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Córsega - Parte IV - Região de la Balagne - Sant'Antonino e Calvi - Collectivité de Corse - França -2013

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Plage de l'Île-Rousse, belíssima praia no norte da Córsega. Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Do Désert des Agriates fomos para la Balagne.


La Balagne


La Balagne contempla o Mar Mediterrâneo a partir do seu balcão de colinas férteis, no nordeste de uma ilha montanhosa e rude; o seu interior apresenta duas realidades: ao sul da aldeia de Calenzana se estende uma Balagne deserta e, ao norte, uma Balagne fecunda que fez, no passado, a prosperidade dessa região e lhe mantém hoje como uma atração turística; uma das regiões mais pitorescas da ilha, possui 40 km de agradáveis ​​estâncias balneares ao longo da sua costa e, nas colinas atrás da planície costeira, magníficas aldeias rodeadas de pomares e vinhedos; de Ostriconi a Galeria passando pela inevitável cidade de Calvi e mais o interior de pequenas aldeias, tais como Sant'Antonino, ideal para vistas panorâmicas, sente-se a alegria de viver.




A nordeste a região de la Balagne. Detalhe do Mapa da Córsega. https://www.allerencorse.com/carte-de-la-corse/


Já ingressando em la Balagne podemos ver a Punta di l'Acciolu, fechando o Désert des Agriates.




Punta di l'Acciolu ou Pointe de l'Acciolu, à esquerda, e o Désert des Agriates, a partir da Route de Bastia, lieu dit Licciola, Comuna de Palasca, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


O Vale do rio Ostriconi vai do Col de Santa-Maria até a enseada de Peraiola, se estendendo pelas regiões de la Balagne, le Nebbio e les Agriates.


A enseada de Peraiola é ocupada pela Plage de l'Ostriconi, uma praia pertencente ao Conservatoire du littoral, no delta do rio Ostriconi.




Vista da Plage de l'Ostriconi, no delta do rio do mesmo nome, em frente à enseada de Peraiola, limite ocidental do Désert des Agriates, a partir do lieu dit Licciola, Comuna de Palasca, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


A leste, encontra-se a cidade de l'Île-Rousse, em corso, Isula Rossa.


l'Île-Rousse


No século dezoito, no lugar, havia somente vagos vestígios de uma cidade romana e de uma torre genovesa; o Port d'Isula Rossa foi fundado por Pasquale Paoli em 1758 para competir com o tráfego de Algajola e Calvi e, assim, neutralizar a atividade genovesa na ilha.


Hoje, cidade próspera e animada, ela integrou todas as modernidades sem nada perder de sua identidade latina; a cidade de Pasquale Paoli, Isula Rossa (Ilha Vermelha), é uma das mais atraentes marinas da Córsega; a cor das águas, aquela das rochas no entorno, que lhe deram seu nome, a luminosidade e a personalidade de uma cidade recente mas muito corsa, tal como queria seu fundador, em oposição às genovesas, como a sua rival, Calvi, a "sempre fiel" a Gênova.




Plage de l'Île-Rousse, belíssima praia no norte da Córsega. Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


A Île de la Pietra não é verdadeiramente uma ilha porque ela está ligada à cidade por um espigão que protege o porto; os granitos vermelhos dão seu nome a l'Île-Rousse, que, por um tempo, foi batizada de Paolina, em honra a seu fundador; esse pequeno espaço muito mineral vale um passeio para conhecer a antiga torre genovesa e o farol.




Île de la Pietra, formada por granitos vermelhos, por isso o nome da cidade "Ilha Vermelha"; observam-se, à esquerda, o farol de la Pietra e, à direita, a antiga torre genovesa. Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Antiga torre genovesa, provavelmente do século XVI, erguida na Île de la Pietra. Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




L'Île de la Pietra, à direita do farol; em destaque, o degradê das águas do mar. Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Gaivotas na Île de la Pietra. Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




L'Île-Rousse vista a partir de l'Île de la Pietra, porto e enseada. Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


A Vieille Ville (Cidade Antiga), apesar do nome, não é um bairro da cidade tão antigo assim, mas não lhe falta estilo, com seu belo mercado coberto, rodeado de lojas de comida, e a arquitetura elegante de suas casas e suas vielas que descem em direção ao mar.


No fim da Rue Notre-Dame, face à Square Tino-Rossi, uma torre meio arruinada e uma trama de muralha, próximas à Maire (Prefeitura da cidade), portam uma inscrição, lembrando a fundação de l'Île-Rousse.




A Vieille Ville (Cidade Antiga) de l'Île-Rousse (Isula Rossa), fundada por Pasquale Paoli em 1758 para se contrapor ao dominador genovês; em destaque, no centro, o edifício do Mairie de l'Île-Rousse (Prefeitura da Cidade), e, na frente dele, um pouco à esquerda, vestígios da fortificação da cidade e de uma torre um pouco arruinada. Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Vestígios da muralha fortificada de l'Île-Rousse, de 1765, cuja construção foi iniciada sob o líder patriota Pasquale Paoli, lembra a placa em francês e em corso. Boulevard Sottu Mare, Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Mais para o sul, encontramos a Place Paoli, uma praça retangular, sombreada por grandes plátanos e bordeada por cafés, um dos lugares mais animados da cidade; no centro, quatro altas palmeiras enquadram uma fonte encimada por um busto de Pasquale Paoli.




Fonte com busto do líder patriota Pasquale Paoli, enquadrada por quatro altas palmeiras. Place Paoli, Cidade de l'Île-Rousse, Comuna de l'Île-Rousse, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Continuando para oeste, ainda na Haute-Corse (Alta Córsega), no litoral, encontramos Algajola.


Algajola


Algajola foi, durante muito tempo, uma posição genovesa avançada em relação a Calvi, esta sendo o centro de poder de Gênova na região.


A cidade possui uma bela praia de 1,5 km de extensão, com bares, atividades náuticas e um camping; é famosa por ser um local apropriado para o surf e foi aqui que se lançou a prática do kitesurf na ilha.




Plage de Algajola; 1,5 km de praia de areia, apropriada para a prática de surf e kitesurf; a citadelle da cidade foi construída no séc. XVII, em torno de um castelo. Cidade de Algajola, Comuna de Algajola, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Vista da cidade de Algajola e sua praia a partir da aldeia de Sant'Antonino, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Na sequência, nos dirigimos para o sudeste em relação a Algajola e subimos 500 metros para conhecer a aldeia de Sant'Antonino, sem dúvida, a mais fotografada da Córsega e já foi classificada como uma das mais belas aldeias da França.


Sant'Antonino


A maioria das aldeias corsas não olhavam para a costa; elas ficavam, se possível, dissimuladas atrás de uma colina; nenhum ilhéu era menos marinheiro que o corso, a exceção dos cap-corsins (os habitantes do Cap Corse); o invasor sempre chegava pelo mar, e um barco, na Córsega, foi por muito tempo uma mau presságio.


Das galeras gregas que abordaram Alalia (hoje Aleria), às trirremes romanas que ali permaneceram, aos etruscos e cartagineses, todos os povos do Mediterrâneo se encontraram na ilha durante os últimos séculos antes da nossa era, e raramente para o bem maior dos seus habitantes.


As aldeias corsas frequentemente eram construídas em círculos, nos quais era erguida uma série de defesas contra invasores – principalmente os sarracenos, uma ameaça constante até o século XVIII. Esse dispositivo obrigava os atacantes a conquistar cada recinto sucessivamente, expondo-se ao fogo dos defensores do próximo. Sant'Antonino é um excelente exemplo disso.


Fundada no século IX, Sant'Antonino foi erguida num terraço, nas últimas encostas de la Balagne, verdadeiro "nid d'aigle" (ninho da águia); a aldeia guardou sua arquitetura medieval e algumas fortificações, e o tempo parece ter parado nas suas estreitas ruelas repletas de escadarias íngremes, degraus altos e passagens abobadadas.




Sant'Antonino, 500m de altitude, aldeia em "nid d'aigle" (ninho da águia), uma das mais belas da Córsega e da França; à direita, descendo a encosta, observa-se o alto campanário da Église de l’Annonciation (A Nunziata), do século XII. Aldeia de Sant'Antonino, Comuna de Sant'Antonino, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Ruelas estreitas e pavimentadas, com acesso para o imóvel por meio de uma escadaria com degraus altos. Aldeia de Sant'Antonino, Comuna de Sant'Antonino, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Casas altas morro abaixo, próximas a Maison Marcelli. Aldeia de Sant'Antonino, Comuna de Sant'Antonino, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Ruela pavimentada com pedras, estrutura medieval preservada. Aldeia de Sant'Antonino, Comuna de Sant'Antonino, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Imagem de pedra de São Miguel Arcanjo, em nicho. Aldeia de Sant'Antonino, Comuna de Sant'Antonino, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Casa com base no rochedo, abaixo do I Scalini; escadaria íngreme para alcançar o alto do ninho da águia. Aldeia de Sant'Antonino, Comuna de Sant'Antonino, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Passagem abobadada ligando as ruelas da aldeia. Aldeia de Sant'Antonino, Comuna de Sant'Antonino, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Continuando pelas alturas de la Balagne, fomos conhecer a grande aldeia de Calenzana.


Calenzana


Apoiada no Monte Grosso entre olivais e amendoeiras, Calenzana domina o Golfe de Calvi; se Calvi permaneceu sempre fiel a Gênova, essa grande aldeia, em oposição, foi um bastião da independência corsa; a composição de suas terras possibilitam a produção de vinhos e do mel perfumado, em razão das plantas do maquis.


A Église Saint-Blaise, erguida em estilo barroco entre 1691 e 1701, na Grand-Place, com base no projeto do renomado arquiteto milanês Domenico Baïna, igualmente autor dos planos da célebre Église de la Porta, também na Córsega.


Já seu belo campanário, no modelo italiano, foi erguido separadamente da igreja, sobre a própria Grand-Place, entre 1870 e 1875 em estilo barroco.




Campanário da Église Saint-Blaise (São Brás), estilo barroco, erguido entre 1870-75; destaques arquitetônicos da grande torre: na parte superior, a lanterna com grade de ferro forjado; a etapa que abriga os sinos possui uma balaustrada com duplas peras e colunas destacadas, ou seja, isoladas da parede por um pequeno intervalo; nas divisórias entre as três primeiras etapas, há consolas em forma de voluta. Grand-Place, Grande Aldeia de Calenzana, Comuna de Calenzana, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


A partir de 1730, os corsos iniciaram uma revolta, por conta da cobrança extorsiva de impostos, contra os genoveses; estes, sem condições de debelar a insurgência, pediram apoio de Carlos VI, imperador do Sacro Império Romano-Germânico e arquiduque da Áustria, que, em 1731, enviou 3.600 homens, comandados pelo barão de Whachtendonck e pelo genovês Camille Doria, para a Córsega; mas parte dessa tropa foi atacada pelos revoltosos, com perdas consideráveis: 600 desses homens, comandados pelo coronel Vinz, desembarcaram em Calvi, em 1732, e, apoiados por 200 soldados genoveses, atacaram Calenzana, na região de la Balagne, onde foram derrotados pelos rebelados corsos; entre os alemães, duzentos mortos e feridos, incluindo um tenente-coronel e um capitão dos granadeiros


O episódio está assinalado numa placa instalada na base do Campanário da Église Saint-Blaise, mas fazendo referência a 500 mortos entre os mercenários alemães.




Placa que faz referência à grande derrota sofrida pela tropa mercenária alemã na Batalha de Calenzena, ocorrida em 14 de janeiro de 1732, na qual, segundo a inscrição, morreram pelo menos 500 soldados alemães: Campo Santo dei Tedeschi (Cemitério dos Alemães) - "aqui tombaram e foram enterrados quinhentos alemães, mortos a serviço dos genoveses - Batalha de Calenzana - 14 de janeiro de 1732" (tradução livre do francês). Campanário da Église Saint-Blaise, Grand-Place, Grande Aldeia de Calenzana, Comuna de Calenzana, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Nave principal da Église Saint-Blaise, erguida entre 1691 e 1701; em destaque, o coro, muito profundo e equipado com um belo altar de 1767, fechado por uma balaustrada de mármore com marchetaria, ladeada por dois querubins porta-velas. Grand-Place, Grande Aldeia de Calenzana, Comuna de Calenzana, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Voltada também para a Grand-Place, temos a Chapelle de la Confrérie Sainte-Croix de Calenzana, sede da Confraria de Santo Antônio, o Eremita, e Santa Restituta.


Edificada no século XVI, foi profundamente remodelada no século XIX, particularmente em sua decoração interior; sua arquitetura simples se distingue por uma fachada pontuada por quatro pilastras, uma porta central e uma janela alta, encimada por um frontão triangular.


No interior, a nave única, que termina em um coro com uma abside plana, conserva uma decoração do século XIX: pilastras de gesso, uma cornija denticulada e uma abóbada pintada representando Santo Antônio, o Eremita.




Fachada principal da Chapelle de la Confrérie Sainte-Croix de Calenzana; erguida no século XVI, mas bastante alterada no século XIX, particularmente no seu interior;  fachada pontuada por quatro pilastras, uma porta central e uma janela alta, encimada por um frontão triangular. Grand-Place, Grande Aldeia de Calenzana, Comuna de Calenzana, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Nave única da Chapelle de la Confrérie Sainte-Croix de Calenzana; sede da Confraria de Santo Antônio, o Eremita, e Santa Restituta; observa-se o coro com uma abside plana, com pilastras de gesso nos cantos das paredes e uma cornija denticulada; atrás do altar, em nichos, à esquerda, a imagem de São Pedro Apóstolo, ao centro, Coração de Jesus, e, à direita, Santa Restituta. Grand-Place, Grande Aldeia de Calenzana, Comuna de Calenzana, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Na Estrada D 151, na estrada para Zilia, a cerca de 1 km da grande aldeia de Calenzana, encontra-se a Église Sainte-Restitude (Santa Ristituta, em corso, e Santa Restituta, em português), conhecida, pelos corsos, como "A Santa".


De uma grande simplicidade, a igreja, caiada, fica num recinto arborizado com oliveiras centenárias, no local chamado U Loru.


Ela é consagrada à Santa Restituta, originária do norte da África, que, segundo uma das tradições (há várias), teria sido martirizada e decapitada em Calvi, no século III (ou IV), e, desde então, venerada na região; ela foi proclamada, pelo papa São João Paulo II, padroeira de Calenzana e de la Balagne em 1984; os restos mortais da santa estariam inumados na cripta da igreja.




Église Sainte-Restitude, mártir decapitada em Calvi, seu corpo enterrado aqui; erguida sobre, provavelmente, fundações de um templo paleocristão do século IV, ela adquiriu uma estrutura em estilo românico no séc. XI ou XII, mas foi alterada ao longo dos séculos; em destaque, uma cúpula octogonal, iluminada por três janelas e uma lanterna, adornada com padrões geométricos e entrelaçados. Localidade de U Loru, Estrada D 151, Comuna de Calenzana, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Agora, em direção à cidade de Calvi, passamos por um mirante, na Comuna de Montegrosso.


Montegrosso


Montegrosso é uma comuna muito recente, porque ela foi criada em 1972 pela fusão das localidades de Montemaggiore, Lunghignano e Cassano; a partir do Col de Salvi (Passagem de Salvi), à margem da Estrada D 151, na referida comuna, tem-se uma bela vista do Golfe de Calvi e da cidade de Calvi.



Vista do Golfo de Calvi e da cidade de Calvi, a partir do Col de Salvi, Estrada D 151, Comuna de Montegrosso, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Vista do Golfo de Calvi e da cidade de Calvi, a partir do Col de Salvi, Estrada D 151, Comuna de Montegrosso, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Chegamos na cidade de Calvi, capital de la Balagne.


Calvi


Orgulhosamente situada em seu porto luminoso, em um cenário de montanhas frequentemente cobertas de neve, Calvi está entre os mais belos lugares litorâneos da ilha; a cidadela, eminentemente militarizada no passado, erguida no promontório que se projeta entre o Golfo de Calvi e o de Revellata, contrasta com a paisagem circundante de grande serenidade.


O Golfo de Calvi, ocupado desde o neolítico, era designado pelos romanos de Sinus Caesiae ou Sinus Casalus; a cidade romana, fundada no final do século I, ocupava a parte baixa da marina que abriga atualmente a Tour du Sel (Torre do Sal); no fim do Império Romano, era já um aglomeração urbana relativamente grande, dotada de uma basílica paleocristã; reduzida a algumas casas em seguida à invasão dos vândalos (povo germânico que ocupou o norte da África, inclusive a antiga Cartago), ela se reanimou sob a hegemonia de Pisa nos séculos XI, XII e XIII, mas permaneceu uma simples marina.


Na segunda metade do século XIII, uma guerra entre senhores corsos foi a origem da fundação da cità alta (cidade alta); Giovanninello, um senhor de le Nebbio, se aliou a poderosas famílias do Cap Corse, favoráveis aos genoveses, e, em 1268, entrincheirou-se no promontório onde está instalada, hoje, a cidadela; os habitantes de Calvi, por sua vez, se rebelaram contra a tirania dos senhores corsos da região e pediram proteção, em 1278, à República de Gênova; assim, Calvi restou, até o século XVIII, um importante ponto de apoio dos genoveses no Mediterrâneo ocidental.


Surgiram problemas ao domínio genovês entre 1553 e 1559, por conta das incursões do líder patriota corso Sampiero Corso, apoiado por um corpo expedicionário francês comandado pelo marechal de Thermes, sob o reinado de Henrique II da França, mas estas tentativas sofreram reveses diante da forte resistência vitoriosa dos habitantes de Calvi; por conta disso, a cidade recebeu dos genoveses a divisa "Civitas Calvi semper fidelis" (Cidade de Calvi, sempre fiel), gravada sobre a porta de entrada da cidadela, comemorando seu feito de armas de 1555; essa fidelidade de Calvi explica a resistência da cidade às ações do outro líder patriota, Pasquale Paoli, o grande inimigo dos genoveses, e o acolhimento aos opositores de Paoli, particularmente a Napoleão Bonaparte de maio a junho de 1793.


Quando do efêmero Reino Anglo-Corso (1794 a 1796), a cidade, já dominada pelos franceses, foi sitiada de 16 (ou 18) de junho a 15 de agosto de 1794 por 6.000 ingleses e soldados patriotas de Paoli; foi no curso desse famoso cerco que o futuro almirante britânico Horatio Nelson (que perderia a vida na Batalha de Trafalgar, travada em 1805 entre a marinha inglesa e a hispano-francesa, ocasião em que o poder naval francês restou praticamente exterminado, deixando a Napoleão Bonaparte apenas o vetor terrestre), ferido por estilhaços de rocha, perdeu a visão do olho direito; os ingleses evacuaram Calvi somente em 14 de outubro de 1796, quando ela voltou a ser dominada pelos franceses até hoje.


A atual capital de la Balagne é, hoje, a terceira cidade turística da Córsega; organiza eventos culturais e esportivos que lhe conferem a imagem de localidade empreendedora.


A Citadelle de Calvi, elevada sobre um rochedo desnudo batizado de "Calvus" (careca), originou-se de um donjon (torre principal ou de homenagem) erguido pelo senhor corso Giovanninello, aliado dos genoveses, na segunda metade do século XIII, e foi sendo aumentada gradualmente, a partir de 1453, pelo Banco de São Jorge ( Banchi di San Giorgio, em italiano, e Office de Saint Georges, em francês), então preposto da República de Gênova na ilha; assim, foram erguidas as muralhas ocres de seu recinto fortificado, poderosamente protegido por bastiões, acima da cidade baixa e do porto.



Citadelle de Calvi, erguida sobre um rochedo desnudo - daí vem o nome em latim Calvus (careca) - a partir do século XV, pelos genoveses. Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Colado à base do bastião sudoeste da Citadelle, encravado na rocha, encontra-se o Monumento a Cristóvão Colombo; a proa de uma caravela encimada pelo busto do homenageado.


Para muitos habitantes de Calvi e outros corsos, o famoso navegador genovês, que chefiou a expedição que "descobriu" as Américas, em 1492, teria nascido na comuna, em 1436.




Monumento a Cristóvão Colombo, obra do escultor Damasu Maestacci, de 1992; para muitos corsos, o descobridor das Américas teria nascido em Calvi. Place Christophe-Colomb, base do bastião sudoeste da Citadelle, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Encostada ao porto, encontra-se a Tour de Sel (Torre do Sal); essa torre redonda, ligada às muralhas da Citadelle por um arco, era, provavelmente, um embrião de fortificação e um posto de vigilância; ela servia, também, de depósito para o sal trazido pelas embarcações.




Tour du Sel (Torre do Sal); essa torre redonda, ligada às muralhas da Citadelle por um passadiço em arco, era na origem um embrião de fortificação e posto de vigia; servia também de depósito de sal. Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Ponta sul do bastião noroeste da Citadelle de Calvi; as fortificações foram edificadas no final do século XV, mas modificadas ao longo dos séculos. Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Na única entrada da Citadelle, a divisa da cidade: "Civitas Calvi semper fidelis" (Cidade de Calvi, sempre fiel), gravada sobre a porta, comemorando seu feito de armas de 1555, na resistência contra o ataque empreendido pelo líder patriota Sampiero Corso e seus aliados, os franceses, uma demonstração de que os habitantes de Calvi sempre foram fiéis aos genoveses, seus protetores.




Entrada da Citadelle; acima da porta, a célebre divisa da cidade: "Civitas Calvi semper fidelis" (Cidade de Calvi, sempre fiel); a cidade sempre foi fiel a Gênova, inclusive contra os líderes patriotas Sampiero Corso, século XVI, e Pasquale Paoli, século XVIII. Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Na placa de mármore sobre a porta da entrada, está inscrita a divisa de Calvi, em relação aos seus protetores genoveses: "Civitas Calvi semper fidelis" (Cidade de Calvi, sempre fiel). Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




A Tour du Sel, o Port de Calvi e a cidade baixa de Calvi, vistos a partir da Citadelle; a fortificação foi erguida para ter o domínio militar sobre seu entorno. Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Port de Plaisance (Porto de Diversão), a partir da Citadelle; por ser uma cidade turística, observa-se a presença de muitas lanchas e iates ancorados no porto. Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Golfe de Calvi e, ao fundo, o Monte Cinto, o ponto culminante da Córsega, com 2.706 metros de altitude, vistos a partir da Citadelle. Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Guarita nas fortificações da Citadelle; atrás, o Golfe de Calvi e as montanhas da região de Corte, no centro da ilha. Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Na subida para o topo da cidadela, na Rue Saint-Antoine, um pouco antes de alcançarmos a Piazza d'Armi (Praça d'Armas), nos deparamos com o Oratoire de la Confrérie St-Antoine Abbé.


Datando do século XV ou XVI, desde sua construção foi ocupado pela Confraria de Santo Antônio Abade; o edifício abriga um conjunto de afrescos do século XVI que ocupa o lugar entre as capelas; ele abriga um Cristo na Cruz, em madeira policromada e prata repuxada datando do último quarto do século XVII, de origem lígure, tradicionalmente portado em procissão quando da Semana Santa e cujos membros superiores articulados permitem sua descida da cruz e sua apresentação aos fiéis deitado na maca tradicional chamada cadalettu; o Oratório também abriga duas estátuas de madeira policromada do santo padroeiro, Santo Antônio Abade, uma das quais data da fundação da confraria no século XVI e a segunda, sentada e abençoando, data do século XV.




Porta de entrada do Oratoire de la Confrérie St-Antoine Abbé; no lintel (viga sobre a porta), esculpidos em ardósia negra, estão representados Santo Antônio Abade e seu pequeno porco entre São João Batista e São Francisco. Rue Saint-Antoine, Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Nave central do Oratoire de la Confrérie St-Antoine Abbé; atrás do altar, a imagem de Santo Antônio Abade, e, ao fundo, as janelas que dão sobre a baía de Calvi. Rue Saint-Antoine, Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Crucifixo do fim do séc. XVII, em madeira policromada e prata repuxada, de origem lígure; Cristo tradicionalmente portado em procissão quando da Semana Santa e cujos membros superiores articulados permitem sua descida da cruz e sua apresentação aos fiéis deitado na maca tradicional chamada cadalettu. Nave lateral direita do Oratoire de la Confrérie St-Antoine Abbé, Rue Saint-Antoine, Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Afresco do séc. XVI, Cristo crucificado entre Santo Antonio Abade, a Virgem, São Sebastião e São Roque. Parede esquerda do Oratoire de la Confrérie St-Antoine Abbé,  Rue Saint-Antoine, Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Abaixo da abside da Église Saint-Jean-Baptiste, na Carrughju Giubega (Rue Giubega), encontra-se uma casa, conhecida como Maison Giubega, na qual Napoleão Bonaparte se hospedou entre maio e junho de 1793; ele veio buscar refúgio aqui, na companhia de sua família, com seu padrinho Laurent Giubega, fugindo dos partidários do líder patriota Pasquale Paoli, que o tinham forçado a abandonar Ajaccio, sua terra natal.




Maison Giubega, casa do padrinho de Napoleão Bonaparte, Laurent Giubega; placa alusiva à estadia de Napoleão e toda sua família na casa, entre maio e junho de 1793, quando de sua fuga de Ajaccio, após desentendimentos com os partidários de Pasquale Paoli. Carrughju Giubega (Rue Giubega), Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Continuando nossa subida ao topo da cidadela, avistamos, dominando a Piazza d'Armi (Place d'Armes), o Ancien Palais des Gouverneurs Génois (Antigo Palácio dos Governadores Genoveses), atualmente Caserne Sampiero (Quartel Sampiero).


Esta construção maciça do século XIII, flanqueada de um donjon (torre principal ou de homenagem), foi edificada pelo senhor corso Giovanninello, simpatizante dos genoveses, e aumentada, por volta de 1554, pelo Banco de São Jorge ( Banchi di San Giorgio, em italiano, e Office de Saint Georges, em francês), então preposto da República de Gênova na ilha; compreende vastas salas, cisternas subterrâneas e oubliettes (masmorras subterrâneas instaladas em castelos e fortalezas medievais, nas quais os prisioneiros, muitas vezes, eram trancados para o resto da vida, condenados a serem "esquecidos").




Entrada do Ancien Palais des Gouverneurs Génois (Antigo Palácio dos Governadores Genoveses), atualmente Caserne Sampiero (Quartel Sampiero); erguido, no século XIII, pelo senhor corso Giovanninello e aumentado pelos genoveses por volta de 1554. Piazza d'Armi, Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Por fim, chegamos ao topo do caracol, da cidadela, onde se encontra a Église Saint-Jean-Baptiste; fundada no século XIII, gravemente danificada em 1567, após ser atingida por uma explosão do armazém de pólvora do antigo castelo, foi reconstruída em 1570, em estilo barroco clássico, e elevada, seis anos depois, a catedral, quando passou a ser a sede do Bispado de Sagone, mas perdeu o título após a supressão daquela diocese, em 1802.


Em forma de cruz grega, o seu interior é iluminado pelas pequenas janelas altas e pela lanterna sobre a grande cúpula octogonal.


Tivemos a oportunidade de assistir na igreja uma apresentação do grupo de canto polifônico Barbara Furtuna, composto de quatro vozes, Maxime Merlandi, André Dominici, Jean Pierre Marchetti e Jean Philippe Guissani; adquirimos, também, um CD autografado do grupo, intitulado "Sì vita Sì".


O polifônico é um dos tipos de cantos tradicionais da Córsega; semelhante às melodias árabes e ao canto gregoriano, reflete as lutas do passado e a profundidade dos sentimentos; normalmente cantado na língua corsa à capela, com vozes dos naipes secunda (voz principal), bassu (mais grave) e terza (mais aguda), com uma delas dobrada, no caso de quatro cantores.




Fachada da Église Saint-Jean-Baptiste (Protocadetral da Diocese de Sagone); se eleva no cume do rochedo da cidadela; erguida no século XIII, foi destruída quando da explosão de um paiol, em 1567, e reconstruída a partir de 1570, em estilo barroco clássico corso; na cúpula octogonal, há camarotes nos quais as mulheres dos notáveis assistiam aos ofícios, para não se misturar ao povo. Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Nave principal da Église St-Jean-Baptiste; o coro é adornado por um imponente altar-mor do século XVII, em mosaico de mármore policromado com delicadas aplicações de bronze; na abside encontra-se um grande tríptico sobre madeira (1458), do pintor genovês Barbagelata. Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Sobre o altar lateral à direita do coro, nota-se o Christ en ébène (Cristo em ébano), do século XV, coberto por um "pano" de prata; segundo a tradição, ele foi levado em procissão pelas ruelas da cidade pelos habitantes durante o cerco de 1553 pelos turcos, aliados dos franceses.




Christ Noir (Cristo Negro), no altar lateral, à direita do coro; a imagem do Cristo Negro, em ébano, coberto por um pano de prata; primeira vez em procissão em 1553, quando os turcos sitiaram Calvi. Église St-Jean-Baptiste, Citadelle de Calvi, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Descemos a Citadelle, e fomos para a cidade baixa (ville basse).


A cidade baixa se articula em torno do Port de Plaisance, um dos mais frequentados da ilha.




Place Marchal; no centro da praça, há o Monumento ao Dr. Marchal, professor da Faculdade de Medicina de Paris. Ville basse, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Na cidade baixa, deparamo-nos com a Église Sainte-Marie-Majeure.


Ela foi erguida numa pequena praça e apresenta uma fachada ocre e rosa vivo; substituiu uma igreja paleocristã do século IV, destruída pelos bárbaros no século V, depois reconstruída no século XIII e mais uma vez arruinada no século XVI pelos sarracenos.




Nave central da Église Sainte-Marie-Majeure; foi edificada a partir de 1774, mas terminada apenas no final do século XIX. Rue Georges Clemenceau, Ville basse, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Uma belíssima caixa de órgão de fabricação italiana, do século XVIII, serve de cenário para recitais de organistas renomados durante a temporada.




Belíssimo órgão de tribuna, fabricação italiana, séc. XVIII, sobre a entrada principal da igreja. Église Sainte-Marie-Majeure, Rue Georges Clemenceau, Ville basse, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Plage de Calvi e, ao fundo, Monte Cinto, 2.706 metros, quase sempre com neve. Ville basse, Cidade de Calvi, Comuna de Calvi, Pays de Balagne, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


No nosso próximo post, vamos para Galeria e Porto, também na Córsega.



Fontes:


Wikipedia


"Petit Futé Corse 2013", de Xavier Bonnin, Jean-Paul Labourdete, Dominique Auzias et alter; édité par Les Nouvelles Editions de l'Université, 18, rue des Volontaires, Paris, France; impression par Imprimerie Chirat, Saint-Just-la-Pendue, France, février 2013.


"Le Guide Vert Michelin Corse"; responsable par collection Anne Teffo; édition de Natacha Brumard; rédaction de Jordane Bertrand, Isabelle Bruno, Louise Druet, Jean-Louis Gallo, Guylaine Idoux e Hervé Kerros; édité par Michelin, Propriétaires-éditeurs et Michelin Guides Touristiques, 27, cours de l'Île-Seguin, Boulogne-Billancourt, France; impression par Tipografica Varese, Italie, 01-2013.


"La Corse - Île de Beauté, Terre de Liberté", de Jean-Paul Brighelli; collection conçue par Pierre Marchand, édité par Découvertes Gallimard Culture et Société; impression par IME, France, avril 2004.





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