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Córsega - Parte X - Alta Rocca, Porto-Vecchio e Aléria - Collectivité de Corse - França -2013

  • há 23 horas
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Vista do restaurante La Marine, no porto, e da Citadelle de Porto-Vecchio; destaque, no centro da fotografia, o Bastion de France (Bastionu di Francia). Molu Pasquale Paoli, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  



Córsega - Parte X


Saindo de Bonifacio, fomos conhecer outras comunas da Communauté de communes du Sud Corse e da Communauté de communes de l'Alta Rocca.



Região abrangendo as Communauté de communes du Sud Corse e Communauté de communes de l'Alta Rocca. Detalhe do Mapa da Córsega. https://www.allerencorse.com/carte-de-la-corse/


A Communauté de communes du Sud Corse abrange, além de Bonifacio, as comunas que se estendem pelas partes mais baixas e pelo litoral do sudeste da Córsega.


Começamos nosso passeio pela comuna de Figari.


Figari


A fachada litorânea da comuna de oitocentos hectares é protegida e parte integrante do Parque Internacional Marinho; a baía de Figari é um abrigo natural magnífico, um verdadeiro fiorde natural com quilômetros de enseadas desertas e um bonita torre genovesa.


Já a aldeia de Tivarello, capital da comuna, fica na planície de Freto, sendo que uma parte dela deita sobre as encostas da elevação leste que lhe margeia.




Monument aux Morts de Figari (Monumento aos Mortos de Figari), homenagem aos filhos da comuna mortos nas 1ª, 2ª Guerras Mundiais e nas Guerras da Indochina e da Argélia. Estrada D 859, Aldeia de Tivarello, capital da Comuna de Figari, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França. 




Casa-fortaleza em Tivarello, ao largo da Estrada D 859, nas proximidades do prédio da Mairie de Figari (Prefeitura de Figari), comuna na qual fica o Aeroporto da Corse-du-Sud. Aldeia de Tivarello, capital da Comuna de Figari, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Seguindo para conhecer a região da Alta Rocca, passamos pela comuna de Sotta.


Sotta


Terra de fé, a comuna de Sotta também vivenciou horas de luta; por ocasião da libertação da Córsega em 1943, a população participou da Resistência, ajudando a conter o avanço das colunas alemãs e dos Camisas Negras do Afrika Korps.




Placa do cruzamento das Estradas D 59 e D 159, com os nomes dos lugares como são escritos na língua francesa - Porto Vecchio, Muratello e Col de Bacino - e na língua corsa - Purtivechju, Murateddu e Bocca di Bacinu. Comuna de Sotta, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França. 


Os habitantes da comuna e outros integrantes da Resistência francesa lutaram contra os invasores alemães e italianos na estrada que liga Sotta a Carbini, até o túnel de Usciolu, onde, segundo a lenda, São Jorge matou U Musconu de Avretu para impedir o avanço da peste em direção à montanha.




Monument de la Résistance (Monumento da Resistência), em referência à batalha do túnel de Usciolu e Bacinu, ocorrida entre os membros da resistência na Córsega e as tropas alemãs e paramilitares fascistas italianas, cujos membros eram conhecidos como Camisas Negras. Estrada D 59, Comuna de Sotta, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




Placa da estela lembrando a batalha do túnel de Usciolu, durante a 2ª Guerra Mundial - "Neste lugar, Túnel 'D'I Scaffi d'Usciolu', em 15 de setembro de 1943, violentos combates opuseram os resistentes e 'Macchiaghjoli' do Maciço de Cagna à tristemente célebre "Sturmbrigade SS Reichsführer', do Exército de Rommel, coluna poderosa de 1.200 alemães e camisas negras paraquedistas e blindados. O fim da resistência era parar essa coluna que se dirigia em direção a Levie. Patriotas foram feridos, outros pereceram por nossa liberdade. Corsos, seu sacrifício e seu ideal de luta contra o jugo fascista germano-italiano, não deve ser esquecido". Estrada D 59, Comuna de Sotta, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




Vista do Golfe de Porto-Vecchio, a partir do mirante do Monument de la Résistance, na Estrada D 59, Comuna de Sotta, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Ingressamos na região tradicional da Alta Rocca.


Alta Rocca


A Alta Rocca - significa Alta Rocha - é a parte oriental e montanhosa da antiga Senhoria da Rocca; ela abriga preciosos testemunhos de um habitat pré-histórico; sua paisagem de encostas arborizadas (com azinheiras, pinheiros marítimos e larícios, castanheiros) e planaltos abandonados à vegetação rasteira são pontilhados por belas aldeias com casas maciças de granito; atravessado por inúmeras trilhas sinalizadas, o pulmão verde do sul da ilha é um paraíso para trilheiros e praticantes de esportes ao ar livre.


De repente, o mar parece tão distante, embora esteja a menos de meia hora de carro de Propriano. A Alta Rocca, um maciço imponente aos pés das sublimes agulhas da Bavella, se estende por um terreno acidentado. Aqui, autenticidade não é apenas uma palavra. Casas de pedra cinza, com paredes grossas, agarradas a encostas íngremes. Uma paisagem de matagal e solos pobres habitada desde os tempos pré-históricos. Um povo das montanhas, por origem ou adoção, cauteloso, trabalhador, unido e profundamente ligado à sua terra. Zoza, Serra-di-Scopamena, Quenza, Levie, Zonza, Sainte-Lucie-de-Tallano – essas aldeias têm apenas algumas centenas de habitantes, mas são vibrantes o ano todo, com ou sem turistas. Muitas vezes, não há placas, ou quase nenhuma, mas sempre há alguém para indicar o caminho certo.


A primeira que visitamos foi a comuna de Levie, capital da Alta Rocca;


Levie


A comuna está situada sobre um platô granítico de 800 a 900 metros de altitude, limitado pelos Vales de Rizzanèse e de Fiumicicoli, de onde emergem vários afloramentos rochosos que contêm importantes vestígios de habitantes do Neolítico e da Idade do Bronze.


Já a aldeia de Levie chama atenção pelas suas altas casas de granito cinza e o Museu de Alta Rocca.




Levie e suas altas casas de granito cinza; a região abriga preciosos testemunhos de um habitat pré-histórico. Aldeia de Levie, Comuna de Levie, capital da região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França. 


No bairro Pratu, encontramos o Musée Départemental de l'Alta Rocca.


O Museu de Alta Rocca permite aos visitantes e estudantes que descubram as características geológicas, históricas e culturais da microrregião, por meio de uma galeria que apresenta os vestígios de escavações arqueológicas e exposições dedicadas aos recursos do território e à arte contemporânea; propõe que se descubra a vida cotidiana no sul da Córsega durante os principais períodos da história: o Mesolítico (-9000/-6000): os primeiros corsos; o Neolítico (-6000/-2000): produtores e construtores; a Idade do Bronze (-2000/-800): fortificações e heróis guerreiros; a Idade do Ferro (-800/-200 a.C.): do surgimento das aldeias aos primeiros assentamentos; da Antiguidade à Era Moderna (-200/1700): uma história turbulenta; e a Era Contemporânea (1700/presente): um mundo rural.




Figuras antropomórficas de pedra no Musée Départemental de l'Alta Rocca, Corsu Lieutenant Aviateur de Peretti, Quartier Pratu, Aldeia de Levie, Comuna de Levie, capital da região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


No norte da comuna de Levie, a quinhentos metros do sítio arqueológico pré-histórico Cucuruzzu, atravessando a floresta, Capula ocupa um planalto granítico a cerca de 759 metros de altitude, com suas ruínas medievais a céu aberto da Córsega, o Castelo de Capula, do qual se diz que foi erguido no século IX ou X e era a antiga residência dos senhores Biancolacci.


Por volta de meados do século XIII, o senhor supremo da Córsega na época, Giudice de Cinarca, conseguiu subjugar as duas casas Biancolacci. Provavelmente desejando estender aos seus descendentes a legitimidade dos antigos senhores dos territórios conquistados, ele casou-se com a filha de Ladro Biancolacci, senhor de Capula, a quem havia exilado para a Sardenha e cujo castelo havia destruído. Durante o século XIV, os Biancolacci perderam seu status de senhor e tornaram-se fidalgos importantes.




Quadro representando Capula, lugar medieval dominado pelo castelo do senhor Biancolacci, que foi desmantelado em 1249 por ordem do então senhor da Córsega, Giudice de Cinarca; desenho criado por Dominique Groebner baseado nas obras de François de Lanfranchi. Musée Départemental de l'Alta Rocca, Corsu Lieutenant Aviateur de Peretti, Quartier Pratu, Aldeia de Levie, Comuna de Levie, capital da região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  

No museu, encontra-se o esqueleto mais famoso da Córsega, a Dama de Bonifacio.


A Dame de Bonifacio não é hoje a mais antiga testemunha da ocupação da ilha; os vestígios humanos recentemente exumados remontam à 8.000 a.C.; sob efeito das glaciações gerais na Europa, o recuo dos mares favoreceu então a passagem, em embarcações rudimentares ou talvez mesmo a nado, de homens vindos da parte do continente mais próxima, passando de ilha em ilha: o arquipélago toscano, do qual muitos picos foram submersos depois, mas, na época, era muito mais extenso do que hoje.


Eles praticavam o enterro dos restos mortais segundo ritos complexos; a Dame de Bonifacio, que viveu por volta de 6.570 a.C., estava recoberta de um pó avermelhado, evocando sangue, para facilitar sua sobrevivência no outro mundo, salvo seus pés, a fim de que ela não voltasse para importunar os vivos; a crença de que espíritos malignos – por exemplo, os scappuccioli, almas de crianças natimortas – poderiam passar de um mundo para outro permaneceu viva pelo menos até o início do século XX.




Dame de Bonifacio (Dama de Bonifacio), vestígio humano mesolítico (6570 a.C); o corpo da "dama", durante seu enterro, foi encoberto por um pó avermelhado para facilitar sua sobrevivência no outro mundo. Musée Départemental de l'Alta Rocca, Corsu Lieutenant Aviateur de Peretti, Quartier Pratu, Aldeia de Levie, Comuna de Levie, capital da região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


A nordeste de Levie, visitamos a comuna de Zonza.


Zonza


Cercada de florestas de coníferas e de castanheiros, a aldeia de Zonza, aos pés de Bavella, tornou-se, ao fio dos anos, um dos lugares de encontros turísticos primordiais da montanha corsa; a comuna é uma das mais vastas da Córsega, posto que ela se estende da montanha à costa; é tecnicamente possível esquiar e se banhar no mar se mantendo na mesma comuna.


Durante o verão, os turistas e os corsos que regressam à região mantêm um ambiente alegre na aldeia.




Monument aux Morts de la 1ª et de la 2ª Guerres Mondiales (Monumento aos Mortos das 1ª e 2ª Guerras Mundiais) - "A Comuna de Zonza, a seus Filhos mortos pela Pátria"; atrás o prédio que abriga l'Auberge du Sanglier. Estrada D 368, Aldeia de Zonza, Comuna de Zonza, Região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Atrás do monumento aos mortos, num edifício com pedras de granito cinza e amarelado, encontra-se l'Auberge du Sanglier (o Albergue do Javali); é difícil de ignorar esse albergue e seu terraço coberto por pérgola, localizados no centro da aldeia; além das especialidades corsas incontornáveis (pernil de cordeiro com mel de maquis, tripas à moda de Zonza, etc.), pode-se saborear carne de caça, incluindo javali.




Cabeça de Javali na entrada lateral do restaurante de l'Auberge du Sanglier, Zonza. Corse-du-Sud, Corse. Estrada D 368, Aldeia de Zonza, Comuna de Zonza, Região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.   


A igreja paroquial da aldeia, Église Santa-Maria-Assunta de Zonza, é um dos raros edifícios de estilo neogótico da Córsega e impressiona pelo seu tamanho; seu campanário é adornado com uma bela estrutura de blocos de granito talhados.




Église Santa-Maria-Assunta de Zonza, erguida no século XIX em estilo neogótico, impressiona pelo seu tamanho e pelos blocos de granito talhados empregados na estrutura de seu campanário (à direita). Strada di a Ghjesa, Aldeia de Zonza, Comuna de Zonza, Região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França. 


Continuando em direção ao norte da Região de Alta Rocca, fomos conhecer a comuna de Quenza.


Quenza


Agrupada sobre um platô coberto de castanheiros e de azinheiras, Quenza é dominada pelas Aiguilles de Bavella (Agulhas de Bavella) ; no inverno, a comuna é um centro de esqui de fundo (cross-country skiing) praticado no planalto de Coscione; no verão, se revela um ponto de partida apropriado para numerosas trilhas pedestres e equestres nos maciços do entorno e uma das principais bases de alpinismo da Corse-du-Sud.


Na entrada leste da aldeia, na Estrada D 420, nós pudemos observa o Château de Quenza ou Château Colonna-Cesari.


O castelo, localizado no Parque Natural Regional da Córsega, no coração da Alta Rocca, é uma curiosidade arquitetônica; erguido por iniciativa de Sébastien Colonna Cesari, natural de Quenza e que foi cônsul geral da França em Florença até 1932, seguindo o modelo dos palácios toscanos de estilo medieval; este belo solar com torre quadrada e janelas com colunas foi construído por pedreiros italianos, utilizando pedras de granito amarelado e rosa, além de tijolos, entre as duas guerras mundiais, em 1935.


Sonho inacabado por falta de fundos, Sébastien faleceu no solar em 4 de abril de 1939.




A fachada principal do Château de Quenza ou Château Colonna-Cesari, localizado a 821 metros de altitude; foi construído em 1935 com pedras de granito amarelado e rosa por iniciativa de Sébastien Colonna Cesari, ex-cônsul geral da França na Itália; no estilo dos palácios toscanos da Idade Média, ele se destaca pela torre quadrada com ameias e pelas janelas com colunas. Entrada leste da Aldeia de Quenza, Estrada D 420, Comuna de Quenza, Região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França. 


A partir do plano em frente ao Château de Quenza, tem-se uma vista privilegiada das Aiguilles de Bavella (Agulhas de Bavella).


Elas são para a montanha o que os Calanche são para o mar: as Agulhas de Bavella formam uma paisagem deslumbrante e magnífica, um local predileto entre trilheiros e alpinistas; uma parada no Col de Bavella (Passo de Bavella), a 1.218 metros de altitude e que liga a parte oeste à costa leste da Córsega, oferece a oportunidade de admirar esses picos recortados, as cores mutáveis ​​das grandes paredes rochosas que emergem dos pinheiros larícios e a imponência da paisagem; os pinheiros curvados pelo vento se agarram ao solo rochoso coberto por alguns tufos de grama.




Aiguilles de Bavella (Agulhas de Bavella); caracterizadas por picos irregulares e grandes paredões de pedra, o paraíso dos trilheiros e dos alpinistas. Plano em frente ao Château Colonna-Cesari, Comuna de Quenza, Região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Na saída sul da aldeia de Quenza, na Strada di Santa Maria, encontramos a Chapelle Santa-Maria-Assunta de Quenza, localizada a 768 metros de altitude; esta capela do século XI ergue-se isolada, nas proximidades da estrada D 420; sua abside conserva a tradicional cobertura de telhas de granito; no seu interior, belos afrescos do final do século XV retratam santos e bispos.




Fachada principal da Chapelle Santa-Maria-Assunta de Quenza, do século XI, em estilo românico, nave única. Strada di Santa Maria, Aldeia de Quenza, Comuna de Quenza, Região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




Altar-mor com a imagem da Virgem; na abside, belos afrescos do final do séc. XV. Strada di Santa Maria, Aldeia de Quenza, Comuna de Quenza, Região de Alta Rocca, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Voltamos para Bonifacio e, no dia seguinte, seguimos pela costa leste da ilha.


Costa leste da ilha, comuna de Porto-Vecchio.


Iniciamos pela Plage de Santa Giulia, na Comuna de Porto-Vecchio.


Plage de Santa Giulia


No fundo do pacífico Golfe de Santa Giulia se desenvolveu uma magnífica praia de areia branca de águas cristalinas; ela é célebre por sua areia de uma extrema fineza e suas águas de declive suave, sendo uma das bases náuticas mais completas e dinâmicas da região; hotéis e restaurantes a rodeiam; a laguna (étang) de mesmo nome, que lembra uma lagoa polinésia, é um emblema da beleza natural do extremo sul.




Golfe de Santa Giulia, e, à direita, a praia e o étang (laguna) de mesmo nome. Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.



Plage de Santa Giulia, com suas areais de extrema fineza, e, após, a Étang de Santa Giulia, que recorda uma lagoa polinésia. Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.




Hôtel Moby Dick, na Plage de Santa Giulia, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.




Parte sul do Golfe de Santa Giulia; à direita, a ponta sul da Plage de Santa Giulia com canal para a laguna (étang). Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.


Mais para o norte, encontramos a Plage de Palombaggia.


Plage de Palombaggia


Pérola entre as pérolas, emoldurada por rochas vermelhas, esta suntuosa praia de areia branca e fina estende-se ao pé de dunas sombreadas por majestosos pinheiros-guarda-sol; as águas adquirem tons de turquesa, azul ultramarino e ametista; uma aquarela de azuis num contorno de pórfiro rosa.


A beleza da região atrai muitos veranistas e explica a forte pressão imobiliária acima da praia.




Rochas avermelhadas no extremo norte da Plage de Palombaggia; a areia da praia muito fina; ao fundo, à esquerda, pinheiros-guarda-sol. Parte norte da Plage de Palombaggia, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.




Extremo norte da Plage de Palombaggia, com vista para uma das ilhas do arquipélago das Cerbicales, provavelmente a Île Forana, que constituem a Réserve naturelle des Îles Cerbicales. Parte norte da Plage de Palombaggia, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.




Lado sul da Plage de Palombaggia, águas de tonalidade turquesa, azul ultramar e ametista. Parte sul da Plage de Palombaggia, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.

Seguindo mais ao norte da costa leste da ilha, nos deparamos com a cidade de Porto-Vecchio, Purtivechju, na língua corsa.


Porto-Vecchio


Dominada por sua citadelle, a terceira cidade da Córsega sempre se beneficiou de sua posição estratégica, mas por razões que se alteraram ao longo do tempo; piratas barbarescos e mosquitos cederam lugar aos turistas, dentro os quais numerosos italianos, desembarcando por avião ou por barco, seduzidos pela proximidade de praias dignas de cartão postal - como as de Santa Giulia e de Palombaggia, que acabamos de apreciar neste post - e uma hotelaria de luxo.


Após terem fundado as praças-fortes de Bonifacio, Bastia, Saint-Florent, Ajaccio e Calvi, o Banco de São Jorge (Office de Saint-Georges), preposto da República de Gênova no controle da Córsega na época, criou, em 1539, Porto-Vecchio, a fim de completar o sistema de defesa da ilha; os genoveses escolheram o lugar em razão de sua situação estratégica: o porto, muito seguro, era dominado por uma crista rochosa sobre a qual foi construída a cidadela, escondida do mar pelas alturas de Punta di U Cerchiu.


Os primeiros colonos genoveses estabelecidos em 1539 foram dizimados pela malária; os genoveses então a repovoaram em 1546, dessa vez com corsos recrutados à força; novo insucesso engendrado pelo paludismo, pelas incursões barbarescas, pela hostilidade dos habitantes espoliados de suas terras e obrigados a residir na urbe.


Em 1564, o líder patriota Sampiero Corso, não dispondo mais do apoio da França, decidiu partir para o ataque sozinho com o fim de livrar a ilha da tutela genovesa; tomando posição na aldeia de Vescovato, ele formou um pequeno exército com o qual ele falhou diante de Ajaccio; em seguida, ele voltou sua atenção para Porto-Vecchio e a conquistou em 30 de julho de 1564.


Sampiero podia esperar uma aliança com os corsários berberes; assim, Porto-Vecchio tornou-se um formidável ninho de corsários para os genoveses; estes, conscientes do perigo, alertaram seu aliado, o rei Filipe II, da Espanha, que acreditava ser o grande guardião do Catolicismo e, por consequência, do verdadeiro Cristianismo; no outono de 1564, os navios de guerra espanhóis navegaram em direção à Córsega; no dia 26 de novembro daquele ano, a cidade, sitiada pelos espanhóis, chefiados pelo genovês Stefano Doria, capitulou, voltando ao domínio da República de Gênova.


Em 1769, após a derrota do líder patriota Pasquale Paoli, teve o mesmo destino de toda a ilha, tornando-se domínio francês.


O turismo se desenvolveu no lugar a partir do século XIX, mas foi a partir do desaparecimento do mosquito portador da malária que a cidade alcançou seu sucesso; hoje, a cidade tornou-se uma estação balneária muito reputada.


Da Citadelle de Porto-Vecchio, iniciada em 1539, restam algumas partes; das antigas fortificações genovesas, subsistem ainda os bastiões e as torres de vigia que dominam a marina: Bastion de France, Bastion San-Antonio, e Porte Génoise, sobre a qual repousa uma torre de vigia, restos da cidadela e vestígios das muralhas.




Vista do Restaurante La Marine, no porto, e da Citadelle de Porto-Vecchio; destaque, no centro, o Bastion de France (Bastionu di Francia). Molu Pasquale Paoli, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Subindo em direção à cidadela, ingressamos na Montée de la Porte Génoise ou Rue Fontana-Vecchia e nos deparamos com a Porta Genovesa, antigamente, a única entrada da cidade fortificada.


Os locais a chamavam de "Piazza di Po" porque ela constituía certamente o lugar onde ficava o podestat (governante); único acesso, na época genovesa, para entrar e sair da cidade, protegida por um sólido portão e matacões, bem conservados até os nossos dias (plataformas salientes em torres e muralhas, dotadas de uma abertura inferior que permitia aos defensores arremessar projéteis ou óleo fervente nos inimigos), e por um canhão que ficava instalado acima, sobre uma plataforma que servia de mirante.


A porta dava acesso ao porto, ocupando uma posição estratégica, dominando as salinas e o golfo; além disso, o comércio naquela época era realizado principalmente por via marítima; assim, essa posição lhe permitia o controle de todos os movimentos ocorridos no local.




Porta Genovesa (Porte Génoise), conhecida pelos locais como Piazza di Po (Praça do Podestat - Poderoso), antigamente, a única entrada da cidade fortificada; torre de vigilância, que era defendida por um canhão colocado no alto, sobre uma plataforma que servia de mirador, bem como dois matacões (pelos quais os defensores jogavam objetos ofensivos (pedras, óleo quente, etc.) nos atacantes). Rue Fontana-Vecchia, Antiga Citadelle de Porto-Vecchio, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




Placa alusiva à Torre da Porta Genovesa, conhecida como Piazza di Po. Rue Fontana-Vecchia, Antiga Citadelle de Porto-Vecchio, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




Porta Genovesa por dentro da Citadelle; originalmente era a única entrada da fortificação, e, na época, era protegida por uma sólida porta. Rue de Borgo (U Borgu), Antiga Citadelle de Porto-Vecchio, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


A Rue de Borgo (U Borgu) acompanha a antiga muralha voltada para a marina e para o Golfe de Porto-Vecchio, ligando o Bastion San-Antonio e o Bastion de France.




Rue de Borgo (U Borgu), que acompanha a antiga muralha voltada para a marina e o Golfe de Porto-Vecchio, ligando os Bastions San-Antonio e de France; vê-se, à direita, a Porta Genovesa. Antiga Citadelle de Porto-Vecchio, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




Bastion de France, anteriormente chamado de Bastion de la Marina, foi construído pelos genoveses em 1542; é ele que permitia dia e noite vigiar os movimentos dos barcos no porto. Antiga Citadelle de Porto-Vecchio, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Do alto, podemos ver a Marine de Porto-Vecchio, que é composta de um port de plaisance (porto de diversão) e de um port de commerce (porto comercial), pelo qual são exportadas a madeira e a cortiça em direção ao continente; ele é o terceiro porto corso, assegurando as ligações com o continente; o porto comercial é também escala dos cruzeiros e das linhas marítimas sazonais com a Itália.




Port de Plaisance no Golfe de Porto-Vecchio. Marine de Porto Vecchio, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Saindo da Rue de Borgo, ingressamos na Rue Zoé Grimaldi Ortoli, na direção da Place de la République, encontramos uma buganvília florida, enriquecendo o ambiente.




Restaurante Le Passe Temps, com uma belíssima buganvília (bougainville) florida. Rue Zoe Grimaldi Ortoli, 6, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Depois viramos à esquerda, no Cours Napoléon (Corsu Napulli), novamente à esquerda no Impasse Ettori, alcançando, por fim, a Piazza Ettori.




Place Ettori ou Piazza Ettori, rodeada de velhas construções de pedra. Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




Casa de escadaria que serviu de enfermaria para as tropas genovesas, Piazza Ettori, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.


Voltamos ao Cours Napoléon e seguimos até o pátio da Église St-Jean-Baptiste; o elegante campanário e a abside, que estão voltados para a Place de la République, contrastam com a fachada principal clássica, inacabada, deste edifício construído do século XVI ao século XIX.




Fachada clássica principal da Église St-Jean-Baptiste, construída do séc. XVI ao XIX. Place de la Église, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.




Nave principal da Église St-Jean-Baptiste; o altar-mor e o tabernáculo, feitos em mármore de Carrara, datam do século XIX. Place de la Église, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.


Em frente à igreja de São João Batista, encontra-se a Chapelle Santa Croci (Chapelle Sainte-Croix), fundada em 1656 como oratório da Confrérie Sainte-Croix de Porto-Vecchio; ela serviu como asilo para pobres (casaccia na língua corsa) e prefeitura no século XVIII; ela foi praticamente reconstruída na segunda metade do século XVIII durante o governo de Pasquale Paoli; em seu interior, a capela abriga belas obras de arte, como uma pintura de Maria Regina do século XVIII e uma cruz processional do século XVII.




Fachada da Chapelle Santa Croci (Chapelle Sainte-Croix), fundada em 1656, em frente à Igreja de São João Batista; oratório da Confrérie Sainte-Croix de Porto-Vecchio. Place de la Église, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.




Interior da Chapelle Santa Croci; no altar, quadro Maria Regina (Mãe Rainha), do séc. XVIII, ofertada pela imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão III, da França. Place de la Église, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.




Cruz processional do século XVII, na parede esquerda da Chapelle Santa Croci, Place de la Église, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.


No centro da cidade velha, encontra-se a Place de la République, sombreada e animada pelos terraços dos cafés.



Carrossel na Place de la République; ao fundo o então restaurante Au Bon Coin. Place de la République, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.




Centre Culturel de Porto-Vecchio e Cinémathèque de Corse; à esquerda, balão indicando o local da partida do Tour de França (Volta da França) de 2013, a corrida de ciclismo mais famosa do mundo. Rue Fred Scaramoni, 2, Cidade de Porto-Vecchio, Comuna de Porto-Vecchio, Communauté de communes du Sud Corse, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.


Seguindo pela Estrada T 20 que margeia a costa leste alcançamos a última comuna do litoral leste da Corse-du-Sud, Sari-Solenzara.


Sari-Solenzara


A comuna de Sari-Solenzara situa-se na extremidade sul da planície oriental, entre Aléria e Porto-Vecchio; banhada pelo rio Solenzara, constitui, na costa leste, o limite norte do território da Corse-du-Sud.


Embora o núcleo fundador da comuna seja a vila de Sari, no interior, o local mais conhecido hoje é a cidade litorânea de Solenzara.


Esta estação balneária na foz do rio Solenzara separa a costa rochosa de Nacres, ao sul, da costa plana, ao norte; a cidade de Solenzara oferece uma port de plaisance (porto de diversão) e alia os prazeres do mar com aqueles da montanha muito próxima; ao norte do rio, se estende uma grande praia de areia fina margeada por eucaliptos plantados durante o Segundo Império (Napoleão III) para drenar a região que então era pantanosa.


A cidade recebeu seu nome do rio Solenzara que vem do nome corso sole, que significa sol; muito animada no verão, ela é dotada de um porto de pesca e de diversão; é na extremidade do espigão do cais que se oferece a vista mais bonita da cidade, acima da qual se destacam as Aiguilles de Bavella (Agulhas de Bavella).




Église Saint-Paul de Solenzara, do século XIX, erguida a partir de um estábulo; localizada na estação balneária na embocadura do rio Solenzara. La Marina, Cidade de Solenzara, Comuna de Sari-Solenzara, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




Monument aux Morts de la 1ª Guerre Mondiale de Solenzara (Monumento aos mortos da 1ª Guerra Mundial) - "Solenzara a seus filhos mortos pela pátria". La Marina, Cidade de Solenzara, Comuna de Sari-Solenzara, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




As Aiguilles de Bavella (Agulhas de Bavella) vistas a partir do mirante do espigão do cais do porto de Solenzara. La Marina, Cidade de Solenzara, Comuna de Sari-Solenzara, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  




A cidade de Solenzara vista a partir do mirante do espigão do porto. La Marina, Cidade de Solenzara, Comuna de Sari-Solenzara, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


A longa Plage de Scaffa Rossa, de areia fina, se espalha ao norte da cidade, na foz do rio Solenzara, já na comuna de Solaro, passando para o Departamento da Haute-Corse (Alta Córsega); pode-se alternar a natação no Mar Mediterrâneo com o banho nas águas puras e frescas do rio.




O início da Plage de Scaffa Rossa, na comuna de Solaro, costa oriental da Córsega, já no Departamento da Haute-Corse, vista a partir do mirante do espigão do porto, La Marina, Cidade de Solenzara, Comuna de Sari-Solenzara, Communauté de communes de l'Alta Rocca, Departamento da Corse-du-Sud, Córsega, França.  


Continuando na costa oeste da ilha, mas já no Departamento da Haute-Corse, ingressamos na comuna de Aléria.


Aléria


Na comuna, a arqueologia ressuscitou, a partir dos anos 1950, a cidade da Antiguidade; é hoje um sítio único na França, o único testemunho de envergadura da implantação dos foceus no século VI a. C.; na desembocadura do Vale do Taviganano, que liga facilmente o litoral ao interior da ilha, e nas proximidades de um abrigo portuário natural, Alalia foi a primeira metrópole histórica da Córsega; a cidade conheceu diversas sortes até a queda de Roma e as invasões dos vândalos.


A antiga cidade carregou a marca de diferentes povos mediterrâneos que a cobiçaram: foceus, etruscos, cartagineses, romanos e genoveses; no seu auge, Aléria chegou a ter cerca de 80.000 habitantes, enquanto o núcleo urbano atual, mais ao norte, alcança um pouco mais de 2.000.


Os gregos de Foceia (atualmente faz parte do território da Turquia) - os mesmos que fundaram Marselha e Nice, na costa provençal - fugindo da dominação persa, criaram o entreposto de Alalia, por volta de 565 a.C.; a nova cidade, cuja acrópole ficava localizada sobre a única colina dessa costa plana, olhava mais para o mar do que para a terra: ela estava em conexão estreita com as outras cidades gregas da costa do Mediterrâneo ocidental.


A partir de 259, os romanos se instalaram na cidade, rebatizada de Aléria, e fizeram um centro econômico importante - eles já criavam ostras no lago vizinho Diana, que ficava próximo, e suas conchas eventualmente formaram a Ilha dos Pescadores; também exploravam a cortiça, o mel e o vinho, e provavelmente em grandes quantidades, o trigo: acredita-se que a Córsega tenha sido um dos celeiros de Roma.


Os conquistadores criaram também Mariana, uma segunda cidade, de menor importância, mas onde os primeiros cristãos instituíram a maior basílica da Córsega, a Canonica.


Situado a cerca de 3 quilômetros a nordeste da aldeia atual de Aléria, o Étang de Diane, importante base da frota romana, era já conhecido na Antiguidade por sua produção de ostras; hoje, a laguna de aproximadamente 550 hectares é um centro de criação de mexilhões, moluscos e ostras.




Étang de Diane, uma laguna que foi uma importante base da frota romana, e, como os romanos gostavam muito de mariscos, desde a Antiguidade era reputada por suas ostras. Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Étang de Diane é hoje um importante centro de criação de mexilhões, moluscos e ostras. Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Em seguida, nos dirigimos ao sítio arqueológico da cidade antiga de Aléria, ao sul do atual núcleo urbano, passando antes pela Église Saint-Marcel; erguida no século XV sobre o lugar da antiga catedral românica San Marcellu, essa igreja foi em parte construída com pedras provenientes da cidade romana.




Interior da Église Saint-Marcel, erguida no século XV sobre as fundações da catedral românica de San Marcellu; em destaque, bonita imagem de Santo Antônio. Le Fort, 1, Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Em frente à igreja, encontra-se o Fort de Matra, sede do atual Musée Départemental d'Aléria Jérôme-Carcopino.


O Musée d'Aléria Jérôme-Carcopino exibe os vestígios descobertos no sítio arqueológico da cidade antiga de Aléria.


O museu, que apresenta objetos desenterrados durante as escavações da antiga colônia e das necrópoles, está instalado no Forte de Matra, construído pelos genoveses a partir do século XIV.


Um pequeno destacamento de cavalaria estava estacionado no forte, encarregado de guardar a planície e a rota para a cidade de Corte.


O forte tem formato quadrilátero irregular, construído em dois níveis ao redor de um pátio central, que abriga uma cisterna. Possui uma imponente torre quadrada em seu canto sudeste.


O forte tem uma história turbulenta. Atacado e saqueado em 1730 por corsos rebeldes, mais tarde acolheu o primeiro e único Rei da Córsega, Theodore de Neuhoff, que desembarcou na praia de Aléria em 12 de março de 1736.


No século XVIII, foi arrendado à poderosa família Matra, e, depois, passou a ser controlado pelo exército e pela alfândega.




Fort de Matra (Forte de Matra), erguido a partir do século XIV pelos genoveses para abrigar um pequeno destacamento de cavalaria, encarregado de guardar a planície e a rota para a cidade de Corte; um formidável quadrilátero irregular de dois andares, com uma imponente torre quadrada no seu canto sudeste; hoje é sede do Musée Départemental d'Archéologie Jérôme-Carcopino. Le Fort, Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


O museu agrupa, dentre outras, uma coleção de objetos das necrópoles pré-romanas, dentre elas, as etruscas; diversos objetos de bronze, de ferro, de vidro e, sobretudo, de cerâmica atestam a continuidade das relações comerciais entre Aléria, a Grécia e a Itália.


Provavelmente importadas pelos etruscas, podemos observar belas peças provenientes da região de Ática, na atual Grécia, como dois notáveis rítons (vasos para beber, corniforme ou em forma de cabeça de animal ou animal inteiro, usado na Antiguidade), em forma de cabeça de cachorro e de cabeça de mula, por volta de 450 a.C..




Peças encontradas no sítio arqueológico Alalia-Aléria, a maioria nas necrópoles etruscas. Musée Départemental d'Archéologie Jérôme-Carcopino, le Fort, Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Ríton ou vaso para beber em forma de cabeça de mula, peça ática por volta de 450 a.C., provavelmente trazida pelos etruscos; orelhas deitadas para trás; boca aberta; narinas dilatadas; olhos exorbitantes. Musée Départemental d'Archéologie Jérôme-Carcopino, le Fort, Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Ríton ou vaso para beber em forma de cabeça de cachorro, peça ática por volta de 450 a.C., provavelmente trazida pelos etruscos. Musée Départemental d'Archéologie Jérôme-Carcopino, le Fort, Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




Soberba cabeça de Júpiter Amon, deus greco-egípcio, com cornos de carneiro, mármore, datando da época do imperador romano Trajano, séc. II. Musée Départemental d'Archéologie Jérôme-Carcopino, le Fort, Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Mais ao sul, ingressamos no sítio arqueológico da Ville Antique d'Aléria.


Embora a presença romana pareça ter sido estabelecida ali já no final do século III a.C., Aléria e seu território circundante sofreram três colonizações sucessivas, atribuídas ao ditador Lúcio Cornélio Sula por volta de 81 a.C., ao cônsul Julio César, em 46 a.C., e o então triúnviro Otaviano Augusto (futuro primeiro imperador romano), por volta de 32 a.C.


Delimitada por uma muralha ainda visível a sudeste e pela íngreme encosta natural a oeste e norte, a cidade abrangia uma área de aproximadamente 11 hectares. Os portões, cujos vestígios foram revelados pela arqueologia, pela morfologia do terreno e pela toponímia, localizavam-se ao sul, oeste e nordeste, dentro da muralha que circundava a cidade.


A cidade continuou a evoluir durante a Antiguidade Tardia, sofrendo numerosas modificações e alterações visíveis nos edifícios e no traçado geral das vias internas.


Do ponto de vista arqueológico, a cidade parece ter sofrido um declínio gradual a partir do século IV d.C., embora o sítio aparentemente nunca tenha sido completamente abandonado. No final do século VI, uma carta do papa Gregório Magno confirma a presença de um bispado em Aléria.




Placa de recomendações relativas à visita ao sítio arqueológico da Ville Antique d'Aléria. Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


Forum - a praça de forma trapezoide, coração da vida pública da cidade, era rodeada de pórticos ao norte e ao sul; nas suas extremidades, fazia face, a leste, a um pequeno templo, e, a oeste, ao capitólio.


Capitólio - consagrado a Júpiter, Juno e Minerva (a Tríade Capitolina), era o monumento religioso mais importante da colônia romana, infelizmente praticamente destruído na época genovesa; acedia-se por uma escadaria monumental; um triplo pórtico o fechava na direção oeste e a esplanada assim delimitada foi ocupada no Baixo Império Romano por um pequeno conjunto termal do qual restam apenas as piscinas.




Em primeiro plano, a grande cisterna localizada na parte sul do Forum; na sequência, a escadaria monumental e as fundações que restaram do Capitólio, dedicado aos deuses Júpiter, Juno e Minerva, o edifício religioso mais importante da colônia. Sítio arqueológico da Ville Antique d'Aléria, Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.





Lado oeste do Capitólio, no qual se veem os restos das piscinas do conjunto termal construído no Baixo Império Romano, à esquerda, as bases da colunas do pórtico norte, no centro, o Capitólio e, na sequência, o Forum, tendo ao fundo, os restos do templo, a leste da praça. Sítio arqueológico da Ville Antique d'Aléria, Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.




A região foi ocupada, em épocas diversas, por foceus, etruscos, cartagineses, romanos e genoveses. Sítio arqueológico da Ville Antique d'Aléria, Comuna de Aléria, Communauté de communes de l'Oriente, Departamento da Haute-Corse, Córsega, França.


No nosso próximo post, vamos conhecer a cidade de Corte, no centro da Córsega.



Fontes:


Wikipedia


"Petit Futé Corse 2013", de Xavier Bonnin, Jean-Paul Labourdete, Dominique Auzias et alter; édité par Les Nouvelles Editions de l'Université, 18, rue des Volontaires, Paris, France; impression par Imprimerie Chirat, Saint-Just-la-Pendue, France, février 2013.


"Le Guide Vert Michelin Corse"; responsable par collection Anne Teffo; édition de Natacha Brumard; rédaction de Jordane Bertrand, Isabelle Bruno, Louise Druet, Jean-Louis Gallo, Guylaine Idoux e Hervé Kerros; édité par Michelin, Propriétaires-éditeurs et Michelin Guides Touristiques, 27, cours de l'Île-Seguin, Boulogne-Billancourt, France; impression par Tipografica Varese, Italie, 01-2013.


"La Corse - Île de Beauté, Terre de Liberté", de Jean-Paul Brighelli; collection conçue par Pierre Marchand, édité par Découvertes Gallimard Culture et Société; impression par IME, France, avril 2004.


Destination Corse 2012, Milan Presse, 300, rue Léon-Joulin, 31101, Toulouse, France, Président Bayard Presse représenté por Georges Sanerot, Rédacteur en chef: Olivier Thevenet.







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