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Cannes - Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur - França - 2013

  • há 6 horas
  • 16 min de leitura

Observando os belos Vieux-Port (Porto Velho) e Baía de Cannes, a partir da Place de la Castre. Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.



Nessa viagem ao Departamento dos Alpes-Maritimes e à Córsega, partindo de Nice, fomos visitar Cannes.


Cannes


Do alto de seu promontório, o bairro de le Suquet observa Cannes; foi aqui que tudo começou, quando a cidade era apenas uma pequena vila de pescadores dos lígures, oriundos da península ibérica e que terminaram por dominar o noroeste da atual Itália.


Originalmente uma vila de pescadores da Ligúria, foi renomeada pelos romanos como Horrea ou Ad Horrea (que significa "celeiros"), porque o local tinha armazéns para guardar grãos.


Parte do então bispado de Antibes foi concedida, por volta de 960, pelo conde de Provença a Rodoardo, fundador da casa de Grasse, que havia participado da reconquista da Provença oriental dos sarracenos; após diversas doações dos descendentes dessa família, o local onde hoje se encontra a cidade tornou-se um feudo da Abadia de Lérins, localizada na Ilha de Saint-Honorat, no arquipélago de Lérins, localizado em frente à atual Cannes.


Na Idade Média, a localidade manteve-se modesta e foi palco dos conflitos franco-ingleses e franco-espanhóis, que ocorreram principalmente nas Ilhas Lérins, que continuaram durante o período de Ancien Régime, até que Vauban, o grande arquiteto militar do rei Luís XIV, fortificou a Ilha de Sainte-Marguerite, utilizando seu moderno e eficaz sistema de defesa; o forte tornou-se uma prisão estatal utilizada por todos os regimes; vários prisioneiros "ilustres" foram mantidos lá, como o famoso "Homem da Máscara de Ferro".


A cidade ganhou importância graças, em particular, a lord Henry Brougham e Vaux, alto chanceler da Inglaterra, que se estabeleceu na região no século XIX e atraiu a aristocracia inglesa e europeia para o lugar, que, por sua vez, construiu magníficas residências de inverno; esses investimentos privados em um litoral frequentemente rochoso, realizados no século XIX para uma clientela abastada, são típicos do desenvolvimento da Côte d'Azur; a partir desse período, o desenvolvimento econômico de Cannes tem sido marcado por uma economia baseada em serviços, impulsionada pelo fluxo turístico, e por uma lógica espacial centrada na orla marítima.


A cidade ficou ainda mais conhecida quando passou a sediar o famoso festival internacional de cinema, conhecido como Festival de Cannes, criado em 1939, mas cuja primeira edição ocorreu apenas em 1946, em razão da eclosão da Segunda Guerra Mundial.


Pegamos um ônibus em Nice e desembarcamos na estação de Cannes, cujos muros são pintados com imagens e figuras que homenageiam o cinema: o grande mural “Cinéma Cannes”, cobrindo toda a fachada, reúne figuras da história do cinema em uma única composição; ao lado de Charlie Chaplin, Harold Lloyd, Alfred Hitchcock, Fred Astaire rodopiando, os visitantes podem encontrar personagens como Mickey Mouse, Minie, Jessica Rabbit, Superman, Batman, Coringa, R2-D2, o Gordo e o Magro, Tarzan, Jane, Chita e o casal fictício Jack Dawson e Rose DeWitt Bukater, do filme Titanic, numa combinação de atores clássicos e figuras ficcionais estimadas que reflete mais de um século de narrativa cinematográfica; sua localização central e escala o tornam uma clara declaração visual de quão profundamente o cinema está entrelaçado na identidade da cidade.




Estação de ônibus de Cannes com o mural "Cinéma Cannes" da série Le Murs Peints, homenagem a mais de 100 anos dessa arte. Place Cornut-Gentille, Quai Saint-Pierre, 2, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Começamos nossa visita nos dirigindo ao bairro alto da cidade, le Suquet.


Ainda da altura do Quai Saint-Pierre (Cais São Pedro), avistamos a Tour du Suquet, o que restou das fortificações medievais da colina, conhecidas como Castellum Marcellini, erguidas pelos monges da Abadia de Lérins no século XI.


Por volta de 1080, o abade Aldeberto II de Lérins iniciou a construção da grande torre de le Suquet para proteger o local de ataques de corsários e sarracenos; a torre só foi concluída três séculos depois, em 1365, pelo abade Jean de Thornafort; com vinte e dois metros de altura, permitia a vigilância do porto de Cannes.


Também do cais, podemos observar o alto campanário da Église Notre-Dame d’Espérance, com relógios nas quatro faces, igreja erguida entre 1521 e 1641 para atender a maior demanda populacional que a capela do antigo castelo - Chapelle Sainte-Anne - não suportava mais.




Vista de le Suquet ou Mont-Chevalier; em destaque, à esquerda, a Tour du Suquet e a abside da Chapelle Sainte-Anne, resto das fortificações do Castellum Marcellini, dos séculos XI e XII, e à direita, o campanário da Église Notre-Dame d'Espérance, uma joia do bairro de le Suquet em Cannes, um edifício gótico e renascentista construído entre 1521 e 1641. Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




A Tour du Suquet e a Chapelle Saint-Anne são vestígios das fortificações medievais de Cannes, erguidas nos séculos XI e XII. Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Passamos antes no Marché Gambetta, localizado na praça de mesmo nome, conhecido pelas suas bancas de vestuário e artigos de couro, mas que também oferece uma grande variedade de frutas e legumes, pêssegos locais e flores; lá, Eunice adquiriu uma cestinha com framboesas.




Marché Gambetta, aberto todas as manhãs, exceto segunda, Place Gambetta, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Seguimos o nosso passeio pela Rue Meynadier, que leva aos pés de le Suquet, uma das mais antigas da cidade, traçada no século XVIII; só a rua já vale a visita; delicatessens, uma fábrica de conservas, uma confeitaria, um verdadeiro paraíso para o paladar.


Dizem que foi batizada com esse nome em homenagem a Jean-Antoine Meynadier, antigo prefeito de Cannes, ou teria sido uma dupla homenagem: em memória do tenente Théodore Meynadier, que morreu durante a Batalha de Éparges, na Primeira Guerra Mundial, em 7 de abril de 1915, e de seu filho, o capitão Roger Meynadier, um combatente da resistência de Cannes, que morreu em 13 de outubro de 1944, durante a Segunda Grande Guerra.




A Rue Meynadier foi traçada no século XVIII, provavelmente antes de 1752; é a continuação do quartier du Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


A estreita, sinuosa e acolhedora Rue Meynadier leva a um paraíso para os amantes da gastronomia: o Marché Forville; no belo edifício ocre, hortifrutigranjeiros, peixarias, queijarias, salamarias e floriculturas trabalham lado a lado, oferecendo aos habitantes e aos visitantes de Cannes os seus melhores produtos.


Fundado em 1884, o mercado passou por diversas transformações e reformas; sua estrutura atual foi projetada no estilo neoprovençal em 1929 pelo arquiteto francês Henri Bret, sendo concluída em 1932.




Porta do Marché Forville; edifício concluído em 1932, com base no projeto do arquiteto francês Henri Bret, no estilo neoprovençal com elementos Art Déco, com sua cor ocre. Rue du Marché Forville, 6, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Iniciamos nossa subida para o alto da colina le Suquet, pela Rue Saint-Antoine.




Rue Saint-Antoine, perto do Cotton Club Auberge Provencale. Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Ainda na subida, passamos pela Traverse de la Tour.




Encontro da Rue Coste Corail com a Traverse de la Tour. Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Subindo para Tour du Suquet, Traverse de la Tour, 11, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Chegamos no topo da colina, na Place de la Castre; dominada pela torre do relógio, a praça é rodeada pela Chapelle Saint-Anne, do século XII, e pela Église Notre-Dame d'Espérance, do século XVI e XVII.




Place de la Castre, onde se encontrava o antigo castelo medieval; é rodeada pela Chapelle Saint-Anne e pela Église Notre-Dame d'Espérance, tendo ao lado a estátua da Virgem. Le Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Da praça, têm-se vistas espetaculares do Porto e da Baía de Cannes.




Vista do Vieux-Port de Cannes e da Baía de Cannes, a partir da Place de la Castre, Le Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Vista do Vieux-Port de Cannes; ao fundo, as Ilhas de Lérins, sendo a primeira a Ilha de Sainte-Marguerite, a partir da Place de la Castre, Le Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Vista de Cannes a partir da Place de la Castre; em destaque o Cours Félix Faure e, bem à direita, o teto do edifício do Hôtel de Ville de Cannes (Prefeitura). Le Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Borda da Place de la Castre; em destaque, a gaivota ladra que atacou as framboesas que Eunice havia comprado no Marché Gambetta. Le Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Vista da Baía de Cannes a partir da Place de la Castre; perto, o Vieux-Port (Porto Velho); ao longe, o Port Pierre-Canto, Le Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




O Vieux-Port; em destaque, ao fundo, Pier Albert-Edouard, com belos iates ancorados, vistos a partir da Place de la Castre, Le Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Em seguida, numa continuação estreita da Place de la Castre, encontramos o Musée des Explorations du Monde (antigo Musée de la Castre), situado no topo de le Suquet, que tem origem no antigo castelo medieval dos monges de Lérins, e que abriga diversas coleções: arte primitiva do Himalaia-Tibete, do Ártico, da América pré-colombiana e da Oceania, além de antiguidades mediterrâneas e uma bela coleção de paisagens provençais do século XIX; fundado graças à doação do acervo de um nobre holandês apaixonado por Cannes, o barão Tinco Martinus Lycklama à Nijeholt, o museu, instalado a partir de 1919 no que restou das fortificação medievais, também oferece um panorama excepcional da Baía de Cannes do alto de sua torre medieval, a Tour du Suquet.




A entrada do Musée des Explorations du Monde, antigo Musée de la Castre; ao fundo a Tour du Suquet, erguida entre os séculos XI e XIII. Le Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Descendo a colina le Suquet pela encosta leste, nos deparamos com a Tour du Masque de Fer (Torre do Máscara de Ferro).


A história do Homem da Máscara de Ferro até hoje é envolta em mistérios; privado de sua liberdade, ele também teria sido privado de seu nome e até mesmo de seu rosto; com o uso da máscara, ele jamais seria reconhecido.


Ele chegou à Ilha de Sainte-Marguerite, que fica em frente ao litoral de Cannes, em 1687 e foi trancafiado em uma cela na ala prisional do Forte Real (erguido por Vauban), construída especialmente para ele por ordem do rei Luís XIV.


Ninguém sabia quem ele era ou por que estava lá; nem mesmo o governador da ilha sabia seu nome.


O misterioso prisioneiro passou mais de 10 anos na ilha, vigiado por 100 soldados; existem várias teorias sobre a identidade do Homem da Máscara de Ferro: alguns acreditam que ele era o irmão gêmeo de Luís XIV; outros afirmam que ele era um membro da família real, secretamente aprisionado para proteger o trono.


Apesar das teorias, a identidade do prisioneiro permanece desconhecida; em 1698, ele foi transferido para a prisão da Bastilha, onde morreu em 1703.


A máscara de ferro foi removida após sua morte, mas sua identidade foi mantida em segredo. Até hoje, o mistério permanece sem solução, embora se diga que, na verdade, a máscara não era de ferro, mas de veludo preto.


A história do Homem da Máscara de Ferro aparece no livro "Os três mosqueteiros", do famoso escritor francês Alexandre Dumas, bem como foi motivo para o filme anglo-americano "The Man in the Iron Mask", do diretor Randall Wallace, lançado em 1998, e estrelado pelos atores de fama internacional Leonardo DiCaprio, Jeremy Irons, John Malkovich, Gérard Depardieu e Gabriel Byrne.


Quanta a torre localizada na colina le Suquet, segundo alguns relatos transmitidos pela tradição oral, o Homem da Máscara de Ferro teria escapado da Ilha de Sainte-Marguerite e encontrado refúgio nesta torre na antiga Cannes antes de ser recapturado.




"L'Homme au Masque de Fer" ("O Homem da Máscara de Ferro"); gravura anônima (água-forte e mezzotinta, colorida à mão) de 1789; segundo a lenda, o Homem da Máscara de Ferro era Luís de Bourbon, conde de Vermandois, um filho ilegítimo de Luís XIV; nenhuma evidência é apresentada para sustentar essa afirmação, que é apenas uma entre muitas, e pode ter sido meramente uma peça de propaganda revolucionária. Imagem do acervo da Library of Congress (USA).




Tour du Masque de Fer (Torre do Máscara de Ferro); dizem que o irmão gêmeo do rei Luís XIV, que usava uma máscara de ferro e se encontrava preso no Forte Real da Ilha de Sainte-Marguerite, fugira da ilha e teria se refugiado aqui por um tempo, antes de ser capturado. Rue du Mont Chevalier, 7, encosta leste da colina le Suquet, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Ao nível do mar, fomos conhecer o belo litoral da cidade de Cannes.




Antigo Café Maritime, hoje Restaurant-bar Le Beija-Flor Maritime, em frente ao Vieux-Port. Quai Saint-Pierre, 20, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Início da Plage du Midi, em frente à Square Jean Hibert, Boulevard Jean Hibert, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Caminhando ao longo do Boulevard Jean Hibert, na direção oeste, nos deparamos com a Square Frédéric Mistral.


Criada em 1864 no terreno do antigo matadouro, foi, inicialmente, chamada de Square Lord Brougham, em reconhecimento ao britânico que incentivou o desenvolvimento da cidade, mas, em 3 de dezembro de 1963, foi renomeada Square Frédéric Mistral, em homenagem ao famoso poeta provençal, fundador do movimento Félibrige.


Frédéric Mistral foi um escritor, poeta e lexicógrafo francês do século XIX que se exprimia na língua provençal, também conhecida como occitana ou langue d’oc, uma língua latina falada no sul da França, nos vales occitanos, correspondentes a partes das regiões italianas do Piemonte e da Ligúria, no Vale do Aran, na região da Catalunha, Espanha, e no Principado de Mônaco; foi um dos membros-fundadores da Associação Félibrige ou Felibritge, cujo é objetivo é salvaguardar e promover a língua, a cultura e tudo o que constitui a identidade dos regiões de língua occitana.




Jardim da Square Frédéric Mistral, batizada em homenagem ao escritor do século XIX que promoveu o renascimento da língua provençal ou occitana. Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Seguindo em direção ao leste, observamos mais uma vez, da ponta do espigão, o Golfe de la Napoule.




Vista do Golfe de la Napoule a partir do espigão do início da Plage du Midi. Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Em frente às Aleias da Liberdade, encontra-se o belíssimo edifício que abriga o Hôtel de Ville de Cannes (Prefeitura).


Louis Hourlier, o arquiteto municipal, projetou a prefeitura, concluída em 1876, na parte oeste das Allées de la Liberté, um passeio arborizado e desprovido de edifícios, que fica ao norte do atual Promenade de la Pantiero, que estende o Boulevard de la Croisette para oeste.


A prefeitura foi construída em estilo eclético com influências clássicas, em calcário e pedra talhada, em uma planta retangular tripartida homogênea com um eixo de simetria que serve como vestíbulo. O mezanino e a fachada em arco dos dois andares quadrados nas fachadas norte e sul estão dispostos em ambos os lados de um arco monumental, com colunas dóricas e jônicas sobrepostas. O terceiro andar é um sótão cujos pilares sustentam altos-relevos representando mulheres com as cabeças voltadas para lados opostos, carregando folhas de palmeira, frutas, buquês e coroas de flores, simbolizando os produtos locais. Na parte superior do arco encontra-se a inscrição "République Française", e, mais acima, esculpida no centro do terceiro andar, "Hôtel de Ville"; acima de tudo, o frontão, cujo telhado imita uma cúpula, ostenta um relógio, e acima deste, o brasão da cidade se destaca contra uma âncora e é encimado por uma torre ameada.


Na frente da Prefeitura, acha-se o Monument aux Morts de Cannes.


O Monumento aos Mortos de Cannes, situado perto do pitoresco Vieux-Port (Porto Velho), é dedicado às pessoas que perderam a vida durante a Primeira Guerra Mundial; o monumento solene apresenta uma estátua imponente e serve como ponto de referência para a memória e a reflexão; rodeado por belos jardins e vistas para o mar, atrai tanto moradores locais quanto turistas.


Dedicado aos combatentes da Primeira Guerra Mundial, foi realizado pelo escultor francês Albert Cheuret e inaugurado em 11 de novembro de 1927; se destaca por sua localização emblemática no Promenade de la Pantiero, em frente à prefeitura, no bairro Centro- Croisette; tombado como patrimônio histórico desde 22 de fevereiro de 2010, consiste em um pedestal octogonal de pedra encimado por um grupo de bronze representando quatro soldados (um aviador, dois soldados de infantaria e um marinheiro) portando sobre uma escudo a Vitória alada, com uma coroa de louros numa mão e um ramo de oliveira em outra, símbolos da glória militar e da paz.




Hôtel de Ville de Cannes (Mairie de Cannes), edifício de estilo eclético, com influências clássicas, foi inaugurado em 1876 com base no projeto do arquiteto Louis Hourlier; em destaque, o vestíbulo, caracterizado pelo grande arco, encimado pela inscrição "Hôtel de Ville", e, acima dela, um frontão com um relógio e o brasão da cidade: uma palma disposta diagonalmente, acompanhada por duas flores-de-lis, uma acima e outra abaixo; na frente do edifício da prefeitura, o Monument aux Morts de Cannes (Monumento aos Mortos de Cannes), erguido em homenagem aos caídos durante a Primeira Guerra Mundial, consistente em um conjunto escultórico representando 4 soldados (um aviador, dois infantes e um marinheiro), portando, sobre escudo, a Vitória Alada. Place Bernard Cornut-Gentille, 1, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Agora estamos no Vieux-Port (Porto Velho); este porto de pesca e de navegação é frequentado por marinheiros desde a Antiguidade, mas o atual Quai Saint-Pierre foi inaugurado somente em 1838 e situa-se no sopé de Le Suquet, na zona velha de Cannes.




Porto do Comércio do Quai Saint-Pierre, por volta de 1890, Photochrom Print Collection, acervo da Library of Congress (USA).




Vieux Port ou Port de Cannes, e, ao fundo, o Palais des Festivals et des Congrès. Esplanade Pantiero, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Vieux Port e, ao fundo, à direita, Le Suquet, o bairro antigo de Cannes. Esplanade Pantiero, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.

Ao lado do porto, encontra-se o Palais des Festivals et des Congrès de Cannes, local onde se realiza anualmente, desde 1983, no mês de maio, o Festival de Cannes, uma cerimônia internacional de premiação do cinema.


O palácio, projetado pelo arquiteto francês François Druet em colaboração com o arquiteto inglês sir Hubert Bennett, foi inaugurado em 1982 e é mundialmente famoso por sediar o Festival de Cannes e outras feiras internacionais e mercados profissionais, como o MIPIM (imobiliário), o Cannes Lions (publicidade e comunicação) e o MIDEM (música); o edifício oferece diversas salas, incluindo o famoso Grand Auditorium Louis-Lumière (onde ocorrem as projeções principais do Festival de Cannes) e o Théâtre Claude-Debussy, e também funciona como espaço para exposições e encontros, além de abrigar o Casino Barrière le Croisette.




Palais des Festivals et des Congrès de Cannes, inaugurado em 1982, projeto dos arquitetos Hubert Bennett e François Druet, local onde acontece anualmente, no mês de maio, o Festival de Cannes, cerimônia internacional de cinema; em destaque, a entrada do Théâtre Claude-Debussy. Boulevard de la Croisette, 1, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




A famosa escadaria que é coberta com o tapete vermelho para que os artistas ingressem no Grand Auditorium Louis-Lumière, principal local de projeção dos filmes que participam do Festival de Cannes. Palais des Festivals et des Congrès de Cannes, Boulevard de la Croisette, 1, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


A leste do Palais des Festivals, encontra-se a Square Reynaldo Hahn; situada entre o palácio e la Croisette, a praça oferece uma experiência prazerosa com seu carrossel, barraquinhas de comida e bebida e jogos infantis, e também apresenta parte do Caminho das Estrelas, exibindo as pegadas de celebridades que visitaram Cannes.




Escultura, provavelmente em granito, representando uma leoa com seus filhotes, obra em estilo Art Déco do escultor francês Eugène-Antoine Borga, possivelmente da década de 1920. Square Reynaldo Hahn, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Jardim ao lado do então Restaurant Croisette Corner, na Square Reynaldo Hahn, Boulevard de la Croisette, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Mais a oeste de la Croisette, avistamos o belíssimo e luxuosíssimo prédio do hotel Carlton Cannes.


Tudo começou com um dramático romance russo; em 1909, o grão-duque Miguel Mikhailovich da Rússia, neto do czar Nicolau I da Rússia, estabeleceu-se em Cannes para escapar da corte imperial e viver um amor proibido com Sophie de Meremberg, uma plebeia e neta do escritor Pushkin, a quem considerava de posição social inferior; banido da Rússia após seu casamento com Sophie, em 1891, o grão-duque renunciou ao título por amor à esposa.


Ademais, o avô materno de sua esposa, Alexander Pushkin, considerado um dos maiores escritores e poetas do idioma russo, tinha ascendência africana, haja vista que era bisneto de Abraham Hannibal, um escravo nascido na atual Etiópia ou Camarões, libertado pelo czar da Rússia, Pedro, o Grande, que mais tarde se tornou general do exército russo.


Constatando que os hotéis existentes em Cannes não ofereciam nem o conforto desejado nem a grandiosidade esperada para as recepções que pretendia realizar, financiou quase toda a construção do hotel, entre 1911 e 1913, que seria chamado de "Carlton", que significa "homem livre" em escandinavo.


A obra foi assumida pelo renomado hoteleiro inglês Henri Ruhl, que encomendou o projeto, e pelo célebre arquiteto francês Charles Dalmas.


Em 1913, o mais belo hotel que Cannes já vira foi inaugurado, um edifício monumental em estilo neoclássico com um espírito da Belle Époque.




Entrada principal do Carlton Cannes, um luxuosíssimo hotel encomendado pelo hoteleiro inglês Henri Ruhl e projetado pelo arquiteto francês Charles Dalmas, no estilo neoclássico da Belle Époque; o hotel, construído entre 1911 e 1913, foi financiado quase inteiramente pelo grão-duque Miguel Mikhailovich da Rússia. Boulevard de la Croisette, 58, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.




Carlton Lounge Bar, pertencente ao hotel Carlton Cannes; em destaque, a balaustrada e os motivos decorativos da fachada de estilo neoclássico da Belle Époque. Boulevard de la Croisette, 58, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


Na praia, em frente ao hotel, acha-se o Carlton Beach Club.


Por volta de 1870-1875, Cannes era uma cidade de elite, recebendo 800 famílias a cada inverno, a grande maioria delas britânicas; a pedido delas, a cidade de Cannes construiu la Croisette, concluída em 1872.


Para acomodar essa clientela, o Carlton Cannes, construído entre 1911 e 1913, ostentava seis andares e 250 quartos luxuosos com salas de estar e banheiros privativos, um luxo raro na época.


No entanto, os hotéis de Cannes fechavam durante o verão; os hóspedes ricos preferiam a Normandia para a temporada de verão.


Em 1928, o Carlton decidiu abrir durante o verão pela primeira vez: foi um sucesso imediato; todos os outros hotéis de Cannes seguiram o exemplo.


Em 1930, o hotel obteve uma concessão da cidade para um terreno em frente ao hotel, no local dos famosos "Bains de la Croisette" (Banhos da Croisette).


Nasceu a primeira praia privada em Cannes: o Carlton Beach Club.




O Carlton Beach Club, aberto em 1930, localizado na praia, em frente ao hotel Carlton Cannes. Boulevard de la Croisette, 58, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


No momento de embarcarmos no ônibus de retorno a Nice, nos deparamos, nas proximidades do Hôtel de Ville de Cannes, com um belo conjunto escultórico sobre o portal do Cristal Café (Cristal Bar), localizado na Rue Félix Faure: dois atlantes, provavelmente em estilo Art Nouveau, sustentando um balcão.




Detalhe da entrada do Cristal Café, hoje Cristal Bar, no qual o portal é formado por dois atlantes, provavelmente em estilo Art Nouveau, sustentando um balcão. Rue Félix Faure, 1, Cannes, Communauté d'agglomération Cannes Pays de Lérins, Departamento dos Alpes-Maritimes, Região de Provence-Alpes-Côte d'Azur, França.


No nosso próximo post, vamos conhecer Nice, capital do Departamento dos Alpes-Maritimes.



Fontes:


Wikipedia











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