com a Avenue Jean-Médecin, 58, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Na sequência, fomos em direção ao norte, caminhando pela Avenue Jean-Médecin, em busca da estação central ferroviária de Nice (Gare).
Durante o Segundo Império, a principal via norte-sul da cidade, construída no antigo vale de Saint-Michel, denominada por isso de Strada di S. Michele, passou a chamar-se Avenue du Prince-Impérial em homenagem ao presumido herdeiro do trono imperial, filho dos imperadores Napoleão III e Eugênia, conhecido como Luís Napoleão (que, depois da queda dos pais, foi residir na Inglaterra, ingressou no Exército Britânico e morreu na África do Sul em combate com os Zulus).
Com a mudança de regime em 1870, essa via recebeu o nome de Avenue de la Gare (Avenida da Estação), nome que, sem dúvida, foi escolhido naturalmente pelos habitantes de Nice, já que havia sido inaugurada em 1864 para servir a estação ferroviária Paris-Lyon-Méditerranée.
Após o Armistício de 11 de novembro de 1918, no fim da Primeira Guerra Muncial, a avenida, cuja função comercial se tornara predominante, passou a denominar-se Avenue de la Victoire (Avenida da Vitória), antes de ser renomeada, em 1966, em homenagem ao ex-prefeito de Nice, Jean Médecin.

TGV (trem de grande velocidade) passsando na via férrea Pierre Mathis, viaduto sobre Avenue Jean-Médecin, com o monograma da rede PLM (Paris-Lyon-Méditerranée). Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Desde o segundo terço do século XIX, os habitantes da cidade esperavam ser servidos por uma estrada de ferro, mas o sonho só se realizou no governo francês, em 1864, quando o trem chegou a Nice pela primeira vez.
Essa ligação com a rede ferroviária Paris-Lyon-Méditerranée (PLM) foi uma grande revolução: a partir de então, os residentes estrangeiros não teriam dificuldade em chegar a Nice; em apenas algumas dezenas de horas, a cidade era acessível a partir de qualquer capital europeia; o advento do trem foi, portanto, uma das causas fundamentais do extraordinário crescimento turístico, demográfico e econômico que Nice experimentou a partir da segunda metade do século XIX.
A Gare de Nice Ville (Estação de Nice) foi concluída em 1864, projeto do arquiteto Jules Bouchot, no estilo Luís XIII (lembrando os edifícios da Place des Vosges, em Paris), bastante semelhante às estações construídas na mesma época, mas constituía, no entanto, o primeiro edifício de estilo "francês" na cidade, recentemente anexada à França.
Instalada no fim da Avenue du Prince-Impérial (hoje, Jean Médecin), ela se encontrava em pleno campo, mas, em uma dezena de anos, a cidade já havia se estendido, alcançando a estação.

Gare de Nice Ville (Estação de Nice), concluída em 1864, estilo Louis XIII, obra do arquiteto Jules Bouchot; a fachada principal, construída em tijolo vermelho e pedra aparelhada, é encimada por um pavilhão central, com aberturas oculus ou oeil-de-boeuf (olho-de-boi), adornado com um grande relógio. Avenue Thiers, 12, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Após a estrada de ferro, a oeste, encontra-se a Cathédrale Orthodoxe Saint-Nicolas.
As relações entre os russos e Nice se intensificaram a partir da aproximação dos líderes do Império Russo e do Reino da Sardenha, o czar Alexandre I e o rei Vittorio Emanuele I, respectivamente, que partilhavam concepções políticas reacionárias (contra o estado liberal e democrático) e tinham todos dois interesse em se aliar; para a Sardenha, os russos constituíam uma potência aliada face à França e à Inglaterra, enquanto para a Rússia, a aliança sarda permitia reforçar seu acesso ao Mediterrâneo.
Em 1850, mais de cinquenta famílias russas vieram gozar o inverno ameno de Nice, porém, as relações russo-sardas estremeceram quando a Sardenha se aproximou da França e da Inglaterra, chegando a participar da Guerra da Criméia, entre 1853 e 1855, junto com os franceses e ingleses, contra seu antigo aliado.
Mas, logo após esse episódio, as relações voltaram a se estreitar; em 1859, a primeira igreja russa foi inaugurada na Rue de Longchamp e mais de 200 famílias vieram passar o inverno em Nice.
Os mais célebres visitantes russos, na época, foram, provavelmente, a imperatriz (czarina) Maria Alexandrovna da Rússia, esposa do czar Alexandre II, e seu filho primogênito, o czaréviche (príncipe herdeiro) Nicolau Alexandrovich, que tinha ido a Nice para tratar sua tuberculose, mas terminou morrendo na cidade em 1865, abrindo caminho para seu irmão mais novo, Alexandre, que se tornaria czar com o nome Alexandre III (que batiza a ponte mais bonita de Paris).
Uma capela perpétua a memória do jovem foi erguida no mesmo local em que mais tarde foi construída a Cathédrale Orthodoxe Saint-Nicolas, concluída em 1912, num estilo abertamento russo, projetado pelo arquiteto Préobrajensky, sendo reputada como a maior igreja russa fora das fronteiras históricas da Rússia.

Cathédrale Orthodoxe Russe Saint-Nicolas à Nice, erguida entre 1903 e 1912, obra do arquiteto russo Mikhaïl Préobrajensky, reputada como a maior igreja russa fora das fronteiras históricas da Rússia; a explosão de cores exteriores, misturando-se com o azul profundo do céu do sul, o verde esmeralda das cúpulas e a atmosfera oxigenada do parque fazem desse templo um lugar extraordinário; o caráter e o significado final do conjunto foram expressos pelas enormes cruzes douradas; todo o conjunto da construção é coroado por uma imponente estrutura de cinco cúpulas, tradicional em catedrais, com uma cúpula central que atinge uma altura de 52 metros. Avenue Nicolas II, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Rosto de Cristo na fachada da Cathédrale Orthodoxe Russe Saint-Nicolas; o magistral painel de mosaico russo Art Déco "A Sagrada Face"; os mosaicos foram criados sob a direção do mestre Vladimir A. Frolov. Avenue Nicolas II, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Na sequência, seguimos para leste, em direção à colina de Cimiez, bairro de classe alta, que, na época romana, era uma cidade, com arenas, termas, forum, mas que foi abandonada quando da invasão bárbara; no bairro, encontram-se dois museus que levam os nomes de dois artistas renomados internacionalmente: o pintor e gravurista bielorusso de origem judia Marc Chagall e o pintor, desenhista, gravurista e escultor francês Henri Matisse.

Indo para o Musée National Marc Chagall, escadaria que liga a Avenue de l'Oviletto (baixo) à Avenue Docteur Ménard, bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
O Musée National Marc Chagall , localizado na Avenue Docteur Ménard, foi inaugurado em 1973, com a presença do artista, que participou ativamente de seu projeto; o museu foi projetado pelo arquiteto André Hermant.
Marc Chagall, pintor e gravurista, nasceu em Vitebsk em 1887 (na época, cidade do Império Russo, hoje, faz parte da Bielorrússia); conheceu a Revolução Russa, iniciada em 1917, os desastres das duas Guerras Mundiais (1914-1918 e 1939-1945); deixou sua terra natal por Paris, se exilou nos Estados Unidos em 1941, em razão das perseguições nazistas aos judeus na Europa, antes de retornar à França em definitivo, em 1948; sua experiência de infortúnio e felicidade pode ser vista em uma obra que não obedece a regras estilísticas e se inspira na modernidade sem aceitar seus ditames.
O acervo inicial base do museu foi a coleção "Mensagem Bíblica".

Entrada do Musée National Marc Chagall, obra do arquiteto André Hermant; Chagall esteve na inauguração, em 1973, com Andre Malraux e Maurice Druon. Avenue Dr. Ménard, bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Tela "Cântico dos Cânticos III", de 1960, uma das obras da coleção "Mensagem Bíblica", Musée National Marc Chagall, Avenue Dr. Ménard, bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

"O profeta Elias" ou "A carruagem de Elias", mosaico (mármore, granito, pastas de vidro), 1970-1973, no jardim do Musée National Marc Chagall, Avenue Dr. Ménard, bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Tela "Abrãao e os três anjos", por volta de 1966; os anjos anunciam a Abraão que Sara (que se encontra à esquerda do quadro) vai ter um filho, mesmo sendo idosa; no canto direito, dentro de um círculo, aparecem os três anjos contando a Abraão sobre a destruição de Sodoma e Gomorra; obra da coleção "Mensagem Bíblica". Musée National Marc Chagall, Avenue Dr. Ménard, bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Jardim do Musée National Marc Chagall; uma pausa para um repouso relaxante, no meio do verde. Musée National Marc Chagall, Avenue Dr. Ménard, bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
Depois, continuamos percorrendo o lindo bairro Cimiez, na direção do Musée Matisse Nice; no caminho, passamos por palacetes e prédios luxuosos, rodeados por belos jardins; um bairro verde e muito agradável.

Belo prédio no n. 34 do Boulevard de Cimiez. Bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Outro belo imóvel, com detalhes neorrenascentistas, no n. 35 do Boulevard de Cimiez. Bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Villa Phi-Phi, no n. 61 da Avenue George V. Bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
O Jardin des Arènes de Cimiez é um parque, localizado perto do Mosteiro de Cimiez e do seu jardim de rosas, que possui um vasto bosque de oliveiras centenárias; os seus relvados de livre acesso tornam-no um local ideal para passeios em família; eventos tradicionais de Nice realizam-se aqui todos os anos; o Musée Matisse Nice e o Sítio e Museu Arqueológico, que abriga as ruínas da antiga cidade romana, estão agrupados neste amplo espaço verde.
Não recordamos os motivos pelos quais não temos fotografias do Musée Matisse; acreditamos que a bateria da máquina fotográfica descarregou.
Henri Matisse é um pintor, desenhista, gravurista e escultor francês, nascido em 1869, na cidade de Le Cateau-Cambrésis, um dos artistas que capitaneou o movimento modernista do início do século XX conhecido como fauvismo, caracterizado pela sistematização de formas simplificadas, compartimentadas por contornos muito marcados, e a ousadia na pesquisa cromática, rompendo com a função tradicional da representação, ou seja, com o academicismo e com o próprio impressionismo, em proveito da sensação e da expressão.
As obras mais conhecidas dele são "Mulher com chapéu", de 1905, marco inicial do fauvismo, "A alegria de viver", de 1906, e a mais famosa, "Dança", de 1910.

Carrossel do Jardin des Arènes de Cimiez (ruínas romanas). Bairro Cimiez, Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
No sul da cidade, no início da Avenue Jean-Médecin, encontramos a Place Masséna.
Na época da construção da praça, a cidade era dividida pelo rio Paillon: a Vieux-Nice, na margem esquerda, e os bairros novos, na direita.
Uma primeira praça semicircular foi edificada quase na desembocadura do rio, do lado da Vieux-Nice, no início dos anos 1830, tomando o nome de Piazza Carlo Alberto, em honra ao rei então no trono.
Do outro lado, atravessando a Pont-Vieux, resolveram construir outra praça; os arquitetos da cidade, Soffier e depois Vernier, conceberam inúmeros planos para o desenvolvimento da praça; a abordagem estilística escolhida fazia clara referência à capital do Reino da Sardenha, Turim, inclusive na escolha da cor, aquele vermelho profundo que ainda hoje é chamado de "rouge sarde" (vermelho sardo); mas as influências das grandes cidades europeias da época não estavam ausentes, particularmente à da Rue de Rivoli, em Paris, cujos pórticos eram explicitamente inspirados.
A praça mal havia sido concluída em 1860 e parecia não ter um nome realmente definitivo: Place du Soleil (Praça do Sol), Place Masséna ou mesmo simplesmente Piazza Quadrata, em referência ao seu formato; no entanto, o nome Place Masséna designava apenas a parte do espaço atual localizada na margem direita do rio; a parte semicircular situada na margem esquerda conservou seu antigo nome de Piazza Carlo Alberto; somente em 1861, quando dos trabalhos de cobertura do rio Paillon, que esta foi englobada na Place Masséna propriamente dita.
Por ironia do destino, uma das mais belas realizações arquitetônicas dos reis da Sardenha na cidade porta hoje o nome de um marechal de Napoleão que foi particularmente implacável a combatê-los; entre Vittório Emanuele I (e seus sucessores) e Masséna, a oposição era total.
André Masséna nasceu em 1758, em Nice, numa família modesta, originária de Levens; órfão muito jovem, ele se engajou no exército francês, onde teve uma carreira medíocre como sargento: na verdade, não poderia esperar nada melhor na França do Antigo Regime, onde os cargos mais importantes eram reservados à nobreza; quando a Revolução Francesa eclodiu, ele vivia em Antibes, onde se encontrava casado; ele abraçou a causa com certo entusiasmo; ele fazia parte das tropas francesas que invadiram Nice em setembro de 1792; depois, como a maioria dos grandes generais da época, ele conheceu uma ascensão fulgurante graças à defecção da maior parte dos oficiais que, sendo nobres, emigraram, e graças, também, à sua coragem quando das guerras que não mais cessaram até 1815; ele se fez notar por Napoleão, que lhe fez marechal, príncipe de Essling e duque de Rivoli, em lembrança de suas duas vitórias nas quais Masséna contribuiu particularmente; foi apelidado por Napoleão de "o filho querido da vitória".

Place Masséna; norte da praça, em direção à Avenue Jean-Médecin; ao fundo, os prédios que contornam a praça, inspirados nas construções de Turim, apresentando nas fachadas a cor conhecida como "rouge sarde" (vermelho sardo); sete estátuas em resina branca, obra do artista catalão (espanhol) Jaume Plensa, instaladas em 2007. Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.
No nosso próximo post, vamos continuar nosso passeio por Nice.
Fontes:
Wikipedia
"Nice de A à Z", de Louis-Gilles Pairault; collection dirigée par Hervé Chirault, Editions Alan Sutton, 8, rue du Docteur Ramon, Saint-Cyr-sur-Loire, France, première édition 4º trimestre 2010.


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